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Segundo a classificação climática de Köppen, no Atlas Climatológico do Brasil, editado em 1969, a região da APA de Baturité faz parte da interface de contato entre os climas Aw' e BSw'h', que representam respectivamente: clima tropical chuvoso, quente e úmido, com chuvas no verão e precipitação máxima no

outono; e clima muito quente, semiárido, com estação chuvosa no verão conforme mostra o Quadro 3.1:

Quadro 3.1 - Classificação do clima da área de estudo.

Município Tipo de Clima

Aratuba Tropical Subquente Úmido

Guaramiranga Tropical Subquente Úmido e Tropical Quente Úmido

Mulungu Tropical Subquente úmido

Pacoti Tropical Subquente Úmido e Tropical Quente Úmido Fonte: Perfil Básico Municipal - Ipece (2012)

3.1.2 Precipitações

Levando-se em conta o ciclo hidrológico em suas várias fases, pode-se considerar a precipitação como a fonte de alimentação dos mananciais. Assim sendo, a precipitação média anual sobre determinada região corresponderia ao recurso hídrico renovável máximo de que se poderia dispor.

Refletindo a ação conjugada dos sistemas de circulação e dos fatores geográficos, o estado do Ceará apresenta regime pluviométrico do tipo tropical, caracterizando-se pela marcante irregularidade das chuvas no tempo e no espaço. No tempo, pela concentração de chuvas num curto tempo, determinando a ocorrência de dois períodos distintos: um chuvoso e outro seco ou de estiagem. E no espaço, não apenas pela irregular distribuição das chuvas de um ano para o outro em áreas diferentes, mas, sobretudo, num mesmo ano e numa mesma área.

A distribuição temporal-espacial das chuvas na APA de Baturité, conforme dados contidos na tabela a seguir, evidencia a nitidez dessas duas estações: chuvosa (verão-outono) e seca (inverno-primavera). A partir do mês de dezembro inicia-se o período chuvoso na região e por volta da segunda quinzena de fevereiro é possível observar uma consolidação dos dados pluviométricos. As maiores precipitações, por sua vez, ocorrem geralmente entre os meses de fevereiro a maio e o período mais seco a partir do mês de setembro indo até o mês de novembro, conforme mostra a Figura 3.3 a seguir. De acordo com a FUNCEME, entre os anos de 1974 e 2013, a precipitação média anual na APA de Baturité foi da ordem de

1.368,85 mm. O período de maior precipitação ocorre entre os meses de março a maio, representando um índice de 48,5%.

Figura 3.3 - Mapa com as localizações e precipitações média dos municípios da APA.

Fonte: Freitas, 2011

A Tabela 3.1 traz os dados de precipitação média anual, segundo a FUNCEME, para os municípios estudados da APA. Os municípios que estão inseridos dentro da APA possuem os mais elevados índices pluviométricos do Estado comparados a outros municípios

Tabela 3.1 - Precipitação (mm) média anual dos municípios estudados.

Aratuba Guaramiranga Mulungu Pacoti

Média anual (mm): 1180 1561 1132 1501

Fonte: FUNCEME, 2013

3.1.3 Temperatura

A Temperatura é um fator básico de monitoramento, facilmente tomada com instrumentos simples de medição. Em virtude da baixa latitude e consequente proximidade com a linha do equador, o território cearense apresenta regime térmico bastante uniforme, constituindo-se numa característica térmica típica das regiões equatoriais. O regime térmico do Estado do Ceará caracteriza-se por temperaturas

elevadas e baixas amplitudes térmicas anuais (5°C), modificados por fatores geográficos de topografia, altitude, proximidade do mar e dinâmica atmosférica.

As variações térmicas provocadas pelas diferentes combinações desses fatores possibilitam a identificação e delimitação de diferentes características térmicas. A APA de Baturité, encontra-se sob influência direta da altitude e do relevo, concentrando as mais baixas temperaturas médias anuais do estado, situadas entre 22° e 26°C. A Tabela 3.2 mostra os valores de temperatura para os Municípios da APA de Baturité.

Tabela 3.2 - Dados de temperatura dos municípios da área em estudo. Aratuba Guaramiranga Mulungu Pacoti

Máxima anual: 26º 26º 24º 26º

Média anual: 25º 25º 23º 25º

Mínima anual: 24º 24º 22º 24º

Fonte: Perfil Básico Municipal - Ipece (2012) 3.1.4 Evaporação

Grande parte dessa água precipitada é consumida no processo de evapotranspiração restando, pois, uma fração relativamente pequena para compor o escoamento superficial direto, a infiltração e, em seguida, o escoamento subterrâneo. As taxas de evaporação no Ceará são tão altas que, enquanto chovem 800 mm/ano a evaporação chega a 2.100mm anual.

Na APA de Baturité as taxas de evaporação nem são tão elevadas, como no sertão semiárido, nem são tão baixas, mesmo estando numa localidade serrana, devendo, portanto atingir uma média entre os dois. Os dados da FUNCEME apontam para uma evaporação anual de 562 mm/ano coletado no Tanque Classe A localizado no Município de Guaramiranga o que vem a ser uma taxa muito inferior à precipitação, conforme mostra o Quadro 3.2. Os valores apresentados, ao serem comparados diretamente com a precipitação, indicam um superávit mensurável, apresentado na ordem de 1.019,5 mm anuais.

