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BÖLÜM IV DALGIÇ POMPALARDA ÜRETİM

4.2 Üretim Tekniği ve Metodu

4.2.4 Kalıp İşlemleri

Quando se lê as primeiras informações de apresentação de um país, encontramos informações como localização geográfica, povoamento, população e a língua. Nas nossas pesquisas identificamos dois casos que nos despertou curiosidade: o primeiro aspecto é que para alguns países o nome das línguas coincidiam com o nome do país, por exemplo, em França fala-se francês, em Portugal o português, em Espanha o espanhol, na Holanda fala-se Holandês, na Alemanha fala-se alemão, etc e o segundo aspecto encontramos casos em que o adjectivo que designa a língua não tem a ver com o nome do país, no caso do Senegal onde não se fala o senagalês, mas sim o francês designado como língua oficial e umas tantas línguas nacionais oficiais, sendo o wolof o que tem maior número de falantes.

Anne-Marie Thiesse (1999) diz-nos que “ (…) os suecos falam francês, os alemães falam alemão, os italianos falam o italiano”39.

Ela também citou o caso em que uma única língua nacional é comum a vários Estados, como acontece na Áustria e na Alemanha e, ainda se referiu aos países que reconhecem várias línguas nacionais, como Bélgica, Luxemburgo, Suíça ou Irlanda.

No caso do objecto da nossa pesquisa a nossa primeira questão foi: em qual destes grupos se enquadra a situação linguística de Cabo Verde? Os franceses Françoise e Jean-Michel MASSA (2001) definiram Cabo Verde como: “ Nação bilingue. O português é a língua oficial (administração, médias, ensino, literatura nacional). Mas a língua nacional é o crioulo com as suas variantes de acordo com as ilhas. É a língua utilizada em permanência pelos cabo-verdianos entre eles.” Eles consideraram Cabo Verde como uma nação bilingue, opinião que não é unânime, questionada por exemplo, pela filóloga cabo-verdiana Dulce Almada Duarte que levanta a hipótese de Cabo verde ser mais um país diglóssico40 do que bilingue. Discutiremos esta posição mais à frente, baseado na linha teórica dos sociolinguistas franceses que defendem que se tratam de situações conflituosas de contacto de línguas e por isso não é um caso de

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Tradução feita por mim do seguinte excerto “ (…) Les Suédois parlent le suédois, les Allemands l’allemand, les Italiens l’italien”.

diglossia, no sentido do sociolinguística norte-americano, Charles Fergusson que foi quem em 1957, utilizou pela primeira vez o termo “diglossia” para classificar a situação linguística da Noruega. Foi neste contexto, que em 1959, Charles Ferguson41 publicou um artigo intitulado “Diglossia” definindo-a como uma situação linguística estável, onde para além de dialectos principais da língua ( que podem incluir uma língua estandarizada ou regionais já estandarizadas) existirem uma variedade sobreposta, muito divergente, altamente codificada

(gramaticalmente mais completa) veículo de uma considerável parte da literatura escrita seja de uma período anterior ou pertencente a outra comunidade linguística, e que se aprende em sua maior parte através de um ensino formal oral ou escrita, para objectivos formais mas que não é empregue em sectores da comunidade de comunicação ordinária.”42

Assim, Fergunson (op.cit.) considerou a variedade estandarizada a língua alta e a língua baixa aquela que é aprendida espontaneamente no lar e utilizada para a comunicação informal, enquanto que a língua alta – considerada própria para a transmissão da herança literária – se transmite pelos canais de comunicação formais, a escola em particular. A língua alta constitui a norma e a língua baixa é vista como um desvio da norma ou, pelo menos, um objeto lingüístico com o qual a noção de norma é incompatível. Numa análise superficial podemos considerar que o Cabo Verde é um país diglóssico, pois ao lado da língua vernácula - lcv - existe uma outra língua com a qual se relaciona linguística e historicamente, mas socialmente goza de maior prestigio, que é o português. No entanto, as actual situaçao linguística, já descrita no ponto anterior leva-nos a questionar se realemente se vivie uma diglossia em Cabo Verde. Admitimos que qualquer apresentação sobre Cabo Verde seria incompleta e falsa se não se referir à existência das duas línguas que convivem no dia-a-dia dos

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Citado em Fernandez, Francisco Moreno. Princípios de sociolinguística y sociologia del lenguaje. Barcelona: Ariel Lingüística, 1998.

