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Os relatos das professoras entrevistadas registraram a tendência de privilegiar a prática da realização da sondagem como uma forma acertada de indicar o aprendizado do aluno.

Curioso nessa questão é que as entrevistadas consideram o instrumento de avaliação como um avanço, algo que trouxe enriquecimento aos professores alfabetizadores; percebe-se nas falas uma satisfação por poderem visualizar, por meio da ação, um crescimento profissional. Dessa forma, tornou-se imprescindível a identificação de categorias rigorosas para a investigação e a interpretação.

Ao se proceder ao mapeamento das ideias centrais presentes no conteúdo das respostas, foi possível estabelecer as seguintes categorias de análise:

• realização da sondagem com um formato único: ditado de quatro palavras e uma frase;

• ação proposta com um propósito de construção;

• utilização dos resultados da sondagem como parâmetro para estratégias de ensino;

• visualização dos resultados em registros formais: portfólio e mapas com cores.

Os professores que atuam como professores alfabetizadores nas escolas públicas do Estado de São Paulo são orientados a realizarem periodicamente uma atividade avaliativa intitulada sondagem. O Guia de Planejamento e Orientações

Didáticas do programa Ler e Escrever, material publicado pela Secretaria de

Educação do Estado de São Paulo, considera a sondagem como uma espécie de retrato do processo do aluno em um determinado momento. As explicações para se proceder à atividade são colocadas da seguinte maneira:

• As palavras devem fazer parte do vocabulário cotidiano dos alunos, mesmo que eles ainda não tenham tido a oportunidade de refletir sobre a representação escrita dessas palavras. Mas não devem ser palavras cuja escrita tenham memorizado.

• A lista deve contemplar palavras que variam na quantidade de letras, abrangendo palavras monossílabas, dissílabas etc.

• O ditado deve ser iniciado pela palavra polissílaba, depois pela trissílaba, pela dissílaba e, por último, pela monossílaba. Esse cuidado deve ser tomado porque, no caso de as crianças escreverem segundo a hipótese do número mínimo de letras, poderão recusar-se a escrever se tiverem de começar pelo monossílabo.

• Evite palavras que repitam vogais, pois isso também pode fazer com que as crianças entrem em conflito – por causa da hipótese da variedade – e também se recusarem a escrever.

• Após o ditado da lista, dite uma frase que envolva pelo menos uma das frases da lista, para poder observar se os alunos voltam a escrever essa palavra de forma semelhante, ou seja, se a escrita dessa palavra permanece estável mesmo no contexto de uma frase. (São Paulo, 2008, p.34)

Toda essa orientação para a realização de uma sondagem com o fim de avaliação transforma essa prática em uma ação mecânica. Citar o ditado de quatro palavras e uma frase para explicar o propósito da atividade de avaliação desloca o papel principal que permeia uma prática para uma simples situação corriqueira a qual precisa cumprir o papel de revelar as hipóteses linguísticas definidas pelo pensamento de um grupo de crianças.

Observando alguns dos relatos sobre a prática de aplicação da sondagem, cabem algumas considerações referentes à raiz da sua aplicação, ou seja, como ocorreu em uma pesquisa científica a tarefa primeira proposta por Ferreiro e Teberosky de descobrir as hipóteses que a criança põe em jogo quando é desafiada a pensar sobre sua produção de escrita.

P 1- [...] eu estou chamando cada aluno e verificando dentro de um grupo semântico de palavras o quanto ele avançou no aprendizado.

P 3 - [...] a gente procura um campo semântico, brincadeiras, aniversário. A última foi Natal. São palavras polissílabas, trissílabas, dissílabas e monossílabas.

P 4 - [...] Então nós escolhemos quatro palavras: uma dissílaba, monossílaba, trissílaba e polissílaba.

P 6 - A sondagem é assim, a gente pensa em quatro palavras. A gente não pode falar as palavras de forma separada, por exemplo: fe-li-ci-da-de. A gente fala a palavra no geral para eles e eles têm que escrever uma polissílaba,

uma trissílaba, uma dissílaba e monossílaba e uma frase com alguma palavra que eu ditei.