Quadro 3.2 - Evaporação (Tanque Classe A, Guaramiranga):Média anual: 562 mm/ano. JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ

51 35 25 25 26 29 40 58 67 70 70 66

Fonte: Plano estratégico de recursos hídricos do Ceará, 2010

3.1.5 Relevo

A geomorfologia regional exibe forma de relevo de serras, com características comuns a litologias cristalinas. Especificamente tem-se a unidade geomorfológica de planaltos residuais da região nordestina conhecida como maciço de Baturité.

A constituição litológica da Serra de Baturité representa o fator básico de explicação de sua expressão topográfica, com níveis altimétricos superiores a 600 metros. Em algumas partes pode-se atingir cotas acima de mil metros como no Pico Alto (1.114 metros). Trata-se de um maciço residual derivado da ação seletiva da erosão diferencial. A topografia exibe feições dissecadas em colinas, lombas, cristas e interflúvios tabulares de diferentes dimensões.

Sob o aspecto das feições geomorfológicas, todo esse conjunto de fatores determinantes tem de ser considerado, embora se ressaltando o significado da morfodinâmica atual. Trata-se de um enclave de floresta serrana inserido no domínio morfoclimático semiárido. Como tal, a área é submetida aos processos engendrados por climas úmidos. Assim, pode-se setorizar o relevo da APA da Serra de Baturité identificando as seguintes feições geomórficas, conforme mostra a seguir:

 Platô úmido: Correspondem à superfície cimeira regional – feições dissecadas em colinas e interflúvios tabulares estreitos separados por vales em V e, eventualmente, com fundos planos (alvéolos);

 Vertente oriental: níveis dissecados em colinas e lombas alongadas com largura dos interflúvios de até 500m, separados por vales em V e com intensificação dos processos morfodinâmicos por ação antrópica;

 Vertente meridional: formas erosivas dissecadas em cristas estreitas que apresentam controle estrutural, associadas a colinas que se intercalam com vales em V e alvéolos de fundos planos;

 Vertente ocidental: níveis suspensos de pedimentação dissecados em colinas rasas e estreitas, separadas por vales pedimentados;

 Vertente setentrional: níveis suspensos de pedimentação moderadamente dissecados em lombas, cristas e colinas intercaladas por vales pedimentados.

Assim o maciço de Baturité pode ser compreendido como um planalto residual, circundado pela superfície sertaneja e recortado pelo domínio fluvial. Nesse conjunto se observam, dentre outros: escarpas, frentes de erosão e depósitos de talus. O Quadro 3.3 descreve suscintamente o relevo para cada município.

Quadro 3.3 - Descrição do Relevo dos Municípios da Área de Estudo.

Município Descrição do Relevo

Aratuba

O relevo local é acidentado, com feições de cristas e colinas, correspondendo ao compartimento geomorfológico dos maciços residuais; as altitudes variam dos 500 aos 900 m. O substrato geológico local é constituído por gnaisses e migmatitos do Pré-Cambriano indiviso.

Guaramiranga

A paisagem local tem formas em cristas e colinas, por se tratar de um maciço residual dissecado. As altitudes são variáveis entre 500 e 900 metros. O município de Guaramiranga apresenta um quadro geológico simples, observando-se um predomínio de rochas do embasamento cristalino de idade pré-cambriana, representadas por gnaisses e migmatitos. Sobre esse substrato repousam coberturas aluvionares, de idade quaternária, encontradas ao longo dos principais cursos d‟água que drenam o município.

Mulungu

O relevo é de cristas e colinas de maciços residuais, típico das serras cristalinas com altitude variando entre 500 e 900 metros. O município de Mulungu apresenta um quadro geológico relativamente simples, observando- se um predomínio de rochas do embasamento cristalino de idade pré- cambriana, representadas por gnaisses e migmatitos diversos. Sobre esse substrato repousam coberturas aluvionares, de idade quaternária, encontradas ao longo dos principais cursos d‟água que drenam o município.

Pacoti

A paisagem é montanhosa, mostrando cristas e colinas de um maciço residual (Serra de Baturité), com altitudes entre 200 e 700 metros. O município de Pacoti apresenta um quadro geológico simples, observando-se um predomínio de rochas do embasamento cristalino de idade pré-cambriana, representadas por gnaisses e migmatitos. Sobre esse substrato repousam coberturas aluvionares, de idade quaternária, encontradas ao longo dos principais cursos d‟água que drenam o município.

3.1.6 Solos

O solo pode ser definido como produto direto da alteração das rochas, sendo localizado imediatamente sobre estas, ou transportado e depositado em outros locais, individualmente ou misturado com outros materiais. Tecnicamente, o solo é a superfície inconsolidada que recobre as rochas, sendo composto de elementos minerais e orgânicos.

As classes de solos são constituídas por grupo de solos que apresentam uma variação definida em determinadas propriedades e que se distinguem de quaisquer outras classes por diferenças nessas propriedades. A classe taxonômica é formada, considerando-se muitas propriedades simultaneamente. O Quadro 3.4 descreve os tipos de solos encontrados nos municípios da área de estudo.

Quadro 3.4 - Classificação do solo dos municípios em estudo.

Município Tipos de Solos

Aratuba Podzólico Vermelho Amarelo e Planossolo Solódico

Guaramiranga Podzólico Vermelho Amarelo

Mulungu Podzólico Vermelho Amarelo

Pacoti Podzólico Vermelho Amarelo

Fonte: Perfil Básico Municipal - Ipece (2012)

Benzer Belgeler