4. İstanbul’da Yeşil Alanı Azaltıcı Eylemler
4.1. Kanal İstanbul Projesi
Até o momento, ressaltamos, entre outros fatores, a importância assinalada em documentos legais sobre a inclusão de alunos com necessidades especiais nas classes regulares. Também se observa que ainda são poucos os institutos e centros destinados a auxiliar e acompanhar esse alunado, assim como são poucos os alunos inseridos no contexto da escola regular. Nos institutos, assim como nos documentos, alerta-se para a importância dos recursos didáticos para atender às necessidades desses alunos. Assim, nesse tópico, procuraremos apresentar alguns dos recursos mais utilizados para alunos deficientes visuais.
Podemos definir esses recursos didáticos como sendo aqueles empregados com freqüência em áreas de estudo ou atividades, independente da técnica usada para utilizá-los (CERQUEIRA, 1996). Os recursos visam a auxiliar o educando a realizar sua aprendizagem de forma mais significativa, ou seja, oferecem meios para facilitar e incentivar o processo ensino-aprendizagem. Cabe aos educadores aproveitarem esses recursos, levando em consideração alguns fatores, tais como as limitações dos deficientes visuais, a capacidade de cada aluno, a experiência do professor, e as técnicas de emprego utilizadas.
Os recursos didáticos destinados aos deficientes visuais são classificados, segundo Cerqueira (1996) da seguinte forma:
• Naturais: são os elementos de existência real, como água, pedras animais;
• Pedagógicos: tais como quadro, slide, cartaz;
• Culturais: tais como bibliotecas e museus.
Para alcançar um melhor desempenho do aluno deficiente visual, principalmente do aluno cego, precisa-se fazer uso de alguns materiais básicos indispensáveis no processo de ensino-aprendizagem. Dentre os materiais, podemos destacar a reglete12, punção, textos transcritos em Braille e gravador. Para os alunos
de visão subnormal, geralmente os recursos usados são cadernos com margens e linhas marcadas fortemente, impressões ampliadas, já que, as dificuldades desses alunos, na maioria das vezes, são quanto ao tamanho da letra utilizada, que pode fugir do seu campo de visão, dificultando o aprendizado.
Os avanços tecnológicos dos últimos anos vêm ajudando muito aos deficientes visuais de forma geral. Alguns desses recursos são utilizados aqui em Natal no Instituto de Educação e Reabilitação de Cegos do Rio Grande do Norte e no Centro de Apoio Pedagógico dirigido ao deficiente visual, tais como a impressora em Braille, os programas de computador voltados para os deficientes visuais, como o sistema Dosvox13, o Virtual Vision, entre outros.
Destacam-se ainda outros recursos existentes no mercado que, de uma forma geral, incluem a ampliação do tamanho dos caracteres, tais como os recursos de programas computacionais – softwares, e o sistema de leitura ampliada. Nesse caso, são adequados para portadores de visão subnormal.
12 Instrumento utilizado para escrita manual em Braille, composto por uma prancha e uma régua com
celas vazadas para a composição da escrita em relevo (CAIADO, 2003).
13
Sistema operacional para atender os deficientes visuais, desenvolvido pelo Núcleo de Computação Eletrônica da Universidade Federal do Rio de Janeiro com as seguintes ferramentas computacionais: sintetizador de voz portátil, sistema operacional complementar ao Dos, destinado a produzir saída sonora com fala em língua portuguesa, editor de textos, cadernos de telefones e outros (CAIADO, 2003).
Outros recursos são ainda utilizados como dispositivos para elaborar materiais em relevo, tais quais o Thermorform14 e o Braille, incluindo as impressoras em Braille. Há também os equipamentos com áudio como o Braille falado conforme mostra a figura a seguir, e os microcomputadores com sintetizadores de voz15.
Figura 01: Braille falado
Com relação às impressoras Braille, existem no mercado mundial, diferentes tipos, seja para uso individual ou para produção em larga escala. As velocidades de produção são muito variadas. Essas impressoras geralmente podem imprimir em Braille, interpontando ou não em seis ou oito pontos, bem como produzir desenhos. A seguir, a primeira figura mostra uma das impressoras que estão disponíveis no
14Recurso ideal para duplicação de originais Braille, criando cópias para uso permanente em material
tipo braillon.É indicado para criar auxílios táteis em alto relevo para apoio educacional. Fonte: Internet – Site: http//www.bengalabranca.com.br, acesso em (13/02/2005).
15 Tecnologia que tem possibilitado reproduzir mecanicamente a linguagem humana mediante
mercado, e depois o teclado falado, com um teclado utilizado pelos deficientes visuais que, quando está conectado a um computador, emite o som do que está sendo digitado.
Figura 03: Teclado falado
Entre os recursos mencionados, um dos mais utilizados nas escolas é o sistema Braille. Esse sistema tem um papel insubstituível e decisivo no acesso à educação, à informação e à cultura, na integração profissional e no exercício pleno do direito de cidadania dessas pessoas.
O Braille é um processo de escrita e leitura em relevo para leitura tátil, inventado por Louis Braille (1809-1852). Os números e os sinais gráficos são representados por seis pontos a partir de um conjunto matricial idêntico a uma sena de dominó. Portanto, para ler, devemos substituir esses símbolos pelas letras, através de combinações dos pontos. A figura a seguir representa o sistema Braille.
Figura 04: Alfabeto Braille
De acordo com a figura acima, o alfabeto Braille é composto por 6 pontos em relevo, que formam 63 combinações. Com ele é possível fazer letras, números, símbolos químicos e matemáticos. A escrita do Braille pode se realizar de várias maneiras: a mais antiga e a mais utilizada é a punção e a reglete, mencionada anteriormente, e mostrada na figura a seguir.
