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5. TARTIŞMA ve SONUÇ

5.3. Kalp Yetmezliği ve Organ-Doku Hasar Belirteçleri

A seguir serão esboçadas brevemente algumas ideias sobre a perspectiva fenomenológica que fundamentou a presente pesquisa. Não houve pretensão de realizar-se um aprofundamento em suas ideias, mas sim, referenciar o caminho percorrido.

Martins e Bicudo (1989), apontam que a fenomenologia, vem de duas expressões gregas, phainomenon (fenômeno, aquilo que se mostra por si mesmo) e logos (discurso esclarecedor). “Fenomenologia pode ser entendida então, como um estudo que reúne os modos diferentes de aparecer do fenômeno ou do discurso que expõe a inteligibilidade em que o sentido do fenômeno é articulado.” (BICUDO e CAPPELLETTI, 1999, p. 14).

A fenomenologia é fundada no final do século XIX por Husserl para questionar o modelo positivista, criticar o tratamento reducionista que se dava na época ao psiquismo humano e possibilitar à Filosofia o tornar-se uma ciência rigorosa. Para

elaborar este pensamento, Husserl, apropriara-se do conhecimento proposto por Franz Brentano, seu mestre na época.

Do ponto de vista educacional, Bicudo (1999) aponta que a contribuição da fenomenologia tem várias vertentes, como o método de investigação do qual faz uso.

A fenomenologia se mostra apropriada à educação, pois ela não traz consigo a imposição de uma verdade teórica ou ideológica pré-estabelecida, mas trabalha no real vivido, buscando a compreensão disso que somos e

que fazemos – cada um de nós e todos em conjunto. (BICUDO, 1999, p.

13).

A fenomenologia procura focalizar o fenômeno como se mostra, olhando-o em sua totalidade e permitindo ao pesquisador lançar luz sobre este fenômeno sem partir de um pressuposto teórico, “(...) o método fenomenológico parte do como da investigação para ir à coisa mesma” (MARTINS 1984, p. 70).

A fenomenologia procura enfocar o fenômeno, entendido como o que se manifesta em seus modos de parecer, olhando-o em sua totalidade, de maneira direta, sem a intervenção de conceitos prévios que o definam e sem basear-se em um quadro teórico prévio que enquadre as explicações sobre o visto. Apresenta-se a fenomenologia, como uma postura mantida por aquele que interroga. (...) e procura vê-lo da forma como ele se mostra na própria experiência em que é percebido. Assim, o inquiridor fenomenólogo busca ir à coisa mesma, entendida não como o objeto concreto fenomenal que está-aí-diante-dos-olhos, mas como a maneira de esse fenomenal se dar à experiência do ver do inquiridor. (BICUDO, 2006, p. 16)

Segundo Martins e Bicudo (1989), o pesquisador fenomenólogo busca interrogar o fenômeno de forma a permitir que os sujeitos tragam à luz o sentido por eles percebido a respeito da condição que se lhes apresenta. Para a fenomenologia, o fenômeno é observado diante de uma das muitas perspectivas possíveis.

Deste modo, a presente pesquisa, enquanto estudo qualitativo de orientação fenomenológica, não se preocupou com generalizações, princípios e leis, mas centrou-se no foco “específico, no peculiar, no individual, almejando sempre a compreensão e não explicação dos fenômenos estudados” (MARTINS; BICUDO, 1989, p. 23).

3.4 Encontro Reflexivo e o processo de intervenção: A Formação de representantes críticos

O procedimento dos Encontros Reflexivos mostrou-se eficaz para o processo de intervenção da presente pesquisa. Segundo Szymanski e Szymanski (2014), o encontro reflexivo é uma prática de trabalho para atendimento a pequenos grupos os quais podem ser também interdisciplinares, sendo indicado sempre que houver um grupo que busque soluções e alternativas para questões comuns. Seus fundamentos “vieram da teoria de campo de Kurt Lewin (1935; 1947) (...) das ideias de Jacob Levy Moreno (1974), da fenomenologia existencial e, ainda, de Paulo Freire (1972/2005; 1994; 1996)” (SZYMANSKI e SZYMANSKI, 2014, p. 10).

A prática dos encontros reflexivos é fruto das experiências clínicas das autoras com crianças, famílias e casais sob a ótica da abordagem fenomenológica, segundo a qual se “prioriza uma escuta voltada para a compreensão da experiência do outro tal como é narrada por ele, e o cuidado de não interpretá-la à luz de ideias pré-concebidas, sejam elas teóricas ou não.” (SZYMANSKI e SZYMANSKI 2014, p. 11).

Há três aspectos preponderantes que favorecem a aplicabilidade da proposta dos encontros reflexivos e que também convergiram em relação aos objetivos da presente pesquisa:

A primeira foi pela possibilidade de se desenvolver uma prática de pesquisa-ação, que se constituiu em uma oportunidade de desenvolver um projeto de atenção psicoeducativa e de se pesquisar questões relacionadas às articulações entre Escola, comunidade e família;

A segunda foi sua descoberta de que a mudança de modos de agir arraigados têm maior probabilidade de ocorrer quando são os próprios membros do grupo que, convencidos da necessidade de mudar, trazem sua experiência e argumentos para a mudança;

Finalmente, a terceira contribuição refere-se às técnicas de dinâmica de grupo, que até hoje utilizamos e que podem ser poderosos instrumentos de trabalho, conforme os objetivos que se pretende alcançar. (SZYMANSKI, 2014, p. 10).

