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Kıyamet Günü ve Azabı Korkusu

Belgede Kur'an'da havf kavramı (sayfa 101-104)

B. DĠNĠ KORKU VE KAYGILAR

3. Kıyamet Günü ve Azabı Korkusu

A metáfora heurística tem duas utilizações complementares, mas distintas. Ambas referem-se à história, porém, uma, às teorias, outra, aos acontecimentos. Com isso, os futuristas retomam uma distinção comum à história, enquanto disciplina e ciência. Dray e Martins pontuam bem essa distinção, ao pôr que a palavra história possui diferentes sentidos: 1) a sucessão dos acontecimentos, sobre os quais os historiadores fazem seu trabalho, 2) o trabalho, o estudo do historiador e 3) o conjunto de trabalhos produzido pela ciência histórica, historiografia188. O estudo do historiador sobre a sucessão dos acontecimentos tem, ainda, outra clivagem possível. Dray entende a história, nesse sentido, com duas possibilidades filosóficas: a Filosofia Especulativa da História e a Filosofia Crítica da História. A primeira busca um sentido, um significado para o curso dos acontecimentos189, sendo mais conhecida como Filosofia da História somente. A segunda intenta esclarecer a natureza da investigação do historiador, visando um estatuto científico e uma base epistemológica para a história190, mais comumente chamada de Teoria da História. Como veremos, os autores recorrem à Filosofia da História ou aos diversos sentidos dados à sucessão dos acontecimentos, pouco discutindo questões da Teoria da História, usando o termo, inclusive, como sinônimo de Filosofia da História.

Retomando o problema de especular tantos anos à frente, Kahn e Wiener reconhecem a manifestação de mudanças que fogem da vontade ou do gosto do especulador. Afirmam, então, que essa mudança imanente à história já foi objeto de macro-historiadores e filósofos da história. Porém, alertam que a aproximação que realizarão dessas formas não significa que                                                                                                                          

188 DRAY, W. H., 1977, p. 9; MARTINS, E.C. de R. História. Crítica: revista de Filosofia 30 ago. 2004. Disponível em: <http://criticanarede.com/fil_historia.html>, 29 set. 2008.

189

DRAY, W. H., 1977, p. 9. 190 DRAY, W. H., loc. cit.

a tendência múltipla dependa de alguma teoria da história. Sendo assim, tais teorias são usadas como elemento esclarecedor para algumas questões que surgem na tendência múltipla191. É um acordo complicado esse que os autores estabelecem, pois, apesar de afirmarem que sua tendência múltipla independe das teorias, estas clarificam aquela, constituindo, com isso, uma forma de relação de dependência.

Os autores, demonstrando um conhecimento relativo sobre história, afirmam que as especulações sobre o futuro possuem uma trajetória longa e variada, indo desde as literárias, como de Julio Verne e Edward Bellamy, até escritos humanísticos e filosóficos, como os de Arnold Toynbee, Oswald Spengler, Pitirim Sorokin e Jacob Burckhardt. Iniciando uma análise dos modelos de teoria, Kahn e Wiener identificam, inicialmente, dois tipos de padrões nos diferentes autores: o progressista e o cíclico. Esses padrões são obtidos, conforme os futuristas, por três meios: 1) estudos históricos, como o caso de Edward Gibbon, 2) filosofias da história, como o caso de Toynbee e 3) teorias histórico-sociológicas, como o caso de Sorokin. Prosseguem, argumentando que, apesar de algumas observações e suposições terem diferido nessas teorias, alguns dados empíricos têm muito em comum192.

Há, aqui, certa precipitação de Kahn e Wiener ao categorizarem uma forma de obtenção de um padrão histórico como “baseados em estudos históricos” em contraposição àqueles baseados em filosofias da história ou em uma teoria histórico-sociológica. Toynbee, por exemplo, várias vezes afirmou que suas conclusões eram fruto de um trabalho empírico. Sendo assim, essa distinção parece equivocada. O que cabe, em defesa de Kahn e Wiener, é que, talvez, eles pensassem o caso de Gibbon como um estudo histórico destituído da busca de um padrão geral e universal, já que estava restrito ao universo romano. Não pensava as ascensões e quedas de impérios, mas sim a ascensão e queda do caso romano especificamente. Portanto, Gibbon não tinha a intenção de delinear um padrão, enquanto Sorokin e Toynbee fizeram disso seu objeto. Dessa forma, Gibbon realizou um estudo histórico crítico – conforme distinção de Dray – enquanto os outros tenderam à filosofia especulativa. Porém, os autores não esclarecem o que pensam sobre esses temas.

A preocupação deles em relação às diferentes teorias da história parte das aproximações tanto teóricas quanto empíricas, as quais, então, são chamadas de metáforas

heurísticas. Eles entendem esse processo como comparar as diferentes suposições e

conclusões dos diferentes autores – afora suas intenções – obtendo, com isso, uma sugestão de                                                                                                                          

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KAHN, H.; WIENER, A.J., 1967, p. 26-27. 192 Ibid., p. 27.

possíveis padrões para o futuro. Porém, ressalvam que se deve rejeitar as defesas autorais de que determinada teoria forneça respostas precisas para as mudanças a longo prazo. Um exemplo desse trabalho heurístico seria a comparação entre os padrões de flutuação das culturas de Sorokin e a descrição do período de declínio de Roma de Gibbon193. Os autores não são claros em que se assemelha essa comparação, porém, veremos um possibilidade no próximo capítulo, quando discutirmos os padrões possíveis para a tendência múltipla.