P 7 - Essa sondagem, a gente costuma fazer, por exemplo, assim, um ditado com o mesmo campo semântico.

Ao serem questionadas sobre a sondagem que realizam, as professoras frisaram algumas questões julgadas importantes. Por que o campo semântico? Por que as palavras diferentes na quantidade de sílabas? O que compreendem acerca das aprendizagens com execução da tarefa? Essas indagações reforçaram a afirmação sobre a forma mecânica presente nessa ação.

Percebe-se o cuidado das professoras em exporem a regra proposta na atividade; contudo, não fica claro, pelos relatos apresentados, quanto tal rigor pode suscitar em significados ao professor para compreender o pensamento de uma criança frente ao objeto de conhecimento. Outra questão oferecida pelo formato único da atividade é sua limitação para reconhecer o universo de aprendizagem necessário para que a sondagem se constitua como uma proposta pedagógica significativa.

A limitação percebida por meio desta pesquisa justifica-se no momento em que uma avaliação se restringe a uma atividade formatada de escrita, ignorando, por exemplo, o que pensa uma criança sobre a relação entre imagem e texto. Colello (2004), ao definir as sucessivas hipóteses na conquista da escrita, expressa com propriedade a existência de um caráter criativo presente na construção do saber. Ainda afirma que:

Por trás de cada produção ‘incorreta’ e aparentemente aleatória, existe uma infinidade de concepções já formadas, de critérios inteligentes e de tentativas tão fecundas que, de algum modo, promovem a evolução. (COLELLO, 2004, p.31)

Qual o propósito de levar uma criança a uma situação especial e lhe pedir para que proceda à escrita de quatro palavras e uma frase? Como pode pensar um professor a partir de tal produção desprovida de desejo e magia?

Em nenhum dos relatos foi possível identificar a preocupação das professoras em perceberem por meio da sondagem a concepção presente em uma produção. Ao

procederem às suas pesquisas, Ferreiro e Teberosky foram guiadas pela hipótese de que todos os conhecimentos supõem uma gênese, ou seja:

[...] nos preocupamos em averiguar quais são as formas iniciais de conhecimento da língua escrita e os processos de conceitualização resultantes de mecanismos dinâmicos de confrontação entre as idéias próprias do sujeito, de um lado, e entre as idéias do sujeito e a realidade do objeto de conhecimento, de outro. (FERREIRO, TEBEROSKY, 1999, p.262)

Como foi pontuado anteriormente, não houve a intenção das estudiosas em apresentar um roteiro de prática ao professor; todavia, suas pesquisas propiciaram o deslocamento de como se ensina para quem aprende. Sobre quem aprende é o foco principal da presente pesquisa. Neste momento da análise realizada sobre a prática da sondagem, a primeira constatação válida como referencial de reflexão crítica é a limitação da referida atividade de sondagem.

Ferreiro (1993) alerta sobre a utilização de instrumentos que possam refletir de forma inadequada uma pseudonecessidade institucional de encontrar maneiras que possam classificar crianças. Em nota de rodapé, a autora fez o seguinte registro:

A utilização dos resultados de pesquisa como ‘testes’ escapa à responsabilidade do pesquisador: eu não fabriquei nenhum teste de ‘quatro palavras e uma frase´; nem de análise das partes de uma oração escrita e, mesmo assim, usam-se no Brasil essas expressões para designar provas com fins diagnósticos. (FERREIRO, 1993, p.75)

O contexto ao qual se referiu Ferreiro (1993) na citação acima não remete à prática da sondagem avaliativa como a proposta à rede pública do Estado de São Paulo; porém, sua excessiva ênfase passou a ser questionada neste trabalho, usando-se assim Ferreiro, por meio de sua citação, para respaldar uma análise.

O propósito de construção permeia a fala das entrevistadas; isso permite reconhecer na prática de avaliação indicada pela sondagem uma postura construtivista em que são apontados processos individuais no avanço das aprendizagens.

P 1 - Todo mês eu faço um diagnóstico da minha sala para saber como anda o aprendizado deles, no sentido de saber que avanço eles tiveram dentro da

proposta da Emília Ferreiro, o construtivismo, que é saber onde estão os níveis de aprendizagem.

