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İş Kanunu’ndaki Alt İşveren Hükümlerinin Somut Uyuşmazlığa Hukuken Uygulanabilme İmkânı

THE EVALUATION OF THE DECISION OF THE COURT OF CASSATION ABOUT THAT IF SUBCONTRACTOR PROVISION WHICH IS ORGANIZED

D- İş Kanunu’ndaki Alt İşveren Hükümlerinin Somut Uyuşmazlığa Hukuken Uygulanabilme İmkânı

Como dissemos, os bailes são o divertimento mais seguido n’esta época; e os nossos dandys não têem razão de estar descontentos nem do seu numero, nem da affluencia e animação que n’elles se ha notado. Os bailes das assembéas hão tido este anno uma affluencia e incentivo, como de certo n’outros annos não era de uso. Antes de concluir, não deve a Illustração deixar de declarar que aprova completamente tão civilizadores passatempos ...

(Silva LEAL, “Bailes”, in A illustração, 21 de Fevereiro de 1845) Referimos nos capítulos anteriores o aumento, já durante o primeiro liberalismo, de práticas de sociabilidade promovidas principalmente a nível do circuito privado, assim como a conexão estreita entre elas e um certo tipo de actividade musical. O que parece evidente no reinado de D. Maria II é que o fenómeno adquire tais dimensões que passa a receber cada vez maior atenção por parte dos periódicos da época e a determinar o nascimento e a multiplicação de instituições de carácter semi-público destinadas a esse fim. Um indicador do triunfo de tais práticas é seguramente constituído pelo crescimento exponencial dos chamados bailes de sociedade, no centro da vida mundana da cidade e ligados por vários motivos à actividade musical, fenómeno descrito deste modo, por exemplo, por um cronista em 1845:

E o Entrudo? Oh! Que se passa alegramente em Lisboa; e no mundo christão celebra-se como se não fora pagãa, e infiel, dos quatro costados. Os bailes surgiram de todos os lados; – as salas abriram as suas portas de par em par. – Temos fé que nenhuma Dama dançou menos de cem con- tradanças, de vinte e quatro polkas; da Mazurka não fallamos, que ainda se não acclimatou em Lisboa. O Club – Assembléa Philarmonica – Assembléa Lusitana – festejaram estes dias; inumeras sociedades particu- lares concorreram tambem a offerecerem lindos soirées, o theatro esteve

brilhantissimo – e até não faltaram os serões ecclesiasticos, nos quaes a não ter resado o Kirie Eleison, não sei que diversão offerecessem.1

A expansão desta prática social, para cuja realização evidentemente concorria obrigatoriamente o elemento musical, não podia deixar de ter as suas inevitáveis consequências também no nível de ocupação de um certo número de músicos para os quais constituía sem dúvida uma importante fonte de rendimento. Acrescente-se ainda que os bailes, enquanto momentos mundanos de grande visibilidade, parecem ser frequentemente o veículo através do qual se introduzem e rapidamente se difundem algumas modas na cidade, especialmente as de Paris, que – como ilustra exemplarmente o caso da polca – acabarão por influenciar também a produção musical coeva, fornecendo o pretexto, por exemplo, para um grande número de peças musicais colocadas no mercado pelos editores de música lisboetas.2 Mas o

que conta mais para os fins do nosso discurso é a existência de uma forte

1 O jardim das damas, 8 de Fevereiro de 1845. O marquês da Fronteira refere também

assim a especial animação desse mesmo ano: “Lisboa, apesar dos esforços que uma opposição formidavel empregava para perturbar a ordem e para metter a cizania na sociedade, nunca a vi tão florescente e nunca se pareceu tanto, em convivencia e em divertimentos, com as capitaes do mundo civilisado [...] finalmente, nós outros portuguezes, que abrimos as portas das nossas salas com difficuldade, e principalmente aos estrangeiros, abrimo-las ameudadas vezes nessa epoca”: cf. Memórias do Marquês

de Fronteira ...cit., VII parte, p. 43. Muitas referências ao tipo de práticas sociais a nível do circuito privado em constante aumento no reinado de D. Maria II, centradas nos bailes e na execução musical, podem-se encontrar-se também em João Pinto de CARVALHO, Lisboa de outrora, Lisboa, Grupo de Amigos de Lisboa, 1939, pp. 67 e segs., assim como em Francisco José de ALMEIDA, Apontamentos da vida de um

homem obscuro, Lisboa, A regra do jogo, 1985, especialmente p. 366 e segs.

