O Esquema 18 apresenta a rede de suprimentos da construção civil do Brasil, desenhado pelo autor. É importante ter em mente que em cada retângulo do desenho existem dezenas, ou centenas, ou às vezes milhares de membros, para atender milhões de consumidores e dezenas de milhares de clientes organizacionais e governamentais.
Conforme esquematizado acima, o consumidor de imóveis residenciais (casas, apartamentos, e apart-hotel ou flat-service), pode: (1) comprar imóveis prontos (no projeto, em construção ou acabados) de imobiliárias intermediárias, ou diretamente de incorporadores ou
construtores; (2) contratar os serviços de arquitetura, engenharia e construção de imóveis sob encomenda de profissionais ou empresas especializadas; ou (3) fazer a auto-gestão da construção de seu imóvel, contratando cada serviço diretamente com prestadores de serviços especializados e comprando cada material de construção ou produto necessário para sua obra.
Consumidor Cliente/Empresa Cliente/Indústria Cliente/Governo Comercial
Concessionários
Edifícios Edifícios Edifícios Edifícios Obras Públicas
Residenciais Comerciais Industriais Utilidade Pública
Rede Imobiliária
Incorporador Empreiteiro
Constr. Pesada
Arquiteto Projetos Projetos 2a Camada n... Camada
Engenheiro Projetos Projetos 2a Camada n... Camada Construtor Prest. Serviços 1a Camada Prest. Serviços 2a Camada Prest. Serviços n... Camada Fornecedor de Módulos Instalados
Redes de Redes de Produtos Redes de Redes de OARS
Materiais de Acabados para Equipamentos Serviços
Construção Instalações de Construção Comuns
Esquema 18 – Rede de suprimentos da construção civil no Brasil
Empresas comerciais, industriais e o governo são clientes de edifícios de finalidades específicas, que exigem projetos e execução específicos. A construção de edifícios de escritórios, lojas, shopping centers, restaurantes, galpões industriais, fábricas de inúmeros tipos de produtos, usinas de produção de energia, complexos petroquímicos, hospitais, estações de tratamento de água, esgotos, e resíduos, loteamentos e condomínios, entre outros exige a coordenação de esforços de muitos fornecedores de materiais, produtos e serviços. O cliente pode: (1) comprar o imóvel desejado pronto de uma imobiliária ou incorporador; (2) contratar os serviços de uma construtora, ou escritório de arquitetura ou engenharia para coordenar o processo de construção de suas instalações específicas; ou (3) coordenar pessoalmente as diversas atividades envolvidas na construção. Entretanto, a complexidade destes tipos de imóveis varia muito, e acontece todo tipo de arranjo de contratações e sub- contratações.
A rede de suprimentos imobiliária fornece terrenos urbanos ou áreas de terra para construção, e imóveis prontos para consumidores, incorporados e empresas. A rede imobiliária não foi mapeada nesta pesquisa, mas compreende diversas organizações: (1) órgãos ou instituições públicas de registro de imóveis, transferência de propriedade, arrecadação de impostos; (2) empreendedores ou incorporadores de loteamentos e condomínios; (3) imobiliárias; e (4) fornecedores de serviços de marketing, propaganda, e divulgação.
O incorporador planeja e constrói um imóvel na expectativa de que, quando concluído, o mercado irá pagar por ele um preço acima dos seus custos, gerando um lucro para o incorporador (MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR, 2002). Ele pode usar diversos arranjos de contratação e sub-contratação de prestadores de serviços e de compras de materiais, produtos acabados e módulos, variando conforme cada caso.