As pesquisas realizadas por Ferreiro e Teberosky (1999) tentaram elucidar um processo singular de construção. Apoiadas pelas teorias piagetianas, elas de fato apresentaram não simplesmente níveis diferenciados de escrita, mas a complexidade relacionada a esse processo de construção. Deve-se levar em consideração, compreendendo-se o processo cognitivo presente nessa construção, que:

No desenvolvimento da leitura e escrita, considerado como um processo cognitivo, há uma construção efetiva de princípios organizadores que, não apenas não podem ser derivados somente da experiência externa, como também são contrários a ela; são contrários, inclusive, ao ensino escolar sistemático e às informações não-sistemáticas. Uma teoria completa do desenvolvimento infantil da escrita não pode deixar estes problemas sem solução. São exatamente estes problemas que adquirem um significado preciso e definido dentro do marco teórico da teoria de Piaget. (FERREIRO, 1989, p.21)

O valioso na compreensão da aprendizagem como um processo de construção é justamente transformar a avaliação, ou a sondagem, ou outro nome que possa ser dado, na possibilidade de entender o que há por trás de uma não aprendizagem, que situações internas estão desencadeando os entraves da evolução para a aprendizagem da leitura e escrita. A mesma professora que afirmou a importância do trabalho como construção, apresentou um relatório em que são pontuados apenas os níveis de conhecimento da escrita (ANEXO D).

A busca pela compreensão da aprendizagem individual indica, como se percebe em P 4, um avanço no ensino da leitura e escrita, e é isso que a presente pesquisa tem como dever pontuar.

P 4 - A sondagem é a que você descobre onde o aluno, em que ele está mais precisando. Por isso é importante a sondagem. Essa sondagem foi o que nos enriqueceu. Através dela, nós descobrimos a necessidade de cada aluno. Por isso, a sondagem é importante, porque através dela, eu sei o que meu aluno está precisando.

Cabe, entretanto, no relato acima, que se façam algumas observações acerca da sondagem. Como foi visto, a sondagem representa a identificação de níveis linguísticos diferenciados que as crianças de uma classe apresentam; portanto, as

marcas de escrita colocadas em uma sala não representam a ampla possibilidade individual de uma criança. Nas palavras de Ferreiro (1993):

Algo que parece importante ressaltar é que, para mim em particular, e para outros colegas, o dado com o qual trabalhamos não é nunca a página que ficou marcada pelo ato de escrita de uma criança; o dado com que nos parece adequado trabalhar é um dado múltiplo que compreende: as condições de produção, b) a intenção do produtor, c) o processo de produção, d) o produto e e) a interpretação que o autor do produto dá a esse produto, uma vez produzido. [...] Geralmente não se pode dizer quase nada frente a uma única só escrita; é preciso cotejar uma série de produções escritas... (FERREIRO, 1993, p.82)

Quando se depara com a afirmação de Ferreiro (1993), pode-se perceber a necessidade de ampliar as possibilidades avaliativas da sondagem. A discussão sobre uma forma individual presente nos trajetos de aprendizagem deve ser ampliada para outros elementos que não se reduzam apenas à identificação das hipóteses de escrita, conforme os registros de P 5 e P 6:

P 5 - Os ganhos são que você verifica muito bem em qual hipótese seu aluno está, dentro das hipóteses que você criou a respeito dele através das observações.

P 6 - Eu vou avaliar a hipótese dela, se ela está silábica, se está silábica alfabética [...].

Observando-se os registros em anexo (ANEXOS B, C e D), comprova-se uma visão individual, porém simplificada, de observações. Retomando-se os relatos e observando-se os registros, é possível encontrar uma avaliação reduzida à identificação de hipóteses silábicas, o que pode ser visto sob um prisma individual de avaliação, pois, apoiando-se na fala de uma das professoras entrevistadas, a leitura realizada sobre a aprendizagem é muito individual; depende da observação do professor.

P 5 - A sondagem é muito boa num caso desses, para o professor que trabalha ali observando. O professor que trabalha sem essa observação pode errar no conceito.