2 Francesco ESPOSITO, Un primo elenco delle composizioni degli editori lisboeti Lence e

Canongia, prova final da disciplina de História da Música Portuguesa no âmbito do

Mestrado em Ciências Musicais, Universidade Nova de Lisboa, 1999/2000 (poligrafado). É interessante notar que o sucesso das músicas executadas num baile determinava, pelo mesmo mecanismo que vigorava em relação às peças derivadas do repertório operático, a sua publicação, que em alguns casos remetia já no título para o evento mundano que lhes tinha decretado a popularidade em Lisboa. V. por exemplo:

1.ra e 2.da Quadrilha de Contradanças para Piano-Forte que se executarão em o Baile d’assemblea Philarmonica no dia 18 de Fevereiro de 1843, compostas por Francisco Antonio Norberto dos Santos Pinto, Lisboa, Lith. de J. C. Lence T.do Secr.o de Guerra

N. 2; Seis brillantes valses para piano forte compuestos expressamente para el baile de

la Assemblêa Philarmonica de Lisboa del 18 de Fevereiro de 1843 por D. Manuel Marti socio benemerito de la mesma Assemblêa, Lisboa, Lith. Arm. de Mus. da Casa

Real, [1843]; Le Domino Noir: quadrilha de contradanças para piano forte executadas

nos bailes de mascaras no R. T. de S. Carlos no Carnaval de 1839, e na Assembleia Portugueza, Lisboa, Lith. de Lence e C.ª, [1839].

contiguidade, e em muitos casos coincidência, entre as sociedades criadas com o objectivo de disponibilizar ocasiões de recreio tais como os bailes e as que se dedicaram em seguida a actividades de carácter mais especificamente musical; estas últimas acabarão em definitivo, por assumir a maior parte das vezes, estruturas e características tomadas por empréstimo às primeiras e, analogamente àquelas, por se conotar como espaços de requintada mundani- dade.

Fig. 28: Imagem reproduzida na folha de rosto da partitura de Affasta!...

affasta!... ou as saias balões: quadrilha de valsas para piano Extrahidas da Opera L’assedio di Leida, Lisboa, J.I. Canongia, 1853

(Biblioteca Nacional de Portugal).

No caso da moda dos bailes de sociedade, todavia, a preponderante componente mundana parece ser menos facilmente confundível com as finalidades culturais que, como vimos, as crónicas jornalísticas do tempo atribuem geralmente às chamadas “filarmónicas”. Pode por isso ser útil, antes de abordar o tema das sociedades de concerto amadoras, fornecer alguns dados sobre a moda crescente dos bailes de sociedade e sobre o caso

singular da verdadeira “polcamania” que em breve tomou posse da capital portuguesa, os quais parecem exemplificar particularmente bem aquele triunfo do fenómeno da sociabilidade mundana a que já nos referimos mais vezes no decurso deste livro.

Um fenómeno que conheceu um significativo incremento a partir da chegada de D. Pedro à capital e que, assim como já antes acontecera com a Revolução de 1820, determinou imediatamente o clima de festa e o desejo de recuperação da “normalidade” que, como é habitual, se segue a qualquer vitória, assim como uma atitude patriótica desejosa agora de reorganizar e modernizar a sociedade portuguesa: como já foi realçado, o entusiasmo na cidade era de tal ordem que superava as preocupações com a guerra ainda em curso, assim como com o grave flagelo representado pela epidemia de cólera que se propagou no Verão de 1833.3

Inicialmente as manifestações de entusiasmo parecem concentrar-se em particular em torno de D. Pedro, responsável pelo “restabelecimento do Governo legitimo nesta corte” e imediatamente festejado, dois dias apenas após o seu desembarque, com um “Te Deum na Santa Igreja Patriarcal”.4

Além disso, e dada a incapacidade do Salitre – o único teatro que parece ter mantido alguma actividade no último período da ditadura miguelista – de realizar um espectáculo para comemorar “o memoravel dia do 15 de agosto”, o regente foi festejado nesse dia no Teatro de S. Carlos, aberto excepcional- mente para a ocasião, onde assistiu “a todos os bem concertados diverti- mentos analogos ás circumstancias, que tiverão lugar neste fausto, e memo- ravel Dia. A maneira, por que o Povo recebêo a Sua Magestade Imperial, quando appareceo na Tribuna, he acima de toda a descripção”.5

