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ÜÇÜNCÜ BÖLÜM

3.1. Kıbrıs Rum Tarafının AB’ye Müracaatı

3.2.2. Tarafların Tezler

3.2.2.2. Kıbrıs Rum Tarafının Tezler

Autores, como Krueger e Balassa 126 defendem a idéia que o pessimismo quanto às possibilidades de expansão das exportações pelos países subdesenvolvidos mostrou-se infundado e que políticas internas, para substituir importações, prejudicaram o crescimento das exportações e da economia em seu conjunto.

Muito antes da observação desses autores, os arquitetos do PAEG, R. Campos e M.H. Simonsen deram diagnósticos parecidos da realidade brasileira em 1964, sugerindo que havia chegado o momento de promover as exportações.

Para alguns economistas, o comércio externo pode liderar o crescimento. Outros, como Fajnzylber, da CEPAL e Bruton 127consideram a substituição de importações muito importante na assimilação tecnológica e na geração de novos produtos com vantagens comparativas, possibilitando a expansão futura das exportações.

Em 1999, Rodrik considera que a estratégia de industrialização pela substituição de importações - ISI estimula o crescimento e cria mercados internos protegidos e, por conseguinte, lucrativos para o investimento do empresariado nacional. Contrariando a convicção convencional a seu ver o crescimento impulsionado pela industrialização substitutiva de importações, não produziu ineficiências tremendas em escala econômica128.

125

PREBISCH, R. O Desenvolvimento Econômico na América Latina e Seus principais problemas.

Revista Brasileira de Economia. FGV, nº 9, setembro de 1949,p.25. 126

KRUEGER e BALASSA apud SOUZA, N. de J. de. Desenvolvimento econômico. São Paulo, Atlas, 1997, p.351.

127

FAJNZYLBER e BRUTON apud SOUZA, N. de J. de. Desenvolvimento econômico. op.cit, p.351. 128

RODRIK, D. Estratégias de Desenvolvimento para o Novo Século. In: ARBIX, G. et alii. Brasil,

México, África do Sul, Índia e China: diálogo entre os que chegaram depois. São Paulo, Editora UNESP, Edusp, 2002, p 47.

Podemos distinguir duas estratégias de crescimento econômico: a primeira, voltada para fora, esta baseada na expansão das exportações, segundo as vantagens comparativas do país, com a economia relativamente aberta do país ao exterior. A outra está apoiada na substituição seletiva de importações, com a economia fechada e o crescimento econômico se efetua com base no mercado interno e as exportações crescem marginalmente.

Para outros pensadores o comércio externo prejudica o crescimento econômico. Esta última estratégia foi a adotada pelos países latino-americanos, e os levou a um crescimento industrial significativo, até o início dos anos de 1960, caso do México e do Brasil. Na adoção latino-americana desse modelo, observamos no entanto, que enquanto as necessidades de importações crescem rapidamente, as exportações agrícolas não crescem no mesmo ritmo. Desse modo, na década de sessenta, Prebisch reformula seu pensamento e aconselha os países em desenvolvimento a tentar expandir suas exportações de produtos manufaturados.

“Daí só agora começamos a compreender sua significação e reconhecer a necessidade vital de incentivar as exportações industriais dos países periféricos, principalmente daqueles que ultrapassaram a primeira fase do processo de industrialização, como Brasil, Argentina e México”129.

A vantagem da política de substituição de importações é a adoção de processos de produção que já deram certo em outros países, possibilitando a aprendizagem e a geração de técnicas endógenas, ao mesmo tempo em que a economia passa a produzir para o mercado já existente.

A substituição de importações tem como primeiro objetivo equilibrar o balanço de pagamentos, reduzindo as importações por meio de quotas, licenciamento, elevação de tarifas e proibições e também da política cambial. Nesse sentido, a substituição de importações é tanto mais necessária quanto mais a economia se encontra nos estágios iniciais do processo de industrialização. A proteção à industria em desenvolvimento é efetuada de diversas formas:

a) as proibições de importar utilizando restrições quantitativas; b) restrições ao investimento estrangeiros em setores específicos;

129

PREBISCH, R. Nueva política comercial para el desarrollo. México: Fondo de Cultura Económica, 1979, p.36.

c) restrições à saída de turistas nacionais e de trabalhadores especializados; d) estabelecimento de uma taxa de câmbio favorável a proteção;

e) implantação de tarifas alfandegárias elevadas para produtos concorrentes. A proteção gera um certo grau de monopólio e capacidade de investimento em pesquisa de novos produtos e processos, o que leva à aprendizagem tecnológica. Aliás, a substituição de importações se apresenta como uma das maneiras alternativas de promover maior crescimento e aquisição tecnológica.

