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Kaçak Göçmenlerin İnsan Hakları Korumasından Yararlanması

4. GÖÇMEN KAÇAKÇILIĞI POLİTİKALARI VE İNSAN HAKLARI

4.1. Göçmenlerin İnsan Hakları Korumasından yararlanması

4.1.1. Kaçak Göçmenlerin İnsan Hakları Korumasından Yararlanması

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Tem coisas que a gente ver e não analisa, porque no momento, [...] precisa dessa imediaticidade, que é uma racionalidade que a gente não pode reproduzir, porque quando você age nessa imediaticidade você está reproduzindo essa racionalidade burguesa, da imediaticidade, da resposta rápida sem compreensão e sem apreensão, então eu tento ver [...] tenho que estudar sobre isso (FLOR).

Fonte: Pesquisa de Campo do Mestrado realizada por MEDEIROS, Izabelle Emanuele Santos, no

IFRN, no período de agosto a dezembro de 2012.

Entre as falas anunciadas pelas entrevistadas, destaca-se a quinta. Ela traz no conteúdo de suas reflexões certo domínio da categoria Instrumentalidade,

quando aborda a questão da investigação como importante para superar a racionalidade burguesa posta. Isso é analisando quando a partícipe explica em sua reposta que muitas das ações são realizadas de forma imediata, principalmente porque elas trabalham com a execução de programas sociais, mas que sente a necessidade de estudar sobre suas ações, afirmando que, em certos casos, precisa se dedicar mais, estudar mais, investigar mais para dar respostas mais concretas e não mediatizadas.

As demais entrevistadas relacionaram a dimensão investigativa às investigações sobre suas demandas que fazem no exercício profissional, corroborando com uma das definições que Guerra (2009a, p. 14) faz da dimensão:

Quando realizamos entrevistas, estamos exercitando a dimensão investigativa da profissão, por meio de informações extraídas diretamente da realidade, mas a sua preparação, em grande medida, dependeu de conhecimentos indiretos sobre vários temas que nos habilitaram a realizá-la. Na realização de estudo social, laudos, pareceres, buscamos informações nos documentos da instituição, na vizinhança e/ou no trabalho sobre algum sujeito social. Estes são momentos nos quais estamos exercitando nossa dimensão investigativa.

Entretanto, a dimensão investigativa vai além da questão das investigações cotidianas, ela constitui-se também nas pesquisas científicas. Nesse sentido, foi perguntado se as assistentes sociais participaram ou participam de grupos de pesquisa e se estão envolvidas em algum projeto de pesquisa no momento. Das entrevistadas, 05 (cinco) participam de um grupo de estudos das assistentes sociais que trabalham no IFRN e discutem o seu fazer profissional.

A partir desse grupo já foram elaborados alguns documentos116 sobre o perfil

dos alunos atendidos pelo Serviço Social, e o grupo tem a pretensão de sistematizar as questões dos programas de assistência estudantil e de compreender melhor as questões: o que é um perfil? Como delimitar um perfil? Para que delimitar um perfil? Porém, as condições de trabalho como falta de tempo, distância dos campi e grande quantidade de demandas, dificultam a elaboração de novos documentos.

116 Exemplo: Artigo: ANOTAÇÕES ACERCA DOS CRITÉRIOS DE ELEGIBILIDADE PARA OS

PROGRAMAS DE ASSISTÊNCIA ESTUDANTIL NO IFRN. Disponível em:

http://seminario2012.ccsa.ufrn.br/uploads/paper/file/223/Trabalho_CCSA_-_2012.pdf. Apresentado no seminário de pesquisa do CCSA da UFRN em 2012

Além da participação no grupo das assistentes sociais, 1 (uma) das entrevistadas participa de um grupo de estudos, juntamente com profissionais de outras áreas (psicologia, pedagogia e docentes), com a finalidade de estudar obras importantes de autores da educação; construiu-se um grupo interdisciplinar e pretende apreender melhor as categorias sociais com as quais eles trabalham. Outra tem acento e participa de um grupo sobre “Saberes Insubordinados”, que pretende analisar os tipos de educação: educação especial, educação de jovens e adultos; além de organizar jornadas de educação e trabalhar com os professores e alunos de licenciatura.

