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4. Karşıtlık, hem söz dizimsel hem de anlam bilimsel ilişkilerin karşılıklı olarak
Neste tópico discutiremos o estatuto do toque na interação mãe-criança cega, tecendo considerações sobre a contribuição e o papel do sentido tátil no funcionamento multimodal da linguagem de uma criança cega.
Nessa interação peculiar, o face a face característico de uma interação típica entre mãe e criança, estabelecido e sustentado pelo olhar mútuo, deve ser redirecionado para o face a face tátil, pois diante de um interlocutor cego, a troca de olhares não será possível. Logo, o toque pode funcionar como via alternativa do estabelecimento do face a face, funcionando como o papel do olhar. Além disso, o olhar de checagem usado para confirmar e chamar a atenção do interlocutor para a interação deve ser substituído pelo toque de checagem, com a mesma funcionalidade do olhar, mas estruturado pelo toque no parceiro para chamar sua atenção.
Chen e Downing (2006) refletem sobre as implicações dos toques do tipo passivo e do tipo ativo mencionados por Montagu (1988) para a cegueira. Em relação ao toque
passivo, crianças cegas frequentemente experimentam essa forma de toque, no cuidado diário
e no uso de orientações específicas para guiar a criança para determinada atividade (tais como a orientação com a mão na mão) como se observa na interação com criança com limitação visual. Já o uso do toque ativo depende das vivências da criança com outras pessoas. Quando pouco estimuladas pela família ou por profissionais especializados, as crianças com limitação visual podem ter pouca experiência com essa forma de toque. É necessário oportunizar situações para que tais crianças desenvolvam e usem estratégias exploratórias táteis.
Nesta seção, discutiremos o toque ativo, que correlaciona aos movimentos intencionais do interlocutor em perceber/conhecer o que está a sua volta por meio das mãos, especialmente, pois é esse toque realizado pelo interlocutor que tem estatuto do olhar.
Em nossos estudos, Fonte (2006a, 2009, 2011) o tato esteve bastante presente na interação mãe-criança cega. Por meio do toque a mãe possibilitava a criança conhecer o próprio corpo e os objetos. A criança também o utilizava ao manipular objetos e explorar o
ambiente. Além disso, o toque funcionou como base para a construção e percepção do contínuo gestual na interação mãe-criança cega. Logo, o tato foi relevante na substituição da visão.
Belarmino (2004, 2008, 2009) adota o termo mundividência tátil para explicar o modo de estar/perceber/compreender o mundo pelos indivíduos cegos, principalmente aqueles cuja cegueira é congênita. Nesse modo de perceber particular, o sentido tátil possui papel priomordial na aquisição das informações do mundo, mas os outros sentidos (auditivo e olfativo, por exemplo) articulados ao corpo tátil do indivíduo colaboram para a constituição desse modo de estar/perceber/compreender o mundo diante da visão comprometida.
Lima e Silva (2008) mencionam que a exploração manual, que está atrelada a percepção tátil, com a colaboração da audição e do olfato tem possibilitado aos indivíduos conhecer a realidade que os cerca, captar informações relevantes para perceber situações que oferecem riscos e também aquelas prazerosas e ainda para promover o desenvolvimento físico, mental e intelectual.
Outros trabalhos também mostram a importância do tato para o desenvolvimento cognitivo e comunicativo de crianças cegas. Cobo, Rodrígues e Bueno (2003) propõem que a percepção tátil é extremamente importante para o reconhecimento do ambiente. Para Batista (2005) o tato é a principal forma de obter informação para a criança cega, pois é capaz de captar diferentes características do objeto manipulado como temperatura, textura, forma, peso e relações espaciais. A captação dessas informações por meio do tato possui caráter sequencial e ocorre a curta distância, de acordo com o alcance da mão. Grifin e Gerber (1996) afirmam que o toque associado ao movimento, ou seja, o movimento das mãos sobre o objeto, permite à criança ter a informação da estrutura desse objeto. Chen e Downing (2006) também consideram o tato um sentido essencial que possibilita a criança cega captar informação do meio ambiente. Esse canal sensorial favorece a interação, a comunicação e o desenvolvimento de conceitos nas crianças com cegueira. Desse modo, é importante que a família e demais pessoas do convívio da criança cega compreendam essa contribuição do toque, de forma a adotar o tato como uma das vias principais de acesso/ interação à criança sem visão.
Em suma, tomando a própria colocação de Montagu (1988) pode-se considerar que o tato acrescenta a dimensão ausente e completa a experiência quando a experiência visual é inadequada.
Os gestos táteis são primordiais para a criança cega, uma vez que na ausência do canal visual o toque possibilita que a criança ao manipular um objeto perceba e conheça
algumas propriedades físicas e materiais do objeto, como seu formato, seu tamanho, sua temperatura, sua textura, seu peso, entre outras, e se tais objetos produzem movimentos.
Segundo Pérez-Pereira e Conti-Ramsden (1999), aos dois anos de idade, as crianças cegas e aquelas que veem são capazes de explorar objetos pelo toque, conhecendo suas formas e texturas, de maneira semelhante. No entanto, as crianças cegas podem ter dificuldades em perceber as qualidades dos objetos muito grandes ou que não podem ser girados.
Kastrup (2007) constata que o tato é considerado o sentido mais adequado para fornecer as referências que auxiliaram no deslocamento da criança cega no espaço. Hellen e Ballesteros (2006) evidenciam que o tato oferece à pessoa com cegueira uma autonomia na vida diária e que dispositivos têm sido desenvolvidos para transformar sinais luminosos no ambiente em estimulações táteis perceptíveis para o cego, facilitando ainda mais sua orientação e locomoção. Essas autoras acrescentam que a audição também contribui para a percepção espacial diante da falta de visão.
Estudos indicam que experiências táteis são mais relevantes que as auditivas para a localização e compreensão da permanência dos objetos. O bebê cego e o adulto podem estabelecer sistemas de comunicação pré-verbal sobre objetos com os quais o primeiro tenha experiência táctil (MAGALHÃES, 2000).
Pérez-Pereira e Conti-Ramsden (1999) sugerem que as crianças cegas começam a usar a informação tátil, e posteriormente usam a informação acústica para localizar um objeto. Quando essas crianças têm as duas modalidades sensoriais, a sua disposição para usar o toque convergente e a informação acústica como pista da localização de um objeto, a procura por um objeto torna-se mais fácil em comparação a quando as crianças cegas apenas têm o acesso da informação tátil.
Logo, com o uso de recursos multimodais de natureza verbal e aqueles de constituição tátil, a criança cega poderá, através da percepção intermodal, captar as informações desses recursos ao acionar dois canais sensoriais ativos, a audição e o tato, respectivamente.
Vimos, no início deste capítulo, os papéis relevantes da fala materna com suas configurações prosódicas na interação com a criança cega. Nesta seção, destacamos o papel do toque para a criança cega, uma vez que, na ausência do canal visual, o toque possibilita que a criança construa o apontar atravessado pelo toque, ou seja, o apontar exploratório ou tátil, e ainda por meio da exploração tátil perceba e conheça, a realidade, o mundo que a cerca.
Estudos nos levam a compreender que a interação mãe-criança é atravessada principalmente por meio da voz e do toque –gestos táteis- que substituem o olhar, assumindo o estatuto da modalidade visual. Logo, mesmo sem a possibilidade do olhar, recurso essencial em cenas de atenção conjunta, é possível consolidar essas relações tríadicas entre a mãe e a criança cega por um caminho diferenciado. Nesse momento, iremos refletir sobre as implicações da cegueira no processo de atenção conjunta.