Nesta seção será abordado o instrumento de coleta de dados usado para a instrumentação das variáveis.
Como instrumento de pesquisa, foi usado um questionário estruturado e auto- administrado, composto 133 questões divididas em três partes: Parte I - Dados Pessoais; Parte II - Questionário de Estresse Ocupacional; Parte III - Questionário sobre Mentoria percebida nas relações entre profissionais de TI.
O início do questionário trouxe orientações iniciais com o objetivo de colaborar para o correto preenchimento das questões. O questionário está disponível no Apêndice B.
3.4.1 Primeira parte do questionário - Parte I
A parte I do questionário usado como instrumento de coleta, intitulada “Parte I - Dados Pessoais”, buscou saber o sexo, a idade e o cargo dos respondentes. Teve como objetivo checar se estas variáveis poderiam influenciar as percepções do Estresse Ocupacional.
3.4.2 Segunda parte do questionário - Parte II
A parte II do questionário, intitulada “Parte II - Questionário de Estresse Ocupacional”, foi extraída do questionário Ocupational Stress Indicator - OSI, testado e validado no Brasil por Moraes e Kilimnik (1994), cujo objetivo foi o de captar a percepção dos profissionais de TI sobre o estresse na profissão.
O OSI é um questionário estruturado e auto-aplicável, não necessitando da presença de orientadores para o seu preenchimento. É composto de sete seções com respostas em escala Likert. Foi concebido segundo o modelo dinâmico originalmente proposto por Cooper et al. (1988) e se fundamenta em quatro princípios básicos: a) Tem um suporte teórico bem
consolidado dando um forte respaldo científico à sua estrutura: sua aplicação é prática e eficiente; b) Possui o rigor metodológico: mede com eficácia o estresse, de acordo com a sua proposta; c) É um modelo dinâmico: o OSI não é um objeto pronto e acabado, mas sim um modelo que vai sendo construindo à medida que toma contato com a realidade; d) Destaca ênfase empírica: o questionário procura ser o mais útil possível como um instrumento para mudar a realidade (MORAES; KILIMNIK, 1994).
O questionário OSI está disponível na Parte II do instrumento de coleta e foi extraído do trabalho de Parreira (2006). As seis variáveis de medida do fenômeno do estresse ocupacional, segundo Moraes e Kilimnik (1994), mostradas no Quadro 1, foram preservadas no questionário de Parreira (2006), de modo a manter a originalidade do modelo: a) fontes de pressão no trabalho; b) comportamento tipo A; c) lócus de controle; d) mecanismos de controle e/ou defesa; e) estado de saúde e f) satisfação no trabalho.
As questões constantes na parte II do questionário aplicado, referente ao OSI, são classificadas segundo os seguintes aspectos (cada aspecto divide a seção em facetas específicas):
Faceta I - É formada pela seção 1, a qual compreende as questões 01 a 12. Esta faceta está relacionada ao nível de satisfação com o trabalho: trata dos sentimentos de satisfação em relação ao trabalho dos Profissionais de TI;
Faceta II - É formada pela seção 2, a qual compreende as questões 13 a 30. Esta faceta está relacionda ao nível de estresse: trata do modo como os profissionais de TI se sentem ou se comportam, centrando nos seus sentimentos e no modo como eles são afetados pela pressão que percebem em seu trabalho. Ainda há questões que se referem à freqüência com que problemas físicos se manifestam.
Faceta III - É formada pela seção 3, seção 4 e parte da seção 7, compreendendo, respectivamente, as questões 31 a 35, 36 a 39 e 90 a 105. Esta faceta está relacionada à propensão ao estresse: traz questões que se referem à forma como os profissionais de TI encaram seu estilo de vida e seu comportamento
Faceta IV - É formada pela seção 5, a qual compreende as questões 40 a 79. Esta faceta está relacionada ao nível de pressão/insatisfação com o trabalho: aborda o modo como os profissionais de TI interpretam os eventos à sua volta, visando determinar o quanto o tal profissional sente poder influenciar os fatos de sua vida.
Faceta V - É formada pela seção 6 e parte da seção 7, compreendendo, respectivamente, as questões 80 a 84 e 85 a 89. Esta faceta está relacionada às estratégias de
combate ao estresse: busca identificar as principais estratégias de combate ao estresse, desenvolvidas pelos profissionais de TI.
3.4.3 Terceira parte do questionário - Parte III
A terceira parte do instrumento de coleta, intitulada “Parte III - Questionário sobre Mentoria percebida nas relações entre profissionais de TI”, trouxe questões extraídas do instrumento de coleta usado por Junior (2005). Este instrumento de coleta foi baseado no questionário elaborado e validado por Noe (1988) e nos enriquecimentos realizados por Carvalho (2003). A ordem de apresentação dos itens foi determinada aleatoriamente.
O início da Parte III trouxe instruções para o preenchimento do questionário e alertava o respondente para o fato de que este deveria avaliar cada comportamento listado a partir de três escalas, as quais foram individualmente explicadas e exemplificadas. As instruções nesta parte do questionário foram especialmente necessárias pois, como cita Junior (2005), embora a idéia de mentoria seja comum aos relacionamentos humanos, o não conhecimento da sua conceituação formal poderia ser um obstáculo à compreensão dos respondentes, o que representaria limitador às respostas obtidas.
O questionário trouxe 28 itens. Estes foram extraídos dos 32 itens originais do instrumento de Noe (1988). Os itens, no instrumento original de Noe (1988), representam as funções de mentoria descritas na teoria e buscam determinar o quanto as funções eram oferecidas pelos mentores. Os itens usados no questionário desta pesquisa fazem referência a todas as funções de carreira (exposição/visibilidade, coaching, proteção, patrocínio e desafio nas tarefas) e às funções psicossociais de amizade, de aconselhamento e de aceitação e confirmação.
3.4.3.1 As escalas de respostas das questões de mentoria
Cada questão do questionário possuía três escalas a serem respondidas: Importância; freqüência “mentor você” (também chamada “freqüência do mentor”); freqüência “você mentorado” (também chamada “freqüência do mentorado”).
Para a escala de importância foi pedida a percepção do respondente em relação ao grau de importância que este atribuía a cada comportamento listado. A adição desta escala ao instrumento de Noe (1988) é uma contribuição do estudo de Carvalho (2003).
Para a escala de freqüência “mentor você”, solicitou-se a freqüência com que os respondentes perceberam ter recebido, de seus mentores, o comportamento listado. Essa escala foi a que mais se aproximou do instrumento original de Noe (1988).
Para a escala de freqüência “você mentorado”, os respondentes (gerentes) avaliaram a freqüência com que se empenharam em cada comportamento listado para com os respectivos mentorados. Essa escala é um enriquecimento da pesquisa de Junior (2005) às abordagens de Noe (1988) e Carvalho (2003).