1. BÖLÜM
3.7 Analiz ve Bulgular
3.7.4 Kadın Girişimcilerin Karakteristik Özelliği
Sobre a desmilitarização da Polícia Militar, objetivo por excelência das três Propostas em estudo, transcreve-se o seguinte:
PEC 430/2009
Sendo assim, com a presente proposta, pretendemos o nascimento de uma nova polícia organizada em uma única força, com todos os seguimentos
[sic] e estrutura necessários ao acertado enfrentamento do crime. Não se
trata de unificação das polícias, mas do nascimento de uma nova polícia. Para tanto, primeiramente, desconstituiremos as polícias civis e militares dos Estados e do Distrito Federal, para constituir uma nova polícia, desmilitarizada e condizente ao trato para como cidadão brasileiro, cujo comando será único em cada ente federativo, subordinado diretamente ao seu governador, que nomeará o seu dirigente, dentre seus próprios membros, para mandato de dois anos, após a aprovação pela respectiva Câmara ou Assembléia Legislativa.
PEC 102/2011
2. Acrescenta-se o § 10 no artigo 144, prevendo que cada Estado terá competência para unificar a sua polícia, podendo optar pela unificação ou por manter a estrutura atual de duas polícias (civil e militar). Essa alteração é fundamental, dadas a extensão continental do território do País e as múltiplas diferenças e realidades regionais.
Apesar de se atribuir aos Estados autonomia para organizar sua polícia, de acordo com a realidade estadual, terão eles de observar, todavia, o modelo previsto na própria emenda.
PEC 51/2013
[A desmilitarização das polícias] implica reestruturação profunda da instituição policial, no caso, da atual Polícia Militar, reorganizando-a, seja quanto à divisão interna de funções, seja na formação e treinamento dos policiais, seja nas normas que regem seu trabalho, para transformar radicalmente o padrão de atuação da instituição. Sem prejuízo da hierarquia inerente a qualquer organização, a excessiva rigidez das Polícias Militares deve ser substituída por maior autonomia para o policial, acompanhada de maior controle social e transparência. O policial deve se relacionar com a sociedade a fim de se tornar um microgestor confiável da segurança pública naquele território, responsivo e permeável às demandas dos cidadãos. Esta transformação, evidentemente, deve ser acompanhada de valorização destes profissionais, inclusive remuneratória.
O ponto convergente de todas as Propostas de Emenda aqui expostas é exatamente o da desmilitarização da polícia, considerada necessária para a implementação de uma segurança pública mais cidadã.
Trata-se de aspecto importantíssimo para o que se almeja alcançar, uma vez que o que se expôs no presente trabalho foram consequências de uma polícia militarizada, cujo treinamento ocorre de forma que viola diversos direitos dos próprios policiais, resultando em uma polícia brutalizada que busca “aniquilar” o “inimigo”, em sua maioria, preto e pobre. Uma polícia que é treinada para a “guerra”, cuja atuação pressupõe, portanto, o pronto atendimento a ordens superiores.
Por meio da desmilitarização, essa polícia teria reconhecidos vários direitos, a exemplo do direito de greve, do direito de lutar por igualdade, seja salarial, seja de condições ou valorização do trabalho, do direito de se expressar, de ser um sujeito
mais crítico, entre outros, todos esses considerados direitos fundamentais básicos, visto que seria um servidor público estadual, regido por estatuto elaborado pela Assembleia Legislativa de cada estado e sancionado pelo respectivo governador, estando, portanto, sob a égide do Direito Administrativo. Sofreria alterações significativas em sua estrutura, que continuaria baseada na hierarquia, sem, no entanto, privilegiar a rigidez, a centralização, a verticalização e o autoritarismo rígido e absoluto que a caracteriza na atualidade, no âmbito da qual o policial acata as ordens dos superiores, sem que lhe seja oferecida qualquer possibilidade de questioná-las ou de recusar-se a cumpri-las, e lhe conferiria autonomia, porquanto em contato direito com os problemas sociais e com os cidadãos.