Por ora, todavia, essa mesma comparação, para os futuristas, tem outro valor: a constituição da “opinião embasada”. Ela permite, então, delinear os padrões para o futuro, pois as exposições condizem em alguns pontos, sendo que os estudos empíricos e especulativos da história complementam e autorizam o estabelecimento de alguns padrões. Assim, aproximamo-nos da segunda aplicabilidade da metáfora heurística. Para defender esse ponto de vista, Kahn e Wiener recorrem a uma comparação com a previsão climática.

Tal como a história, as condições do clima também não se repetem exatamente. Contudo, uma forma simples e bem confiável de predizer o tempo consiste em examinar os padrões anteriores, que se assemelham aos de hoje, e contar a porcentagem de vezes em que eles produziram e não produziram chuva. O resultado seria uma predição probabilística do tempo – relativo ao clima – futuro. O tempo (ainda relativo ao clima) é determinado por fatores materiais, entretanto, até nesse caso, não se poderia conhecer as variáveis ocultas que resolvem as indeterminações do tempo. A indeterminação, no que se refere às questões humanas seria, na concepção dos autores, mais básica e mais complexa. Para os futuristas, não existe uma coleção tão grande de protótipos análogos para serem selecionados e há importantes mudanças seculares básicas na estrutura geral na qual os acontecimentos ocorrem. No entanto, situações parcialmente semelhantes ou análogas podem, em parte, reproduzir resultados parecidos. Com isso, afirmam o motto da metáfora heurística: “A História pode não se repetir, mas pode parafrasear-se”194.

Os autores reconhecem, contudo, que as analogias devem ser baseadas em uma experiência muito limitada devido a uma situação rapidamente cambiante. O uso de tais analogias é um processo inerentemente incerto e não confiável e, quando aplicado ao futuro, poderia ser até sistematicamente enganoso. Além disso, e opondo-se às visões de ascensão e queda, Kahn e Wiener afirmam que os acontecimentos históricos cruciais normalmente carecem de padrão e são acidentais. Todavia, isso não impede que muitos acontecimentos, ou                                                                                                                          

193

KAHN, H.; WIENER, A.J., 1967, p. 27. 194

KAHN, H.; WIENER, A.J., 1967, p. 32 (History may not repeat itself, but it may paraphrase); KAHN, H.; WIENER, A.J., 1968, p. 64.

aspectos de acontecimentos, caiam em padrões empíricos ou teóricos. Qualquer que seja o mecanismo por trás desses padrões, os autores acreditam que eles podem ser usados para se trabalhar em analogia, ou pelo menos, por metáfora, para o levantamento de temas, questões, conjecturas e hipóteses, ou apenas para tornar as discussões mais ricas e mais claras195.

Assim, a partir do momento que o livro é pretendido como uma estrutura para especulação a longo prazo, os autores acreditam que estariam errados tanto em ignorar as visões que poderiam ser recolhidas das filosofias da história, quanto tratá-las muito seriamente, como teorias rigorosas. Tratar as teorias de maneira desdenhosa, poderia causar uma injustiça com os historiadores sem eliminar, contudo, o risco de ser mal orientado por eles. Frente a isso, Kahn e Wiener acreditam que o uso heurístico e metafórico encaixa-se melhor nos trabalhos especulativos196, principalmente no sentido de fornecer exemplos instrutivos, funcionando, dessa forma, como cenários do passado.

Tem-se, assim, a constituição metodológica básica do planejamento proposto por Kahn e Wiener. Ela visa refrear a rapidez de mudança própria do mundo moderno. Isso se dá, primeiramente, pela continuidade estabelecida pelos eventos cumulativos e pelo timing que regula o funcionamento do planejamento. Contudo, isso não romperia com a imprevisibilidade de algumas mudanças futuras desconhecidas. Então, contra isso, há, inicialmente, os fatores humanos inalteráveis e as tendências e os padrões seculares. Porém, por mais que isso não garanta o fim das surpresas decorrente das mudanças, os autores pensam um conjunto de ferramentas, como os cenários, as variações canônicas e a metáfora heurística, as quais permitem antecipar, se não a manifestação futura do problema, as formas possíveis de conhecê-lo e enfrentá-lo. Isso tudo, portanto, visando vencer ou minimizar os efeitos nocivos das mudanças futuras.

Apesar disso, não é possível dissociar o pensamento de Kahn e Wiener da modernidade, pois a estrutura do planejamento que eles propõem não é totalmente inédita, já que, dentro da modernidade e do tempo aberto para o futuro, uma abordagem semelhante ganhou destaque: o prognóstico racional.

                                                                                                                          195

KAHN, H.; WIENER, A.J., 1967, p. 32. 196 Ibid., p. 27.

Belgede Kur'an'da havf kavramı (sayfa 101-104)

Benzer Belgeler