Há também um projeto que foi submetido a um edital de extensão no IFRN, que seria um trabalho de divulgação, no sentido de esclarecimento sobre a escola, suas qualidades, não escondendo os defeitos, mas mostrando que a escola pode contribuir com a formação profissional de qualidade, entretanto o projeto não foi aceito. Dentre suas colocações, a entrevistada informou que a instituição só aprova projetos que de alguma forma ofereça algo em troca para a instituição em termos de ensino. Então os projetos que podem dar maior visibilidade a instituição, como por exemplo, os alunos de robótica que apresentam seus projetos pelo Brasil e pelo mundo são escolhidos em detrimento de outros que possuem apenas um caráter mais qualitativo e localizados no âmbito da IFRN. Isso demonstra a lógica produtivista e mercadológica que impera na educação, pois mesmo sendo uma instituição de ensino pública o IFRN tem que mostrar serviço e números quantitativos.

Essa inserção das profissionais em grupos de pesquisa tende a melhorar seu exercício profissional, uma vez que “a dimensão investigativa está intrinsecamente relacionada com a dimensão interventiva, e a qualidade de uma implica a plena realização da outra.” (GUERRA, 2009a, 2012).

Sobre as áreas de interesse para a realização de pesquisa científica foram citadas: criança e adolescente; adolescente envolvido em álcool ou drogas; relação da família dos alunos que são usuários dos programas de assistência estudantil com o instituto; educação de jovens e adultos no IFRN; investigar sobre as bolsas de trabalho no IFRN e verificar sua funcionalidade, se serve para os alunos ou é uma forma de mão de obra barata para a instituição; atuação do Serviço Social nos IF’s

do Brasil. Verifica-se, portanto, que os temas são transversais à política de Educação, demonstrando uma preocupação das assistentes sociais por melhor conhecer sua prática profissional.

Em relação às possibilidades para realização de tais pesquisas, e se o IFRN incentiva o aperfeiçoamento profissional de seus funcionários, as entrevistadas disseram que existe a possibilidade, porém demanda tempo, organização e elaboração de um projeto. Os discursos afirmaram que o IFRN incentiva o aperfeiçoamento profissional, até mesmo na questão salarial, pois aqueles que têm mestrado e doutorado recebem mais, porém o instituto não dá condições para essa qualificação na medida em que há poucos profissionais para executar tantas tarefas.

O instituto incentiva a participação em congressos e eventos, e se for solicitada ainda oferece ajuda de custo para inscrição, transporte e estadia, porém as profissionais têm que solicitar com antecedência e também devem organizar com cuidado suas tarefas, pois não podem se ausentar de seus postos de trabalho por muito tempo. Não há outros profissionais para substituir aquelas assistentes sociais que se ausentam, principalmente nos campi que só tem 01 (uma) profissional.

Ao responder a questão uma das partícipes revela: “Incentiva, mas não dá condições. Por exemplo, se eu quisesse sair para fazer o mestrado, quem ficaria aqui no meu lugar?” diz Déa. Isso só reforça a questão de que as condições de trabalho influenciam na (re)construção da instrumentalidade na profissão, na medida em que as profissionais não conseguem desenvolver pesquisas sobre o seu próprio exercício profissional, pois não dispõem de condições para fazê-lo, elas deixam de produzir conhecimento sobre o seu fazer.

Das entrevistadas, 05 (cinco) já publicaram trabalhos, dessas apenas 01 (uma) não publicou na área de Serviço Social, mas sim na área de lazer e qualidade de vida quando ainda cursava a graduação. Das entrevistadas 1 (uma) possui várias publicações, inclusive recentemente publicou no ENPESS de 2012, na Revista Múltiplos Enfoques, na Revista do IFRN e na Revista da FACEX.

A publicação é muito importante, pois a investigação só tem sentido quando é publicizada, ao mesmo tempo a instrumentalidade é (re)construída a partir desses saberes compartilhados através das publicações.

Essa partilha também é feita através dos congressos e debates coletivos, então foi questionado se as entrevistadas participaram dos eventos organizados pelo CFESS/CRESS sobre a temática do Serviço Social na Educação, 03 (três) profissionais participaram do Encontro Nacional de Pesquisadores em Serviço Social (ENPESS) em Maceió no corrente ano. As demais tiveram conhecimento, inclusive dos eventos ocorridos na UFRN em 2012, mas não tiveram condições de estarem presentes. Isso rebate de maneira negativa, pois à medida que elas se ausentam desses eventos perdem a oportunidade de discutirem sobre sua prática, principalmente porque elas se queixam sobre a pouca produção sobre o Serviço Social na Educação.

