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Kısmi Tevkifat Uygulanacak Mal Teslimleri

2.3. Türk Vergi Sisteminde Tevkifat Usulü Kullanılan Vergiler

2.3.7. KDV Tevkifatının Türleri

2.3.7.5. Kısmi Tevkifat Uygulanacak Mal Teslimleri

Analisando comparativamente as petições, verificou-se a constituição do imaginário sociodiscursivo em torno da noção do tempo. Em Metáforas da vida cotidiana, Lakoff e Johnson (2002) explanam que as metáforas estruturam nossas atividades cotidianas e deixam transparecer as concepções que regem nossa sociedade. Discutindo sobre os valores associados à noção de tempo, os autores enfatizaram que na nossa cultura o tempo é visto como algo valioso e limitado, algo que se pode ganhar, perder, gastar ou poupar. O mundo capitalista tende a marcar o trabalho associando-o ao tempo. Assim, uma pessoa recebe de acordo com o seu tempo de prestação de serviço, sendo o pagamento por hora, mês ou ano. Desse panorama, emana a metáfora que relaciona tempo e dinheiro, a expressão metafórica tempo é dinheiro. É bastante comum, então, que surjam frases como “eu gastei muito tempo nesse trabalho”, “ele não costuma perder tempo”.

Seguindo essa concepção compartilhada pela coletividade, o tempo também apareceu como algo de grande importância nas petições analisadas. Diversos trechos fizeram menção ao tempo, esclarecendo que os requerentes tiveram que “gastar” do tempo deles para tentar resolver os conflitos com os requeridos.

A perda de tempo e o grande esforço na tentativa de resolução dos conflitos foram expostos como fatores que geraram grande transtorno nos requerentes, logo, fatores que deram azo à ocorrência do dano moral. Destarte, infere-se disso que há uma grande relação entre tempo e dano moral. O tempo como elemento de grande importância apareceu em 9 das 13 petições analisadas. Já na primeira petição, isso pode ser notado pelo que foi expresso no seguinte excerto:

1- “A autora reside na zona rural, lugar de difícil acesso [...]. Dificilmente tem tempo para ir à cidade, ou à Ervália, para pegar os extratos bancários. Necessita confiar na organização dos bancos [...].” (P1, p. 3).

120 No trecho acima, o argumentante sugere que o fato de a requerente ter necessitado se dirigir diversas vezes aos bancos causou a ela transtornos, já que ela não disponibilizava de muito tempo para ir à cidade. O tempo seria, para a requerente, algo raro, precioso, portanto.

O advogado de P2 sugeriu que o requerente Edvaldo “gastou” seu tempo na tentativa de resolver o problema da negativação de seu nome, entrando em contato várias vezes com a requerida e não conseguindo obter êxito. Depois enfatizou que, indo de encontro ao que dispõe a lei, o nome de Edvaldo permaneceu negativado muito tempo após ele ter pago as dívidas. Edvaldo estaria esperando durante um longo período de tempo para ter seu bom nome de volta, o que infringe o previsto pela legislação e causou a ele muito desgaste emocional. Isso é facilmente verificado nos trechos a seguir:

2- “[...] Ocorre que quando conseguia atendimento, pois muitas vezes a ligação simplesmente não era concluída, não conseguiu satisfazer sua reclamação [...].” (P2, p. 3);

3- “[...] várias foram as ligações realizadas, sendo cada protocolo relativo a uma conta [...].” (P2, p. 3);

4- “Após todo esse tempo, ainda consta a negativação do nome do autor no Serasa Experian [...].” (P2, p. 3).

Afirmando que, quando o gerente Luís constatou deficiência nos serviços da X Telefonia, ele teve que tentar várias vezes contato com a empresa para que ela fosse notificada das falhas de seu serviço, o advogado de P3 sugeriu que Luís teve trabalho, já que deixou por um tempo seus afazeres de lado para contactar a requerida, logo, perdeu seu precioso tempo com isso, conforme é possível inferir no seguinte excerto:

5- “Não só um contato, mas vários conforme registrado na empresa ré [...].” (P3, p. 2).

