• Sonuç bulunamadı

“ Narrar é mais do que tudo... um processo de se ouvir”

O nosso primeiro contato com o sujeito se deu no curso A Arte de Contar e Ouvir Histórias na Contemporaneidade, ministrado no Instituto Sedes Sapientiae em São Paulo. Nosso convite para a participação de uma entrevista aconteceu em função da nossa percepção do envolvimento do sujeito com os temas abordados pelos contos tradicionais, conforme descrito acima. O convite foi aceito imediatamente. O nosso sujeito, então, é uma mulher de trinta e nove anos, formada em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Trabalhou durante muitos anos como atriz e prefere dizer que esta é a sua profissão. Ela está em uma união estável há sete anos. Não tem filhos e atualmente está trabalhando como vendedora na loja da mãe, “apesar de ser atriz”.

Durante o nosso primeiro contato informamos à entrevistada sobre o propósito do nosso projeto e da importância do seu depoimento para a realização da pesquisa. Programamos dois encontros para as entrevistas que tiveram duração de duas horas cada uma delas. Procuramos durante as duas entrevistas, não interferir na fala da entrevistada. Queríamos garantir a visão de mundo, as ideias, os sonhos

e as crenças da depoente. Obviamente sabíamos que nessa narrativa, a imaginação pode se misturar com a realidade. Conseguimos atingir certa empatia e certa cumplicidade com a entrevistada, porque afinal estávamos interagindo sobre uma questão comum a nós. Iniciamos a nossa entrevista a partir da pergunta: Quem é você? Seguindo os pressupostos teórico-metodológicos de Ciampa (1987).

“Meu nome é Maira93, eu tenho um apelido de infância dado pelo meu pai que foi

meu nome artístico por muito tempo. Eu sou atriz e arte-educadora em teatro”.

Maira para se apresentar começa por dizer seu primeiro nome e, em seguida, fala do seu nome artístico, dado pelo seu pai, como se quisesse se identificar como representante de uma categoria, como membro de um grupo (teatro). Pensativa, repete o nome artístico por mais duas vezes, como se quisesse afirmá-lo, mas ao mesmo tempo como se o tivesse perdido porque ela diz: “foi meu nome artístico por muito tempo.” Há certa melancolia no ar. Depois disso diz o seu nome inteiro e continua sua apresentação:

“Atuo em teatro desde 1991 profissionalmente, apesar dos últimos cinco anos, eu tive... eu mudei praticamente de profissão, eu fui trabalhar na loja da minha mãe, por conta de ela ter ficado doente”.

Maira se refere com entusiasmo à personagem que com muita nitidez está em sua memória: a de atriz. Faz uma mistura entre passado e presente. “foi” meu nome artístico... e... “atuo” em teatro desde... É o nome ou a atuação que não existe mais? Ela fala com orgulho da profissão de atriz. Em seguida, refere-se a sua formação acadêmica: Ciências Sociais, “mas nunca trabalhei com isso.” Diz que é arte-educadora, mas não está lecionando. Vimos que tais personagens pertencem ao passado. Atualmente está sendo vendedora na loja da mãe “por conta da doença dela”.

Os personagens apresentados vão se engendrando pelo dizer e não pelo agir. Era atriz, mas não é mais, por força das circunstâncias da doença da mãe.

Adianta que não vai falar da mãe agora. Entretanto começa o relato da vida materna imediatamente, talvez para justificar a “nova” ocupação, que lhe dá uma identidade ainda que momentânea. Talvez para justificar sua saída do teatro. Tem consciência de que hoje sua vida está ligada à loja da mãe onde atua como vendedora.

“Minha mãe foi muito pobre, começou a trabalhar com sete anos de vida, como vendedora. Meu avô era mascate, isso no Rio Grande do Sul. Eu nasci em Porto Alegre e ele era mascate no interior do Rio Grande do Sul”.

O relato de Maira sobre a composição de sua família de origem ressalta a separação da sua mãe da mãe dela, pelo avô que era casado pela segunda vez. Quando o avô casou com a avó de Maria, logo tiveram uma única filha que o avô tirou deste relacionamento. Levou a filha, quando a criança tinha apenas dois anos. Não sabe por que, “talvez por birra, por terem (casal) brigado”, levou a criança para o interior da capital.