Dessa forma, além de se reconhecer na sondagem sua limitação, pode-se também encontrar disparidades sobre os resultados demonstrados. Mais uma vez, é necessário certo cuidado ao se levantar uma posição única acerca da leitura feita

sobre o resultado apresentado em um mapa ou em um relatório simplificado (ANEXOS C e E).

Um referencial de análise da construção individual ultrapassa os limites de caracterização dos níveis de escrita. Nesse sentido, vale insistir para o cuidado de rever os paradigmas dessa observação, principalmente quando se percebe uma enorme confusão na definição desses níveis para caracterização de alunos:

P 7 - Aqueles alfabéticos vão fazer brincando, agora aqueles que estão pré- silábico e silábico, eles vão omitir algumas letras.

P 8 - Então, geralmente, com os pré-silábicos e com os sem valor, eu ficava uma vez por mês, uma vez a cada quinze dias, eu estava fazendo a sondagem pra ver se eles vão evoluindo.

O aluno não pode ser considerado alfabético ou silábico; é preciso entender que a expressão cabe à hipótese aceita por uma criança em um determinado período.

A terceira categoria a ser analisada sobre a prática da sondagem como instrumento de avaliação refere-se ao fato de as professoras compreenderem a importância da utilização do resultado dessa prática como elemento precursor para a organização e reorganização de estratégias de ensino. A definição de que é possível, a partir da identificação das aprendizagens do grupo, formular atividades para propiciar os avanços, deve ser entendida como um progresso proveniente da prática da sondagem, apesar dos indícios de limitação e simplificação, como fora afirmado anteriormente. Para uma melhor fundamentação nesta análise, vale conferir fragmentos dos relatos validando um aprofundamento em seus méritos.

P 4 - Através dela, nós descobrimos a necessidade de cada aluno. A partir dali, eu vou trabalhar com meu aluno. Eu não vou chegar ao final do ano e falar assim: “passaram tantos, tantos conseguiram alfabetizar e tantas não conseguiram”, porque agora, com a sondagem, eu sei por que não conseguiram. Por isso, a sondagem é importante, porque através dela, eu sei o que meu aluno está precisando. Eu posso trabalhar.

Pelo relato anterior, fica a certeza de não se separar a avaliação da Didática, ou seja, o propósito maior de uma situação de avaliação é justamente refletir sobre uma prática que favoreça a aprendizagem do aluno. No que se refere à alfabetização, não há uma receita que possa indicar qual o melhor procedimento a ser adotado; porém,

[...] considerar os processos cognitivos envolvidos na construção da língua, buscando uma sintonia na relação entre o ensino e a aprendizagem, significa colocar o aluno como centro (meio e meta) da prática pedagógica. (COLELLO, 2007, p.34)

O reconhecimento da possibilidade de um trabalho diferenciado, suscitando a aprendizagem de um aluno com uma hipótese de ensino mais primitiva, para os professores entrevistados, só passa a acontecer por admitirem a sondagem como fator principal na tomada da decisão.

P - 1 Ela serve para mim, para eu estar verificando como anda o aprendizado dentro da minha sala e que tipo de atividade eu tenho que passar, que estar propondo para eles, para poder suprir o que está sendo necessário naquele momento.

A supervalorização a partir da realização da sondagem reflete na existência de uma proposta concreta de ação. Quando a professora relata ser a sondagem dos conhecimentos do aluno o fator principal para a realização de uma situação de ensino diferenciada, atendendo às diferenças do grupo, essa situação pode ser entendida como uma reorganização de funções em uma concepção de ensino pautada pela construção.

Presencia-se a mudança na concepção de ensino na Escola Pública estadual; porém, os professores compreendem ser o momento atual, por meio dos cursos e orientações que recebem, o que está garantindo a aprendizagem para a compreensão de uma prática que não despreza saberes, mas os respeita com situações significativas às particularidades existentes.

P 6 - Tem um trabalho diversificado sendo realizado, atende a todos, mas não da mesma forma; cada um vai ao seu passo. Alguns precisam apenas de um tranquinho para ir, mas tem criança que ainda penou, mas teve uma evolução.