Outro aspecto importante do encontro reflexivo refere-se aos aspectos éticos que necessitam permear todos os momentos e procedimentos, adotando-se uma postura de não exposição dos participantes. Ter o cuidado de nunca realizar análises ou avaliações pessoais, garantir que os resultados sejam sempre uma produção grupal, na qual a presença de todos seja livre e que “atitudes como a de

escuta atenta e de respeito a diferentes valores e crenças sejam estimuladas (...)” (SZYMANSKI, 2014, p. 13).

Buscando fortalecer o vinculo ético, além dos responsáveis pelos educandos representantes precisarem assinar o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TECLE)23, a direção da Instituição escolar também necessita emitir ao pesquisador a Autorização de Realização de Estudo, referenciado pelo CONEP (Comissão Nacional de Ética em Pesquisa)24.

O encontro reflexivo acontece em quatro momentos distintos e igualmente importantes: “(1) Planejamento; (2) Atividade preparatória; (3) Narrativas e reflexões sobre a atividade anterior; (4) Reflexão focada na demanda e (5) síntese final.” (SZYMANSKI e SZYMANSKI, 2014, p. 13).

O planejamento é dividido em três etapas: a primeira se dá através da compreensão da demanda do grupo, numa segunda etapa define-se claramente quais são os objetivos de cada encontro, pois serão estes objetivos que nortearão todas as atividades que serão desenvolvidas, bem como a escolha dos procedimentos. A terceira e ultima etapa reside em delinear cada momento do encontro reflexivo com a descrição das atividades e questões desencadeadoras.

A atividade preparatória é uma fase na qual é realizada a aproximação do tema a ser explorado durante o percurso do encontro reflexivo. Esta atividade começa pela apresentação de todos os participantes e precisa estar de acordo com as características do grupo que se atende, “Eles podem, de fato, “aquecer”, entrosar, relaxar, divertir e tudo isso pode ajudar muito, mas não se pode esquecer que eles servem para despertar lembranças significativas em relação ao tema tratado.” (SZYMANSKI, 2014, p. 16).

As narrativas e reflexões sobre a atividade anterior pressupõe que os participantes já foram apresentados; neste momento, busca-se detalhar quais os objetivos da atividade e estabelecer uma relação com a demanda trazida pelo grupo. É nele também que se apresenta a Declaração do Consentimento Livre e Esclarecido, ressaltando a importância de que ele seja assinado e faz-se a solicitação de filmagem, abrindo uma conversa inicial.

A reflexão focada na demanda tem o objetivo aguçar o olhar para o vivido, aproximando-se do contato das experiências que foram tidas, bem como, “[...] com

23 Anexo 1 24

um contato com as experiências, conhecimentos, crenças e valores dos demais membros do grupo a respeito do tema.” (SZYMANSKI, 2014, p. 19). Ao final, retoma- se qual era a questão inicial e solicita-se aos participantes que relatem como se sentiram ou como compreenderam as discussões realizadas naquele momento.

Na síntese final, “ouve-se os relatos do grupo, anotam-se as semelhanças e as particularidades e elabora-se a resposta surgida no grupo, após todas as atividades.” (SZYMANSKI, 2014, p. 20). Neste percurso, constrói-se uma compreensão própria do fenômeno, tanto por parte dos participantes, quanto por parte dos pesquisadores. Segundo Szymanski e Szymanski, esta reflexão deve ser feita de maneira muito cuidadosa, uma vez que “não é uma interpretação causal, não é uma interpretação teórica, não é jamais um julgamento ou avaliação. Ela pode ser descrita como um retorno que se dá ao interlocutor da própria compreensão [...]” (SZYMANSKI, H.; e SZYMANSKI, L.; 2014, p. 20).

Os encontros reflexivos com os educandos representantes foram antecipadamente agendados junto à direção e à coordenação e previamente planejados. Tiveram como objetivo possibilitar intervenções que desencadeassem um processo reflexivo na formação de representantes críticos.

Nesse contexto, “o que é considerado intervenção, além da influência mútua, é o resultado de um processo de tomada de consciência desencadeado pela atuação do entrevistador” (SZYMANSKI, 2002, p. 17). Justamente por isso, o encontro reflexivo possibilita ao pesquisador planejar ações, no sentido de dar voz e iluminar as ideias explicitadas pelos educandos representantes críticos.

A proposta dos encontros reflexivos coletivos foi planejada de modo a possibilitar aos educandos representantes discutir e refletir juntos sobre a condição da representação e “buscar soluções e alternativas para questões comuns e significativas de sua existência” (SZYMANSKI, H.; SZYMANSKI, L., 2014, p. 12).