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Tradução do seguinte excerto: “Diglossia es una situación linguística relativamente estable en la cual, además de los dialectos primarios de la lengua ( que puede incluir una lengua estándar o estándares regionales), hay una variedad superpuesta, muy divergente, altamente codificada ( a menudo gramaticalmente más compleja), vehículo de una considerable parte de la literatura escrita ya sea de un período anterior o perteneciente a outra comunidad lingÜística, que se aprende en su mayor parte a través de una enseñansa formal oral o escrita para muchos fines formales, pero que no es empleada por ningún sector de la comunidad para la conversación ordinária. “

cabo-verdianos e destacar a presença massiva da língua cabo-verdiana na diáspora43.

Com bases nos autores Anne-Marie Thiesse (1999), Benedict Anderson (1993), Claude Hagège (2000), Eric Hobsbawm (1990) e Andrea Berenblum (2003) vamos caracterizar as línguas existentes em Cabo Verde, e mapear o processo de oficialização da língua cabo-verdiana como língua nacional (adiante designado ln). A nossa primeira dúvida foi saber o que é uma língua nacional?

Em Hobsbawm (2004:27) ficamos a saber que o dicionário da Real Academia Espanhola define a língua nacional como: “ (…) a língua oficial e literária de um país e, à diferença de dialetos e línguas de outras nações, é a língua geralmente falada.”

De acordo com esta definição, a língua nacional no caso de Cabo Verde seria a língua cabo-verdiana uma vez que é ela a língua “geralmente falada” mas tal torna-se falso tendo em conta que ela não é língua oficial e nem literária, como se comprova pelo que diz o Dictionnaire Enciclopédique et Bilingue – Cabo Verde\ Cap-vert-44 ou como diz o próprio governo, em uma Resolução de 1996: “(…) O Governo pretende nesse domínio, com base em estudos científicos que vêm sendo desenvolvidos e orientados por técnicos competentes na matéria, fixar metas e determinar etapas, para a oficialização do crioulo como língua nacional (…)”.

Na nossa pesquisa sobre a definição de uma “língua nacional” acabamos por aprender que esta expressão foi inaugurada por razões políticas, nos meados do século XVIII e princípios do século XIX, com a consolidação dos Estados Nacionais Europeus onde a língua apareceu como um dos símbolos de unificação da Nação. Embora o conceito tenha aparecido nesta altura, a língua como elemento comum a um determinado grupo, ela já existia desde o século XVI. A história da formação das línguas nacionais começou com o aparecimento das línguas vernaculares europeias que foram ganhando importância em detrimento do latim, no século XI que também deixou de ser a língua sagrada e elitista.

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Existem cabo-verdianos bilingues: língua portuguesa versus língua cabo-verdiana, no caso de alguns residentes em Cabo Verde, mas também os que se encontram na diáspora que são sempre bilingues, entre a língua cabo-verdiana e a língua do país de acolhimento.

Acontecimentos como a Reforma religiosa, no século XVI, sobretudo o protestantismo, aliado à difusão do capitalismo impresso contribuíram para a perda do prestígio do latim. Momento em que a Europa atravessava uma grande crise económica, os editores começaram a procurar novos mercados, uma vez que o mercado do latim estava em declínio. Inicia-se, assim, a produção de edições baratas em línguas vernaculares que se encontravam em plena ascensão, como afirma Andrea Berenblum (2003:36): “ (…) um desenvolvimento progressivo e não planificado das línguas vernáculas administrativas, contribuíram para o declínio do latim como única língua de prestígio e, paulatinamente, vão ocupando o lugar privilegiado do latim.”

