4. PİCEA (LADİN) YETİŞTİRİCİLİĞİ
4.6. Karşılaşılan Önemli Hastalık ve Zaralılar
Fonte : Acervo fotográfico da Câmara Municipal de São José dos Campos
Os sanatórios, dentre eles, o Vicentina Aranha24, derivaram, assim, do esforço
coletivo de comunhões religiosas, de particulares e governantes. Existiam, também, pensões onde ficavam muitos doentes que não conseguiam vagas nos sanatórios. Essa realidade representou mudanças no aspecto social do município, que culminou na instalação de entidades sociais para dar suporte aos familiares das pessoas que buscavam tratamento da tuberculose, como, por exemplo, abrigos e creches para seus filhos.Nesse período, a instalação dessas entidades sociais não fugia ao que acontecia em âmbito nacional, demarcando, em 1938, durante o mandato do Presidente da República Getúlio Vargas, através do Decreto-Lei 525/1938, a criação do Conselho Nacional de Serviço Social (CNSS), primeira importante regulação da assistência social no País, segundo Maria Luiza Mestriner (2008, p. 56).
24O Sanatório Vicentina Aranha, pertencente à Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, teve sua
fase áurea entre 1924 e 1945. A evolução no tratamento da doença determinou gradual desativação das instalações hospitalares. Mesmo assim, a área abrigou o tratamento para tuberculosos até o final do século XX, quando passou a abrigar um hospital geriátrico. No período de 1993 a 2008, parte de suas instalações foi utilizada pela Associação de Apoio aos Fissurados Lábio-Palatais (Aaflap), entidade social conveniada com a SDS. Tombado como patrimônio histórico e cultural do Estado, o complexo que era ocupado pelo sanatório é composto por uma área construída de mais de 10 mil metros quadrados e um bosque com mais de 43 mil metros quadrados. Trata-se de um ponto turístico da cidade.
Sobre o CNSS, Mestriner (2008) relata:
Constitui-se de fato, num conselho de auxílios e subvenções, cumprindo, na época, o papel do Estado, de subsidiar a ação das instituições privadas. Não se refere à assistência social tratada como política social, mas da função social de amparo, em contraponto ao desamparo disseminado que as populações, principalmente urbanas, traziam explícitas pela conformação da “questão social”.(p. 62-63).
Esse órgão era ligado ao Ministério da Educação e da Saúde, caracterizando a subvenção praticada pelo Estado, o qual auxiliava isoladamente as entidades sociais existentes no “amparo social aos necessitados”, retraindo-se e retirando sua responsabilidade pública numa postura de subsidiariedade.
Mestriner (2008), ao analisar esse período, afirma:
Assim, na área social, a estratégia será a utilização do setor privado de organizações sociais já existentes, incentivando a sociedade civil para sua ampliação, demonstrando a persistência do componente liberal e do princípio de subsidiariedade, que sempre orientarão o Estado. Esta aliança interessará ao Estado, pois as organizações sociais – marcadas ou pelo trabalho das congregações religiosas ou pelas associações de auxílio e defesa mútua das etnias e das corporações – possuíam trabalhos dedicados a órfãos e crianças carentes, filhos de operários, ou ensino e alfabetização das classes populares. ( p. 72)
A partir da década de 1950, a cidade de São José dos Campos passou por um declínio da fase sanatorial, e início da fase industrial, que avançou, inclusive, durante o período de ditadura militar. Várias empresas instalaram-se gerando um crescimento populacional que significou desenvolvimento econômico acompanhado de problemas sociais como expressões da questão social. Na década de 1960, o País entrou no período de ditadura militar, que se estendeu até meados da década de 1980. Sobre esse momento histórico, Mestriner (2008) registrou:
[...] ao longo do período 1964-84, o Brasil transforma-se em verdadeiro Estado unitário, ficando o poder concentrado no Executivo federal, que usa a ideologia da segurança nacional como justificativa para todas as medidas de força e arbitrariedade adotadas e como eixo convergente de todas as políticas, inclusive a econômica. Por meio de atos institucionais, amplia de tal forma a capacidade de intervenção governamental, que exclui da luta política e das decisões econômicas e sociais os demais poderes, estados, municípios, a sociedade em geral e as classes subalternas. Principalmente as massas trabalhadoras perdem todo espaço de expressão , sendo completamente tolhidas nas suas reivindicações. O acesso ao governo militar será restrito aos tecnocratas, transformados pelos militares em assessores técnicos, para defesa do desenvolvimento do país e, por conseguinte, da segurança nacional. ( p. 153 -154)
Foi sob esse período de ditadura no País que, em 1964, veio para São José dos Campos, Geraldo Vilhena de Almeida Paiva, primeiro assistente social da cidade.Nascido em Inconfidentes (MG), no ano de 1928, e formado em Serviço Social no ano de 1963 (colação de grau realizada em 8 de dezembro), pela Faculdade de Serviço Social de Juiz de Fora (MG), teve papel preponderante na institucionalização da assistência social no Município de São José dos Campos:
Olha, o primeiro assistente social que chegou a São José dos Campos fui eu. Cheguei em São José dos Campos em final de 64, 1964, a revolução de 64, revolução não, o golpe de estado ocorreu no dia 31 de março, eu estava em Juiz de Fora e onde tinha uma atuação minha funcional e tinha tido uma vida de atuação estudantil integrando o DCE, UEE de Minas e também dos movimentos da Uni, e a revolução começou, o golpe de estado começou com o movimento chamado de revolucionário, partindo de Juiz de Fora, com o general Mourão caminhando em direção ao Rio de Janeiro. Eu era uma pessoa visada e fui aconselhado por um vizinho meu, coronel do exército da quarta região militar, servia num estado maior da quarta região militar, por uma questão ética, não vou mencionar o nome dele, ele era o meu vizinho e conversou comigo. Esteve em minha casa, conversou comigo e me aconselhou a sair de Juiz de Fora porque eu era marcado e seria preso. Ele, não só pela questão de amizade, de vizinhança, de amizade, mas também pelo fato de que ele, embora sendo estado maior da quarta região militar, não ia aderir ao movimento, porque ele não concordava. Ele defendia a permanência do presidente legitimamente constituído, que é o João Goulart. E eu, naquela época, ocupava um cargo de confiança do presidente João Goulart. Ir para onde? Minha família, minha esposa, 3 filhos pequenos, inclusive, o caçula estava com 2 anos; 2 anos um, 4 anos o outro; e 7 anos o mais velho. De repente sair para onde? Mesmo assim, acreditando que nada ia ocorrer a minha família, eu saí. Saí, minha família ficou lá, e eu saí sem um destino e vim parar por casualidade em São José dos Campos. Ninguém me conhece, não conheço ninguém, vai ser muito difícil alguém me encontrar aqui. Só depois que eu cheguei em São José que vi que São José dos Campos era sede de uma unidade militar, também, que era o Centro Técnico de Aeronáutica naquela época. Não me importei, ninguém me conhece. Cheguei em São José dos Campos e fui conhecer a cidade, como assistente social fui conhecer as instituições que tinham em São José. (entrevista com Geraldo Vilhena, SJC, 24/5/2011)
O cenário encontrado em 1964, por Vilhena, primeiro protagonista da institucionalização da assistência social no município, foi o de primeiro-damismo, que prevalecia como uma das fortes características da época:
O que tinha em São José dos Campos? A prefeitura, o prefeito era o José Marcondes Pereira, a esposa dele, a dona Célia Marcondes era a que fazia o trabalho que toda primeira-dama fazia, assistência social aos mais pobres. Então, anexo à prefeitura, tinha lá uma sala onde a dona Célia ficava, ela ganhava remédios de laboratórios, a própria cidade levava remédios. Então, ela dava remédios para os pobres. Em campanhas, tinha mantimentos, ela atendia, dava aqueles mantimentos e assim não era um órgão da prefeitura,
não tinha dotação orçamentária na prefeitura, não constava no organograma administrativo da prefeitura, era o trabalho social da primeira- dama. (entrevista com Geraldo Vilhena, SJC, 24/5/2011)
Foto 5 - Primeira-dama Célia de Jesus Moreira Pereira (ao centro) com os voluntários do