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PROJECT BASED EDUCATION METHOD AND APPLICATION OF “TELEVISION PROJECT” WITH PRE-SCHOOL CHILDREN

4 Karabük Üniversitesi MYO, Radyo Televizyonculuk Programı

No livro “Encontros” de Eduardo Viveiros de Castro, localizamos uma entrevista dada pelo mesmo, com o título de “Uma boa política é aquela que multiplica os possíveis”. Neste artigo o autor responde a perguntas sobre o foco de seus estudos em “antropologia perspectivista” e a ideia de Pierre Clastres de “sociedade contra o Estado”. Contudo, não

entraremos em detalhes sobre os conceitos, mas aproveitaremos algumas reflexões acerca da noção de Estado, estas são importantes na compreensão de alguns pontos em nossa pesquisa.

“O Estado pode ser imaginado como a encarnação do absoluto, não apenas no sentido hegeliano, mas como a posição de um inegociável, como algo que, por definição, nos coloca diante de um fato consumado”. (CASTRO, 2008, p. 229).

Dessa forma o Estado geralmente é interpretado como algo que é dado de antemão, sem possibilidades de “movimento”. Porém, como já dito várias vezes nesta pesquisa: Foucault mostra que as relações de poder são flexíveis, mesmo que isso seja mascarado de forma muito eficaz pelo poder. Sendo assim, o Estado pode também entrar no plano dos “movimentos de cultura”.

O Estado produz aquela mesma sensação de alienação radical que nós mortais sentimos diante das entidades sobrenaturais, isto é, imortais. Michael Taussig tem um livro chamado The Magic of the State, em que ele fala desse caráter sobrenatural do Estado. Foi um pouco por aí que segui quando escrevi esse texto recente sobre o medo, sobre a experiência indígena de confronto solitário com um espírito na mata. A sensação de se estar completamente alheio, parece-me muito próxima da posição subjetiva do cidadão diante do Estado. É a experiência do cidadão K., do homem qualquer, diante da lei: a despossessão subjetiva extrema, a perda das condições de autodefinição. É essa alteridade que me confronta que define quem sou; estou em suas mãos. Como impedir isso? Como escapar dessa? Questão Angustiante. (CASTRO, 2008, p. 231).

Isso nos faz pensar no controle dos sentidos imposto pelo Estado de São Paulo e pela Republica Federativa do Brasil, mesmo sabendo que isto não é “privilégio” apenas destes e sim da maioria dos países, sobretudo, quando seguem políticas educacionais a favor do mercado. Ou seja, quando o Estado tem como meta, deslocar aquele que ensina para o lugar de quem aprende, temos que ter cuidado para não deixar o professor sozinho diante dessa transcendência absoluta. Dessa forma, as “relações de poder” encontram sérias dificuldades para equilibrar as forças, sendo assim, o deslocamento do ensino para a aprendizagem passa pelo campo do “comum” e não é só tarefa do educador. Caso contrário, o educador se encontra diante de algo que parece sobrenatural e ele tem pouquíssimas possibilidades de viver no permanente “movimento da cultura”.

Quando dizemos que o deslocar do lugar de quem ensina para o lugar de quem aprende, não é só tarefa do professor, não estamos descartando que este deve ser iniciado a partir do “cuidado de si”. As “práticas de si” são fundamentais para uma boa relação com os “movimentos da cultura”, consigo mesmo e com os outros. Portanto, para que ocorra o

deslocar do sujeito e da cultura, o corpo precisa antes passar pela ética que constitui o “cuidado de si”. Assim, o sujeito pode ir se elaborando com um modo artista de viver. Até porque o aprisionamento posto pelo mercado é político, e na dimensão política existem espaços para ruptura.

Quando pensamos no mercado como mecanismo colonizador do Estado, entendemos que se o corpo não fizer um trabalho de “cuidado de si”, o sujeito pode se encontrar sozinho dentro desta máquina dominadora. O corpo se torna parte de um todo e ao mesmo tempo ele é um nada, diante do absolutismo do Estado que engloba o Todo. Para Castro (2008, p. 232) o poder do sobrenatural nos diz: “Aqui o sujeito sou eu. Você não é humano coisa nenhuma. Venha para mim, torne-se um de nós”. O poder quer colonizar o corpo e isso vem sendo operado pelo próprio Estado, quando coloca em seu plano de governo o “Ministério do Mercado”, o “Ministério da Monocultura”, o “Ministério da Mononatureza” como diria Castro (2008).

Esses Ministérios trabalham orientados por uma meta estúpida e impossível, que é a de reproduzir as condições de produção e consumo características do capitalismo central no século XX; tais condições não são mais reproduzíveis, elas projetam um mundo que não cabe mais no planeta. (CASTRO, 2008, p.251).

Observamos isso em nossa pesquisa, tanto no âmbito Estadual como no Federal (este descrito por Castro, 2008). Os órgãos públicos responsáveis pela educação como a “Secretaria de Educação do Estado de São Paulo”, como o “Ministério da Educação” (MEC – Brasil) fazem parte do “Ministério do Mercado”, da produção e do consumo.

No entanto, na teoria, o Estado funciona como algo que está distante das pessoas, mas encontramos mais um problema: os sujeitos que estão vinculados ao Estado pelas solidariedades de parentesco. (CASTRO, 2008).

“O parentesco é a corrupção, o nepotismo, as solidariedades arcaicas que atravancam a marcha do Estado democrático. O Estado está acima dos interesses familiares, dos interesses primados”. (CASTRO, 2008, p. 232).

O mesmo autor (2008, p. 233) reflete sobre esta colocação da seguinte forma:

Sabemos todos muito bem que o Estado não funciona de forma alguma assim - mas, este é o ponto, “deveria”. Esta é a interessante mitologia moderna da constituição de um Estado acima dos interesses particulares simbolizados pela ideia de parentesco. A coisa pública como antítese da pessoa do parente.

Mais uma vez nos colocamos para pensar sobre os “movimentos de cultura” e o “cuidado de si”. Primeiro: na medida em que o sujeito não consegue se deslocar do estado de “menoridade”, ou seja: viver sem algum tipo de tutela, seja no campo educacional/teórico, no campo religioso, no campo estatal. Segundo ponto: o “cuidado de si” ético está distante da nossa realidade, não está no corpo. Alcançar a “maioridade” pelo que Foucault descreveu como “atitude moderna” é algo que nos parece distante. Por isso que entendemos a importância de pensarmos no “movimento da cultura”, pelo “cuidado de si” e com as práticas corporais, porque nos encontramos em um momento de tensão imenso.

Como síntese, indicamos o eixo do nosso esforço de interpretação dos dados organizados no “corpus”. Pensamos o sentido da “cultura do movimento” ampliado por outro que consiste no “movimento da cultura”. A partir do entendimento da dimensão política da processualidade afirmamos a necessidade de nos empenharmos na construção desta cultura, que na proposta de mudança curricular aparece como já garantida. Por isso, apresentamos uma pesquisa que contribui para uma forma de política educacional capaz de multiplicar os possíveis e não se limita às interdições do mercado. Concluímos que ela não está dada por obra da natureza, e que a sua construção é uma tarefa sem descanso. Garantir um “movimento da cultura” ajuda a ampliar os processos de subjetivação em benefício do corpo, ele pede por uma vida com mais alegria e festiva.