No caso de França, Andrea Berenblum (2003) nos conta que a língua nacional francesa emergiu a partir da adopção da língua francesa escrita pelos locutores da corte, em Paris, variante linguística esta que não pertencia a nenhuma região geográfica específica da França, mas que se foi construindo como uma variedade linguística de Paris, usada na corte. Então, a variante utilizada na corte, baseada na língua escrita, foi aos poucos adquirindo legitimidade de língua oficial e substituindo os falares locais. Politicamente, serviu-se dessa língua para se implementar a unificação da nação francesa.

No século XIX, é a revolução nos transportes e nas comunicações que permitiram, por um lado, uma maior aproximação entre as autoridades centrais dos Estados modernos e os lugares mais distantes, mas por outro, como analisa Hobsbawm (1990) estes Estados precisavam de uma nova forma de Governo que ligasse directamente os indivíduos ao novo governo estatal, isto é, o problema de identificação de cidadãos ao Estado. A partir daí, os Estados sentiram a necessidade de criar símbolos para marcar esta “relação de pertence”. E o factor linguístico passou a ser um elemento destacável. Para além de outros mitos como disse Anderson (1983) “ a unidade linguística é um dos processos (mito) através da qual a nação é imaginada.” Esta visão de Anderson explica a grande importância da imposição de se ter uma língua comum a uma nação. Começou-se assim, o emprego da expressão “língua nacional”. A nova concepção de nação atribui uma nova importância às línguas vernaculares. Hobsbawm (op.cit.) distinguem-se duas fases no significado desta palavra – antes e depois de 1884. Até então significava “ agregado de habitantes de uma província de um país ou de

um reino” para depois passar a ter um significado mais político: “ estado ou corpo politico que reconhece um centro supremo de governo comum” e também “ o território constituído por esse Estado e seus habitantes considerados como um todo. ”

Como definição do termo nação, adoptamos a definição de Anderson (1983), onde ele define a nação como: “ uma comunidade política imaginada como inerentemente limitada e soberana.” 45 Aplicada à nossa pesquisa destacamos dois momentos em que língua funcionou como um dos elementos de ligação entre cabo-verdianos: antes e depois da independência. Antes da independência, Cabo Verde fazia parte do território português e como tal a língua nacional de todo o português, era a língua portuguesa. A língua que era utilizada pela elite cabo-verdiana era também um dos requisitos para se conseguir cargos na Administração. Nas décadas de 40 a 60 a partir da institucionalização do ensino onde a língua portuguesa era a língua exclusiva do ensino ainda que estranha à prática social, a língua cabo-verdiana ficou mais marginalizada ainda que era a língua materna de todos os cabo-verdianos, fossem eles de origem africana ou europeia. Era apelidada de dialecto e pouco prestigiada, devido à sua condição de língua dominada46. (ALMADA: 1994) 47

Após a independência, a língua portuguesa continuou a ser, oficialmente, a língua do ensino e das relações formais, mas utilizada por uma minoria de cabo- verdianos. No entanto, é neste momento, que pela primeira vez, o governo promove um encontro internacional para debater a valorização da língua cabo- verdiana e se introduziu a primeira tentativa de instrumentalização da mesma.

Contrariamente ao que aconteceu com a Suíça, como cita Anderson (1983), que tornou possível uma prática de “representação” de uma comunidade imaginada não com base na uniformidade linguística, em que os locutores das quatro línguas vêm respeitados os seus direitos de terem acesso ao ensino nas suas línguas maternas, Cabo Verde, Moçambique, Guiné-Bissau, Angola representam o contrário e a confirmação disto é que eles fazem parte de uma

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Esta é uma expressão cujo uso tentaremos evitar pois, a nosso ver ela não se deve aplicar à situação linguística mas sim, ao contexto social da época, uma vez que os locutores é que era dominados e não a língua até porque

comunidade de língua oficial portuguesa, ainda que a língua portuguesa seja na realidade, uma língua estrangeira.

Com base em Thiesse (1999:68-73) analisamos as funções desempenhadas por uma língua nacional, com o objectivo de verificar qual das duas línguas presentes em CaboVerde cumprirá as funções de língua nacional. De entre as várias características apontadas por Thiesse retemos a seguinte:

(1) A ln deve assegurar a comunicação horizontal e vertical no seio da nação qualquer que seja a sua origem geográfica e social, todos os seus membros devem utilizá-la.

