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Kırgız Türkçesinde Anlam Kötüleşmesine Uğrayan Sözcükler

V. KULLANILAN TEMEL KAYNAKLAR

3.2 CODEX CUMANİCUS İLE KIRGIZ TÜRKÇESİ ARASINDAKİ ORTAK

3.2.6 Kırgız Türkçesinde Anlam Kötüleşmesine Uğrayan Sözcükler

O conceito de trajetória, segundo Pierre Bourdieu, define&se como a “série de posições sucessivamente ocupadas por pelo mesmo escritor em estados sucessivos do campo literário [...]”.137 Ao se pensar a trajetória

literária de Maupassant, é possível observar essa vinculação entre seus posicionamentos sucessivos ao longo de sua carreira literária e jornalística e os espaços sociais que freqüentava. Há uma relação direta entre os diversos momentos da trajetória do escritor com seus posicionamentos e adesões e as instâncias enunciadoras de suas produções em gêneros e meios variados.

De acordo com Dominique Maingueneau, esses posicionamentos não

são considerados apenas “doutrinas estéticas mais ou menos elaboradas; são indissociáveis das modalidades de sua existência social, do estatuto de seus atores, dos lugares e práticas que eles investem e que os investem”.138

Posicionar&se no âmbito de um campo literário, isto é, numa configuração relativamente autônoma de práticas discursivas que delimitam certa região no universo do discurso, seria então, colocar em relação certa tomada de

137 BOURDIEU, Pierre. 12 % / 3 ), + (Trad. Mariza Corrêa). São

Paulo: Papirus, 1996a, p. 71.

palavra, legitimada, no caso, pela realização ou publicação de uma obra, com um percurso, uma trilha já aberta, ou fundada no próprio gesto da enunciação dessa obra.

Como visto anteriormente, Maupassant passou sua infância e boa parte de sua juventude na Normandia, espaço enunciativo constante em sua obra. Assim como optava por situar a maior parte de suas histórias na região normanda, também optava por criar personagens baseados em tipos característicos que conhecera. Mesmo mais tarde, já instalado em Paris, não deixou de voltar periodicamente à região para visitar sua mãe, estabelecendo, dessa maneira, contatos com tipos locais, como fidalgos e nobres, pequenos camponeses, caçadores e pescadores, que serviram de modelo para os diversos personagens das narrativas que compuseram ( J , coletânea de doze narrativas publicadas nos periódicos e

, de maio de 1883 a abril de 1884.

Assim que se mudou para Paris para estudar direito, foi surpreendido pela guerra franco&prussiana, durante a qual foi mobilizado, embora não tenha participado efetivamente das batalhas, pois seu pai conseguiu que fosse dispensado, podendo, assim, retornar a Paris. O episódio da invasão prussiana na Normandia está presente em boa parte de sua vasta obra, destacando&se na novela 3 6, que o consagrou no meio literário.

Acredita&se que o tio de Maupassant, Charles Cord’homme (1825& 1905), tenha lhe contado uma história verídica que acabaria sendo o tema da novela. Ele teria conhecido Adrienne Legay (1841&1892), jovem que teria se instalado em Ruão aos vinte anos, tendo optado por se prostituir depois

de ter sido amante de um oficial de cavalaria e em seguida, de um comerciante da cidade. Alguns anos mais tarde, Maupassant retomaria essa história para criar a prostituta bonapartista Boule de Suif, personagem eponimo da novela.139

Nessa experiência, Maupassant não deixou de perceber os valores e ideais de sua época, procurando explorar as mazelas humanas, com seus desejos e podridões, como mostra no conto. Nele, o narrador questiona a incoerência da guerra e dos homens que a praticam, e que, para isso, rompem ensinamentos religiosos e a própria razão humana:

(...) o exército glorioso que trucida os que se defendem, aprisiona os restantes, saqueia em nome da Espada e rende graças ao seu Deus, ao troar dos canhões – são todos uns horrorosos, flagelos que desconcertam qualquer crença na Justiça Eterna, qualquer confiança que nos ensinaram a ter

na proteção do Céu e na razão do Homem.140

Com o sucesso de 3 6 em 1880, Maupassant atinge o

de escritor renomado, posicionando&se no campo literário como um fiel observador da realidade de seu tempo, trabalhando com os W" que lhe permitiam o campo literário, e se estabelecendo nele como um dos grandes contistas da época.