3 V. CYMBRON, A ópera em Portugal ... cit., pp. 1 e segs. Mencionemos, entre os

primeiros pontos de encontro citadinos a retomar a sua actividade, o café do italiano Marrare, de constante fidelidade liberal e que já vimos como empresário do Teatro de S. Carlos entre 1825 e 1828, activíssimo também durante todo o reinado de D. Maria II, café esse que foi centro de conspiração nos momentos de mais acesa luta política, a que já nos referimos na primeira parte deste livro. No seu estabelecimento, por exemplo, teve lugar a 2 de Agosto de 1833 uma ceia para celebrar os sucessos militares “que abrirão as Portas da Capital”, dada pelo “cavalheiro Mendizabal”, na qual participaram, com Palmela e Terceira, “os ministros de estado, o almirante Parker, visconde de S. Vicente, conde de Ficalho e muitos officiais da Marinha Britanica e Portugueza” (cf.

Diario do Governo de 3 de Agosto de 1833).

4 Diario do Governo de 28 Julho de 1833.

5 Diario do Governo de 16 e 17 de Agosto de 1833. O teatro, desde há tempos encerrado,

só reabriu nesse ano as próprias portas em ocasiões excepcionais, funcionando provavelmente como centro de reuniões também graças à influência do conde de Farrobo: é muito provável que os “concertados divertimentos” do dia 15, sobre os quais os jornais da época não fornecem pormenores, tenham estado ligados ao rico mecenas,

Ainda não totalmente retomadas as formas normais de vida social, e num clima ainda de emergência bélica, as crónicas da época relatam as constantes visitas das principais personalidades da cidade a D. Pedro, assim como aquelas que este repetidamente faz ao barão de Quintela, agora conde de Farrobo, a quem o ligava o reconhecimento pela ajuda financeira prestada durante o cerco do Porto mas que era provavelmente também a única perso- nagem na cidade em condições de proporcionar, naquela situação de emer- gência, um alto nível de práticas de convívio e de sociabilidade requintada nas suas diversas residências; é o que parecem confirmar, por exemplo, o baile oferecido pelo conde a D. Pedro e aos seus oficiais no palácio da Rua do Alecrim logo após a entrada do exército liberal em Lisboa, assim como as representações teatrais dadas quase ininterruptamente no seu Teatro das Laranjeiras entre Outubro de 1833 e Junho de 1853.6

D. Pedro, juntamente com D. Maria II, foi ainda festejado por exemplo em Outubro de 1833, quando passeava pela cidade para ver as iluminações montadas “em memoria do dia do nome do Duque de Braganza”, sendo recebido “em toda a parte com harmoniosos concertos de Musica habilmente desempenhados pelos Professores desta arte”, ou ainda num baile em honra da rainha organizado pelos “empregados do Arsenal do Exército”; como se sabe, a sua popularidade entrou contudo num claro declínio após a conven- ção de Évora-Monte, que dará até mesmo origem a uma contestação a 27 de Maio de 1834, ou seja poucos meses antes da sua morte, durante uma récita no Teatro de S. Carlos que tinha entretanto recomeçado a funcionar regular- mente desde o início desse ano.7

como já tinha sucedido com as execuções musicais patrióticas após a Revolução de 1820.

6 O baile é mencionado em João Pinto de CARVALHO, Lisboa d’outros tempos, Lisboa,

António Maria Pereira, p. 88. Para as representações na Quinta das Laranjeiras remete- -se para a bibliografia já citada na nota 19 do capítulo “Tentativas de modernização da vida musico-teatral lisboeta ...”, assim como para os numerosos anúncios nos jornais, tornados necessários pela considerável afluência a essas funções, entre os quais transcrevemos, por exemplo, o que apareceu n’O nacional de 1 de Fevereiro de 1836: “Constando ao Conde de Farrobo que algumas pessoas do seu conhecimento não receberam convites para a ultima função que deu nas Larangeiras, e desejando para o futuro evitar enganos que lhe são bem desagradaveis, roga a todas as pessoas que são suas visitas, o favor de mandar entregar ao seu guarda portão as suas moradas, até o dia 10 de janeiro proximo”.