No novo modelo de polícia proposto, prevê-se bastante preparação e qualificação do quadro funcional por meio da oferta de treinamento prático, em que o policial é colocado em contato com a realidade em que vai trabalhar, mas sempre acompanhado por um policial mais experiente, para que compreenda o meio em que irá atuar e as especificidades de cada local, e de formação completamente baseada nos direitos fundamentais, direcionada especialmente ao tratamento do cidadão, em como reconhecê-lo como sujeito de direitos, utilizando-se da força de maneira proporcional, como ultima ratio, somente quando extremamente necessário, pois se sabe que uma polícia que exerce bem o seu papel é exatamente aquela que consegue resolver a maioria dos problemas com o mínimo de utilização da força, ao contrário do que tem ocorrido nos últimos anos no Brasil, como demonstram os números de mortes em ações policiais sob a justificativa de “resistência seguida de morte”35.
Prevê-se, também, a elevação da remuneração salarial dos policiais para que se sintam valorizados, pois uma polícia mal paga gera funcionários que não se dedicam cem por cento ao seu trabalho, por ser bastante arriscado, e tendem a se corromper na busca de aumentar sua renda.
Com a desmilitarização os policiais, em particular os da antiga polícia militar, não seriam mais regidos pelos Códigos Penal Militar e de Processo Penal Militar, mas como qualquer outro civil, sendo, portanto, penalizados por suas atitudes
35 Os números de mortes pela ação da polícia em todo o Brasil são alarmantes. Em São Paulo, no
primeiro semestre de 2012, 239 pessoas tiveram suas mortes justificadas por meio dos “autos de resistência seguida de morte”. A taxa de homicídios chega a 1,16 para cada 100 mil habitantes. Na Bahia, morreram, de janeiro a agosto, 267 pessoas em confronto com policiais, enquanto no Rio de Janeiro foram 214 assassinatos (CARVALHO, 2012).
arbitrárias, ou até mesmo violentas, como qualquer cidadão que comete um crime, em respeito ao princípio da isonomia. Essa medida, acredita-se, reduziria a quantidade de mortes resultantes de ações policiais, pois não se teria uma corporação investigando e julgando os crimes de seus próprios membros militares, mas uma justiça comum, sem qualquer tipo de interesse corporativo (pelo menos em teoria).
Também contribuiria para a erradicação das penalizações arbitrárias aplicadas pelos superiores dos próprios policiais, que são presos, ou transferidos de seus batalhões, sem qualquer oportunidade de contraditório, pura e simplesmente por julgamento de necessidade pelo seu superior, medidas destinadas a obter a obediência “cega” do policial, pois sabe que poderá sofrer punições se não acatar as ordens de seus superiores.
Um modelo de polícia desmilitarizado não consistiria, necessariamente, na solução para a recorrente violência policial no cotidiano brasileiro, mas se apresentaria como um primeiro passo na efetivação de uma polícia mais cidadã e mais coerente com uma sociedade que se diz e se considera democrática, visto que, após anos de convivência com os serviços prestados por uma polícia militarizada, observou-se que a estrutura militar impede a construção de outro tipo de segurança que não a que se tem atualmente, especialmente em razão da lógica de guerra e de pronto atendimento a ordens superiores que adota.
As PECs em estudo objetivam a desmilitarização por três caminhos diferentes: na PEC nº 430/2009, busca-se a criação de uma nova polícia desmilitarizada por meio da desconstituição das polícias civis e militares dos estados e Distrito Federal, que vai atuar sob comando único, de profissional designado pelo Governador do estado, a cada dois anos, escolhido entre os membros da nova instituição, após aprovação da Câmara ou Assembleia Legislativa.
Já a PEC nº 102/2011 se mostra mais tímida nessa senda, oferecendo a cada estado a opção de decidir se quer unificar sua polícia, tendo competência para tanto, ou se prefere manter a estrutura anterior (polícia civil e polícia militar). Caso opte pela unificação deverá seguir o modelo previsto na PEC, que inclui a desmilitarização da polícia.
Por fim, o modelo da PEC nº 51/2013 prevê a desmilitarização de todas as polícias militares estaduais, e a consequente unificação das polícias civis e militares em uma única instituição policial civil estadual.