(2) Ela deve permitir a expressão de toda a ideia e de toda a realidade: desde os mais antigos aos mais modernos, dos mais abstratos aos mais concretos.

Deste ponto de vista, é a lcv que desempenha a função de língua nacional em Cabo Verde e o português não, porque conforme descrição apresentada das situações do uso linguístico em Cabo Verde, na primeira parte desta dissertação, os locutores cabo-verdiano se expressam à vontade, em qualquer situação de comunicação, apenas através da língua cabo-verdiana. No entanto, alguma interrogação se põe quando pensarmos na modalidade escrita da língua uma vez que não existe uma política de ensino da língua cabo-verdiana e, consequentemente, uma ausência da prática da Língua Cabo-Verdiana nesta modalidade .

Assim, de acordo com Thiesse (1999) a eleição de uma língua nacional deve ter em conta uma destas condições. Pelo que descrevemos nos contextos do uso linguístico e levando em conta qualquer uma destas condições a língua cabo- verdiana apresenta mais evidências para ser a língua nacional em Cabo Verde sobretudo porque é a única língua que permite a expressão de toda a ideia e de toda a realidade de Cabo Verde. Podemos ilustrar de duas maneiras: primeiro, porque na literatura cabo-verdiana apesar de ela ser escrita em português, os autores têm a necessidade de escrever frases e expressões em cabo-verdiano. Prova disso é o dicionário enciclopédico da língua portuguesa em Cabo Verde da autoria dos professores franceses da literatura de expressão portuguesa e segundo, porque há actividades da realidade cabo-verdiana que só são representadas por

expressões em cabo-verdiano, como por exemplo, o item lexical kotxi que traduz a actividade de tirar o farelo do milho e preparar o milho para fazer a cachupa48, que muitas vezes aparece traduzido para a palavra “pilar” mas para o cabo- verdiano são duas actividades diferentes: “pilar o milho” é tirar a farinha do milho para fazer cuscuz e é actividade a seguir ao kotxi cuja tradução literal para o português, não é possível.

Para além disso, encontramos em uma das primeiras intervenções do Governo de Cabo Verde sobre a situação linguística a referência à língua cabo-verdiana através da expressão “língua nacional”, a saber, o Decreto-Lei nº67/98 sobre a proposta de grafia para a língua cabo-verdiana, diz o seguinte:

“ (…) o Português é a língua oficial e internacional e o Cabo-verdiano ( ou o Crioulo) é a língua nacional e materna (…).”

Questionamos, pois por que é até então a língua cabo-verdiana não faz parte do currículo do ensino formal em Cabo Verde? Mais uma vez recorremo-nos ao depoimento dos escritores e locutores da língua e deparamos com o problema de prestígio da língua. E aqui o contexto sócio-histórico em que a lcv se formou tem um peso muito grande. A língua cabo-verdiana é considerada como uma língua crioula, grupo linguístico que só recentemente começou a ganhar algum prestígio e, a ser socialmente aceite como língua. Então, no caso de Cabo Verde como promover uma língua socialmente desprestigiada, inclusive pelos próprios falantes, a uma língua nacional oficial?

Mais uma vez recorremos a Thiesse (1999) a partir da qual depreendemos que o caso de Cabo Verde se enquadra nas situações mais difíceis, pois, se enquadra no grupo dos casos onde existe uma língua de tradição escrita. A conservação da língua antiga é uma maneira de se preservar e de dar continuidade à história, enquanto que a língua moderna mostra a unidade nacional. No caso de Cabo Verde, a elite que utiliza esta língua de tradição escrita, no caso o português, é que já constituiu em tempos a classe social dominante e que deteve o poderio económico nas mãos para além de constituírem professores a quando da oficialização do ensino em Cabo Verde, no anos 60. A nova língua que se pretende oficializar necessita então de divulgação e promoção. Thiesse (1999) propõe que para a construção e a difusão da versão oral da nova

língua de cultura é necessário a criação de salons literários e realização de teatros. Ela chama atenção que uma das tarefas iniciais é convencer as elites locais a adoptar a língua nacional. A língua portuguesa foi durante muito tempo símbolo do poder social e meio para se chegar ao conhecimento e poder administrativo. São os anúncios de ofertas de emprego que exigem e continuam a exigir como conhecimento linguístico o português, francês e/ou inglês.