De outra parte, a substituição de importações não pode representar ruptura com a economia mundial, porque a substituição não se da de forma total. A realização de um desenvolvimento autônomo não exclui a necessidade de realizar novas importações, que contribuam para elevar o produto e a produtividade da própria economia. A característica básica do modelo consiste na flexibilidade e na capacidade de importar para obter maior número de produtos130.

List afirma que a industrialização constitui condição essencial para a maturação econômica e deve passar pelos estágios: agrícola, com importação de manufaturas; existência de manufaturas locais; importação de manufaturas estrangeiras; manufaturas locais suprindo a maior parte do mercado doméstico e, finalmente, grandes quantidades de manufaturas locais sendo exportadas131.

A crítica comumente feita ao modelo de substituição de importações se refere ao fato que a proteção à indústria nacional gera ineficiências no sistema econômico ao viabilizar projetos com altos custos médios e baixas taxas de retorno, o que dificulta o desenvolvimento de todas as firmas interligadas tecnologicamente, ao longo da cadeia produtiva.

Segundo List, a proteção deve ser essencialmente temporária e dada apenas àqueles setores com reais possibilidades de competitividade futura.

Além disso, nós entendemos que a substituição de importações leva à proteção da indústria em detrimento da agricultura, prejudicando as exportações. Diante de crises no balanço de pagamentos, as importações precisam ser restringidas ainda mais.

Outra crítica a este modelo diz respeito a concentração da renda, já que a substituição de importações leva à adoção de técnicas de mais alta relação capital

130

SOUZA, N. de J. de. Desenvolvimento econômico,op.cit., p.362 131

trabalho. Pelo teorema de Stolper-Samuelson132 pode-se observar que havendo pleno emprego, a imposição de uma tarifa sobre as importações diminui a produção de produtos exportáveis e eleva a produção de produtos antes importados. O aumento de produtos importáveis, produzidos internamente, desloca capitais do setor exportador.

A disputa por mais capital aumenta seu preço e tende a reduzir o preço dos fatores mais abundantes, no caso a mão de obra. Como conseqüência, aumenta a participação da renda do capital na renda global, em detrimento da participação da renda dos assalariados, aumentando o processo de concentração de renda133.

A expansão das exportações, no entanto, é o modelo mais representativo de crescimento econômico. No século XIX, países como Inglaterra, Estados Unidos, Japão e Canadá, cresceram tendo como carro chefe suas exportações.

A idéia fundamental da teoria da base exportadora é que o crescimento das exportações gera efeitos de multiplicação e de aceleração no setor de mercado interno, produzidos pelo efeito-renda e pelos efeitos de encadeamentos para trás e para frente, no processo produtivo, criando demanda por serviços, como transportes, financiamentos, comunicações, etc. Além da demanda de insumos domésticos pela indústria, agricultura e setor terciário, resultam ainda os efeitos sobre a demanda final, em função do crescimento da renda e do emprego.Os impactos das exportações sobre a produção doméstica se ampliam com o maior consumo interno, repercutindo uma vez mais sobre a renda, o emprego e o produto.

Os efeitos multiplicadores das exportações, sobre o mercado interno depende: a) da existência de capacidade ociosa;

b) do estoque de mão-de-obra disponível;

c) da disponibilidade de capacitação empresarial; d) da existência de infra-estrutura de transporte;

e) do envolvimento de insumos e de produtos de exportação com o setor de mercado interno134.

132

Teorema Stolper-Samuelson: Analisa os efeitos da tarifa sobre a distribuição de renda, entre os diversos agentes, que participam do comércio exterior. A tarifa faz com que os fabricantes nacionais mudem sua produção, aumentando a produção de bens anteriormente importados e diminuindo a de exportados. Assim, a tarifa irá beneficiar o fator capital que é escasso e fará que a renda do fator trabalho, que é abundante diminua.

133

SODERSTEN, B. Economia internacional. Rio de Janeiro, Interciência, 1979, p.332. 134

A teoria de base exportadora supõe que os mercados internos das regiões não são suficientemente grandes para manter elevadas taxas de crescimento e que o aumento da escala de produção das firmas pelas exportações reduz os custos médios, aumenta os lucros e os investimentos.

A expansão das exportações possibilita obter demanda adicional para a produção excedente de alguns setores. De outra parte, as exportações exercem efeito multiplicador sobre as atividades de mercado interno similares aos dos investimentos e dos gastos públicos.

Outro argumento em favor da base exportadora é a subutilização interna de recursos, como terra, mão-de-obra, recursos naturais, o que permite o aumento das exportações no curto prazo, sem reduzir a oferta para o mercado interno.

Krueger observa que uma das razões do sucesso dos países altamente exportadores é a que essa orientação ao exterior, na qual muita concorrência, impõe um conjunto de restrições, obrigando a uma severa disciplina na condução da política econômica.

