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1.2. Dil Öğretimi ve Yöntemleri

1.2.6. Kültürlerarası Bildirişim Odaklı Yaklaşım (KBY)

Como citamos, Verba (1999) delimita a tutela, no jogo de ficção, a partir da atividade mental presente e pela dinâmica das trocas sociais que dão sentido à atividade. Assim, a autora (op.cit) preocupa-se em descrever os diferentes processos sociais e cognitivos praticados nos jogos de ficção partilhados levando em conta as ligações entre as seqüências tripartites, criança -adulto- criança, que dão conta da transformação da atividade cognitiva.

Apoiada na perspectiva sócio-cognitivista, Verba (op. cit) analisa as dinâmicas interativas avaliando os encadeamentos das produções simbólicas entre adulto e criança que estão implicados aos diferentes modos de construção e partilha de significação simbólica nos jogos de ficção. Ao privilegiar as condutas comunicacionais do adulto que

promovem e mantêm a atividade simbólica das crianças como a modalização, a solicitação, a atribuição de significados aos dizeres e fazeres da criança, a facilitação da tarefa e, estabelece algumas modalidades de tutela, considerando desde a gestão relativamente autônoma da criança na brincadeira até á contribuição unidirecional do adulto:

a) sustentação da atividade: a criança faz as construções simbólicas , coordena as idéias e o adulto participa retomando a atividade.

b) co-elaboração: as contribuições do adulto e da criança são equivalentes e as significações são partilhadas ativamente e, ás vezes, negociadas.

c) direção-participação: o adulto propõe as idéias, controla e induz a criança na atividade.

d) direção estrita: constitui como forma de modalização da representação , o adulto propõe, atua e coordena as idéias de faz-de-conta. Criança participa como espectadora.

Como podemos perceber, as modalidades de tutela apresentadas por Verba, (1990) possibilitam analisar a conduta do adulto frente á criança na atividade de ficção. Podemos constatar que as modalidades apontadas pela autora ( op. cit) mostram, na dinâmica interativa, condutas do adulto e condutas da criança em relação á atividade simbólica. Desta forma, complementando esta noção, analisamos a posição discursiva do adulto nesta dinâmica interativa. Hudelot (1996) refere que a atividade do adulto em sua função de sustentar o discurso infantil, favorece a memória, a cognição, os aspectos afetivos e relacionais da interação. Reativando, explícita ou implicitamente, a memória da criança, o adulto auxilia-a a organizar seu discurso, mantendo uma boa relação interpessoal ao mesmo tempo em que exige uma resposta um pouco melhor.

Hudelot (1997) chama de desencadeadores os enunciados da criança que provocam a intervenção do adulto. Nesta perspectiva, não se considera o discurso da criança isoladamente e nem somente as atividades do adulto, mas uma tripla relação: conduta da criança - reação contingente do adulto - reação da criança. Desta forma, as intervenções, tanto da criança quanto do adulto, tomam sentido no contexto de modo a ultrapassar as intervenções locais.

Estas intervenções, como expõem Hudelot (op. cit) podem ser iniciativas, responsivas, reativas ou aditivas. Podem ser assimétricas, complementares ou

* Formulação pouco compreensível - demanda de reformulação –reformulação:

A criança faz uma formulação pouco compreensível , estabelece relações discursivas sem contextualizar ao adulto que então, solicita uma reformulação .

*

Mensagem atenta - reprise da colocação de palavras - aceitação ou concordância:

O adulto repete o turno da criança mostrando atenção e concordância.

*

Designação por um dêitico - pedido de denominação

O adulto solicita uma denominação da criança a partir da designação apontada pela criança ( ex: o que é.... ) .

*

Denominação ambígua - pedido de especificação:

A criança denomina um objeto, personagem ou ação e o adulto pede que especifique melhor .

*

Denominação – pedido de descrição:

A criança denomina um objeto, personagem ou ação e o adulto solicita que descreva.

*

Qualificação – pedido de justificação.

A criança designa, qualifica objeto, ação ou personagem e o adulto solicita que justifique.

Entre os desencadeadores de tutela do adulto, Hudelot (1997) ressalta o silêncio das crianças. Da observação geral dos dados coletados até então, percebemos que o silêncio, em certos momentos, indica a reflexão da criança em relação à tarefa a executar, e em outros, a sua não aceitação da proposição do adulto. O silêncio dos adultos também pode ser visto como desencadeadores, como por exemplo, ao indicar aceitação dos dizeres e

fazeres das crianças. Vale destacar que, a noção de desencadeador surge como um elemento importante na compreensão de que as propostas do adulto não são independentes

Hudelot (1996) distingue a posição do adulto na interlocução avaliando: o fato que o enunciado encadeia sobre si ou sobre o outro; a resposta suscitada do alocutor, a implicação direta pelo enunciado precedente e a avaliação de um enunciado implicando num encadeamento. Assim, os enunciados dos adultos podem assumir quatro posições no diálogo de acordo com seus interlocutores:

Posição O - o discurso do adulto está orientado na direção da tarefa, é independente

da criança. Segundo Melo (1998), é o lugar do enquadramento da tarefa ou da introdução de um tema novo.

Posição 1 - atenção ou antecipação - o adulto ocupa um lugar antecipativo

(preventivo). O adulto é pró-ativo. Predomina os enunciados interrogativos.

Posição 2 - o adulto retoma a fala da criança, esboça uma resposta e propõe seus

próprios códigos, explicitando a resposta da criança.

Posição 3 - posição em que aparecem as avaliações positivas ou negativas, as

reformulações parafrásicas, retomadas dubitativas, as solicitações de elucidação ou de confirmação, as solicitações de especificação.

A tutela é vista como um movimento discursivo, dinâmico, reflexivo, linguageiro. No contexto do jogo de ficção, a tutela está implicada na interlocução como forma de interpretar e favorecer a partilha de significação ou de intenções e negociações de proposições, elementos fundamentais para que o jogo possa se desenvolver. Como podemos observar, tanto Hudelot (1997) quanto Verba (1999) concordam que as condutas tutelares se apresentam em seqüências interativas em que, uma conduta da criança (simbólica, ou linguageira) desencadeia a próxima conduta do adulto. Complementamos a análise proposta por Verba (1990) avaliando a posição discursiva do adulto, proposta por Hudelot (1997) abordando assim os aspectos discursivos no jogo de ficção.

CAPÍTULO 4

Benzer Belgeler