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Su Alma ve Kalınlığına Şişme Oranı

BÖLÜM 3 BULGULAR VE TARTIŞMA

3.1 Levhaların Fiziksel Özelliklerine İlişkin Bulgular

3.1.3 Su Alma ve Kalınlığına Şişme Oranı

Como já mencionado, a edição de partida de Streetcar (2004) apresenta uma introdução de Arthur Miller. Como destacado anteriormente, o dramaturgo relata se lembrar bem da primeira vez que assistiu a obra, antes mesmo da peça estrear. Nessa ocasião, Miller já pôde perceber a magnitude do texto, “linguagem que fluía da alma”: “essa peça parece tornar possível que o palco expresse qualquer e todas as coisas de um modo tão bonito. O que a primeira produção de Streetcar fez, foi fincar a bandeira da beleza nas margens do teatro comercial” (WILLIAMS, 2004, p. ix)78.

Um segundo paratexto da edição de partida, um posfácio (2004, p. 108), consiste em um ensaio-entrevista, de título The world I live in (1957), em que Williams entrevista a si mesmo. No texto, Williams levanta questões pertinentes não só à leitura de Streetcar, mas de toda a sua obra, esclarecendo que seu modo de ver o mundo não é tão sombrio quanto os críticos dizem.

Apesar desses dois paratextos citados se mostrarem relevantes para a contextualização de Streetcar no contexto de partida norte-americano, eles não estão presentes nas traduções da peça para o português (apenas Viégas-Faria cita a introdução de Miller). Segundo Peter Newmark (1988), elementos paratextuais são sempre elaborados tendo em

78 MILLER In: WILLIAMS, 2004, p. ix, “this play made it seem possible for the stage to express any and all things and do so beautifully. What Streetcar's first production did was to plant the flag of beauty on the shores of commercial theater”.

vista o público de chegada, não o de partida. Portanto, as três traduções trazem paratextos mais voltados ao leitor brasileiro.

Na Tradução 1, consta um prefácio de 17 páginas em que seu autor (ou autores, ninguém é mencionado) explora a recepção crítica de Williams, sua infância, sua ascensão à fama, seu declínio artístico e seu “fracasso” a partir da década de 1960, o enredo da peça Streetcar (com ênfase na personagem Blanche Dubois) e a primeira montagem da peça em 1947. Por último, há um curto parágrafo sobre as atrizes brasileiras que interpretaram Blanche em encenações da peça traduzida no país em diferentes décadas: Henriette Morineau, Maria Fernanda e Eva Wilma. Há também diversas fotos de performances de Streetcar.

Não há nenhuma nota do tradutor ou nota de rodapé ao longo do texto da Tradução 1. Ao final do livro, há um índice das cenas da peça.

A Tradução 2 (2004), de Nikitin, apresenta um prefácio de 19 páginas, escrito por Fátima Saadi, tradutora e dramaturga da companhia carioca Teatro do Pequeno Gesto. O prefácio tem o título “Onde estão as neves de outrora?”, em referência ao verso de François Villon (1431-1463) em sua Ballade des dames du temps jadis (Mais ou sont les neiges d'antan?) que Williams incorpora à peça The glass menagerie (1944). Saadi, inicialmente, apresenta dados sobre a infância e o período de formação de Williams e concentra o seu ensaio em três peças do autor, The glass menagerie, Summer and smoke e A streetcar named Desire, que

podem ser consideradas um tríptico em que a observação do núcleo familiar e da realidade do Sul dos Estados Unidos nos oferece um painel onde se destacam a hipocrisia que subjaz o sonho puritano e a decadência de uma certa oligarquia que vive das glórias do passado (2004, p. 16).

Saadi fornece informações sobre as encenações dessas peças em tradução para o português e sobre as suas recepções críticas no Brasil, citando, por exemplo, as impressões positivas sobre a peça Summer and smoke/Anjo de pedra de Décio de Almeida Prado, um dos mais proeminentes críticos e historiadores do teatro brasileiro.

Na Tradução 2, após o texto traduzido da peça, há 77 notas do tradutor Nikitin (2004, p. 233) que esclarecem ambiguidades, explicam termos estrangeiros e justificam traduções de elementos de cunho mais cultural, como, por exemplo, a nota 71, vinculada à fala seguinte do personagem Stanley: “Olha só você nessa fantasia de carnaval decadente” (2004, p. 210). Nessa nota, Nikitin evidencia que o “carnaval” aludido no trecho é, no texto de

partida, o Mardi Gras de Nova Orleans, “uma das raras cidades norte-americanas possuidoras de uma tradição carnavalesca próxima à brasileira” (2004, p. 241).

