O período entre guerras foi marcado por fortes medidas protecionistas e a deterioração nas relações econômicas internacionais. A crise de 1929 contribuiu fortemente para acelerar este processo. Os EUA, após a primeira guerra mundial, emergiram como potência e aumentaram bruscamente suas tarifas causando, com isso, medidas análogas tomadas pelos seus parceiros, gerando uma onda de desvalorizações cambiais competitivas. Foram eles os primeiros a desvalorizar sua moeda e tomar medidas restritivas ao comércio, minimizando assim o impacto das ações dos seus parceiros, gerando ganhos decorrentes das perdas dos seus parceiros. Como todos os países, praticamente passaram a proteger seus mercados, a crise agravou-se, causando perdas para o conjunto da economia mundial e contribuindo significativamente para a segunda guerra mundial.
Durante o conflito, EUA e Inglaterra começaram a elaborar planos para favorecer a prosperidade econômica mundial e, numa conferência histórica em Brettton Woods, 1944, originaram duas organizações: O FMI e o BIRD (Banco Mundial). Ao final da Segunda Guerra, em uma conferência sobre comércio e emprego, promovida pela ONU, foi apresentado um documento denominado GATT (General Agreement on Tariffs and Trade), que em 1947 foi firmado por 23 países, como conclusão da primeira rodada de negociações multilaterais de comércio do GATT.
O objetivo central e original do GATT era reduzir as barreiras comerciais entre os países, aumentar sua interdependência e, com isso, reduzir os riscos de um novo conflito mundial. O princípio básico que orientou o funcionamento do GATT foi o da não discriminação, expresso pela cláusula de nação mais favorecida (NMF), segundo a qual nenhum país era obrigado a fazer concessões, mas se, ao negociar com qualquer outro, reduzisse suas barreiras à importação de determinado produto, esse benefício deveria ser estendido incondicionalmente, a todos os demais países. Para participar do Acordo Geral, os países assumiram também o compromisso de não aumentar as tarifas ou fazer novas restrições ao comércio. Assim o GATT contribuiu efetivamente para reduzir o protecionismo e facilitar o comércio mundial, embora tenha permanecido na condição de acordo provisório ao longo de toda a sua existência.
Embora úteis, as negociações bilaterais rapidamente revelaram o esgotamento da sua eficácia para assegurar a continuidade do processo. A idéia de acelerar a liberalização do comércio, já aceita e predominante, levou à realização de rodadas multilaterais de negociação. A partir dos anos 50, houve sete rodadas. A última, a Rodada Uruguai, que ocorreu entre 1986 e 1993, envolveu mais de 100 países. Nessa rodada, além de outros temas, foi negociada a extinção do GATT e a criação da OMC (ou WTO, World Trade Organization), com a incorporação integral das regras do GATT, mas, como organização permanente, sem as fragilidades que este possuía como acordo provisório, sem poder suficiente para solucionar as controvérsias comerciais e para impedir que seus participantes desrespeitassem suas regras quando julgassem convenientes, sem qualquer conseqüência.
A OMC é uma organização permanente e com personalidade jurídica própria. Entrou em funcionamento em 1º de janeiro de 1995 e suas principais funções são: 1) Gerenciar os acordos multilaterais de comércio relacionados a bens, serviços e direitos de propriedade intelectual; 2) Administrar o entendimento sobre soluções de controvérsias; 3) Servir de fórum para as negociações; 4) Supervisionar as políticas comerciais nacionais e 5) Cooperar com outras organizações internacionais. O sistema multilateral de comércio regido pela OMC, também tem a não-discriminação como princípio fundamental, que é expresso por duas regras: a) Cláusula de Nação mais Favorecida: pretende evitar discriminação entre os países fornecedores de um mesmo produto. É particularmente útil aos países que têm menor poder de barganha nas negociações internacionais, porque são beneficiados pelas reduções das barreiras negociadas entre os grandes fornecedores e importadores; b) Tratamento Nacional: por esta regra fica estabelecido que, após ingressar em determinado mercado, o produto importado não deve ser penalizado em relação ao similar nacional, com a incidência de impostos ou ônus maiores que os incidentes sobre o mesmo produto doméstico, garantindo assim igualdade de tratamento.
A criação da OMC, se por um lado ampliou o acesso aos mercados dos outros países, em contrapartida reduziu os graus de liberdade das nações-membro, na definição das políticas econômicas que afetam o comércio, que passaram a ser submetidas a regras muito mais rigorosas que as vigentes sob os auspícios do GATT.
As reconhecidas vantagens da liberdade de comércio, que são indiscutíveis, não devem, em contrapartida, significar razão suficiente para sua implementação indiscriminada, em todos os países. Na prática, existe uma enorme lista de razões que podem justificar, e até recomendar, o protecionismo.
Alguns motivos para o protecionismo: 1) O argumento da indústria nascente, foi proposto pelo alemão Friedrich List, em meados do século XIX, sendo adotado por diversos países, hoje desenvolvidos, defendia o protecionismo à indústria local, enquanto ela não atingisse escala de produção eficiente, merecendo a proteção da concorrência de firmas estrangeiras, estabelecidas há mais tempo; 2) O problema do desemprego: é um dos mais fortes motivos alegados em defesa do protecionismo, pois as importações geram emprego no exterior, enquanto as exportações o fazem internamente e a adoção de barreiras ao ingresso de mercadorias estrangeiras beneficia os trabalhadores domésticos; 3) Barreiras comerciais para estimular a substituição de importações: Esta política marcou a história econômica do Brasil, tendo sido proposto pelo economista Raul Prebisch, logo após a Segunda Guerra Mundial, como forma de promover a superação do subdesenvolvimento na América Latina; 4) Redução do diferencial de salários; 5) Impedimento ao comércio desleal; 6) Promoção da segurança nacional e 7) Favorecimento das barganhas internacionais. Os últimos 4 motivos, apesar de
desprovidos de racionalidade econômica, são freqüentemente utilizados por diversos países.