Todas as assistentes sociais, mesmo aquelas que não puderam ir aos eventos, avaliam como extremamente importante o movimento de debate que vem sendo realizado pelas entidades organizativas da profissão sobre o Serviço Social na educação. As duas falas que seguem resumem a importância do movimento que vem sendo feito em torno do Serviço Social na Educação

[...] tudo depende de pressão, do poder do convencimento, da persuasão, então eu acho que o caminho é esse, mas também acredito que ainda é preciso publicizar isso (CRIS).

É super rico em informações, esclarecimentos e até para a gente poder ficar mais segura, porque é uma área que envolve muitas polêmicas, que existe no nosso fazer profissional, [...] a partir dessas campanhas a gente consegui visualizar algumas questões muitos complicadas no ambiente de trabalho e na própria política de educação como um todo (FLOR).

Participar dos eventos é uma prioridade para esses profissionais, até porque esclarece, orienta e traz subsídios para compreender e interpretar certas questões no espaço de trabalho. Ao mesmo tempo chamam para a publicização dos resultados das pesquisas, tornando possível uma melhor apropriação da iinstrumentalidade do Serviço Social na Educação, que está sendo construída.

No viés da questão sobre Serviço Social na Educação, as entrevistadas foram questionadas se elas se sentem valorizadas enquanto assistentes sociais no IFRN e quais são as estratégias para afirmar a permanência do Serviço Social nos campi da instituição.

Não há um processo de reconhecimento pelo trabalho das assistentes sociais no âmbito do IFRN. Dos 06 (seis) sujeitos da pesquisa, 04 (quatro) afirmaram ter

sua atuação reconhecida no âmbito da IFRN, enquanto apenas 02 (dois) afirmaram sentir falta do reconhecimento da profissão no campus em que trabalham, ou sentem muita dificuldade de identificar esse reconhecimento.

O reconhecimento e valorização profissional se dão mediante uma série de aspectos internos e externos aos profissionais. Como afirma Guerra (2002b, p. 2),

A instrumentalidade, como uma propriedade sócio-histórica da profissão, por possibilitar o atendimento das demandas e o alcance de objetivos (profissionais e sociais) constitui-se numa condição concreta de reconhecimento social da profissão.

Na intenção de responder as demandas, as assistentes sociais tentam dar o melhor de si em trabalho cotidiano, mas elas precisam ter condições para realizar esse trabalho, porém as tais condições só são garantidas se as profissionais se movimentarem no sentido de pressionar a gestão do Instituto, mostrando quais são suas dificuldades e que elas precisam de melhores condições objetivas de trabalho.

Questionou-se também quais são as estratégias para afirmação do Serviço Social no IFRN. Foram enunciadas pelas entrevistadas:

não deixar esses espaços ociosos”; “você delimita suas ações de forma bem precisa, [...] define suas atribuições, dá visibilidade ao setor dentro do instituto, são os resultados que nos dão visibilidade. (ANA);

buscar sempre melhorar os nossos serviços. (CRIS);

mostrar de forma documentada que tem muita demanda e a gente não tem condições de reponde-la. (DÉA);

participar das reuniões pedagógicas [...] levar a essas reuniões os programas que a gente desenvolve. (ELIS);

estratégias a gente faz no dia a dia, nos espaços de discussão e decisão que a gente se insere [...]. Eu não sei se essa questão de mais profissionais foi um reconhecimento, se eles entenderam as nossas necessidades ou se é para contribuir para a reprodução [...] pode ser uma demanda mesmo do capital”, “Participei da greve, e participo das assembleias. (FLOR).

Segundo Faleiros (2011, p. 81), estratégia e tática podem ser definidas como: “a estratégia se refere aos objetivos a atingir num período mais longo da história e mais geral. A tática se refere a objetivos particulares num período mais curto e subordinado à estratégia.” Dessa forma, para se arrebatar concessões da instituição os profissionais podem “[...] combinar de maneira mais ou menos distinta a pressão

e a negociação [...]” (Ibid., 2011, p. 83). Nesse sentido, as locuções que trazem em sua tônica a questão de dar visibilidade ao setor por meio dos serviços oferecidos, não se constitui uma estratégia, mas sim uma ação de tentativa de reconhecimento. Já aquelas afirmações que revelam embates, mesmo que pequenos constituem-se em táticas, a exemplo da elaboração de documentos para pressionar a direção geral, a presença nos espaços de discussão e a participação em greves.

