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1.2. Tarihsel Süreçte Mekan Kavramının Değişimi

1.2.4. Küreselleşme Döneminde Mekan

1.2.4.2. Küreselleşmenin Mekan Üzerindeki Etkisi

Pensamos se uma conclusão é suficiente para condensar as percepções de como o trabalho voluntário opera na educação espírita, vivida pelos sujeitos do Grupo Mãos à Obra, que atuam no Pólo de Divulgação Espírita Bezerra de Menezes.

Constatamos através desta pesquisa que, no mundo do trabalho voluntário os sujeitos humanos, em suas relações e ações coletivas produzem saberes essencialmente da ordem da existência (“saberes de vida”). Vimos que estes saberes são eminentemente relacionais, e surgiram a partir das práticas refletidas e coletivizadas, vividas entre os componentes do Grupo Mãos à Obra.

Percebeu-se a necessidade de articulação dos saberes do trabalho profissional de cada um dos voluntários, junto a suas inserções sociais nesta ação coletiva. No entanto, o saber da existência, relacional por excelência, percebeu-se que situa o sujeito em outro lugar para olhar a si mesmo, quando esta experiência de si foi abordada comportando a dimensão espiritual, na perspectiva espírita.

Concluiu-se que há aspectos chaves trazidos aos sujeitos que se educam mediante a experiência no trabalho voluntário, quais sejam: que os percursos de autoconhecimento das pessoas, que ele implica, se dão na ação concreta e que assim a reflexão não se separa da ação em curso. Viu-se que este percurso de autoconhecimento, gerado no trabalho voluntário não é, pois, contemplativo e não se queda na passividade, mas exercita sua sensibilidade perante o próximo e as situações de sofrimento social. Vimos, permeando todo este campo de ação, que envolve o trabalho voluntário, que este é uma experiência que implica novo olhar epistemológico ao sujeito da educação, que é um ser espiritual que possui uma dimensão espiritual.

Compreendermos o sujeito dessa forma mais integral, impulsiona o sujeito a conhecer seus sentimentos, em contextos relacionais precisos. Desse modo, compreende-se que o trabalho voluntário considera a dimensão afetiva, além da cognitiva, da éticomoral e a do fazer, este fazer, então, visto e tomado em outra moldura que não seja a que reitera a razão instrumental, mas põe em foco um fazer que reinventa o sujeito, humanizando-o no trabalho.

Constatou-se que a aproximação para com a dor do outro e o sofrimento social, na prática solidária vivida com o trabalho voluntário espírita, ao alimentar-se do diálogo com a prática mediúnica (que inclui os âmbitos vibratórios em conexão), pode ser formadora, uma vez que é uma forma de ação prática e coletiva.

170 aos contextos do capitalismo, desse modo ajudando a compreensão dos sentidos do trabalho, uma vez que lida com saberes eminentemente relacionais, o que possibilita ofertar elementos para a construção de uma nova cultura do trabalho e de uma sociedade de novo tipo. Ao aumentar a horizontalidade das relações, nas práticas com foco na solidariedade juntos às populações dos assentados que residem junto ao Pólo Bezerra de Menezes, constatou-se que a fenomenologia mediúnica dialogava com a figura do Médico dos Pobres e com a experiência de cada um.

Através desta investigação, nesta escuta aos trabalhadores voluntários do Grupo Mãos à Obra percebemos como tais integrantes, ao fazerem suas leituras de si, no curso do trabalho voluntário, perceberam-se em transformações mediadas pelos saberes da dimensão espiritual. Assim é que passam a valorar gratificações intangíveis e inegociáveis, em confronto com a lógica da mercadoria, alcançando outra lógica solidária.

Examinando as transformações dos sujeitos da pesquisa, com base essencialmente nos relatos colhidos (nas Biografias Educativas, assim como também nos Ciclos Reflexivos) verificamos, também, que o trabalho voluntário, experienciado pelo Grupo Mãos à Obra, possibilita a consolidação do aprendizado dos ensinamentos espiritas, sobretudo no lidar com a fenomenologia mediúnica.

Na verdade, o trabalho voluntário, quando possui a característica de ser uma prática refletida, proporciona ao sujeito uma maior escuta de si, uma vez que o coletivo assume dimensões afetivas, ético-morais, sociais e espirituais, convocando o sujeito a transformações de natureza multidimensional.

O fato de se caracterizar por maior horizontalidade nas relações, e conceder aos sujeitos partícipes do trabalho maior poder de reflexão e decisão coletiva, interfere nos meios e fins das ações feitas, proporcionando uma experiência coletiva em trabalho, mais humanizadora.

Viu-se que a dimensão politica, na história dos assentados que vivem junto ao Pólo, nos traz uma historia de luta por terra e por questões especificas dos povos moradores de barragem, que constituem saberes solidários de inegável valor. Esta construção da luta das populações com as quais lida o Grupo Mãos à Obra, que atua junto ao Polo de Divulgação Espírita Bezerra de Menezes, compõe uma memória de esforços coletivos. Acrescenta-se, contudo, pelo que vimos nesta pesquisa, que a solidariedade quando já conquistados os territórios dos assentados, precisa ser reavivada. E assim é que se percebeu nesta pesquisa que a solidariedade foi reacendida pelas relações e pelas realizações vividas no trabalho voluntário. Uma solidariedade que observou-se assentar-se em dois pilares básicos:

171 - A educação espírita, compreendida como ideário que alimenta a dimensão espiritual dos participantes do Grupo Mãos à Obra, em sua relação com os assentados, no contexto do Pólo acima referido;

- E o prisma da caridade, do modo como é compreendida pelo espiritismo, e convocada, no caso em estudo, pela referência magnânima do Médico dos Pobres Dr. Bezerra de Menezes.

Como achado importante tambem destacamos a caridade como processo de autoconhecimento e de autotransformação do trabalhador, com base no seu aprendizado que fora mediado pela ação/reflexão/ação em torno das atividades desenvolvidas no trabalho voluntário.

Constatou-se, ainda, que o trabalho voluntário recria a esperança dos sujeitos, mediatizada pela ação solidária. Quando vinculado ao pensamento espírita, vivido como fonte reflexiva, mantenedora da ação solidária, o trabalho voluntário resulta por auxiliar a real compreensão do espiritismo na vida.

Neste contexto, entende-se que o trabalho voluntário sedimenta a educabilidade do sujeito que, ao realizar ações coletivas concretas e solidárias, fazem um percurso reflexivo capaz de colocá-los como sujeitos de sua própria história. Também, ao proporcionar uma base reflexiva permanente, que se vincula às ações junto ao sofrimento pessoal e social, executadas no trabalho voluntário, o movimento de transformação das pessoas adquire contornos específicos, por aprofundarem-se com o estudo e a prática da fenomenologia mediúnica, alicerçada na Doutrina Espirita.

Todo esse percurso de compreensão da Educação, que nesta pesquisa observamos mediatizado pelo trabalho voluntário do Grupo Mãos à Obra, impulsiona-nos a considerar fundamental adentrarmos, hoje, mais conscientemente, na reflexão sobre o Paradigma do Espírito, que propõe o sujeito humano como ser espiritual – e esta conclusão nos remete à tarefa de aprofundar estudos neste sentido.

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