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BÖLÜM III: YÖNTEM

3.5. Kapsam ve Sınırlılıklar

A migração sazonal é uma realidade em algumas regiões brasileiras, tem contribuído para a formação de trabalhadores especializados em serviços de cunho sazonal, associados a períodos de safras de café e de cana de açúcar. A partir da década de 1990, empresas nacionais e internacionais investiram na aplicação de tecnologias na agricultura brasileira com o intuito de desenvolvimento econômico. Nota-se que a presença das grandes corporações afeta a dinâmica espacial do país, já que as áreas que recebem investimentos tendem a se diferenciar daquelas que não recebem. Os investimentos ocorrem em áreas mais dinâmicas. Observa-se que:

A nova organização dos espaços nacionais a nova organização dos espaços nacionais tende a resultar, de um lado, da dinâmica da produção regionalizada das grandes empresas (atores globais) e da resposta dos Estados nacionais para enfrentar os impactos regionais seletivos da globalização. (ARAUJO, 2000, p.118).

Nesse contexto, cidades cujas áreas rurais abrigam comunidades quilombolas são espaços geográficos que, de certa forma, não têm atraído investimentos financeiros41 do grande capital. Quando há investimentos nessas localidades ― o caso da silvicultura na região do Vale do Jequitinhonha/MG é um exemplo ― geralmente as oportunidades de emprego de médio e delongo prazo não são ofertadas. Essa situação tem contribuído para a deterioração ambiental local. Tais espaços geográficos estão em situação de alta precariedade social e econômica. Segundo Santos (1979), esses territórios podem ser identificados como pertencentes ao circuito inferior da economia, por se caracterizarem pelo subemprego ou não emprego.

Além disso, esses sujeitos também estão envoltos em uma rede pouco complexa: rede de transportes em péssimas condições, pouco acesso à rede de telefonia, entre outros. Mesmo que algumas comunidades tenham acesso à internet, que para Geiger (1999) é um instrumento capaz de globalizar, essas comunidades ainda se encontram num processo de desigualdade social, mesmo tendo a possibilidade de se conectar com outros lugares.

Alguns municípios não conseguem abarcar ou englobar toda a população quilombola no mundo do trabalho, assim forçando o êxodo. Assim, uma alternativa para tal realidade é a migração sazonal que aparece como opção de trabalho para muitas famílias quilombolas. Em sua maioria, esses trabalhadores são pessoas com baixo nível de escolaridade e que necessitam garantir a subsistência do grupo familiar. No contexto do Vale do Jequitinhonha, nota-se que a migração sazonal ocorre rumo à região de São Paulo e à região sul de Minas Gerais, para o corte de cana de açúcar e a colheita de café, respectivamente. Essa região agroindustrial, por sua vez, pertence ao circuito superior da economia, devido à concentração de tecnologia avançada e de mão de obra assalariada.

Nesse contexto, pode-se verificar que a migração sazonal foi e ainda é uma forte realidade na vida dos moradores da comunidade de Vila Santo Isidoro. A migração para

41Em estudo realizado por Anjos (2006), o autor observa também um desinteresse similar por parte do

poder público no que se refere à realização de estudos sistemáticos em territórios de comunidades quilombolas e expõe como possíveis razões: “questões políticas, abrangência interdisciplinar, dificuldade de acesso a informações e levantamento de dados [...].” (ANJOS, 2006 p.84).

o trabalho em lavouras do interior de São Paulo ou interior de Minas Gerais tem afetado as relações sociais dentro do território quilombola. Antigamente, famílias inteiras costumavam migrar, mas, atualmente, somente os pais ou os jovens que terminaram os estudos têm realizado esse processo. Uma vez que o Programa Brasil Quilombola, com alguns benefícios destinados aos quilombolas, conseguiu contribuir para a diminuição da taxa de evasão escolar na Vila Santo Isidoro. Os mais velhos que praticam o deslocamento (migração) têm menos anos de escolaridade, muitos deles são analfabetos. Para se ter uma ideia de como é forte a migração no território da Vila Santo Isidoro, todas as pessoas que foram entrevistadas disseram ter algum parente trabalhando fora. Os moradores, além de sair para as lavouras, costumam sair também para trabalhar na construção civil, serviço doméstico e cantinas de faculdades.

O trabalho nas lavouras é árduo, pois esses trabalhadores que se deslocam para as lavouras são submetidos a situações de muita exploração, e geralmente são alojados em galpões superlotados. Além disso, os mesmos não têm controle sobre a produção diária, sendo muitas vezes estimulados à competição interna, simbolizada pelo facão de ouro. Esse facão seria um prêmio para aquele trabalhador que consegue uma maior produtividade, nesse caso, na lavoura do corte de cana. Devido ao excesso de trabalho, têm-se registros de mortes por exaustão, negligência no atendimento após envenenamentos por animais peçonhentos, mutilações, doenças como LER (lesão por esforço repetitivo), entre outras.

Com relação à evasão escolar, segundo relatos dos entrevistados, todos os anos esse processo é esperado e a escola busca se adaptar a essa realidade. Os moradores atribuem essa saída à precariedade das condições de existência que os obrigam a procurar melhores possibilidades para garantir a sobrevivência. Dessa forma, o território não mais oferece condições de fixar as pessoas como outrora. Nas falas dos moradores mais velhos foi ressaltada a dificuldade da reprodução social, em comparação há alguns anos. Segundo eles, a possibilidade da pequena produção agrícola era facilitada devido a uma estiagem mais amena naquele momento. Muitos moradores comercializavam suas produções na área urbana, apesar de andarem alguns quilômetros.

Diante desses relatos, pode-se problematizar qual o papel da escola como instrumento propício à manutenção da vida desses atores, já que a mesma busca, além da valorização cultural, a possibilidade de manutenção da reprodução material em seu território.

Benzer Belgeler