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2. STRATĠGRAFĠ

2.4. Kırkgeçit Formasyonu (Tk)

Baseando-se nesses elementos comuns, que permitem uma interlocução entre as abordagens, elaborou-se um quadro do que seriam as características ideais para uma abordagem contemporânea, que poderia dar conta do novo contexto de produção dos documentos contemporâneos.

Abordagem Definição Fundamentação

epistemológica Características do documento de arquivo

Objeto de

estudo Processo de OCA

Arquivística

Contemporânea Uma disciplina dinâmica e interdisciplinar, responsável pela natureza do trabalho arquivístico, que engloba a criação, manutenção, tratamento e disseminação da informação orgânica em ambientes tradicionais e digitais - Enunciação de um novo paradigma, a partir da década de 1980. - Arquivística Integrada (abrange todo o ciclo documental – dos documentos ativos aos históricos) - Arquivística Funcional (pós- modernidade como tendência dominante) - Diplomática Arquivística (método diplomático) - Produzido em função de uma atividade desempenhada por uma pessoa ou instituição - Equivalente à informação orgânica - Entidade construída e mantida socialmente - Agente ativo na formação da memória do indivíduo e da sociedade - Forma de manipulação e poder Processo e contexto de criação dos conjuntos de informações orgânicas Documento- contexto Bottom-up diplomatics analysis

Quadro 2. Características da Arquivística Contemporânea Fonte: Elaborado pela autora

Essa “nova” abordagem, apresentada aqui, reúne os principais elementos das abordagens canadenses estudadas nesse trabalho. Sua fundamentação epistemológica estaria pautada, então, na Arquivística Integrada, na Arquivística Funcional e na Diplomática Arquivística, além de ter surgido a partir da enunciação do novo paradigma na década de 1980.

A Arquivística Contemporânea é, pois, definida como uma disciplina capaz de modificar-se para atender às novas demandas de produção documental, trabalhando com todo o ciclo documental, dos documentos correntes aos permanentes, não importando o ambiente em que é criado.

O documento de arquivo continua a ser aquele produzido e/ou recebido por uma pessoa física ou jurídica no decorrer de uma função específica, mas a disciplina tem consciência, agora, de que ele é justamente um produto construído, de forma a garantir as relações de poder entre os que dominam e os que são dominados. Nesse sentido, as características propostas por Jenkinson caem por terra, e o arquivista passa a ver o documento como um agente importante na construção da identidade de um país, de um povo, de uma sociedade, o que não significa excluir seu valor de prova, valor primário, defendido por Duranti e Schellenberg.

O objeto de estudo passa a ser o contexto e o processo de criação das informações, aqui entendidas como orgânicas. É necessário estabelecer as razões que estão por trás da criação dos registros, qual a relação dos criadores com o documento, e assim, quais as intenções por trás da ação de registrar a informação.

Para tanto, o estudo a partir do documento é mais seguro para o arquivista. Poder estabelecer quem produz, por que e para que, por meio do estudo da forma documental é a grande contribuição da Diplomática para os estudos arquivísticos atuais. A partir do exame das partes, o arquivista consegue chegar ao exame do todo, do contexto, do processo, para, então, determinar as relações existentes entre um e outro.

Nesse sentido, é necessária também uma mudança com relação à postura do arquivista, que deve entender seu papel nesse novo contexto que requer que o profissional deixe de agir como um simples guardião da verdade absoluta.

Os arquivistas devem, agora, participar ativamente do processo de criação do documento, estando presente desde o nascimento, garantindo, assim, uma otimização e racionalização da produção documental, e um maior entendimento do contexto de produção desses documentos, assim como sua função e papel para a instituição produtora.

Baseando-se nessa concepção, Eric Ketelaar cunhou o termo archivalization, onde

[...] o arquivista, operando do começo ao fim no sistema de recordkeeping, deve garantir a responsabilidade, evidência e o significado do documento a ser criado e mantido – o arquivista molda a herança arquivística. Isso deve parecer uma heresia àqueles que ainda acreditam que o arquivista é um recebedor de arquivos, neutro, desinteressado e imparcial. (KATELAAR, 2000, p.330, tradução nossa).

Aqui, são colocados em discussão os termos defendidos por Jenkinson, de que um arquivista é um simples recebedor de documentos, que deve trabalhar de uma maneira desinteressada e imparcial.

Repensar seu papel na instituição. Pensar o arquivista enquanto um profissional da informação, e não um guardador de documentos. É preciso que o arquivista tenha em mente seu papel de gestor, criador, manipulador e custodiador da informação.

Na sociedade contemporânea, o arquivista tem papel ativo na vida dos documentos, na construção da memória institucional, adquirindo, avaliando, selecionando, descrevendo, indexando.

Fica claro que a distinção entre records e archives teve profundas influências na delimitação do trabalho arquivístico. A separação dos documentos em correntes e permanentes ocasionou uma cisão entre os arquivistas e gestores de documentos, impedindo uma visão mais holística do trabalho arquivístico, como colocado por Taylor.

Eu gostaria de sugerir de que na realidade não há uma cisão entre o documento “corrente” e o “arquivístico” e que isso é uma ficção do método histórico. Há uma necessidade do governo e do público de recuperação efetiva e de um treinamento arquivístico que reconheça esse continuum e que poderia oferecer especialistas em informação de calibre apropriado para trabalhar em ambos (...). Essa ação tiraria o profissional desse “desvio histórico” e o colocaria de volta aos níveis administrativos de record-keeping (TAYLOR, 1984, p. 34, tradução nossa).

No entanto, com a retomada dos estudos sobre o princípio da proveniência, os arquivistas começam a ter em mente seu papel na criação dos documentos, e o contexto de produção passa a ter mais importância do que o conteúdo documentado, em tarefas como a avaliação.

As funções desempenhadas hoje pelos arquivistas devem ser aquelas relacionadas às atividades de gestão documental, ou seja, ele deve planejar, orientar e acompanhar todo o processo documental e informativo. A participação deve ser efetiva. Desde o nascimento do documento, como colocou Katelaar, até seu recolhimento ou descarte.

Os arquivistas devem reintegrar o subjetivo (a mente, o processo, a função) ao objetivo (a matéria, o produto registrado, o sistema de informação) em suas construções teóricas. Eles devem abandonar a antiga ciência, cujo foco é o registro, para uma nova ciência baseada no processo, onde a dependência contextual do todo é mais importante do que a autonomia das partes, e onde a ciência está situada em seu contexto histórico e ideológico (COOK, 2001, p. 16, tradução nossa).

Para Cook, os arquivistas devem repensar seu papel na sociedade da informação, revendo ideias, estratégias e metodologias. Não é mais possível, utilizar as regras e os princípios anunciados nos primeiros manuais de arquivo, uma vez que, como foi dito anteriormente, esses princípios ressaltam ideias e fatos passados, de outra época, onde o positivismo dominava o pensar científico.

Na sociedade pós-moderna, o papel da Arquivística vai além de preservar documentos, frutos de atividades administrativas, como se fossem resíduos. Seu papel deve ser levar os arquivos às pessoas, e encorajá-las a usar os documentos.

Os arquivistas devem aceitar seu papel dentro do processo histórico de criação dos documentos. Eles devem entender que o documento é a memória da sociedade, que deve ser amplamente compartilhada. “Os arquivistas servem à sociedade, não ao Estado” (COOK, 2001, p. 19, tradução nossa).

Benzer Belgeler