• Sonuç bulunamadı

Na definição da população foram escolhidos os jovens trabalhadores da Cruz Vermelha Brasileira que atuam nas Unidades Acadêmicas do Campus Pampulha da Universidade Federal de Minas Gerais e residem em Ribeirão das Neves no estado de Minas Gerais.

A opção pela região advém do seu baixo índice de desenvolvimento e a representação (JOVCHELOVITCH, 2000) como local de pobreza e exclusão na região metropolitana (ELIAS, SCOTSON, 2000). Inclui-se também, além do exposto acima, a característica desta cidade, marcada pelo estigma de possuir vários presídios, que impactam na representação da cidade, talvez ainda mais que somente a pobreza de forma isolada.

Nas obras que referenciaram as atividades do Programa de Ações Integradas e Referenciais de Enfrentamento à Violência Sexual Infanto-Juvenil no Território Brasileiro – PAIR (CUNHA, SILVA, GIVANETTI, 2008; SANTOS, JUNIOR, UDE, 2009) e relativas ao

Programa Nacional de Segurança Pública – PRONASCI/PELC (MORAIS et al, in

ISAYAMA, et al, 2011) existem caracterizações sobre essas realidades na qual múltiplos fatores, de vários aspectos, como o perfil demográfico, aspectos geográficos, equipamentos urbanos, acesso a serviços e assistência social e saúde, história local, configuração política e projetos governamentais influem na vida dos habitantes destas cidades.

No ano de 2009 Noronha (org. 2009, p. 5) publicou os resultados da pesquisa

executada entre janeiro de 2008 e janeiro de 2009 com o objetivo de realizar “um diagnóstico

sociopopulacional e cultural (esporte e lazer) para a cidade, visando construir subsídios para o desenvolvimento de políticas de inclusão pelo esporte e lazer de jovens sujeitos à situação de risco para a violência.”, onde pondera sobre as questões de vulnerabilidade social, juventude, família e violência, incluindo a busca através de dados quantitativos e qualitativos que permitam a elaboração de políticas efetivas para o desenvolvimento deste público considerando os aspectos regionais que podem ser expandidos para outras metrópoles que lidam com dificuldades semelhantes, visto que os jovens constituem a parcela da população mais exposta a episódios de violência e exclusão.

Mostrou-se característico nos trabalhos acima a interlocução entre as políticas públicas e o papel social das universidades, com as últimas atuando de forma crítica, qualificando as ações governamentais e se inserindo na elaboração de atividades que visam a autonomia com inserção social qualificada. Essas informações, junto às obtidas nas entrevistas e observações, permitem construir um quadro do local onde se desenrola a vida deste público, que por consequência influenciam nas atividades de lazer.

Nas pesquisas sociais, segundo Demo (2008) e Matta (1997), deparamo-nos com opções48, pela característica microssociológica, concentramos a atenção em um momento

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As opções não são simples escolhas, mas as estratégias para alcançar os objetivos propostos. Toda opção envolve a capacidade de justifica-la critica e eticamente, envolvendo em última instância a mudança nos rumos da pesquisa.

específico da trajetória destes sujeitos, mesmo que reconheçamos ser construída por uma história pregressa e possuir um sentido teleológico. Mostrou-se impossível, frente ao escopo proposto, investigar em profundidade os contextos familiares e a trajetória prospecta dos jovens trabalhadores, com este objetivo consistindo em tema para pesquisas longitudinais, que ultrapassam os recursos disponíveis de tempo e instrumental.

Foi levada em consideração que entre as características marcantes da pesquisa qualitativa se encontra a preocupação com a qualidade dos critérios da amostragem e com a participação consentida, prevalecendo esta sobre a ênfase na massa somente numérica. As pesquisas quantitativas mostram-se importantes como fontes de informações, porém, conforme Alami, Desjeux e Moussaoui-Garabuau (2010), de forma assemelhada a Minayo e Sanches (1993), os dados numéricos apresentam pouco significado se não forem interpretados e contextualizados, sob o risco de análises equivocadas de determinadas realidades

Para o estudo deste público, delimitamos que os jovens entrevistados deveriam ter dezessete anos durante o período em que seria realizado o trabalho de campo. A escolha pela faixa de dezessete anos ocorre por esta ser a última em que os jovens participam do programa, pois eles entram no mesmo aos dezesseis e aos dezoito anos são automaticamente desligados da instituição.

Restringimos mais a amostra, delimitando-a aos jovens que trabalham nas Unidades Acadêmicas. Optamos por esta segmentação pela dinâmica de funcionamento destes locais, que permitem que os jovens trabalhadores tenham contato direto com discentes e docentes. Outro motivo é por este ser um local onde se coadunam ensino, pesquisa e extensão de forma inerente e permeando as ações.

Para avaliar a viabilidade da amostra e os pressupostos levantados foi realizada a consulta ao banco de dados da CGP – Coordenadoria de Gestão de Pessoas, do DRH – Departamento de Recursos Humanos, da UFMG – Universidade Federal de Minas Gerais.

Foi obtida a informação que em maio de 2012, havia 252 (duzentos e cinquenta e dois) contratos vigentes com a CVB. Destes, 108 (cento e oito) jovens estavam lotados nas unidades acadêmicas situadas no Campus Pampulha da UFMG, constituindo 42,85 por cento desta força de trabalho.

Neste grupo foram identificados 17 (dezessete) jovens que atendiam ao perfil delimitado: dezessete anos e moradores de Ribeirão das Neves. Neste grupo delimitado identificamos 11 (onze) homens e 6 (seis) mulheres, avaliação que torna patente que o mercado de trabalho é prioritariamente ocupado pelos homens, com eles, no nosso estudo,

ocupando 64,70 % das vagas, reproduzindo a exclusão feminina no campo do trabalho, ocorrência ressaltada pela OIT – Organização Internacional do Trabalho (COSTANZI, 2009).

Também foi notado que nesta amostra de 17 (dezessete) jovens, 11 (onze) trabalhavam em unidades acadêmicas, em uma dispersão de 7 (sete) homens e 4 (quatro) mulheres. Os restantes, que consistiam de 2 (duas) mulheres e 4 (quatro) homens, estavam alocados em locais com estrutura de trabalho marcadamente operacionais, com pouco contato próximo e cotidiano com alunos e docentes.

Portanto chegamos a amostra que atendia os requisitos composta por onze jovens, sendo sete homens e quatro mulheres.

Após a definição do grupo os jovens foram convidados a participar da entrevista, primeiramente por e-mail com aviso de recebimento, os que não dispunham de endereço eletrônico foram procurados por meio de contato telefônico através do número de ramal do órgão em exercício. Obtivemos 8 (oito) respostas favoráveis à participação, a qual não foi compulsória, tanto por questões éticas, como pelo respeito aos sujeitos.

Com a obtenção das oito respostas favoráveis, ocorreu o momento de localizar os mesmos para a entrega do TCLE – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido – que foram preenchidos pelo jovem (anexo A), e seus responsáveis (anexo B). Tivemos também a necessidade de preenchimento de um Termo de Anuência (anexo C) por parte das chefias, visto que eles respeitariam a autorização dos responsáveis e a vontade de participação dos convidados. Ao final realizamos 6 (seis) entrevistas, sem buscarmos junto aos jovens possíveis justificativas pela não participação, observando que um jovem não devolveu o TCLE e outro o devolveu em branco justificando que não participaria por falta de autorização dos responsáveis.

Benzer Belgeler