No que diz respeito à questão do , Bourdieu explicita que a sua busca por indivíduos ou grupos dentro do campo literário sempre está presente, uma vez que a constituição de um campo artístico se dá na disputa, no reconhecimento entre seus pares e na criação de uma estrutura autônoma capaz de julgar e avaliar quem pode ou não participar daquilo que

139Cf. MONGLOND, + , p. 116.

140 MAUPASSANT, Guy de. 3 + Trad. Mário Quintana, Casimiro

será chamado de arte. No caso da literatura, trata&se da criação de regras que permitam ver um texto literário como digno de ser um objeto artístico e, portanto, digno da posteridade. O escritor buscaria, portanto, o e, conseqüentemente, a acumulação do que Bourdieu denomina de

, isto é, reconhecimento artístico frente aos outros escritores e à sociedade. Assim sendo, o capital simbólico permite que um indivíduo desfrute de uma posição de proeminência frente a um grupo, e tal proeminência é reforçada pelos signos distintivos que reafirmam a posse deste capital, por ser um tipo de bem que permite um reconhecimento imediato da dominação do elemento que o possui sobre os demais elementos do campo.

No caso de Maupassant, o sucesso junto ao público leitor, impulsionado pela vendagem dos jornais e revistas, o reconhecimento de

seus pares fazem com que o adquirido ao longo de sua

trajetória se converta em * . Visando uma melhor

compreensão de como essa conversão de capitais aconteceu para Maupassant, segue um exemplo relativo às suas mudanças de moradia: de 1869 a 1876, Maupassant ainda vivia na casa do pai, mais tarde, já tendo iniciado sua carreira literária, mudou&se para um pequeno apartamento de dois cômodos, passando, então, a morar sozinho. Em 1880, sobretudo após a publicação de 3 6, mudou&se novamente, mas desta vez, para um apartamento de três cômodos, no segundo andar. Em seguida, de 1884 a 1889, instalou&se em uma mansão particular de três andares, em estilo gótico, construída em 1880 pelo primo Louis Le Poittevin, a quem pagava os

aluguéis. Nesta casa, Maupassant estava instalado no térreo, o que, na época, evidenciava uma posição privilegiada na hierarquia das classes sócias.141

A existência e a manutenção de um campo literário se dão pela constante tensão entre seus pares, pela necessidade de afirmação e reconhecimento interno e externo. Interno em relação a seus pares e concorrentes e, externo em relação aos meios de divulgação que, no caso da França, na segunda metade do século XIX, era praticamente representada pela imprensa, que avançava cada vez mais tecnologicamente, como será visto no próximo capítulo, consagrado à carreira jornalística de Maupassant. Assim, constata&se que, ao abandonar a sua carreira no Ministério público e optar pela carreira de jornalista, Maupassant buscava o reconhecimento, propiciado pelas publicações de seus textos em importantes jornais. Buscava, além do prestígio social, uma recompensa financeira, ou seja, nas palavras de Bourdieu, * . Em suma, é possível afirmar que o capital simbólico, enquanto elemento indicador de prestígio, pode ser convertido em dado momento em capital cultural ou econômico, na medida em que os acessos a estas outras modalidades de capital são facultados pelo efeito de valorização exercido pelo indivíduo detentor deste capital. No caso de Maupassant, a partir do momento em que se consagra no campo literário como escritor, através de suas inúmeras colaborações com alguns dos mais

importantes periódicos de sua época, como $ , e ,

nota&se que ele passa a ser detentor de um capital simbólico significativo,

circulando cada vez mais em diferentes salões literários e produzindo inúmeros textos para dar conta das variadas demandas dos mais diversos periódicos, o que servia, na verdade, para que o próprio autor divulgasse as suas produções, defendesse a sua posição estética e se firmasse cada vez mais no campo literário.

Assim sendo, suas contribuições regulares com os jornais deram&lhe autoridade para escrever contos, crônicas e romances, sem ser questionado como escritor, abusando de uma escrita simples, marcadamente irônica e considerada, inúmeras vezes, fria, por querer retratar a vida tal qual ela se apresentava.

Benzer Belgeler