4.1. Kümes Atıklarının Fiziksel Karakterizasyonun Belirlenmesi
4.1.4. Kümes atıklarının enerji değeri
A identificação do conflito entre dois povos apareceu, sempre, na parte da VE destinada a manifestar o que foi entendido do texto. De maneira geral, os alunos puderam estabelecer uma relação entre a carta e seus conhecimentos de mundo; parte dos alunos inclusive manifestou que saber algo sobre esse conflito facilitou a leitura, outros (notadamente as VEs 6 e10) que não dispor de quase nenhuma informação a respeito dificultou a leitura, finalmente, outros mobilizaram esses conhecimentos para colocar-se em relação ao texto, manifestando sua indignação ou neutralidade em
relação à narrativa. De qualquer forma, o esquema “conflito árabe- israelense” foi acionado.
No conjunto das VEs, observa-se uma síntese dos acontecimentos narrados. Essa síntese também traz sempre a informação de que se trata de uma carta escrita por um pai a seu(s) filho(s) (alguns presumiram que a letra –s da palavra “fils” é uma marca de número). A maneira como tal síntese foi efetuada, entretanto, não foi uniforme. De maneira geral, todos identificaram os atores, o conflito existente entre eles; alguns apontaram para uma eventual solução para a narrativa; outros colocaram-se pessoalmente em relação ao conflito. Para fazer a síntese, outros ainda se valeram do recurso de traduzir partes do texto.
Classificamos as diferentes sínteses em três grandes grupos: sínteses de natureza mais factual, informativa; sínteses críticas, na qual o aluno sai do universo textual, fazendo referências ao contexto desse conflito nas quais faz uso de seus conhecimentos de mundo, chegando até, em duas VE, a manifestar sua posição pessoal face ao conflito árabe-israelense, e sínteses que relatam não só o objeto da carta, mas como a narrativa foi construída.
Observa-se que todos os alunos dominaram bem o macroprocesso de compreensão global do texto. Mesmo na síntese mais sucinta (e relativamente incompleta), em que o aluno não se coloca, nem aponta qualquer outro aspecto referente à função da carta ou à maneira como se relaciona a seu conhecimento de mundo, os elementos mínimos para a compreensão da carta foram apontados:
O texto se trata de uma carta que um pai árabe escreve a seus filhos; ele narra e descreve uma invasão israelense, que ocorreu no vilarejo de Rafah, no nordeste do Sinai, lugar onde ele morava; ele diz que os israelenses, utilizando sua máquina sangrenta, invadiram e saquearam a casa do pai, tomando o pouco de coisas que lhe restava: sua terra, seu teto e três amendoeiras; além disso, os israelenses deixaram muitos feridos e mortos nesse povoado árabe, o que deixou o restante dos habitantes sem nenhuma garantia, cheios de medo e sem esperança; o pai diz que o que sobrou para ser a bagagem foi apenas um saco de farinha e um pouco de azeitonas; tamanha foi a violência dos invasores inimigos; o que entendi foi basicamente isso. (VE 14)
Na VE acima, identifica-se uma vontade de informar a razão pela qual o pai escreve a seu filho. Se houvéssemos perguntado “quem?”, “para quem?”, “por quê?”, “onde?” e “quando?”, todas as respostas teriam sido respondidas.
