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3.3. Türkiye Kadastrosu ve Sorunları

3.3.4. Kadastroda mülkiyet bilgilerinin veri analizi

Ao sugerir uma Análise Textual dos Discursos, Jean-Michel Adam (2011) apresenta níveis de análise textual (no âmbito da Linguística Textual) e níveis de análise do discurso (pertencentes à Análise do Discurso), conforme esquema abaixo:

Figura 02: Esquema 04 – Níveis ou planos de discurso Fonte: Adam (2011, p. 61).

Como se pode perceber, o modelo teórico elaborado por Jean-Michel Adam (2011) apresenta oito níveis de análise distintos que devem ser considerados na análise de textos e discursos. A inter-relação entre estes níveis pode ser

compreendida a partir de articulação realizada pelo conceito de gênero do discurso entre os elementos texto e discurso. Assim, uma ação discursiva (nível um) realiza- se com base em objetivos (pré)determinados pelo locutor (finalidades) em uma situação de interação social (nível dois) e numa formação discursiva dadas (aquilo que pode ser dito naquela situação – nível três), utilizando o dialeto social desta formação e no seio de um interdiscurso, com a mediação de um gênero do discurso. Este se materializa em textos que se estruturam a partir de proposições ou microunidades de sentido (nível quatro), sequências (descritiva, narrativa, dialogal, argumentativa e expositiva) e planos textuais (nível cinco), manifestando uma dimensão semântica (representação discursiva – nível seis), uma dimensão enunciativa (responsabilidade enunciativa – nível sete) e uma dimensão argumentativa (atos de discurso – nível oito).

Nesta concepção, os gêneros do discurso aparecem como eixo de articulação entre os níveis de análise no âmbito do discurso e do texto. Por apresentar este caráter integrador, pensando no esquema proposto por Adam (2011), os gêneros poderiam estar situados nesta fronteiriça entre os limites do discurso e do texto. Além disso, retomando o que apontam Passeggi et al (2010), a centralidade da noção de gêneros pode corresponder à importância crescente do gênero como categoria de análise da Linguística Textual (e de muitas outras correntes teóricas) aqui no Brasil.

É claro que cada um dos níveis acima referidos apresentam certas especificidades, as quais buscaremos destacar a seguir. Por exemplo, a compreensão de que a linguagem ocorre em situações de interação social nas quais se concretizam ações discursivas recobre os dois primeiros níveis (um e dois) do modelo anteriormente apresentado. Como entende Jean-Paul Bronckart (2006), os indivíduos se encontram em meios sociais diferentes que condicionam, pelo menos parcialmente, os tipos de atividades que podem ser organizadas, os instrumentos que são utilizados e os objetos ou as obras que são produzidas, inclusive as atividades de linguagem. Na verdade, “toda a ação de linguagem inscreve-se (...) em um dado setor do espaço social” (ADAM, 2011, p. 63), de modo que não é possível agir pela linguagem senão através da interação social.

No nível três, a análise procura dar conta do que recobre a noção de formação discursiva. Esta é retomada da Análise de Discurso de orientação francesa

de Michel Pêcheux e pode ser compreendida da seguinte forma: “São as formações discursivas que, em uma formação ideológica específica e levando em conta uma relação de classe, determinam o que pode e deve ser dito a partir de uma posição dada em uma conjuntura dada” (BRANDÃO, 1998, p. 38). No interior das formações discursivas, os sentidos estão sob a dependência do interdiscurso, ou seja, de um conjunto de discursos pertencentes a um mesmo campo e que mantêm relações de delimitação recíproca uns com os outros. Cada formação discursiva apresenta certos dialetos próprios de uma dada comunidade de falantes, com características linguísticas (lexicais, fraseológicas, retóricas, estilísticas), sociais e políticas específicas que se manifestam em certas práticas discursivas institucionalizadas (gêneros do discurso).

Os níveis quatro e cinco, das proposições, períodos, sequências e planos de textos, conforme apontam Passeggi et al (2010), rementem diretamente à textura e à composicionalidade do texto, ou seja, à sua sequencialidade ou linearidade. A proposição – ou preposição-enunciado ou proposição-enunciada – constitui unidade textual mínima da Análise Textual dos Discursos e corresponde a “uma unidade textual de base, efetivamente realizada e produzida por um ato de enunciação, portanto como um enunciado mínimo8” (ADAM, 2011, p. 106). A noção de período,

por sua vez, não compreende a conceituação da tradição gramatical de língua portuguesa; na verdade, designa uma unidade de estruturação textual intermediária e articuladora de proposições e sequências de enunciados. Estas últimas, as sequências, “são unidades textuais complexas, compostas de um número limitado de conjuntos de proposições-enunciados: as macroproposições” (ADAM, 2011, p. 204) e podem ser de cinco tipos: descritiva, narrativa, dialogal, argumentativa e expositiva. Por fim, os planos de texto são responsáveis pela estrutura composicional do texto.