7 As citações são extraídas da Chronica constitucional de Lisboa de 21 e 22 de Outubro

de 1833, onde, do mesmo modo que nos outros anúncios da época, o termo “Professores” se refere a músicos profissionais, remetendo portanto quase sempre para os que estavam ligados à Irmandade de Santa Cecília. Uma descrição do baile no arsenal encontra-se também em ALMEIDA, op. cit., p. 234. Sobre as contestações

Fig. 29: Nicolas Eustache Maurim (litógrafo), S.M.I. o Senhor D. Pedro IV

restituindo a sua filha Augusta a Senhora D. Maria Segunda e a Carta Constitucional aos Portugueses (Museu Nacional de Soares dos Reis)

Além das funções ligadas à família real e ao tipo particular de sociabili- dade centrada nos teatros da cidade, especialmente no S. Carlos, o símbolo da exigência de cada vez mais ocasiões de encontro e convívio de carácter mundano ou, de acordo com o termo mais utilizado na época, de “honesto recreio”, parece ser a difusão dos bailes de sociedade, que se tornam em breve um dos momentos culminantes da vida social citadina. Uma prática introduzida na segunda metade do século anterior e prosseguida em especial pelos clubes estrangeiros existentes na cidade acompanhados, a partir de 1818, pela Assembleia Portuguesa, instituição mais genuinamente nacional.8

durante uma récita e sobre a retoma da actividade do teatro italiano v. CYMBRON,

A ópera em Portugal ... cit., p. 15 e segs.

8 Já nos referimos a esta instituição na primeira parte deste livro, remetendo aqui o leitor,

Desses clubes parece sobreviver à ditadura miguelista e à Guerra Civil apenas a denominada Assembleia Estrangeira (conhecida também como Assembleia Inglesa, sita na Rua do Alecrim), onde de facto se celebrou a vitória do exército liberal e onde, já no Inverno de 1834, se realizou uma temporada regular de bailes.9 Mas nesse mesmo ano o reencontrado orgulho

nacional fazia com que, aparentemente por vontade do próprio D. Pedro, lhe fosse contraposto o Clube Lisbonense (situado no mesmo local que tinha albergado a Assembleia Portuguesa no Largo do Carmo), quase como testemunho do desejo de contrabalançar a grande influência estrangeira em Portugal.10

O tipo de actividades propostas aos sócios é no entanto idêntico, como se pode ler ainda num periódico de 1841 que inicia deste modo a crónica de um seu baile:

paraLOUSADA, art. cit., p. 141 e segs., onde se deduz também a extinção da Assembleia

Portuguesa de um anúncio de leilão publicado no Diario do Governo de 12 de Dezembro de 1831. Sintetizo aqui o que previam os estatutos desta associação em 1822 pelo que se refere à realização dos bailes: estes realizar-se-iam às terça-feiras entre a segunda terça-feira de Novembro e o Carnaval; além disso haveria dois bailes para celebrar os aniversários dos soberanos e um “baile de aparado” a 26 de Janeiro para comemorar o aniversário do estabelecimento das Cortes (cf. Novos Estatutos da

Assemblea Portugueza, cit.). Na segunda metade dos anos 50 existiu em Lisboa uma associação homónima, a Assembleia Portuguesa da Rua Nova do Almada (cf. P-Lmf, MF, Relações, 1857, assim como a recensão de uma sua soirée na Chronica dos

theatros de 17 de Dezembro de 1863).

9 LOUSADA, art. cit., p. 149. V. ainda ALMEIDA, op. cit., p. 125 que refere também entre

os directores da Assembleia Estrangeira “Klingoloferes” [Klingelhöfer], um dos músicos amadores mais activos na vida musical lisboeta, e “Duff”, que parece ser o Diogo Carlos Duff que, sempre segundo este autor, tinha albergado o barão de Quintela em sua casa durante as perseguições miguelistas (pp. 189-190). Os bailes deste clube em 1834 podem ser reconstituídos a partir das páginas de O nacional, que refere por exemplo os três primeiros nos números de 10, 19 e 24 de Janeiro de 1834.

10 É o que sugere a descrição de DEMBOWSKY, op. cit., vol. II, p. 15. Almeida (ALMEIDA,

op. cit., p. 275) sublinha ainda que “o Club é descendente em linha recta da

‘Assembleia Portuguesa’, essa que tão bizarramente viveu e que tão esplendidamente recebeu o sr. D. João e suas filhas, na mesma casa onde ainda hoje existe o Club”, ou seja na sede do Carmo, onde se tinha também instalado a 16 de Fevereiro de 1822 a já citada Sociedade Promotora da Indústria Nacional (cf. P-Ln, Reservados, 1076). Contudo, na documentação do Montepio Filarmónico relativa ao período de 1838-42, os músicos parecem continuar a indicar ainda como “Assembleia Portugueza ao Carmo” o Clube Lisbonense, que eu encontrei referido por sua vez com esta última designação a partir dos documentos de 1845 (cf. P-Lmf, MF, Relações, 1838-42 e 1845).

