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2.5 KÜME UYGULAMASI ÖRNEKLERİ

3.1.3 Kümeler ve İstihdam

Massini-Cagliari (1995) considera o padrão acentual do PB sensível ao peso silábico, da mesma forma que o latim e o português arcaico (PA). Na sucessão do tempo, o único item diferenciador desses três sistemas é o parâmetro referente à extrametricidade, em que o latim designa as sílabas como constituintes extramétricos, o PA elege os segmentos e o PB aceita ambos os constituintes.

O troqueu moraico, na visão de Massini-Cagliari (1995, p. 144), é o pé canônico do PB e sua escolha é baseada no fato de todas as análises que optam pelo iambo em algum momento precisarem fazer uso de troqueus mas a contrapartida não se verifica, ou seja, as análises que optam pelo troqueu como pé básico do PB nunca precisam usar o iambo por qualquer razão. Mais adiante discutiremos um pouco essa questão.

Além da extrametricidade, outros parâmetros são sumariados por Massini- Cagliari (1995, p. 174) e reproduzidos abaixo:

Sumário dos parâmetros do acento do PB Pé básico: troqueu moraico

1. Quantidade de sílabas por pé: binário 2. Dominância: esquerda

3. Sensibilidade à quantidade silábica: sim 4. Direcionalidade: direita para a esquerda 5. Regra final: à direita

6. Extrametricidade:

a. constituintes: segmentos e sílabas b. borda: direita

7. Pés degenerados: proibição fraca 8. Quantidade silábica: elementos da rima 9. Iteratividade: não-iteratividade

Para Massini-Cagliari, todas as palavras do PB se enquadram perfeitamente no molde de um troqueu moraico formado não-iterativamente da direita para a esquerda. Uma palavra como casa, por exemplo, forma um troqueu moraico constituído de duas sílabas leves: (x .)

Uma palavra como porta forma um troqueu moraico na penúltima sílaba, sendo a última considerada extramétrica: ( x )

(x) Por <ta>

As proparoxítonas, devido ao seu caráter ‘marginal’, são tratadas como exceções, mas se enquadram perfeitamente ao padrão moraico devido ao uso da extrametricidade: ( x ) regra final

(x .) Fo né ti <ca>

As oxítonas terminadas em sílaba pesada também se enquadram no molde moraico porque a teoria prevê a formação de um troqueu moraico composto por duas moras agrupadas em uma única sílaba, como em pomar (MASSINI-CAGLIARI, 1995, p. 149):

( x) (x) po mar ˇ ˉ

Quanto às oxítonas terminadas em vogal, a autora lhes dispensa o mesmo tratamento que o dado às oxítonas terminadas em consoante e aponta duas maneiras de encaixá-las nesse padrão: a primeira é a existência de uma consoante abstrata (C) emergente nas derivações, tal como postulado por Bisol (1992). Sobre a catalaxis nesse contexto, falaremos um pouco mais adiante, quando justificaremos nossa recusa por esse tipo de artifício morfológico.

A segunda alternativa, adotada pela autora, é considerar a vogal dessas oxítonas como bimoraicas, conforme a figura abaixo mostra (MASSINI-CAGLIARI, 1995, p. 149): σ O R N μ μ

C V

f ɛ café

A vogal é do exemplo acima ocupa duas posições no núcleo da sílaba, o que a torna uma vogal pesada. Massini-Cagliari (1995) sustenta sua proposta no fato de a distinção de duração perdida ainda na vigência do latim vulgar se refletir no nível fonético do PB. A evidência desse reflexo, segundo a autora, reside na assertiva de que “as últimas vogais das oxítonas terminadas em sílaba aberta têm uma maior duração do que as vogais tônicas de sílabas abertas em outras posições na palavra.” (MASSINI-CAGLIARI, 1995, p. 150)

Massini-Cagliari se apoia em vários estudos sobre correlatos físicos do acento português que investigam a duração das vogais acentuadas em contraste à duração das não acentuadas. Entre esses estudos estão os de Fernandes, Major, Moraes (1986), Delgado Martins e a dissertação de mestrado de Massini (1991), para quem o principal correlato acústico do acento do PB é a duração, fator responsável por caracterizar 90% dos casos analisados por aquela autora.

De acordo com a autora, esse reflexo foi possível devido a mudanças na forma de base das palavras portadoras de vogais longas. Como a própria autora admite, há um inconveniente em postular a realização de vogais longas no sistema do PB: Massini-Cagliari (1995) não explicou de que modo se processaram as mudanças na forma de base das palavras – a reanálise, termo que usa de empréstimo de Langacker – de tal forma a transformar vogais leves em pesadas.

Anos mais tarde, Sândalo e Abaurre (2007, p. 147) acrescentaram mais uma crítica ao trabalho de Massini-Cagliari (1995), alegando que não há uma justificativa plausível para a ocorrência de vogais longas apenas em posição final de palavras – a ausência de vogais longas é uma característica do PB e também das demais línguas românicas.

No latim clássico, as vogais se distribuíam em cinco abertas e cinco fechadas, sendo que as abertas eram sempre leves e breves, enquanto as fechadas eram também pesadas e longas. O latim vulgar simplificou esse sistema reduzindo as vogais a um total de sete, todas conservadas em português, como podemos ver no quadro abaixo:

Latim clássico Latim vulgar Português ă ā A a E é ĭ E ê Ī I i O ó ǔ O ô Ū U u

Quadro 1: Comparação entre o sistema vocálico do latim clássico, do latim vulgar e do português. Fonte: Carvalho e Nascimento (1974, p. 52)

Pelo quadro acima, a distinção quantitativa foi perdida e as vogais abertas, breves e leves, por um lado, e as fechadas, longas e pesadas, por outro, sofreram uma simplificação de modo que o primeiro grupo conservou a qualidade aberta e o segundo, a qualidade fechada.

A explicação que faltou ser dada por Massini-Cagliari foi como uma vogal aberta – necessariamente breve e leve – como a encontrada na sílaba final de café, por exemplo, se tornou longa e pesada, visto que essas qualidades eram ligadas às vogais fechadas e não às abertas. O movimento verificado em todas as línguas românicas foi o de simplificar, reduzir a quantidade para que as pesadas sejam leves e abertas ou fechadas. Portanto, o argumento de Massini-Cagliari (1995) se constrói numa direção oposta aos fatos observados nas línguas românicas e o PB não é exceção.