Figura 05: Reglete
A leitura do sistema Braille é feita com a ponta dos dedos indicadores de uma das mãos. Os dedos deslizam em suave movimento sobre as linhas da escrita, captando mediante movimentos horizontais, e com a pressão do dedo, as configurações que constituem as letras. A velocidade de leitura de um leitor cego experiente não supera 114 palavras por minuto, enquanto que a média dos videntes experientes encontra-se em torno de 280 palavras por minuto (COLL, 1995).
Várias são as formas de escritas que dão acesso à informação para os deficientes visuais, tais como os recursos oferecidos pelas novas tecnologias da informática citadas anteriormente, mas o Braille é comprovadamente o mais eficaz (COLL, 1995).
O Braille é uma ferramenta importante para a integração tanto social como familiar, escolar e profissional das pessoas cegas. Nesse sentido, pesquisas realizadas entre pessoas cegas na Europa e na América do Norte, pela Biblioteca Sueca do livro Sonoro e do Livro Braille e pela Biblioteca para cegos do Instituto Nacional Canadense para Cegos, revelaram que mais de 85% das pessoas cegas
que aprenderam bem o Braille e o utilizam eficientemente atingem boas situações profissionais (OLIVEIRA, 2004).
O sistema Braille não foi a primeira nem a única modalidade de leitura táctil utilizada pelos deficientes visuais, antes dele várias tentativas foram feitas para a implementarem, mas sem muito sucesso.
Alguns registros mostram que no século XIV havia documentos que falam de um célebre professor árabe chamado de Zain-Din Al Amidi que criou um método para identificar seus livros e resumir algumas informações. Este método, consistia em fazer espirais, de papel bem fino, que eram engomados e dobrados sobre os caracteres, permitindo-lhe a leitura. Já em 1517, na Espanha, Francisco Lucas idealizou um jogo de letras esculpidas em finas placas de madeiras. Essa idéia chegou à Itália em 1575, onde foi melhorada por Rampassett, mas falharam, já que a leitura era difícil. Em 1651, em Nuremberg, foi usado um método que consistia em utilizar uma tábua recoberta com cera, sobre a qual se escrevia com um estilete (OLIVEIRA, 2004).
Um marco importante nessa evolução dos recursos foi a publicação, em 1748, por Diderot, da Carta sobre os cegos para uso dos que vêem, falando de uma mulher que tinha sido alfabetizada através de letras recortadas em papel. Trinta e quatro anos depois, em 1784, Valentin Haüy funda o Instituto Real dos Meninos Cegos, em Paris. Acidentalmente, um de seus alunos, descobriu que podia reconhecer letras fortemente impressas em papel. Haüy passa então a utilizar esse método para alfabetizar seus alunos. Haüy adaptou o alfabeto, traçando-o em relevo, e utilizou caracteres móveis para a escrita (SILVA, 2004).
Um século depois, surge o Sistema Braille, por volta de 1811, quando Charles Barbier de La Serre, capitão de artilharia francês, criou um sistema de escrita
noturna chamado de sistema Barbier16, que permitia a comunicação entre os soldados da companhia. Era um sistema baseado em um tabuleiro de 36 quadrados onde cada um estava relacionado com um som, representado por um paralelogramo de pontos. Esse sistema destinava-se basicamente à emissão de sons, sendo posteriormente utilizado por Louis Braille, um jovem que perdeu a visão aos três anos, depois de um acidente.
Em 1819, o jovem Braille ingressou no Instituto Real dos Meninos Cegos, familiarizando-se rapidamente com o sistema de Barbier, empenhou-se muito na busca de um sistema mais acessível de escrita e leitura para as pessoas cegas (OLIVEIRA, 2004).
O Sistema de escrita Braille foi desenvolvido por Louis Braille em 1825, publicado, pela primeira vez, em 1829 e revisado, aperfeiçoado e reeditado por seu inventor em 1837.
Em 1825, apresentou a primeira versão de seu sistema baseado em seis pontos que, quando combinados, permitiam a escrita do alfabeto, da pontuação e de números. Louis Braille deixou também simbologias para a Matemática, a Química, Musicoterapia e a Taquigrafia. Esse sistema também permitia a transcrição de mapas e gráficos. Louis Braille reconheceu publicamente que o sistema de Barbier foi a base para a criação de seu sistema. Em 1877, durante o Congresso Internacional de Surdos-Cegos, o Braille foi reconhecido como o melhor sistema de escrita para cegos.
16 Sistema de escrita abreviada a base de pontos em relevo, idealizado pelo capitão francês Barbier
de La Serre no final do século XVII. É um sistema fonográfico, cujos signos então baseados em sons franceses e é utilizado apenas no idioma francês. O próprio Louis Braille reconheceu ter se inspirado nesse sistema para criar o sistema Braille (SILVA, 2004).
No Brasil, o Braille foi introduzido em 1850 por José Álvares de Azevedo, jovem cego que havia ido estudar em Paris. Em 1854, com a Fundação do Imperial Instituto dos Meninos Cegos, hoje Instituto Benjamin Constant, o sistema passou a ser ensinado regularmente (OLIVEIRA, 2004).
Entre as diversas entidades que divulgam os sistemas de leitura para os deficientes visuais, encontra-se a Faculdade de Educação de São Paulo, que lançou um curso virtual para ensinar gratuitamente a desvendar o mundo escrito dessas pessoas.