TOPLAM KALİTE YÖNETİMİNİN EĞİTİME UYGULANABİLİRLİĞİ
DEĞERLENDİRİLMESİNDE KULLANILABİLECEK KRİTER VE GÖSTERGELER
5. Eğitim Öğretim Plan ve Uygulamaların Yönetimi (18 gösterge): Eğitim-
3.6 KALİTE ÖDÜLLERİ VE DEĞERLENDİRME MODELLERİ
Vários são os desafios que ainda estão impregnados aos tabus e concepções puritanistas de uma sociedade fundada e substancialmente impregnada de proibições
religiosas, em que há questões de preconceito ligadas diretamente à expressão da sexualidade. Além disso, ainda há por parte da sociedade, e aqui estão inseridos alguns professores, o
predomínio de uma visão heteronormativa, em que a única possibilidade de relacionamento amoroso e sexual legítima seria a que ocorre entre homens e mulheres. Na escola, segundo Rodrigues, Amaral, Giuzio e Maia (2011), o despreparo de professores também se dá pela falta de conhecimento sobre o assunto, além do preconceito e dificuldades em tratar o tema na escola.
Para Louro (2013, p. 45), a noção de gênero e sexualidade ainda é muito simplista nas escolas, em seus currículos e práticas. Segundo a autora, “é consenso que a instituição escolar tem obrigação de nortear suas ações por um padrão: haveria apenas um modo adequado, legítimo, normal de masculinidade e de feminilidade e uma única forma sadia e normal de sexualidade, a heterossexualidade”. Logo, a escola, ao se afastar desse padrão, estaria se desviando, tornando-se no que a autora chama de excêntrico, extravagante/esquisito.
Figueiró (2007, p. 3) afirma que,
desde que nascemos, aprendemos que existe o homem e a mulher e que, tendo um pênis, a pessoa sente-se um homem e, tendo uma vulva (vagina), sente-se mulher. Aprendemos, ainda, que eles sentirão atração sexual um pelo outro, acasalar-se-ão e terão filhos e que esta é a única forma de duas pessoas relacionarem-se sexualmente.
14 Conceito originalmente elaborado por Pierri Bourdieu (1983), que propõe a categoria de violência simbólica
Esse pensamento, como algo predominante, ainda se faz presente até os dias de hoje em nossa sociedade e perpetua ao longo de gerações o modo como se apresenta a questão do desejo sexual. Mas, ao mesmo tempo, aumentou o reconhecimento do direito a diversidade sexual e em todo mundo há uma multiplicidade de maneiras de expressão do desejo sexual.
Contudo, sabemos que o desejo sexual não se dá unicamente da forma como aprendemos. No caso do direcionamento do desejo ao objeto erótico, temos concebido, para fins de identidade, que a orientação sexual de uma pessoa, seja entre sexos opostos, mesmo sexo ou ambos, seja nomeada como heterossexualidade, homossexualidade e bissexualidade, respectivamente (FIGUEIRÓ, 2007).
Logo, se pensarmos nas possibilidades de diálogos entre sexualidade e diversidade sexual nas escolas, percebemos, conforme nos apresentou Junqueira (2009, p. 30), que “[...] as temáticas relativas às homossexualidades, bissexualidades e transgeneridades são invisíveis no currículo, no livro didático e até mesmo nas discussões sobre direitos humanos na escola”, além de um pensamento heteronormativo que muitas vezes se dá a partir de uma concepção errônea de pensar na relação entre “homem e sexo” quando ouvimos a palavra “homossexual”. Precisamos deixar claro que os homossexuais podem ser homens e mulheres e eles não são/estão relacionados sempre ao sexo e/ou à promiscuidade, pois, assim como existe o amor entre os heterossexuais, também existe entre os homossexuais. Nesse sentido, a maneira repressiva de como é tratada a temática nas escolas ainda é muito visível.
2.5.1 Identidade Sexual e Identidade de Gênero
Nunes e Silva (2006) nos lembram de que todos nós, pesquisadores e estudiosos no campo da Educação Sexual, estamos empenhados a reduzir o sexismo e os estereótipos sexuais, ainda existentes em nossa sociedade. Sexismo, ou preconceito de gênero denominado pelos autores, consiste “em identificar características que evoquem determinismos diferenciais e conceituações significativas pejorativas entre as identidades de gênero” (NUNES; SILVA, 2006, p. 68-69).
Quando adentramos no campo da diversidade sexual, um aspecto muito importante diz respeito à identidade sexual e à identidade de gênero:
A primeira diz respeito ao processo de identificar-se psicologicamente como homem ou mulher, o que poderia ser designado, de forma simples, de sexo psicológico, e que se dá, comumente, antes de se completar o segundo ano de vida. A identidade de gênero, isto é, o sexo social, refere-se ao processo pessoal de estruturação e direcionamento de comportamentos e de condutas sociais (forma de falar, de se vestir, de andar etc.) para um esquema masculino ou para um esquema feminino, ambos construídos social e culturalmente (FIGUEIRÓ, 2007, p. 4).
Assim, as identidades (sexual e de gênero) e a orientação sexual constituem o que Figueiró (2007) denomina de “identidade pessoal”. Nesse sentido, a diversidade sexual envolve pessoas heterossexuais, homossexuais, bissexuais e transgêneras (travestis e transexuais).