Os governos municipais, estaduais e federal, e seus órgãos, organizações e concessionários de serviço público são clientes de obras públicas de infra-estrutura, tais como: ruas e avenidas, tubulação de água, esgoto, vias pluviais, cabeamento elétrico, telefônico e ótico, canalização, represas, pontes, viadutos, passarelas, túneis, estradas de ferro, rodovias, portos, aeroportos, entre outros. Esses serviços são de diversos níveis de complexidade e os mais complexos são executados, via de regra, por empreiteiros de construção pesada, que se incumbem da sub- contratação de todos os prestadores de serviços e compras de materiais. Todo tipo de arranjo
de contratação e sub-contratação é empregado, porém sujeito a leis e regulamentos específicos de concorrência e licitação pública.
Arquitetos e engenheiros, ou escritórios de arquitetura e engenharia, fazem projetos e plantas de execução de cada detalhe da obra. Podem sub-contratar outros escritórios especialistas para partes e módulos específicos, formando arranjos variáveis de acordo com as necessidades de cada obra.
Prestadores de serviços são contratados pelos consumidores, incorporadores, construtores, arquitetos, engenheiros, empreiteiros de construção pesada, ou outros prestadores de serviços, e sub-contratam outros prestadores de serviços, formando uma rede de empresas e profissionais que hora contratam e hora são contratados para cada obra específica.
Fornecedores de módulos instalados podem ser fabricantes de materiais, produtos pré- fabricados, e produtos acabados, ou intermediários, que comercializam um pacote de produtos e serviços. De acordo com nossa pesquisa de campo, há uma tendência crescente de modularização das obras. As grandes construtoras de edifícios tendem a contratar pacotes de produtos e serviços instalados na obra, transferindo para fabricantes e prestadores de serviços os processos de instalação e gerenciamento, e as atividades meio e intermediárias. Desta forma, fabricantes de materiais elétricos tendem a oferecer aos construtores ou incorporadores instalações elétricas, e assumir a coordenação dos prestadores de serviço (próprios ou terceiros) para fazer as instalações de seus produtos. Da mesma forma, procedem outros fabricantes de materiais e produtos, tais como: instalações hidráulicas, impermeabilizações, pintura, caixilhos, pisos, elevadores, automação, entre outros.
A rede de suprimentos da construção civil inclui outras redes complexas de produção de bens e serviços, tais como:
(1) Várias redes de materiais de construção, que são diferentes entre si. O Quadro 5: Cadeias Produtivas da Construção (JOBIM FILHO, 2002, p. 40) e os Esquemas 5 a 11, do Capítulo 2 de revisão da literatura, detalham as cadeias de suprimentos de vários materiais de construção.
(2) Redes de equipamentos e acessórios para instalações, incluem: elevadores, equipamentos de automação, segurança, ar condicionado, exaustor, refrigeradores, entre 96
outros. As redes de suprimentos que produzem esses produtos acabados estão localizadas em segmentos de engenharia eletroeletrônica, aço, tecnologia de computadores, e tecnologia de comunicação.
(3) Redes de equipamentos de construção, incluem: guindastes, betoneiras, tratores, caminhões, carrocerias, elevadores, andaimes, fôrmas, empilhadeiras, entre outros. Essas redes estão localizadas na indústria automobilística, mecânica, máquinas e equipamentos, locação e leasing.
(4) Redes de serviços comuns. Uma série de prestadores de serviços e fornecedores de equipamentos servem a todos os membros da rede, tais como: computadores, software, telecomunicações, bancos, sistema financeiro, sistema de cobrança, agências de propaganda, veículos de comunicação, entre outros.
(5) Organizações de Apoio às Redes de Suprimentos (OARS), incluem: órgãos e agências do governo, associações de ação coletiva (setoriais e supra-setoriais), universidades e institutos de pesquisa e educação, feiras, exposições, congressos, e eventos de conhecimento, veículos segmentados de imprensa, websites e portais, e empresas de consultoria. O Quadro 8 apresenta a relação das associações de ação coletiva da rede de suprimentos da construção civil, objeto de pesquisa deste trabalho.
5.2 Contribuições das AAC para Coordenação das Redes de Suprimentos Complexas e