B. Kanuni Grevde Tarafların Hak ve Yükümlülükleri
4. Kanuni Grev Kararını Alan Sendikanın Hak ve Yükümlülükleri
Esses são os traços gerais do idealismo alemão e do positivismo, cujo confronto engendrou problemas que condicionaram a necessariedade do „retorno à Kant‟. As indicações gerais a respeito destes dois polos discursivos, expostas mais acima, viabilizam a compreensão sobre o modo como a tensão aberta pelos seus embates impulsionam o movimento neokantiano. Concentremo-nos, pois, doravante na exposição do campo de tensão entre o idealismo e o positivismo. Cientes de que é precisamente nas divergências entre estas duas correntes filosóficas que há de emergir um ambiente propício para o desenvolvimento dos anseios neokantianos.
Por um lado, vimos que o idealismo alemão ao superlativizar o sujeito transcendental, torna-o num Eu Absoluto; com isso, o idealismo crítico que, ao delimitar na experiência as fronteiras do conhecimento válido, corrigira os descompassos da metafísica, sob a tutela dos idealistas Fichte, Schelling e Hegel, transformava-se numa metafísica idealista. A própria dimensão da experiência havia sido suprassumida pela idealidade do conceito. De tal modo que, na totalidade do conceito a autonomia da experiência, no processo do conhecimento, tornava-se irrelevante. E esta redução da experiência se deu pela compreensão de que a realidade é processo dialético do Espírito, no qual a experiência já não é mais um limite em si, antes um termo absorvido no processo.
A postura tomada pelo idealismo especulativo gerava um problema com diversas implicações para a efetividade do processo investigativo das ciências naturais, pois a âncora na qual a estabilidade do progresso científico estava firmada – ou seja, a experiência –, pela concepção idealista, estava novamente reduzida às quimeras do pensamento especulativo. Não é por acaso que a reação mais radical proviria exatamente de cientistas profissionais. Como é o caso da destacável reação impingida pelo físico positivista Ernest Mach. Ele aproximara-se das reflexões positivistas de Augusto Comte precisamente porque estas se harmonizavam com os intuitos de seu projeto empirista. Ora, o positivismo na França objetivava principalmente ser um movimento anticlérico, visando “emancipar o intelecto da superstição que ele [Comte] podia encontrar na institucionalizada religião de seu tempo” (HARRÉ, 2008, p.12). Mach, entretanto, não se opunha a nenhum misticismo em particular. O seu projeto era um projeto epistemológico. E no viés da missão epistemológica de Mach, o positivismo alemão ganhara uma tonalidade bem peculiar: não era o misticismo religioso que
se visava combater, mas sim as amarras das superstições metodológicas impostas pelo idealismo especulativo. A paixão que Comte alimentava pela ciência, ao ponto de eleger tal forma conhecimento como única e verdadeira religião da humanidade, é transpassada para Mach sob a forma de ódio contra a metafísica idealista; e isto, de tal modo, que Mach foi denominado como um verdadeiro “empirista puritano”. Isto é notório pela natureza do seu método, o qual opera uma catarse radical, abolindo do conhecimento científico todo e qualquer resquício de elementos não sujeitos à observação experimental.
A posição de Mach produz um ceticismo tão ácido quanto aquele encontrado em David Hume. E, de fato, Mach recorre à filosofia de Hume para corroborar seu posicionamento. A crítica de Hume ao problema da indução, e o modo como esta põe colapso o sistema de conexões causais do racionalismo, é para Mach o solo a partir do qual impossibilita os sobrevoos especulativos do pensamento metafísico. Entretanto, o modo como Mach absorve o empirismo de Hume não o deixaria isento de controvérsias. O radicalismo de Mach o fez incorrer num solipcismo empírico, do qual ele não foi plenamente capaz de se desenredar. Isto abriria espaço para o desenvolvimento de um positivismo mais ameno quanto à questão da possibilidade de validade das entidades inobserváveis. É o que encontramos em Helmholtz, e ainda em Hertz e Boltzsmann. Nestes se vê claramente certa rendição do positivismo alemão ante o encrudescimento das intenções neokantianas.
Helmholtz, assim como Mach, será um cético da metafísica, acreditando que a teoria científica se restringe a “generalização matemática das observações empíricas e dos resultados experimentais, sendo tais elementos o objetivo último da pesquisa” (HARRÉ, 2008, p.12). Porém, o ponto de discordância com Mach, se dará no seu trabalho neurofisiológico, através do qual se aproxima intensamente da teoria kantiana da percepção. Ressaltando a concepção kantiana de causalidade, Helmholtz ensina que a ordem da causalidade na experiência é imposta pela mente humana. Ou seja, para ele, as leis da causalidade são de caráter estritamente apriorístico. Hertz e Boltzmann, contrapondo-se ao radicalismo empírico de Mach, aceitam a possibilidade de hipóteses plausíveis e, portanto, a existência de uma dimensão inobservável da natureza, a qual pode ser postulada pela abstração matemática.