O grande transtorno e a frustração do requerente Thiago, da quinta petição, residem no fato de ele ter passado um grande intervalo de tempo esperando por um produto que não chegou e, depois, por um estorno que não aconteceu. Nessa petição, o período de tempo que Thiago está esperando para ter o produto ou o dinheiro de volta é destacado para demonstrar que a empresa ré foi de fato muito negligente com ele, segundo é possível notar pelos trechos a seguir:

6- “Depois de diversas tentativas infrutíferas, foi estabelecido o prazo de 30 (trinta) dias para que fosse estornado o valor no cartão de crédito fornecido. Após mais de 90 (noventa) dias de espera ainda não foi entregue o produto e nem mesmo o prometido estorno.” (P5 p. 2);

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7- “Todo esse desgaste na demora e até ausência da prestação contratada da entrega do produto e longa demora para restituição do valor pago tem causado grandes transtornos ao Requerente [...].” (P5, p. 3).

Conforme exposto em P7, o requerente André também usou de seu tempo para tentar resolver os problemas com a empresa ré, mas foi um tempo “perdido”, pois a empresa não foi solícita, como fica nítido no excerto seguinte:

8- “Ao saber de tal restrição em seu nome, com o objetivo de solucionar a questão amigavelmente, o autor imediatamente entrou em contato com a ré para solucionar a questão amigavelmente, entretanto a atendente apenas se limitou a dizer que deveria quitar os débitos para então ter seu nome tirado da lista de mal

pagadores.” (P7, p. 2).

O argumentante destaca em P8 que o eletrodoméstico comprado por Márcia era importante porque garantiria a ela mais tempo para se dedicar à família. A importância do produto está no tempo livre que ele daria à requerente. Assim, o fato de ele ter apresentado defeito causou à requerente muitos transtornos, pois ela não podia mais desfrutar de tempo livre para passar com a família. O tempo foi destacado em P8, sendo representado como algo de fundamental importância:

9- “Excelência, a autora formula o pedido de indenização por danos morais por entender que suportou aborrecimentos, dissabores e transtornos por demais, em razão de não poder utilizar um eletrodoméstico que lhe garantiria mais conforto e tempo para se dedicar aos estudos, à família e a si mesma.” (P8, p. 9).

A requerente Carla também teve transtorno ao entrar em contato várias vezes com a S Telefonia na tentativa de solucionar os problemas e ter seu nome retirado do cadastro de inadimplentes. Nos contatos estabelecidos com a empresa ré, Carla despendeu muito de seu tempo tentando ter seus direitos assegurados. Isso é o que se pode inferir das exposições do advogado nos trechos abaixo:

10- “[...] a Requerente entrou em contato com ela novamente e argumentou que apesar das faturas

estarem em seu nome, não fora ela que requisitou os serviços [...].” (P10, p. 2);

11- “Infrutíferas foram as tentativas de que os débitos fossem cancelados [...].” (P10, p. 2).

O tempo também em P12 apareceu como algo de grande valor. Os requerentes não podiam esperar para retornar na data que a X Companhia aérea queria, pois estariam “perdendo” muito tempo, já que tinham vários compromissos agendados no Brasil, assim,

122 retornar no dia 07/11/12, como queria a companhia aérea, significava atraso, perda dos seus principais compromissos. Isso fica nítido nos seguintes excertos:

12- “[...]Veja; o furacão passou na segunda-feira (30/10/12) e a X disponibilizou voo apenas na quarta- feira da semana seguinte (07/11/2012). Assim, os autores teriam que permanecer em Nova York por mais uma

semana.” (P12, p. 2);

13- “Em razão dos diversos compromissos já agendados no Brasil e não desejando arcar com o custo de mais uma semana de hotel em Nova York, os autores não aceitaram a proposta [...].” (P12, p. 2).

A requerente de P13 também teve trabalho ao tentar acordo com a requerida que saiu sem pagar o aluguel. O advogado destaca que foram várias tentativas de acordo frustradas, ou seja, foi uma grande “perda” de tempo, uma vez que a requerida não aceitou pagar as dívidas, como ficou explícito no excerto abaixo:

14-“A requerente, após inúmeras tentativas verbais de acordo com a requerida, sem nenhum êxito, além

da ‘ameaça de morte’ a que sofreu (cópia do BO em anexo), vê-se obrigada a procurar a JUSTIÇA para solução das pendências e atrasos.” (P13, p. 4).

A análise dos trechos destacados permite chegar à conclusão de que o dano moral está diretamente ligado ao tempo despendido pelos requerentes, aos esforços que estes fazem para tentar a resolução do conflito. São coisas que afetam a tranquilidade, o conforto e o bem estar dos requerentes e, causando desgaste emocional a eles, configura o dano moral.