Podemos localizar o processo de oficialização da língua nacional em Cabo Verde na fase de construção e difusão. Aliás, o Governo aprovou em Novembro de 2005 a estratégia de afirmação e valorização da língua cabo- verdiana, onde atribui incentivos ao uso incondicional da língua cabo-verdiana, na modalidade oral quer escrita.

No entanto, um dos maiores meios de propagação da valorização da língua são os meios de comunicação social do Estado mas estes continuam a fazer uso da língua portuguesa. Thiesse considera o processo realizado, com sucesso, quando a nova língua nacional passa a ser a língua de ensino e a sua difusão no seio da população dá-se numa fase posterior, geralmente depois da formação do Estado - nação, quando se realiza um sistema público de instrução de ensino sistemático da língua nacional.

O Ministério da Educação de Cabo Verde se tornou sensível à questão, nos anos 90, através da experiência piloto da educação bilingue – português e cabo-verdiano, conforme diz o ex-Deputado Tomé Varela ( apud José Carlos Gomes dos Anjos, 2002:256) “…As minhas intervenções como deputado eram (…) em cabo-verdiano. Foi uma experiência interessante que me granjeou muita aceitação, estima e admiração por parte do grande público nacional ( no país e na diáspora)” mas por outro, como expressa o mesmo locutor “(… que me criou uma certa solidão no seio da própria Assembleia Nacional embora com o respeito dos demais deputados. As consequências foram uma maior confiança e um maior apego à língua nacional por parte do grande público e (de - forma indirecta – creio eu) por parte do Ministério da Educação que começou a apostar na valoração do cabo-verdiano ( ensaindo a alfabetização bilingue) .”

Para além do projecto de ensino bilingue, realizado em 1989, o Instituo Superior de Educação introduziu, na mesma altura a disciplina de linguísta cabo- verdiana no currículo dos futuros professores da língua portuguesa do Ensino

secundário (correspondente ao Ensino Médio aqui no Brasil). E, a partir de 2002 também foi introduzida a disciplina de língua cabo-verdiana aos futuros professores das línguas estrangeiras francês e inglês, na mesma instituição.

O uso da língua cabo-verdiana na Assembleia Nacional de Cabo Verde é dos exemplos do uso do cabo-verdiano em espaços onde, apenas circulava português, uma vez que se considera que as reuniões parlamentares são momentos solenes. Hoje, o mesmo já não se pode dizer, pois cada vez mais os deputados intervêm em língua cabo-verdiana.

Consultando as actas da Assembleia Nacional49 encontramos intervenções dos deputados quer em língua cabo-verdiana quer em língua portuguesa e muitas vezes é o mesmo deputado que intervém ora numa língua ora em outra. Um trabalho de pesquisa mais detalhado poderá dizer em que momento se utiliza um e se utiliza o outro.

Thiesse (1999), ainda adverte que na maior parte dos casos, só muito mais tarde se passa a usar a língua nacional nos meios de comunicação orais de massa ( a Rádio e sobretudo a Televisão) bem como a eleição de uma variante, no caso de não existir ainda uma verdadeira língua escrita que possa servir de fundamento à língua nacional. Esta ideia é aplicável em Cabo Verde tendo em conta que já existem rádios que têm vários programas em língua cabo-verdiana e nenhuma imprensa escrita na língua materna dos cabo-verdianos. A construção da língua consiste em determinar um ou mais dialectos, escolhidos pelas suas posições linguísticas medianas, seja pela posição dominante – em termos económicos e sociais – da sua área de uso. Esta ideia parece contradizer o processo de eleição da língua nacional francesa onde a variante padrão emergiu a partir de uma variante escrita. No caso de Cabo Verde, em que não existe uma tradição escrita da língua candidata à língua nacional parece-nos que ela se enquadra mais no que Thiesse (1999) propôs, expendida na frase anterior, que é a eleição de uma variante para a escrita.

Na observação da situação linguística e por todo o corpus aqui

Benzer Belgeler