Os heterossexuais são definidos socialmente quando homens ou mulheres se sentem atraídos por alguém do sexo oposto. Essa atração afetivo-sexual, sob as normas (impostas pela sociedade) ainda é considerada dominante como símbolo de poder, principalmente em relação ao machismo. Nas relações de gênero, Louro (2009), afirma que, em nossa cultura, a heteronormatividade se dá de forma muito mais intensa e/ou mais visível em relação ao gênero masculino.
Segundo Couto (1999), o homossexual é aquela pessoa que, sabendo pertencer a um sexo, seja masculino ou feminino, sente atração afetiva por uma pessoa do mesmo sexo como objeto erótico. Porém, o homossexual não tem o desejo de mudar de sexo, nem o discrimina, apenas tem prazer em usar a sua genitália15.
Finalmente, os bissexuais são indivíduos que se relacionam afetiva e sexualmente com pessoas de qualquer sexo. Costa (2002, p. 21) também acredita que existam pessoas que sentem “diversos tipos de atração erótica ou de se relacionar fisicamente de diversas maneiras com outros do mesmo sexo biológico”, porém, prefere “a noção de homoerotismo a de ‘homossexualismo’”, justificando-a por três razões:
Primeiro, porque exclui toda e qualquer alusão a doença, desvio, anormalidade, perversão, etc., que acabaram por fazer parte do sentido da palavra “homossexual”. Segundo, porque nega a ideia de que existe algo como “uma substância homossexual” orgânica ou psíquica comum a todos os homens com tendências homoeróticas. Terceiro, enfim, porque o termo não possui a forma substantiva que indica identidade, como no caso do “homossexualismo” de onde derivou o substantivo “homossexual” (COSTA, 2002, p. 21-22).
Atualmente, tanto as travestis, quanto as/os transexuais são denominadas de transgêneros, que, segundo Mott (2003, p. 15), “incluem todas as pessoas que assumem
15 Tomamos essa definição apresentada pelo autor apenas para fins didáticos, pois compreendemos a
socialmente o papel de gênero oposto ao sexo biológico de seu nascimento”. As travestis são pessoas que adotam modos de se comportar, ou de comunicar, semelhantes ao do outro sexo. A travesti, quando homem, se realiza vestindo-se e apresentando-se como mulher e, eventualmente, fazendo alteração no corpo, como aplicações de silicone, mas não costuma alterar seus órgãos genitais. Diversamente de algumas concepções, a travesti nem sempre visa a se relacionar sexualmente com outrem ou busca a prostituição. O mesmo vale para a mulher que se traveste, embora seja menos frequente (EGYPTO, 2005).
A transexual, ainda segundo Egypto (2005, p. 71), “é uma pessoa que acredita que seu corpo não corresponde a sua identidade psíquica. A pessoa se sente mulher num corpo de homem ou homem num corpo de mulher”, chegando até a realizar operações de transgenitalização ou adequação genital, autorizadas no Brasil desde 1997 (MOTT, 2003).
Peres (2009, p. 236), de modo bem simplificado, define
as travestis como pessoas que se identificam com a imagem e o estilo feminino, apropriando-se de indumentárias e adereços de sua estética, realizando com frequência a transformação de seus corpos, quer por meio de ingestão de hormônios, quer através da aplicação de silicone industrial e das cirurgias de correção estética e de próteses. As transexuais são pessoas com demandas de cirurgias de mudança de sexo e de identidade civil, demandas que não encontramos nas reivindicações emancipatórias das travestis. Já as transgêneros são pessoas que se caracterizam esteticamente por orientação do gênero oposto, não se mantendo o tempo todo nesta caracterização, como o fazem as travestis e as transexuais. Como exemplos destas últimas podemos elencar as/os transformistas, as drags queens, os drag kings etc.
A diversidade sexual ainda é hoje um campo que precisa ser melhor explorado no âmbito escolar, principalmente nas ações e políticas públicas para inserção de uma Educação Sexual nas escolas. Nunes e Silva (2006) nos alertam para uma Educação Sexual repressora, já que a mesma tem o sexismo como principal forma de ação, principalmente em se tratando do ambiente escolar. Com isso, muitas das abordagens da sexualidade ainda presentes em nossa sociedade se dão por esse sexismo atrelado ao senso comum, o que reforça ainda mais o descompromisso com a temática da diversidade sexual.
Frases do tipo “homem não chora”, “isso é coisa de mulher”, “seja homem”, “a mulher é assim mesmo, o sexo frágil”, entre tantos outros conceitos e significados que são mais velados, “estão submersos e disfarçados de uma suposta igualdade aparente nestas representações, mas, ao sinal da primeira crise ou conflito, afloram feito preconceito dos mais cristalinos” (NUNES; SILVA, 2006, p. 70).
Estas e tantas outras frases presentes no ambiente escolar reforçam a fragilidade e inexistência de discursos e princípios éticos e filosóficos frente ao respeito, valor necessário a quaisquer condições humanas e à diversidade sexual. O sexismo, atrelado aos estereótipos sexuais, é evidente nas palavras ditas explicitamente ou naquelas muitas vezes revestida por um silenciamento tão arraigado ao preconceito.
Por estereótipos, compartilhamos do mesmo significado apresentado por Nunes e Silva (2006, p. 71): são os rótulos, “lugares-comuns, representações conceituais, simbólicas e institucionais sobre o comportamento do homem e da mulher”. Tais rótulos, culturamente construídos, ganham tanta força no imaginário social e popular que acabam “enquadrando comportamentos e representando situações conjunturais como se fossem naturais e predeterminado” (NUNES; SILVA, 2006, p. 71).