O club lisbonense, é uma sociedade composta de muitos membros, e dos mais distinctos das classes mais ellevadas do mundo lisbonense, com o fim de se divertirem honestamente. Dão bailes; tem uma constante reunião de individuos escolhidos para conversar, e discutir amigavelmente; tem todos os jornaes portuguezes, a maior parte dos melhores estrangeiros; tomam chá; jogam toda a casta de jogos permittidos pela lei, etc. etc. Isto posto, já se vê que alli é o logar da melhor concorrencia de Lisboa; todos os estrangeiros, e provincianos de distincção o frequentam; em pouco se conhece tudo que é fashionable em Lisboa; e se é conhecido de todos.11

Se bem que em 1838 um visitante note que a Assembleia Estrangeira era composta principalmente por ingleses, e que em especiais conjunturas políticas pareça transparecer dos jornais uma certa rivalidade com o Clube Lisbonense, muitas descrições dos bailes das duas associações fazem pensar que parte da boa sociedade local, assim como dos músicos contratados para aquelas funções, terá participado nas actividades de ambas as associações até 1843, ano em que um anúncio de leilão nos deixa deduzir a extinção da Assembleia Estrangeira.12

11 A Revolução de Setembro de 16 de Outubro de 1841, onde se encontra também uma

descrição do luxo, da beleza e da centralidade da sede do clube. São do mesmo teor as referências disseminadas nas memórias do marquês da Fronteira, que foi seu director durante algum tempo e que em relação ao período de 1834-42 recorda que no “famoso club do Carmo [...] naquella epoca, todas as manhãs se reuniam individuos de todas as côres politicas e se descutia politica com toda a força” (Memórias do Marquês de

Fronteira ...cit., VI parte, p. 275).

12 Deduzimos o fim da actividade da Assembleia Estrangeira deste anúncio: “Leilão, por

intervenção do corretor de numero A. G. Lamarão de toda a mobilia, lustres, bilhares, espelhos, cortinas, alcatífas, casquinhas, pratas, louça, trem de cosinha, e todos os mais objectos pertencentes á Assembléa Estrangeira, Terça feira 25, e Quarta 26 do corrente, pelas 11 horas do dia na mesma assembléa, rua do Alecrim” (A Revolução de

Setembro e Diario do Governo de 24 de Abril de 1843). Eis aqui a já referida

descrição que se encontra em DEMBOWSKY, op. cit., vol. II, p. 15: “Existem em Lisboa três clubes: a Assembleia Lisbonense, onde se admitem senhoras e todos os membros são Cartistas; a Assembleia Estrangeira, composta quase toda por ingleses; finalmente o Clube Lisbonense, formado por D. Pedro para contrabalançar o predomínio dos ingleses” [“Vi sono a Lisbona tre club: l’Assemblea Lisbonense, ove si ammetton le donne e tutti i membri sono Cartisti; l’Assemblea Straniera, composta quasi tutta d’inglesi; finalmente il club Lisbonense, formato da don Pedro per controbilanciare la prevalenza dell’inglese”]. Uma certa rivalidade entre os dois clubes parece transparecer por exemplo de uma crónica de 1839 que lamenta que a maioria das senhoras da boa sociedade tivesse preferido o baile da Assembleia Estrangeira ao do Clube (O constitucional, 23 de Fevereiro de 1839). Benevides refere além disso que a Academia Filarmónica se instalou “na casa da Antiga Assembleia Estrangeira” (BENEVIDES, op. cit., p. 179).

Foi no entanto o Clube Lisbonense a ser escolhido como o lugar onde se festejou, a 26 de Abril de 1836, o segundo casamento da rainha com um baile a que assistiram mais de 600 pessoas e em que esteve presente toda a família real, baile esse que obrigou a estabelecer disposições especiais para o tráfego das carruagens que ali se deslocassem.13 A própria crónica deste

evento pode servir para encontrar a confirmação indirecta de que os modelos desta instituição, tal como de outras análogas, continuam a ser claramente estrangeiros, quando o cronista não hesita em afirmar que os seus directores

não tem poupado esforços, nem meios, para augmentar e embelezar aquelle estabelecimento, tornando-o tão agradavel como util, e elevando-o ao ponto, que se não excede a um St. James Club de Londres, póde far-se parallelo com os bons que temos vistos na Europa.14

Pela continuação do artigo percebemos que o facto de a capital estar dotada de uma instituição semelhante era considerado, analogamente ao que sucedia por exemplo nas discussões sobre a edificação de um teatro nacio- nal, como um “exemplo da progressiva civilisação Portugueza”.