P 4 - Há uns anos atrás, eu não conseguiria fazer essa sondagem. Hoje, a partir dos cursos que nós temos, dos encontros, das palestras, essa sondagem tornou-se muito importante para mim, para nós professores.

A dúvida que fica, pela consideração realizada anteriormente, é se realmente foi a sondagem que mudou o trabalho dos professores ou se foi o entendimento acerca de uma concepção de ensino.

Os professores são unânimes em afirmar a dificuldade existente no trabalho que contemple as diferenças do grupo; apesar disso, estavam empolgados com os registros que mostravam. Sobre tais registros, é que se encontrará mais um elemento no conteúdo a ser analisado.

Outra mostra de satisfação do trabalho realizado encontra-se na apresentação dos portfólios. O que contêm esses portfólios? As diversas sondagens realizadas durante o ano letivo. As sondagens são apresentadas em uma ordem de datas em que se pode perceber a evolução ou não dos níveis de escrita pelas crianças.

A maior satisfação encontra-se no fato de se efetivar o registro de ações. A prática do registro, infelizmente, não contempla o cotidiano das práticas pedagógicas brasileiras. Professores alegam ser trabalhoso, que também possuem muitas outras atribuições, não concebendo a ação de registrar; no entanto, ao se depararem com o registro, pelo menos por meio das sondagens, há uma mostra de satisfação.

P 6 - Aqui eu vou vendo a evolução da criança. Olha que show este aqui!

Todas as professoras entrevistadas citaram os portfólios como mostra de seus trabalhos. Algumas páginas estão anexadas a esta pesquisa pois representam elementos valiosos ao presente trabalho. A este ponto, a pesquisa encontrou não na sondagem o elemento de satisfação, mas na ideia de ver o resultado de um trabalho ser registrado.

P 8 - Um outro cuidado que eu tinha era escrever como eles estavam; eu tive treze crianças que relacionei no meu relatório final; falta-me entregar o portfólio (para a coordenação); dessas treze crianças, foram essas três que me preocuparam. Quando eu fui olhar bem, com a vivência deles em casa... Um deles, em casa, era imaturidade total; ele acabou de fazer sete anos, então a mãe tem todo aquele mimo com ele, porque o pai acabou abandonando, foi embora, morar com outra pessoa. Ele sai às cinco horas da manhã, volta às nove. Dez horas da noite, ele já está dormindo. Então, ela não tem o contato, ela não tem aquele tempo hábil para poder estar com ele. Então ele ficava o dia inteiro na rua, quando dava meio dia e meia, ele colocava a roupa para vir para a escola.

Essa fala da professora não aparece em seu registro; tais informações sobre a criança se perderão. Em seu portfólio, consta um aluno que vivenciou uma determinada hipótese silábica. No mapa da sala, aparece o nome de uma criança e uma caracterização de cor. Sobre a prática da professora, a partir de sua observação, os registros apresentados não poderão se materializar. Weffort (1996), sobre a importância do registro, faz considerações de extrema importância:

Mediados pelo registro deixamos nossa marca no mundo. Há muitos tipos de registro, em linguagens verbais e não verbais. Todas quando socializadas historificam a existência social do indivíduo. Mediados por nossos registros, reflexões, tecemos o processo de apropriação de nossa história, a nível individual e coletivo. (WEFFORT, 1996, p.41)

Outra observação acerca dos registros se refere ao seu propósito primeiro, ou seja, comunicar a outro uma informação, porém, que o outro possa ser interlocutor em um diálogo. Como é bom saber que se mantém uma relação dialógica a partir de observações, ao contrário de simplesmente se mapearem as informações, utilizando cores diferentes e encaminhando as informações para a coleta de dados gerais que podem não ser fidedignos.

P 3 - Eu acredito nessa diferença, você faz a sondagem, você fala, ele está silábico com valor, outro vem e dá outro nível. Eu acho delicado. Não existe uma camuflagem.

A professora, no relato acima, questiona a avaliação feita por considerar possíveis interpretações a uma mesma produção. Apesar disso, como parte de uma exigência das políticas públicas do Estado de São Paulo, os professores entregam

Benzer Belgeler