III. ARAŞTIRMANIN KAYNAKLARI
2. MU’DAL HADİS TANIMI, ÇEŞİTLERİ VE HÜKMÜ
3.2. KÜTÜB-İ SİTTEDEKİ MU’DAL HADİS ÖRNEKLERİ
3.2.2. Sünen-i Erbaa’da Geçen Mu’dal Hadisler
3.2.2.5. Kütüb-i Sittede ve Sünen’lerdeki Mu’dal Hadislerle İlgili Genel
Neste tópico, buscou-se analisar o poder decisório e de negociação da beneficiária do PBF no âmbito público, a saber: nos espaços de comércio e bancário e nos espaços políticos, antes e depois do ingresso no Programa Bolsa-Família. Para tanto, foram feitos alguns questionamentos para se identificarem fatores de empoderamento no contexto das beneficiárias das famílias pesquisadas, como a seguir explicitados: poder de negociação para acesso ao comércio e ao crédito; poder de negociação para acessos bancários; poder para decidir por si só; e poder de participação em processos políticos.
Buscou-se identificar se houve empoderamento da beneficiária em relação ao poder de negociação para acessos ao comércio e ao crédito. Nesse sentido, perguntou-se, inicialmente, para a beneficiária se anteriormente ao ingresso no Programa Bolsa-Família ela tinha condições de negociar o acesso ao crédito e ao comércio e se, após a admissão, foram-lhe permitidas melhores condições para esse acesso. Os dados do Quadro 48 (Apêndice 4) mostram que 56,25% das entrevistadas, respondendo por 90 famílias, afirmaram que já possuíam poder de negociação no comércio, com crédito na praça, anteriormente ao seu ingresso no PBF, persistindo essa situação após o ingresso. Para 68 beneficiárias, representando 42,5% da amostra, entretanto, foi afirmada a inexistência de poder de negociação no comércio anteriormente ao ingresso no PBF, persistindo essa situação após o ingresso, por vários motivos: preconceitos de outrem em relação à sua condição social, baixa renda do PBF e dependência de amigos e parentes. Para outra beneficiária, o seu poder de negociação, tanto antes quanto depois do ingresso no Programa Bolsa-Família, está restrito aos locais de comércio onde já a conhecem. Apenas uma beneficiária relacionou o seu atual maior poder de negociação no comércio ao ingresso no Programa. Segundo ela, a renda recebida pelo Programa possibilitou-lhe maiores acessos de crédito no comércio e, via de consequência, adquirir bens de consumo. Esses resultados seguram que a renda do PBF não possibilitou, por si só, acréscimo positivo de auxílio nas relações de poder de negociação e acesso ao crédito no comércio após o ingresso da família beneficiária no Programa.
Buscou-se também analisar se houve empoderamento da beneficiária, medido a partir de maior poder de negociação nos acessos bancários, sendo apurado (Quadro 49 – Apêndice 4) que, em 76 domicílios, representando 47,5% do universo
amostral, o ingresso do Programa não trouxe nenhuma alteração em seu cotidiano, pois já teriam poder para negociar acessos bancários, anteriormente. Também, para 1,88% das famílias entrevistadas, equivalendo a 83 domicílios, foi diagnosticado que não tinham acesso bancário antes do ingresso no Programa Bolsa-Família, cenário que não mudou após sua admissão no Programa, por variados motivos: falta de renda, preconceito pela sua condição social por parte dos bancos e baixo valor do beneficio. Foi verificado que apenas uma beneficiária, que, em razão da renda do beneficio, passou a negociar e ter acessos bancários após o ingresso. Sugere-se, pelo achado, que o recurso do Programa trouxe irrisória mobilidade quanto ao poder de negociação de acessos bancários, não sendo considerado neste estudo como elemento empoderador para a beneficiária.
Buscou-se, também, analisar se as beneficiárias do PBF se sentiam em condições de tomar decisões por elas mesmas e se, em alguma medida, o Programa tinha-lhe possibilitado maior autonomia e poder decisório. Nesse sentido, buscou-se investigar e entender a questão nos seguintes termos: antes do ingresso no Programa Bolsa-Família, a beneficiária tinha a possibilidade de decidir questões por si só? Ainda, buscou-se compreender se após o ingresso no Programa Bolsa-Família houve melhorias em relação ao empoderamento. Diante desses questionamentos, foram apuradas as respostas e constatados sete grupos de respostas, conforme dados do Quadro 50 (Apêndice 4). Apurou-se que, em 36 domicílios, representando 22,5% da amostra, as beneficiárias afirmaram que, antes do PBF, já tinham poder para decidir por si sós e que, por isso, não necessitavam da assistência de terceiros. Foi verificado que 102 beneficiárias, representando 63,75% do universo amostral, mesmo após o ingresso no Programa Bolsa-Família e tendo acesso direto à renda do beneficio, não passaram a ter poder para decidir por si sós, continuando na mesma situação anteriormente delimitada, pelos seguintes fatores: sempre dependeram do marido para as questões do cotidiano e que poderiam, apenas em alguns aspectos, decidir sobre aspectos do lar; que nunca tiveram poder para decidir nada sozinhas e que dependem totalmente da afirmação do marido; ou que sempre dependiam e continuam a depender de terceiros em decisões a serem tomadas no seu cotidiano. Noutro aspecto, três entrevistadas (1,88% das entrevistadas) relataram que anteriormente ao ingresso no PBF, enquanto casadas, era o marido quem
Para 18 domicílios, equivalendo a 11,125% dos lares, a beneficiária somente passou a ter domínio e poder de decisão nas questões cotidianas, porque se separou do companheiro. Verificou-se, finalmente, que apenas uma beneficiária, após o ingresso e com a renda proporcionada pelo Programa, passou a decidir com mais veemência as questões domésticas, especialmente no que tange à direção a ser dada aos gastos alimentares com o valor de beneficio. Restou apurado que, na questão de empoderamento das beneficiárias, o PBF não tem trazido beneficio sobre o poder de decisão no seu cotidiano, pois o único caso apurado nesse sentido se referia, de forma especial, apenas na direção dos gastos alimentares. Esse resultado demonstra a perpetuação da situação de desigualdade dentro do ambiente privado e que o recurso do Programa Bolsa-Família não trouxe, por si só, empoderamento da beneficiária, como apurado nesta pesquisa.
