3.5. Analiz Sonuçları ve Değerlendirme
3.5.3. Kantil Regresyon Sonuçları
Primeiramente, vale esclarecer que, devido às semelhanças existentes com outras abordagens (cf. Seção 2.5.3), não é fácil entender o propósito da modelagem de dois níveis a julgar apenas pelo nome. Em primeira análise, pode-se tentar associar os seus dois níveis com camadas de tecnologias, o que é um equívoco. Porém, é essencial compreender a separação de um modelo de informação (composto por classes estáveis e genéricas) e um modelo de conhecimento (formado de estruturas de dados utilizadas para a restrição das classes do modelo de informação) (cf. Seções 2.5.1 e 2.5.2). Esta visão também facilita o entendimento da separação de responsabilidades entre equipes clínica e técnica.
A propósito, observou-se que esta separação foi benéfica para o projeto de Minas Gerais. Após a criação e aceite da arquitetura por parte da SES/MG (cf. Seção 6.4.4), tiveram início, em paralelo, as atividades de desenvolvimento de arquétipos e da prova de conceito de construção do framework. Enquanto a equipe técnica de analistas de sistemas trabalhava no desenvolvimento deste framework, a equipe clínica se dedicava à utilização do modelo de referência para organizar a informação e construir os arquétipos do SCP. Apesar das equipes estarem trabalhando em duas frentes diferentes, na prática, o modelo de informação e os arquétipos cumpriam o papel de alinhá-las.
O modelo de referência da norma ISO 13606 é fruto de consenso ocorrido nas reuniões do comitê ISO TC 215, envolvendo a participação de vários países; e as classes que representam o núcleo hierárquico de RES são aceitas por especialistas em saúde como uma forma viável de organização da informação de RES (SATO, 2006). Pode-se dizer então que, ao assumir este modelo, a especificação do repositório central se alicerçou em requisitos previamente discutidos por vários especialistas em saúde, afetando diretamente a qualidade do software produzido. Além disso, considerando que a interoperabilidade requer padrões para se estabelecer, a opção em utilizar este modelo de referência e arquétipos reflete o interesse do Estado de Minas Gerais em utilizar uma linguagem conhecida e aceita mundialmente.
Muito embora o repositório central seja focado nos elementos do SCP - e recursos mais complexos não estejam a princípio no escopo da proposta (cf. Seção 1.1) -, tudo leva a crer que a adoção do modelo de referência e arquétipos refletirá positivamente na evolução e manutenção do repositório central (cf. Seção 2.5.3). A acomodação de novos conceitos, sem a necessidade de alterações no framework e bases de dados que suportem a operação do repositório central, resultará na redução de custos de TI. Em outras palavras, as novas versões de arquétipos serão assimiladas pelo repositório central sem necessidade de alterações em seu modelo de dados, exigindo menos esforço da equipe técnica do que nos sistemas tradicionais. Nesse alinhamento, a equipe clínica assumirá maior responsabilidade pelo controle da evolução e manutenção do sistema de RES compartilhável. O controle direto sobre a inserção de novos conceitos (arquétipos) no repositório central e, consequentemente, dos extratos de RES que serão compartilhados com os sistemas de PEP das UBS, permitirá à SES/MG melhores condições de articular suas políticas de informação entre os municípios.
Merece destaque o envolvimento da equipe clínica no processo de modelagem de arquétipos. Logo que os profissionais de saúde entenderam a proposta, perceberam a importância do papel que deveriam desempenhar. Assim, as atividades de modelagem dos conceitos que comporiam o repositório central foram entendidas como uma significativa contribuição (cf.
Seções 7.1 e 7.2), catalisando maior envolvimento e participação de outros profissionais, o
que foi salutar para o projeto.
Processo similar ocorreu com relação às atividades técnicas de desenvolvimento de sistemas. A criação de uma base de dados capaz de assimilar, em tempo de execução, novas estruturas de metadados criadas por usuários-finais, foi entendida como um desafio. Isso se intensificou diante do volume de transações estimado para a operação, e por se tratar de uma das primeiras implementações utilizando a modelagem de dois níveis no Brasil. Esses fatores, associados à percepção de benefícios que a abordagem trará para o Estado, proporcionaram um clima favorável entre os especialistas de TI envolvidos.
É interessante observar que a capacitação da equipe clínica e técnica acerca dos princípios da modelagem de dois níveis não foi um processo simples. Para a equipe técnica, os treinamentos exploraram principalmente detalhes técnicos sobre a dinâmica de utilização dos modelos de referência e arquétipos e seus respectivos diagramas UML. Já para a equipe clínica, maior atenção foi dada à prática na utilização das classes do núcleo hierárquico de
RES para a organização da informação clínica. Ainda assim, mesmo tendo apresentado e discutido os princípios da modelagem em sala de aula, muitos detalhes somente foram assimilados durante o processo de desenvolvimento.
Foram necessários aproximadamente seis meses para que os profissionais envolvidos tivessem um amadurecimento sobre a utilização conjunta do modelo de referência e arquétipos. Em parte, isso se justifica pela dinâmica de utilização dos modelos e, também, por não serem suficientes os exemplos e explicações, presentes no texto da norma, para a compreensão de detalhes práticos - aspecto que foi superado através da colaboração com especialistas da Inglaterra e Espanha. É importante relembrar que o modelo de referência da ISO 13606 tem foco específico na interoperabilidade de sistemas de RES e, portanto, seu modelo é considerado pequeno se comparado com outros como o do openEHR e o HL7 RIM. Se estes últimos tivessem sido utilizados, talvez maior atenção ainda seria requerida nesse ponto.
Apesar disso, verificou-se que - descontado o período de tempo empregado na assimilação dos princípios da abordagem, por ambas as equipes-, o tempo real de desenvolvimento do
framework e arquétipos não foi superior ao tempo que se gastaria utilizando um paradigma
tradicional para o desenvolvimento de uma aplicação. A vantagem, neste caso, foi a qualidade do modelo de informação utilizado e a participação efetiva da equipe clínica no processo. Conclui-se, portanto, que, considerando-se o desenvolvimento próprio de um repositório central de RES e uma camada de serviços para atendimento de demandas de sistemas de PEP em uma federação, como é o caso de Minas Gerais, a separação de papéis proposta pela modelagem de dois níveis agregou valor às atividades do projeto, em especial ao trabalho das equipes, confirmando o pressuposto P1 previamente estabelecido para este trabalho de pesquisa (cf. Seção 1.1).