Assim como essa VE, outras seguem o mesmo caminho atendo-se à parte dos fatos narrados na carta; algumas VE trazem certas incompreensões do texto. Uma das mais freqüentes é não relacionar a construção da nova cidade (Yamit) à ação israelense, sendo que, na carta, a destruição da aldeia é justificada por essa modernização pelos e para os israelenses: “On dit que cette terra s’élèvera une ville moderne”. Como vimos, o emprego dos pronomes pessoais “nous” e “on”, no texto, representam grupos antagônicos. Em algumas VE, relaciona-se a esperança do pai à modernização da aldeia como uma possibilidade de resolução do conflito:
(...) Fala que não está mais triste, tem esperanças de que aquele lugar futuramente será uma vila moderna. (VE 10)
(...) ainda tem esperança de ver sua pequena cidade se transformar em uma cidade moderna com belas avenidas e que tudo o que aconteceu não será esquecido (...) (VE 11)
Predomina, entretanto, a percepção de que não se trata da modernização da aldeia, mas sim da construção de uma nova cidade no lugar, que não se destina aos árabes, o que revela uma boa compreensão tanto do emprego do pronome “on”, quanto de sua função no texto de reforçar o conflito entre “nós” e ”eles”:
(...) Revela que disseram-lhe que a vila vai ser um lugar de homens vindos de longe, de judeus vindos da Rússia.(...) [grifo nosso] (VE 5)
Outro aspecto que gostaríamos de destacar no grupo de sínteses mais factuais é que elas levantam dúvidas diretamente relacionadas aos “problemas de leitura” constituídos no texto, revelando, assim, o domínio dos processos metacognitivos de perda de sentido:
• como está o cara agora, se está vivo ou morto.
• e se o filho mora na cidade que foi construída no lugar. (VE 21)
Se o filho para quem o pai escreve faz parte do lado que ataca seu pai. (VE 6)
Um segundo grupo de VEs faz uma síntese na qual ressalta os objetivos pragmáticos do escritor/narrador (nem sempre a distinção entre essas duas instâncias está clara no texto):
Acho que o texto, a partir do segundo parágrafo, é uma espécie de mensagem de um líder árabe, falando sobre as atrocidades ou crueldades cometidas por Israel. E, no penúltimo parágrafo, acredito que “nouveaux propriétaires” quer dizer que os árabes é que são os verdadeiros donos da terra e com isso, o autor desta mensagem quer incitar o ódio contra os israelenses (VE 17)
De início, achava realmente que ele falava a seus filhos, depois percebi que era um discurso fundamentalista para a geração futura. (VE 1)
Nesse grupo de VEs, dois textos chamam nossa atenção pela forma que se posicionam face à narrativa, mostrando ou um distanciamento crítico em relação ao discurso do pai, apontando para sua parcialidade ou uma adesão a esse discurso que reFLEte, a nosso ver, a própria posição de sua autora face ao conflito. Chamou nossa atenção a capacidade de identificar a focalização da narrativa, pois ambas conseguem inscrever o narrador em relação a sua coletividade embora nenhuma distinga o escritor do narrador.
Através deste texto, o homem põe em enxerga os problemas milenarios entre Israel e Palestina e como o povo não tendo culpa nenhuma, diante dos governantes animais, acaba sofrendo todas as consequencias (...) o autor, fazendo uso da metáfora, relata esta destrução de lares duma maneira perfeita. E a parte mais emocionante do texto foi quando ele chorou ao escutar que os filhos poderiam trabalhar para os futuros moradores (...) (VE 18)34
(...) esse assunto é bem polêmico, pois toda história tem “dois lados”e o
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autor contou isso do ponto de vista dele. Por isso deve-se analisar os “dois lados da moeda”antes de se tirar conclusões e “tomar partido” de alguma causa. (VE 11).
Um terceiro grupo de VEs traz, além da síntese dos fatos narrados, uma apreciação sobre a maneira como tal narrativa é construída. Nesse grupo, os alunos percebem que há algo no texto que escapa aos objetivos estritamente informativos de uma carta. Alguns atribuem uma intenção para essa forma de narrar, outros se encantam pelas imagens construídas, outros simplesmente recusam sua leitura por ser mais difícil, preferindo textos “técnicos e objetivos”.
O texto trata de uma carta que um pai escreve para o seu filho (...) O autor da carta utiliza uma linguagem poética e metafórica para relatar o conflito (...) (VE 5).
Uma carta enviada ao filho de um refugiado da cidade de Rafah; ele (o pai) usa metáforas para colocar sua situação e como a “poética” de uma guerra seria. (VE 12).
Convém ressaltar que entre as vinte e duas VEs, seis fazem referência explícita ao caráter literário do texto. Outros fazem comentam o uso da metáfora como um complicador da leitura. Passamos, então, ao próximo tópico no qual discutimos a maneira como os alunos lidaram com o caráter literário da carta.