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Kemik kalitesi, tespit gücü ve sement-kemik bileşke: Kemik kalitesi, cerrahın seçiminde olan bir durum değildir ancak unutulmamalıdır ki cerrahi teknik primer fiksasyonu

Ao personificar os conceitos abstratos “direita” e “esquerda”, os videobloggers puderam trabalhar no sentido de gerar uma aproximação e identificação entre as ideias desses polos e o público a quem eles estavam se dirigindo. Diego Quinteiro, vestido de camisa vermelha – cor que segundo eles seria símbolo da esquerda –, encena o papel de alguém de esquerda e PC Siqueira, usando terno, óculos de sol e chapéu, faz o personagem posicionado à direita no espectro político. Se apenas expusessem uma conceituação para a díade provavelmente não teriam obtido o resultado alcançado. Tendo em vista que, apresentar alguém que se coloca naquela posição e expõe os ideais que o pautam torna o discurso mais palpável, humaniza aquilo que alguns tomam como apenas abstrações, unicamente restritas ao universo político institucionalizado.

Figura 1: Diego Quinteiro personifica a esquerda Figura 2: PC Siqueira personifica a direita

Discurso do personagem de esquerda: – Eu sou a favor da distribuição de renda;

– Sou a favor de se distribuir o dinheiro entre todas as pessoas; – Eu sou a favor da inclusão social;

– Eu acho que todos devem ter acesso a serviços que só quem é da elite ou quem é rico tem acesso;

– Eu sou a favor de serviços públicos. Eu sou a favor de transporte barato ou gratuito, de educação gratuita e de hospital grátis para todo mundo.

Discurso do personagem de direita: – Eu sou a favor do acúmulo de capital;

– Eu sou a favor de que as pessoas possam ficar ricas, não importa se isso faça com que as outras pessoas fiquem pobres;

– Eu sou a favor da meritocracia e do livre comércio;

– Eu sou a favor de que as pessoas tenham acesso a serviços de acordo com o sucesso que elas têm financeiramente, sem intervenção do governo;

– Eu sou a favor de serviços privados. Eu sou contra pegar o dinheiro do imposto, que eu pago trabalhando tanto, para pagar serviços de graça para outras pessoas.

Diante desses enunciados percebemos que para as microcelebridades o principal ponto de inflexão entre a esquerda e a direita diz respeito ao modo como lidam com a questão da igualdade por um lado e da liberdade por outro. Do mesmo modo que eles, Bobbio (2001) também acredita que a aspiração à igualdade é a razão fundamental dos movimentos de esquerda. Contudo, o autor não trata com juízo moral o fato de a característica principal dos movimentos de direita ser o inigualitarismo. Pois, para ele,

a direita não é inigualitária por más intenções (...) mas porque considera que as desigualdades entre os homens são não apenas inelimináveis (ou são elimináveis apenas com o sufocamento da liberdade) como são também úteis, na medida em que promovem a incessante luta pelo melhoramento da sociedade (BOBBIO, 2001, p.38).

Não obstante, o ideal da liberdade pode ser pregado tanto pela direita como pela esquerda. Para a direita ele seria um meio de ascensão dos indivíduos e da sociedade, para a

esquerda seria um fim. Bobbio (2001, p.37) explica que o que transforma um movimento de esquerda num movimento libertário “é o fim ou resultado a que se propõe: a derrubada de um regime despótico fundado na desigualdade entre quem está em cima e quem está em baixo na escala social”. Assim, a esquerda luta pela liberdade de ser igual. Isso porque os ricos possuem uma liberdade que pode ser usufruída efetivamente, enquanto que o pobre conta com uma liberdade em potencial.

O autor ressalta ainda que esse critério da igualdade é relativo e dizer que ela é o mote fundamental dos movimentos de esquerda não quer dizer que a direita deseja uma desigualdade total. Segundo ele, esse conceito de igualdade é relativo a três variáveis que devem ser consideradas sempre que se introduz esse discurso sobre direita e esquerda. São elas: “igualdade entre quem, igualdade em relação a que, igualmente com base em qual critério?” (BOBBIO, 2001, p.24). Como se pode perceber no discurso dos videobloggers, a esquerda, com relação à primeira questão, tende a apresentar uma resposta mais extensiva: todos. Assim, Diego Quinteiro, representando a esquerda, diz ser a favor de que todos tenham acesso a serviços reservados à elite. Quanto à segunda, a esquerda normalmente dá preferência aos direitos humanos fundamentais, por isso Diego fala de gratuidade em serviços como saúde, educação e transporte; já com respeito à terceira, “tende-se a considerar como mais de acordo com a esquerda os critérios da necessidade e do trabalho, e mais de acordo com a direita os critérios do mérito e da posição social” (BOBBIO, 2001, p.24). Desse modo, enquanto o personagem de Diego Quinteiro se coloca a favor de que todos tenham acesso a tudo que necessitam, o de PC Siqueira defende que esse acesso se dê por meio do mérito.

Assim, as respostas aos esses questionamentos citados acima podem variar conforme quem as responde: a igualdade pode ser entre todos, muitos ou poucos; pode se referir aos direitos humanos, as oportunidades, facilidades econômicas ou posições de poder; e os critérios pelos quais ela se concretiza podem ser o da necessidade, do mérito, da capacidade, da posição social e outros mais; e “no limite a ausência de qualquer critério, que caracteriza o princípio maximamente igualitário, que proponho chamar de ‘igualitarista’: ‘a todos a mesma coisa’” (BOBBIO, 2001, p.113). Em algumas situações esses critérios (mérito, capacidade, necessidade e etc.) podem coexistir ou serem aplicados mediante a exclusão do outro. No seio de uma família, por exemplo, o critério da necessidade pode ser combinado com o do mérito. Num vestibular ou concurso o critério adotado é o mérito, mas com o sistema de cotas leva-se em conta também o critério do reconhecimento da falta de oportunidades iguais para todos.

Benzer Belgeler