O nível seis, que diz respeito à dimensão semântica dos textos e trata da noção de representação discursiva, que será apresentado detalhadamente em capítulo posterior, bem como do fenômeno da correferência e das anáforas e das isotopias do discurso e colocações. No tópico seguinte, trataremos especificamente do nível semântico do texto, por isso, passamos ao próximo nível de análise.

8 Por ser a proposição-enunciado unidade mínima de análise da Análise textual dos discursos, posteriormente, lhe dedicaremos mais espaço para conceituação.

Por sua vez, o nível sete, aquele referente à dimensão enunciativa dos textos, apresenta como principal categoria a noção de responsabilidade enunciativa. Conforme Adam (2011), a responsabilidade enunciativa ou ponto de vista compreende a assunção por determinadas entidades ou instâncias do conteúdo do que é enunciado ou na atribuição de alguns enunciados ou pontos de vista a certas instâncias. Por seu caráter polifônico – segundo sugere o autor, a responsabilidade enunciativa dá conta da polifonia dos enunciados – a responsabilidade enunciativa é constitutiva da enunciação, já que todo enunciado pressupõe um enunciador que se responsabilize pelo ponto de vista defendido ou enfatizado.

Finalmente, o nível oito corresponde aos atos ilocucionários. Adam (2011) sugere que toda proposição-enunciado possui um valor ou uma forma ilocucionária. Retomando a clássica teoria dos atos de fala de Jonh L. Austin (1962), a linguagem é compreendida como forma de ação – sobre o interlocutor e sobre o mundo circundante. Os atos de fala podem ser, segundo Austin (1962), de três tipos: ato locutório (corresponde ao ato de pronunciar um enunciado), ato ilocutório (corresponde ao ato que o locutor realiza quando pronuncia um enunciado em certas condições comunicativas e com certas intenções, tais como ordenar, avisar, criticar, perguntar, convidar, ameaçar, etc.), ato perlocutório (corresponde aos efeitos que um dado ato ilocutório produz no alocutário. Verbos como convencer, persuadir ou assustar ocorrem neste tipo de atos de fala, pois nos informam do efeito causado no alocutário).

A organização do modelo de Adam (2011) nestes oito níveis de análise não é circunstancial, mas justifica-se, conforme ele próprio defende em recente artigo (2012), por razões teóricas e por razões didático-metodológicas. Ora, o texto é entendido por ele como um objeto complexo, que para ser analisado carece de conhecimento de teorias que tomem o objeto texto a partir de diferentes perspectivas e abordagens, dado o seu caráter multifacetado. Por isso, em cada um dos níveis propostos, o texto pode ser analisado a partir de pontos de vista de vertentes teórico-metodológicas distintas. Por exemplo: a teoria dos atos de fala ou atos ilocucionários (desenvolvida principalmente por Jonh L. Austin) pode ser utilizada no nível oito. A teoria das sequências textuais e dos planos de texto desenvolvida pelo próprio Jean-Michel Adam pode ser utilizada nos níveis quatro e cinco. A teoria da enunciação de Émile Benveniste e as teorias sobre ponto de vista

e responsabilidade enunciativa de Alain Rabatel e Henning Nölke podem ser utilizadas no nível sete. A teoria da argumentação na linguagem de Oswald Ducrot pode ser utilizada nos níveis seis e oito. Os níveis um e dois são totalmente teorizados por pesquisadores que posicionam no interacionismo sóciodiscursivo de Jean Paul Bronckart e por teorias da interação e da conversação. O nível três é o objeto clássico da Análise de Discurso francesa de Michel Pêcheux conhecida aqui no Brasil.

Assim, dada a complexidade do objeto de estudo texto, é que, ao menos metodologicamente, se faz necessário dividir e diferenciar momentos ou níveis de análise e até mesmo teorizá-los. “Cada nível é a meu ver um momento de análise, uma unidade de pesquisa e de ensino (esse é um aspecto didático que eu considero como mais importante) ligado aos outros, mas suficientemente distintos para formar um todo.” (ADAM, 2012, p. 193). De fato, podemos descrever um texto contentando- se apenas com um nível e baseando-se em uma teoria consistente dentro deste nível. É o que fazemos nesta tese, ao olharmos para o texto focalizando prioritariamente seu aspecto semântico (o nível seis), isto é, as representações discursivas que são construídas sobre Lampião e seu bando de cangaceiros nas notícias que constituem nosso corpus. Entretanto, mesmo assim, não podemos descartar os demais níveis, porque eles estão intimamente articulados. Pode-se, portanto, enfatizar as categorias de um dado nível na análise de textos, mas é preciso considerar as implicações que os outros níveis apresentam na análise do texto com um todo9.