Há mais três paratextos de autoria do tradutor Nikitin: um posfácio de título “Sobre o Desejo” (2004, p. 245), onde ele expõe detalhes sobre o processo de composição do texto de partida e cita algumas encenações importantes de trabalhos de Williams no Brasil. Há mais 5 notas do tradutor na seção “Sobre a tradução” (2004, p. 249), essas de cunho mais geral sobre o seu texto. Em uma dessas cinco notas, que será apresentada no capítulo 4 desta dissertação, Nikitin menciona a tradução de Streetcar de Brutus Pedreira. Por último, há os agradecimentos do tradutor (2004, p. 253) ao elenco e à equipe da montagem de sua tradução pela Cia. Livre em 2002, especialmente à diretora Cibele Forjaz “que me encomendou e inspirou a tradução”.

Há ainda outros dois elementos paratextuais na Tradução 2: após os agradecimentos de Nikitin, está o “Dossiê Tennessee Williams” (2004, p. 255) que conta com uma cronologia da vida do autor; e uma seção dedicada a “Sugestões de leitura” (2004, p. 263) com bibliografia de trabalhos sobre Williams publicados no Brasil.

Em relação aos elementos paratextuais da Tradução 3 (2008), há uma “Apresentação” (2008, p. 9) de 3 páginas da tradutora Beatriz Viégas-Faria sobre a obra Bonde. Nesse texto, a tradutora destaca, por exemplo, a importância do ator Marlon Brando e do personagem Stanley Kowalski (presente na capa da edição) como personificação de um objeto de desejo sexual “que inaugurou nos Estados Unidos o reconhecimento de um fato: a luxúria feminina” (2008, p. 10).

Além disso, a tradutora Viégas-Faria (2008, p. 11) cita a introdução de Arthur Miller, presente na edição de partida, chamando atenção para que, como Miller observou, “com Um bonde chamado Desejo, inaugura-se na dramaturgia norte-americana um tipo de texto que coloca a linguagem a serviço das personagens e não (como até então era feito) a serviço da trama”, “as personagens de Um bonde mostram-se livres em suas falas a ponto de conseguirem expor verbalmente suas contrariedades”. Como será demonstrado no capítulo seguinte, esse caráter se reflete no texto da tradutora.

Viégas-Faria (2008, p. 11) ressalta também em sua apresentação que “a trama que Tennessee Williams construiu nos anos 1940 é muito bem urdida, e chega como um presente da inventividade e do brilhantismo de que é capaz um escritor – para encantar gerações e gerações de leitores/espectadores em qualquer língua, em todas as culturas”.

Outro elemento paratextual na Tradução 3 está depois do texto traduzido da peça ao final do livro: a seção “Sobre a tradutora” (2008, p. 158) que traz um parágrafo sobre sua formação acadêmica e profissional.

Há um total de quatro notas de rodapé da tradutora e uma da editora no texto. Duas notas de Viégas-Faria se referem a menções de personalidades culturais no texto de partida, a saber: Xavier Cugat, que “popularizou a música latina nos Estados Unidos” (2008, p. 56); e Elizabeth Browning, “poeta inglesa (…) autora de sonetos românticos” (2008, p. 58). Uma nota da editora e outra da tradutora se referem a alusões no texto à ópera Der Rosenkavalier, de Richard Strauss (2008, p. 91), e ao romance La dame aux camélias, de Alexandre Dumas Filho (2008, p. 95). A última nota da tradutora se refere a um trecho em francês em uma das falas de Blanche Dubois (2008, p. 96). Viégas-Faria mantém esse trecho em francês em sua tradução e, em nota, apresenta sua tradução para o português.

Em comparação à Tradução 1 e à Tradução 2, a Tradução 3 se apresenta amparada de modo mais modesto em relação a seus paratextos. Contudo, há um significativo aspecto em que a Tradução 3 se sobressai: nela, consta a epígrafe do texto de partida, enquanto que, nas outras duas, ela não está presente. Como destaca Genette (2009, p. 142), uma das funções de uma epígrafe é servir como comentário da obra à qual está vinculada, que tem o seu significado precisado ou ressaltado pela citação em destaque. Um diálogo é aberto com a obra fonte da epígrafe e, desse modo, esse elemento pode ser também uma forma de consagração e legitimação do autor que “por meio dela escolheu seus pares e, portanto, seu lugar no Panteão” (GENETTE, 2009, p. 144).

Williams escolhe como epígrafe de Streetcar os seguintes versos do poema The broken tower (1932), do poeta norte-americano Hart Crane:

And so it was I entered the broken world To trace the visionary company of love, its voice An instant in the wind (I know not whither hurled) But not for long to hold each desperate choice.

Williams sempre escolheu com muito cuidado as epígrafes de suas peças e fez questão de reproduzi-las nos programas entregues aos espectadores das suas encenações, tornando-as acessíveis não só a quem leu seus textos publicados, mas também a quem os assistiu no palco.

Antes da “Apresentação” na Tradução 3, está a epígrafe em duas versões: em inglês, como reproduzida anteriormente, e traduzida para o português da seguinte maneira por Viégas-Faria:

E assim aconteceu de eu entrar neste mundo estragado Para encontrar a companhia quimérica do amor, sua voz Por um instante no vento (e não sei para onde arremessada), Mas para abraçar por pouco tempo cada escolha desesperada.

Benzer Belgeler