Maira informa que o avô era anteriormente casado e tinha um filho do primeiro casamento. Casou-se com a avó de Maira que, por sua vez, também tinha sido casada e, do primeiro matrimonio, já tinha três filhas. O avô de Maira casou-se pela terceira vez e teve mais três filhos. Ela diz: “é uma história confusa; foi uma infância bem conturbada (da mãe). Ela tinha que se virar porque eles eram muito pobres e ela foi uma guerreira que construiu sozinha, tudo o que tem”.

Ao falar da mãe, lembrou que ela vivia lhe dizendo que a tinha criado para ser sua substituta – a guerreira que conquistou tudo sozinha. “No fundo, me preparou para ser a substituta dela”. Lembremos que a mãe de Maira era vendedora, desde pequena e que seu avô era mascate. A mãe tinha uma loja de pedras brasileiras, que outrora havia sido uma joalheria. “Eu acabei indo (para a loja) por conta de que ela ficou muito doente, com síndrome do pânico, muita depressão, teve surto psicótico, medicamentoso. Há cinco anos larguei tudo e fui para a loja”.

“Larguei tudo e fui para a loja”, ela diz. Ao que parece não foi espontaneamente que largou tudo para ir trabalhar na loja (como vendedora). Estamos entendendo este tudo como a carreira de atriz. Há uma tristeza em sua

fala. Logo em seguida refere-se com entusiasmo e certo orgulho aos trabalhos que desenvolveu como atriz94 e sua participação num longa metragem. “Eu era uma pessoa que vivia disso. Era a minha profissão” Mas, a doença da mãe a fez ficar afastada do teatro.

Maira deixa claro que sua atual forma de existência, como vendedora da loja da mãe, era um dissabor, a entristece cada vez mais. É como uma obrigação. Obrigação porque “é um patrimônio da minha família.” Na verdade ela diz: “é a única renda que nós temos. Foi uma obrigação... imposição... que veio para mim”. Uma imposição (principalmente do papel de filha que deveria assumir o lugar da mãe e cuidar do patrimônio da família). Assumiu a responsabilidade de tais papéis sociais, sem querer ter assumido já que isto implicava em deixar a sua profissão de atriz. Contudo, ser vendedora da loja da mãe era o que se apresentava como traço que lhe dava uma identidade, pois já não era atriz, não era arte-educadora e tampouco cientista social. Vendedora era o que estava sendo. Lembremo-nos da fala de Ciampa: “somos atividade... e o dado é o resultado do dar-se (1987, p. 153)”. Logo o indivíduo não é algo, mas é o que faz. O fazer, diz Ciampa, é sempre atividade no mundo, em relação com os outros. Maira estava sendo o que não gostaria de ser: vendedora da loja da mãe.

Conhecer as diferentes personagens de Maira, que se apresentam pelo fazer (atividade) é também desvendar suas preocupações no desempenho de outros papéis. O papel que a mãe lhe havia atribuído, “fui criada para ser sua substituta”, é desempenhado por uma personagem que a mantém no que Ciampa chama de mesmice. Mesmice que a mantém naquilo que o outro (mãe) quer que ela seja; de ser o que não quer ser. Por isso é uma personagem que existe sem querer existir, isto a condiciona a “estar sendo” o que não quer ser. Tais condições a levam a alterar o cotidiano da atriz, que deixa de ser. Maira percebe que esta realidade é hostil e a afasta do seu papel de ser atriz. Mas para ser aceita pela mãe que a criou para substituí-la, deveria ser a vendedora da loja de pedras brasileiras até para cuidar do patrimônio da família. Isto nos leva a considerar a seguinte questão: como vitalizar novos personagens e vivenciar a alteridade quando não se consegue o

94 Não vamos revelar os papeis desempenhados pela atriz e tampouco as emissoras de TV;

reconhecimento de sua arte? Ainda que sem muita clareza, Maira toma a seguinte decisão:

“Ou eu bem fico aqui (loja) e faço a coisa direito, me empenho ou volto para minha profissão (atriz). Contudo, dá-se conta da sua desilusão com o teatro e a apresenta. O teatro fora uma grande motivação na sua vida: ter chegado à companhia95 de teatro que chegou. Era um status. Mas, o meio artístico tem seu

próprio inferno, ela diz. “Há uma fogueira de vaidades”. A personagem preferida de sua história (a de ser atriz) se desentendeu barbaramente com os diretores do teatro:

“Eu explodi, estava super estressada... teatro tem uma coisa assim, não sei se são em todos os lugares, mas assim... muita maldade, muito veneno, muita competição nos grupos, um querendo passar a perna no outro. Acho que não tem uma sinceridade, uma honestidade. Tô falando dos componentes do grupo. Eles querem que você dê tudo, dê seu sangue e ganhe quase nada. Você tem que fazer tudo sem reclamar, sem criar caso ou então você tá fora e eu sempre me submeti às condições porque eu achava bom trabalhar com grupos; achava que eu ia construir uma carreira sólida trabalhando com grupos”.

É possível empregar aqui o conceito de mesmice, desenvolvido por Ciampa ao observarmos a submissão (“me submeti às condições porque eu achava bom trabalhar com grupos”) da personagem atriz mesmo sendo aquilo que mais queria trabalhar como atriz e com grupos e, ao exercer o papel de vendedora sem querer sê-lo. Confusa Maira fala sobre sua crise de identidade: “não sei mais o que sou”.

Observando os processos de identidade à luz das proposições de Ciampa (1987), vimos que identidade é metamorfose porque estamos inexoravelmente sujeito às mudanças. Mudanças que paradoxalmente mostram que somos o “mesmo” e somos “diversos”. São as interações sociais que permitem esta estranha dinamica. Para entendermos este processo precisamos observar as colocações de Ciampa. Ele diz que quando um personagem se dá como simples reposição, sem

responsabilidade por parte do indivíduo, sem autonomia (o caso de Maira como vendedora), o sujeito ao repor a identidade pressuposta fica prisioneiro de uma personagem que lhe foi atribuída de modo heterônomo (como também foi o caso da atriz), permanecendo numa mesmice que, quando não chega a degradar, a mantém numa estagnação. Este é o sentido negativo do fenômeno.

Maira deixou de ser atriz levada por condições adversas: “eles querem que você dê tudo, dê seu sangue. Você tem que fazer tudo sem reclamar...” A desilusão que Maira vivenciou no teatro, ao que parece se tornou uma revolta. Sentia-se submetida e subjugada aos diretores do teatro. Este desejo se transformou em raiva, contra os humilhadores. Ela refere-se claramente à raiva pela hipocrisia dos diretores.

Vê-se que as relações constituintes do universo simbólico e das intersubjetividades da vida, presentes nos ambientes de relacionamentos, de alguma maneira são preestabelecidas. Muitas vezes, uma clara hierarquia na divisão da estrutura de poder nas quais aquele que sente uma forte necessidade de concretização só pode realizá-la com base em sua submissão às regras expressas, como foi o caso de Maira no teatro. Se for assim, significa manter a mesmice de sempre.

Mas no percurso de Maira, há um prenúncio de emancipação quando deixa de se submeter às regras impostas pelos diretores do teatro que “sugavam o seu sangue”. Quis sair das fogueiras das vaidades para um agir mais livre e criativo. Retirou-se da companhia de teatro da qual fez parte durante alguns anos. Não aguentou a mesmice. A expressão da mesmidade alterou a mesmice que vinha se submetendo há algum tempo. A mesmidade então pode ser entendida como um processo que envolve auto-reflexão e autodeterminação (CIAMPA, 1987). Cansou de ser “sugada”.

Acompanhando a história de vida de Maira, logo se vê um processo de crise: a doença da mãe, a possibilidade de perda do patrimônio familiar; a crise que a leva a abandonar o teatro com decepção e desilusão, para sua tristeza. Entrou num processo de sentir-se por um período perdida, “desencantada da vida”. Sem saber o

que fazer. Sem trabalho, sem profissão.