No campo político, no processo de empoderamento tem-se um melhor aprofundamento da democracia. Isso possibilitaria a ampliação da cultura política e, consequentemente, da possibilidade de aumento da participação popular. Via de consequência, determinaria um leque de conquistas em termos de ampliação do direito a voz e vez para o autodesenvolvimento de seus atores. Dessa forma, sendo importante fator de demonstração de empoderamento, buscou-se interpretar junto às beneficiárias as condições anteriores e posteriores ao ingresso no Programa Bolsa- Família, quanto às possibilidades em participar de processos políticos, como voto e debates e quais os resultados desse elemento na sua vida cotidiana. Para tanto, após os questionamentos, foram levantadas as respostas, conforme mostrado no Quadro 51 (Apêndice 4), constatando-se que 146 beneficiárias, representando 91,25% da amostra do universo da pesquisa, anteriormente ao ingresso no Programa Bolsa- Família, apenas participavam de eleições com seu voto, não participando de nenhum debate e nem acompanhando essa situação. Assim, decidiam por si sós em quem votar, não contando com determinação de terceiros, nesse sentido, por diversos motivos: não gostavam da política; porque é obrigatório; e descrença na classe política. Foram identificadas três beneficiárias, equivalendo a 1,87% do universo amostral, que teriam anterior poder de decisão, nesse sentido, sendo filiadas a partidos políticos (Partido dos Trabalhadores, Partido Democrático Trabalhista e Partido Trabalhista Brasileiro), participando de eleições e debates políticos diversos, mantendo o seu poder de decisão após o ingresso no Programa. Igualmente, outras três beneficiárias (1,87%), apesar de não serem filiadas a partidos políticos, já teriam
participação em eleições como eleitoras e participantes de debates políticos, tendo poder de decisão pessoalmente sobre esses aspectos, sem alteração após o ingresso no Programa Bolsa-Família. Ainda, outras quatro entrevistadas, equivalendo a 2,5% das famílias pesquisadas igualmente, participavam de eleições e debates políticos diversos anteriormente ao ingresso no programa. Porém, a decisão de voto se daria conforme a orientação do MST, e, mesmo com ingresso no Programa, seguia essa orientação, não havendo demonstração de empoderamento pessoal, nesse sentido. Finalmente, quatro entrevistadas (2,5%) somente votavam conforme a determinação de orientação de seus companheiros, não participando de debates políticos, tanto antes quanto posteriormente ao ingresso no PBF. As entrevistadas ressaltaram que não queriam, ainda, modificar essa situação, pois, assim, não retirariam o respeito ao companheiro. Nota-se, pois, que enquanto política pública que pretende trazer emancipação social, o Programa Bolsa-Família não trouxe nenhum beneficio no aspecto de trazer empoderamento político às beneficiárias, conforme os resultados indicados. Talvez, pela ausência de ações complementares, haja grande lacuna, nesse sentido.
Da mesma forma, e como importante componente dos objetivos do Programa Bolsa-Família, tem-se que as oportunidades educacionais pela participação da beneficiária e sua família em cursos e programas de formação, capacitação e acesso ao mercado de trabalho poderiam trazer ações de empoderamento não apenas para a própria beneficiária, como também extensivas à sua família. Nesse aspecto, buscaram-se, também, elementos que pudessem estabelecer o fornecimento e a apreensão dos resultados para a beneficiária e de sua família, pela sua participação em cursos e programas de capacitação e acesso ao mercado de trabalho. Porém, como apurado neste estudo, não houve o fornecimento de cursos ou ações complementares ao Programa no município de Bambuí, nesse sentido. Como verificado, fica evidenciada uma grande lacuna por parte da administração pública municipal em não proporcionar esses cursos e ações, necessários para a formação de processos de autonomia, inclusão social e de empoderamento não apenas da beneficiária, mas também de seus familiares. Nesse contexto, a administração pública contribui para a permanência da condição de pobreza das famílias beneficiárias.