Os discursos denotam um esforço da categoria para demarcar o lugar que é do Serviço Social na instituição, na medida em que tentam mostrar a qualidade e importância do setor no IFRN. Neste sentido, definir atribuições e funções no âmbito da equipe interprofissional, informar sobre os programas e projetos realizados são ações que visam dar visibilidade e mostrar de real importância para o Serviço Social no âmbito da instituição.

Ainda na tônica sobre a formação acadêmica, foi solicitado que as assistentes sociais avaliassem a sua formação quanto à relação teoria-prática, ao tratamento das questões ético-políticas da profissão e ao tratamento das questões referentes ao instrumental técnico-operativo da profissão. Nessa questão as falas se repetiram, as entrevistadas afirmaram que a graduação instrumentaliza o estudante nas três dimensões do fazer profissional. Porém, a maior queixa foi em relação à dimensão técnico-operativa da profissão, 90% das entrevistadas afirmaram que a graduação deixou lacunas quanto a formação dessa dimensão.

As assistentes sociais disseram que os instrumentos técnico-operativos foram pouco trabalhados na graduação, algumas das entrevistadas só foram ter contato com os instrumentos durante o estágio, e a maioria revelou que só veio ter contato com alguns dos instrumentos quando já estavam no mercado de trabalho, a exemplo do parecer social. Sousa (2008, p. 122) define a competência técnico-operativa como: “O profissional deve conhecer, se apropriar, e, sobretudo, criar um conjunto de habilidades técnicas que permitam ao mesmo desenvolver as ações profissionais junto à população usuária e às instituições contratantes”. Ou seja, a dimensão técnico-operativa é uma competência muito importante para a prática e não pode ser ofertada ao estudante com lacunas117.

Nesse sentido, tem-se uma preocupação, será que o que está sendo ensinado está repercutindo na prática?

O saber construído na academia é um saber importante e necessário, porém, sem uma necessária vinculação com o fazer-profissional; mesmo que preserve um rigor teórico-metodológico, técnico, ético e político, torna- se um saber idealizado e abstrato, logo reificado. (NICOLAU, 2005, p. 137).

A partir dos dados analisados sobre as dimensões intelectual, formativa e investigativa, constata-se que as assistentes sociais, tentam dar uma direção crítica ao seu fazer, mesmo com suas delimitações. Em geral elas se mostram como profissionais que tiveram uma boa formação acadêmica, que detém um bom conhecimento sobre sua prática, são propositivas, questionadoras, e possuem espírito investigativo. A seguir será discutida a dimensão técnico-operativa e como ela se expressa no exercício profissional nas assistentes sociais no IFRN.

4.2 DIMENSÃO TÉCNICO-INSTRUMENTAL E AS CONDIÇÕES DE TRABALHO ASSALARIADO DO ASSISTENTE SOCIAL

O exercício profissional do assistente social, inserido na divisão social e técnica do trabalho na sociedade burguesa, recebe as determinações históricas, estruturais e conjunturais dessa sociedade na medida em que responde a elas. Esse exercício se constitui em uma totalidade de múltiplas dimensões que se “[...] autoimplicam, se autoexplicam e se determinam entre si.” (GUERRA, 2012, 39). As dimensões são caracterizadas por uma diversidade, constituídas a partir da “síntese de múltiplas determinações”, elas são caracterizadas pela unidade de diversos elementos que contém em si a riqueza e amplitude capazes de revelar as particularidades históricas do modo de ser da profissão, realizado no cotidiano (GUERRA, loc. cit.).

Desse modo, a dimensão técnico-instrumental ou técnico-operativa não pode ser reduzida à questão dos instrumentos e técnicas da profissão. Ela se dá na confluência entre as dimensões teórico-intelectual e ético-política considerando as condições materiais objetivas do trabalho e as condições subjetivas dos agentes profissionais. A dimensão intelectual permite analisar o real e investigar as demandas e a dimensão ético-política permite a avaliação das prioridades, a

Benzer Belgeler