Neste processo, é envolvida por momentos do que chama de “profunda introspecção, são momento difíceis, dolorosos.” Momentos que facilitam pensamentos e reflexões sobre seus desejos, “sobre meus sonhos na vida”. Refere- se à sua infância e conta que quando era pequena, “o sonho de minha mãe era que eu fosse bailarina e este também se tornou o meu: sonho de ser bailarina clássica, mas eu não conseguia fazer ponta, porque tinha problemas nos pés”. Tinha pernas tortas, por isso minha mãe me matriculou no balé e eu me apaixonei pelo balé e pela dança”. Mas com o impedimento pelos pés tortos, se dá conta de que não existe espaço para a personagem bailarina em sua vida. Neste momento, Maira parece pensar alto: “... era o sonho da minha mãe, será que era o meu? – como se tivesse acabado de ter uma constatação. Sobre isso observa: “minha mãe sempre adorou teatro, a gente ia ver muitos, tudo de balé..., eu me questiono assim: será que se ela não gostasse de tudo isso, eu..., eu teria ido talvez pela minha alma, não sei, né? Neste momento Maira é questionada sobre o caminho de sua alma. Ela responde: “não sei...”. Fica pensativa como se o silêncio pudesse dizer algo por ela. A emoção que deixa transparecer agora é de tristeza e de desolação. Seus olhos ficam marejados, como se tivesse se sentido tirada do seu caminho. Um caminho que não conheceu (caminho da sua alma), como diz Ciampa: “uma vida não vivida.” É verdade que as possibilidades de cada alternativa sempre dependem de condições objetivamente dadas; no caso de Maira, inclusive pelas expectativas da mãe e de outros significativos, na vida da menina – bem como das expectativas interiorizadas pelo próprio sujeito, diria Ciampa.

Para justificar a liberdade de escolhas que não teve, ou que não pôde seguir, Maira refere-se a sua família como sendo “super-repressora, é uma família gaucha judia.” Repressora no sentido de não oferecer liberdade de escolhas, “segue uma linha que ainda que não seja boa para a pessoa, tem que ser como sempre foi. Tinha que seguir o que era determinado pelos mais velhos”. É a repetição no sentindo de não permitir o diferente, o novo, de não permitir transformações. É na linguagem ciampiana a manutenção da mesmice. Contudo, em meio a isso tem uma lembrança carinhosa deste povo tradicional: a das primas: “família repressora, que apesar disso tinha algumas primas que eram carinhosas”.

“As primas eram carinhosas; eu fui criada pelas primas porque minha mãe trabalhava como uma louca e vivia com muito remédio, muito lexotan na cabeça e tinha muitas crises nervosas e de tudo eu só me lembro da minha mãe trabalhando como uma louca e gritando muito, então essas primas passavam muito tempo junto de mim. Participaram ativamente da minha educação e dos meus irmãos. Assim, as primas resolviam os problemas. Minha mãe tava focada em fazer dinheiro, saia de casa às seis da manhã. Uma época meu tio levava a gente na escola. Tinha também uma empregada que morou com a gente. Foi a outra mãe que me levava pra tudo, na escola, via os deveres de casa, fazia tudo, levava para o balé, porque eu comecei a fazer balé muito cedo, aos seis anos. Era escola e balé, escola e balé, escola e balé, durante muitos anos assim”.

Maira dá o lugar de outra mãe para a empregada: aquela que faz tudo, acompanha em tudo, leva para as tarefas do dia-a-dia. Revelando ausência materna. Em seu relato, também é clara a fala referente às primas “eu fui criada pelas primas. Elas estavam sempre junto de mim.” Refere-se à mãe envolvida com o trabalho e sempre tomando muito remédio. Dois “bons motivos” para não ter a mãe perto de si conforme uma criança necessita; sem poder cobrar sua presença, afinal trabalhava muito e “vivia de remédios”. Maira refere-se à sua frustração pela “falta da mãe”. A ausência da mãe (que trabalhava muito e só pensava em dinheiro) era muito presente e, deixou marcas na menina-filha. Marcas (afetivas, emocionais) pela falta de reconhecimento (da mãe) da personagem filha – que a menina tanto tentou encarnar, mesmo com os pés tortos. Esforçava-se no balé, chegou a ter o mesmo desejo da mãe de ser bailarina. Mas o desejo era da mãe ou da filha? Desde pequena busca pela aceitação da mãe, que gostaria que a menina fosse bailarina e depois vendedora.