Maior abertura para o comércio exterior, favorece a competição, permite a especialização e o surgimento de economias de escala, o que reduz as indivisibilidades, expondo rapidamente os erros de política para correção135.

O modelo que tem o comércio exterior como setor líder torna a economia mais dependente de eventos do mundo exterior, mas a torna menos dependente do equilíbrio interno.136 O crescimento liderado pelas exportações consiste em uma estratégia de desenvolvimento de longo prazo, que advoga a integração completa à economia internacional. Para os economistas que defendem este ponto de vista, a demanda internacional é considerada altamente elástica e permite uma fonte confiável de crescimento sustentado. A forma que os países em desenvolvimento tem para ingressar nos mercados mundiais, é seguir os sinais das vantagens comparativas, de modo a explorar custos mais baratos. Tal estratégia exige limitações à intervenção do setor público e um alinhamento correto dos preços. As taxas de câmbio não podem ser sobrevalorizadas, como acontece inevitavelmente quando há proteção a importações. As taxas de juros precisam ser positivas em termos reais, e não negativas, e não devem subsidiar a industrialização voltada para a substituição de

135

KRUEGER Apud SOUZA, N. de J. de. Desenvolvimento econômico. op.cit., p.354. 136

importações. Os salários reais devem ser determinados pela competitividade internacional e não por decreto, e é comum que os problemas de balanço de pagamentos decorram de reivindicações salariais excessivas137.

Uma crítica à teoria da base exportadora são as flutuações conjunturais externas, internalizadas pela falta de diversificação das exportações, bem como dos mercados.

Os efeitos de encadeamento das exportações aumentam ou reduzem o emprego e a renda no setor de mercado interno. No Brasil, o café gerou a industrialização, mas também internalizou crises periódicas cíclicas, como no início da década de 1930.

O que explica o baixo nível de renda per capita do Brasil, em 1950 (US$ 224), era a fraqueza extrema de sua base exportadora entre 1780 e 1850, como revela Furtado,

“não conseguindo o Brasil integrar-se nas correntes em expansão do comércio mundial, durante essa etapa de rápida transformação das estruturas econômicas dos países mais avançados, criaram-se profundas dissimilitudes entre seu sistema econômico e os daqueles países”138.

O crescimento pelas exportações não consiste em um caminho universal para o sucesso, já que nos defrontamos para começar, com a falácia da composição tão freqüente nos argumentos econômicos. Se todos os países em desenvolvimento tentassem seguir a estratégia ao mesmo tempo, a concorrência resultante reduziria os ganhos de todos.

No fim da década de quarenta, alguns países da América Latina e da Ásia adotaram um modelo de crescimento por substituição de importações.

A industrialização foi implantada e o mercado interno fortemente protegido.Após alguns anos de experiência, países como a Coréia do Sul e, de certo modo, mais tarde o Brasil adotaram um modelo misto, continuavam com a substituição de importações, mas promovendo e diversificando exportações; outras economias mantiveram-se fechadas, como a Índia e a China até 1978.

Em 1964 o Brasil iniciou o processo de abertura, com o lema “exportar é a solução”. Os economistas do PAEG entendiam que a proteção de mercado e o processo de substituição tinha ido longe demais.

137

FISHLOW, A. Desenvolvimento no Brasil e na América Latina: uma perspectiva histórica. São Paulo, Paz e Terra, 2004, p.222.

138

Inicia-se um outro período de industrialização para fora com a participação de exportação de pequenas manufaturas. No período, dos anos 1960 para 1970, as exportações de produtos manufaturados desempenharam um papel relevante, ao viabilizarem novas importações de bens de capital e ao exercerem impactos importantes no mercado interno.

A composição das exportações mudou significativamente: os produtos primários constituíam 80,6% das exportações totais entre 1947 e 1951 e 67% em 1973. Os produtos industrializados, que formavam 18% das exportações totais, em 1957 e 1961, subiram para 30% em 1973139.

A abundância de recursos naturais do Brasil e a extensão de sua agricultura explicam, em parte, a maior participação de produtos não manufaturados nas exportações totais.

O outro fator se refere ao fato das multinacionais dominarem os setores de tecnologia mais sofisticada para a exportação. Essas empresas, estando instaladas em vários países, não estão interessadas no mercado externo, mas no mercado nacional.

Esse fato dificulta a aprendizagem tecnológica, segundo Bruton 140 o Brasil não teria aprendido o suficiente para que as empresas de substituição de importações se tornassem exportadoras no final dos anos de 1980, pois existe uma grande dependência de tecnologia estrangeira. Nesse sentido o modelo brasileiro não se assemelha ao modelo asiático de constante aperfeiçoamento tecnológico.