O positivismo adotado por estes cientistas é a tentativa de se esquivar dos impasses ocasionados pela postura mais severa do positivismo. Observa-se uma rendição ante a validade de conhecimentos não experimentais, tais como as teorias matemáticas – as quais eram para Kant um exemplo direto de juízos sintéticos a priori. E também, uma
reconsideração da efetividade das inferências de uma estrutura apriorística na determinação do conhecimento válido. Esta amenização do positivismo abastece ainda mais os anseios neokantianos da comunidade filosófica alemã; a qual, insatisfeita com os extremismos da metafísica idealista e empírico-positivista, buscava uma epistemologia equilibrada, que fosse capaz de solucionar os impasses ocasionados por ambos os extremos. Pois, enquanto a abordagem do idealismo absoluto conduzia inevitavelmente ao obscurantismo metafísico do Espírito, o positivismo, por sua vez, abolia a autonomia das ciências do espírito e reduzia a filosofia à teoria da ciência. É neste ínterim que Kant é relembrado. Pois sua filosofia foi capaz de aplacar as exigências do racionalismo cartesiano e do empirismo cético de Hume. Posicionando-se moderadamente entre os extremos racionalista e empirista, Kant considerou a experiência como limite último do conhecimento válido, mas não deixou de conceber a efetividade da estrutura apriorística do sujeito no processo de obtenção deste conhecimento. Kant acabou por garantir, com sua teoria epistemológica, tanto a base experimental do progresso das ciências empíricas, como também a dimensão de atuação da filosofia.
A convocação de Liebmann expressa bem o mesmo anseio por uma postura epistemológica moderada. Os ânimos da comunidade filosófica alemã escorrem para a filosofia kantiana precisamente porque encontram nela um modelo primordial para solucionar seus próprios impasses no final do século XIX. Kant é relembrado como modelo mais adequado, não para ser repetido, mas para ser otimizado. Como sua filosofia tinha sido gerada sob a calorosa tensão produzida pelas disputas entre empirismo e racionalismo, ela oferece um modelo, a partir do qual, torna-se possível avançar em direção à possibilidade de superar os desequilíbrios metodológicos impostos pelo idealismo e o positivismo.
Portanto, como havíamos mais acima postulado, uma compreensão adequada do movimento neokantiano se dá mais por meio da clara visão de seus motivos, do que propriamente por sua mera atividade acadêmica de releitura das obras kantianas. Tendo isto em vista, compreende-se o neokantismo como um movimento que se ocupou de delimitar as condições do conhecimento válido, levando em consideração as intenções mais originárias do idealismo especulativo, entretanto, estabilizando-as com o conhecimento experimental – fundamento último de toda ciência – proposto pelos positivistas. Com isso, o projeto neokantiano visava “estabelecer o espaço de autonomia da filosofia em meio as ciências positivas” (CROWELL, 1998, p. 186). Tal projeto só seria possível por meio da apreensão do espírito da filosofia transcendental de Kant. O acesso a tal espírito não consiste numa repetição, ou numa mera interpretação textual. Consiste, antes, num “retorno a Kant que visa
usar os seus princípios e metodologias para responder tanto os antigos como os novos problemas” (TOTEFF, 2008, p. 28). Uma caracterização precisa da dinâmica de acesso ao espírito da filosofia kantiana encontra-se incrustada na afirmação de Wildelband, que diz, “Compreender Kant é ir além dele mesmo” (WILDELBAND apud TOTEFF, 2008, p. 30).
Passaremos agora, portanto, a elencar de forma conclusiva os motivos que impulsionaram o desencadeamento do movimento neokantiano, bem como delimitar, a partir deste viés, um conceito esclarecedor do caráter deste movimento. Vejamos, pois:
(1) Vimos que um dos primeiros motivos encontra-se no fato de que as tentativas do grande sistema idealista alemão em aperfeiçoar a filosofia de Kant ocasionou uma saturação metafísica do sujeito transcendental. O conhecimento experimental havia sido suprassumido pela dinâmica processual do Espírito Absoluto. A realidade estava novamente sujeita a especulação. A superlativização do elemento apriorístico, por parte da metafísica do Espírito Absoluto, retraia o conhecimento em si mesmo, absorvendo a dimensão da experiência e tornando volátil sua autotomia. Isto se afastava do projeto kantiano que concebia a experiência como limite último do conhecimento.
(2) Outro motivo para o desencadeamento do neokantismo é a reação positivista ante a metafísica do idealismo alemão. Operando uma intensa redução empirista, o positivismo condiciona toda a validez 6 do conhecimento à dimensão experimental, o que resulta em avarias para a autonomia da filosofia. Negando todo elemento não observável, já não resta espaço para filosofia, a qual é absorvida pelas ciências naturais como auto-reflexão científica. A filosofia perde seu espaço de atuação, bem como sua autonomia.
Estes são os problemas que impulsionaram a reflexão neokantiana. A exposição destes problemas possibilita uma conceituação do caráter do movimento neokantiano, o qual se define a partir de tais problemas. Ou seja, o Neokantismo é um sistemático exercício filosófico que tem na filosofia transcendental o solo base para instigar a emergência do espírito da filosofia de Kant, o qual consiste em propor uma argumentação que garanta “a
6 Sabemos que na lógica o termo mais familiar é “validade”, entretanto, o que se pretende aqui com o termo
validez é o mesmo que propõe MacDowell em sua analise da filosofia dos valores de Rickert. Nesta analise, MacDowell declara: “Segundo Rickert, a verdade consiste na validez absoluta, que somos obrigados a atribuir a certos juízos, tanto singulares como universais, tanto espontâneos como científicos. A tarefa da teoria do conhecimento é precisamente explicar este fato incontestável e, por aí, caracterizar as entidades lógicas, que são os juízos, como tais” (MACDOWELL, 1993, p. 31).
absoluta validade dos fundamentos metafísicos, um inatacável apriorismo, e teorias da ética e valores” (CROWELL, 186, p.186), visando fornecer cientificidade à filosofia – garantindo, com isso, sua autonomia.
CAPÍTULO II
A CONFIGURAÇÃO DO AMBIENTE DE DISCUSSÃO NEOKANTIANO EM SUA