É evidente que a tentativa de reconhecimento se estende também para a vida adulta de Maira, nas profissões e nos relacionamentos. Bem se vê que determinados processos de socialização levam para um denominador comum, sempre no interesse de quem convém o que acontece, com frequência, em detrimentos da autonomia. Maira se pergunta pelo caminho de sua alma. Qual seria?

É possível observar que a referência de Maira para lidar com essa dinâmica não está presa à dicotomia indivíduo ou sociedade, mas ao contrário, está presa ao terreno do estabelecimento, primeiro do seu papel de filha que é, a nosso ver, o terreno das experiências da inserção do(s) homem (ns) no mundo. A personagem filha, para a filha deixa a desejar. O desejo da mãe era que a filha fosse bailarina; a levava em todos os espetáculos de balé. Porém seu corpo – “Eu era gordinha, nunca fui pequena, e com os pés tortos.” Em muitos momentos seu corpo “parecia um estorvo e não me garantia o exercício da (personagem) bailarina”. Frustração para mãe e em dobro para a filha que descontente com o próprio corpo, também não correspondia às expectativas da mãe. A sensação de inadequação a acompanhava, principalmente, no exercício de vendedora na loja. Muitas vezes se perguntava: “isso é vida que tô levando?”.

Identidade humana é vida, diz Ciampa, e continua: “tudo o que impede vida impede que tenhamos uma identidade humana” (1987, p. 36). Se for assim, Maira estava com sua identidade bem prejudicada. Ela se pergunta isso é vida? É desumano.

Bailarina, atriz, arte-educadora, cientista social ou vendedora? Insatisfeita, confusa, adoece, deprime. Para si, na única coisa que estava sendo (vendedora), ela mesma se dizia repetidas vezes: “esse não é meu caminho” porque sabia que estava muito mal “no fundo do poço, muito deprimida, sem eira nem beira”. E aonde foi parar a atriz? Sua profissão? Ela se pergunta por isso. Cadê?

Sem nada a que pudesse se agarrar para ganhar dinheiro, até porque a loja “estava falindo (depois que a mãe adoeceu), não tínhamos dinheiro para comprar produtos para a loja. Eu não me empenhava muito para vender.” Gastava muito dinheiro em médicos e remédios para a mãe. Um dos irmãos estava em surto psicótico internado em uma clínica e o outro ocupado com a família porque tinha brigado com a mãe, por questões de dinheiro. Sentindo-se sozinha para cuidar da mãe, e também da loja de pedras brasileiras, sentia-se também adoecida. “Pior do que isso eu precisava encontrar um sentido para minha vida”. Estava perdida.

Buscou fazer terapia, buscou orientação, foi quando, o acaso deu uma ajuda e um dos terapeutas da clínica de sua psicóloga, lhe deu um “caderninho do Sedes, olhei e logo vi: A Arte de Contar e Ouvir Histórias na Contemporaneidade, li a sinopse do curso e falei: é o que eu preciso”. A possibilidade de conseguir o que Ciampa chama de mesmidade.

Sentiu a oportunidade de uma experiência válida que, com esforço, caberia em suas posses financeiras. “Eu precisava apostar”. Aliás, como profissional do teatro, ela sabia que existia o ofício de contar histórias. Refere-se aos contadores de histórias na vertente do teatro, que atualmente é tecnicamente conhecida como teatro-narrativa. Faz a sua crítica, enquanto atriz, aos contadores de histórias que conhecia: “muitas vezes uma coisa assim muito ruim, sem qualidade de expressão”.

Ao observar o programa do curso, “percebi pessoas envolvidas em pesquisas sérias, sobre o que se chama de contação de histórias”. Decidiu inscrever-se no curso, naquele mesmo dia, assim que chegasse a sua casa, depois da terapia. Fez matricula pela internet, com medo de perder a vaga ou desistir do curso. Estava