BÖLÜM 1: GİRİŞ
1.2 Küreselleşme ve İmalat Sanayi
Nesta análise, busquei desvelar a interação entre as professoras e seus discentes, contemplando, com o leitor, o universo de sentidos deixados por esses participantes, dada a fulgência das vibrações sutis que os moviam. Procurei, igualmente, não desfigurar as irradiações deixadas na materialidade lingüística dos autores dessas vivências, embora tivesse consciência de que meu olhar tomou determinados caminhos, hábeis em ditar os contornos desta tese.
Como foi indicada ao longo da análise, uma das peculariedades detectada no discurso das professoras foi a maneira pela qual elas nomeiam a si e aos outros participantes da interação. Essa designação dos nomes tem a finalidade de individualizar as mensagens e de oferecer apoio emocional. Além dessa, a professoras recorrem ao uso dos pronomes como forma de marcar sua subjetividade.
O discurso das professoras parece ser caracterizado principalmente pelo papel de fala (Halliday & Matthiessen, 2004) comando e resposta. Este fato pode ser detectado nas funções discursivas (monitorar, perguntar e avaliar) que, juntas, reforçam o papel de fala de comandar e de responder.
A monitoração no discurso das professoras se apresenta por meio de formas declarativas com o intuito de organizar a participação social no curso. Não bastante, supre os discentes de informações relevantes para sua sobrevivência no curso on-line.
As perguntas, por sua vez, parecem ter a função de confirmar momentos de incompreensão dos enunciados dos discentes e estimulá-los à participação. Já as avaliações ofertadas pela professora, têm como finalidade sinalizar para os discentes que a docente está compreendendo as ações que estão sendo desenvolvidas e, ao mesmo tempo, reforçar o grau de motivação com afirmações positivas.
Essas escolhas, no plano da função discursiva, parecem estar relacionadas com a pouca experiência dos discentes em sala de aula digital. Aliás, esse fato pode ser o elemento que modela todo o discurso das professoras e dos professores-alunos, de tal forma que muitos discentes percebem essa ação de monitoramento como preocupação afetiva das professoras, a exemplo do que demonstramos a seguir.
P1 era mais afetiva, parece que ela tinha mais... apesar de ser pela máquina, uma aproxima/ uma aproximação com... (aluna M, 10/05/2004).
Como visualizamos nesse extrato, alguns discentes percebiam a importância de constante manifestação e orientação da professora. Isso era traduzido como expressão de atenção e carinho. Aliás, a preocupação com a natureza da afetividade dos alunos, em ambiente de aprendizagem a distância, parece ser consenso entre o professores dessa modalidade de ensino. Diversas pesquisas (Garrison & Anderson, 2003; Santi, 2004; Martins & Batista, 2005) advogam a necessidade de elementos afetivos na interação em sala de aula on-
line. Essa questão também pode ser revelada pelo testemunho de P1, visto a
seguir.
(...) e onde as pessoas se sintam bem... Depois e tento ver quem tá, realmente, perdido no curso e tentar entender porquê que eles se sentem perdidos no curso. Alguns se sentem muito desconfortáveis...eu acho que eu sou muito detalhista. (P1, 10/04/2004).
Essa vontade de os alunos se sentirem confortáveis nas aulas parece mover as escolhas léxico-gramaticais da professora, apesar de admitir o caráter prolixo de seu discurso. Com isso, P1 procura disponibilizar ações que confirmam atitudes manifestadas em sua opção lingüística.
Como percebemos, há forte característica de presença de ensino (Garrison & Anderson, 2003:64) no discurso dos professores observados. Isso ocorre porque o papel fundamental dos professores é gerenciar, organizar, facilitar as instruções ofertadas. Dessa maneira, os professores procuram guiar seus discentes nas práticas sociais dos cursos on-line. Podemos levantar, por meio dessas escolhas lingüísticas, que os professores procuram conduzir seus discentes para a cultura digital, recorrendo a estratégias que podem facilitar a entrada desses novos participantes para o universo do curso a distância.
Por último, após essa análise, podemos caracterizar um padrão discursivo que foi levantado nas mensagens das professoras com os professores-alunos. De modo geral, todas elas se apresentam como podemos vislumbrar no quadro a seguir19.
Fase de Iniciação Fase de instrução (elaboração das tarefas) Fase de Avaliação
P
P solicita →A acata
P solicita → A cria outro tópico →P solicita →A acata P solicita → A cria outro tópico →P acata
A solicita → P acata
P
Quadro X - Organização do movimento interacional dos professores com os professores-alunos no Programa
Teachers’Links.
Nesse quadro, percebe-se um movimento interacional que ocorreu em três fases: inicial, instrucional e avaliativa. A primeira e a terceira fase são regidas principalmente pelo professor, que introduz e avalia as instruções necessárias para a elaboração das tarefas. Por outro lado, a segunda se caracteriza pela interação entre professor e aluno. Nessa fase, curiosamente, encontramos quatro movimentos interacionais entre os participantes. No primeiro, a professora solicita a participação dos professores-alunos. No segundo, a professora solicita e os discentes realocam as atividades, criando outro tópico que provoca ações de reorganização interacional por parte da professora, no sentido de continuar o assunto proposto, sendo aceito pelos discentes. Quanto ao terceiro, a professora solicita ações, os professores-alunos propõem novo tema, que é aceito pela professora. Por último, os professores-alunos entreabrem novos assuntos, acatados pela professora sem questionamento.
As professoras podem franquear, em alguns casos, que a relação assimétrica, entre o professor e o aluno, seja momentaneamente amenizada, assinando um discurso escolar, mais próximo da informalidade, semelhante aos enunciados em contextos não educacionais. Essa relação mais “simétrica” talvez contribua para que os professores-alunos possam se envolver com o curso e, paulatinamente, viver experiências diferentes do habitual.
Entretanto, a imagem social, que possuímos sobre o que é um professor não é alterada nos cursos, apesar de as professoras favorecerem uma relação mais solidária, em alguns momentos, entre ela e seus alunos. As obrigações
sociais de um professor estão principalmente na organização das tarefas de sala de aula e nas suas avaliações.