2. BÖLÜM
2.4. Bellek ve Zaman
3.1.9. Kültürel Farklılıklarda Zaman
inviolabilidade da vasta extensão despovoada do interior pelo tamponamento eficaz das possíveis vias de penetração; 2 – impulsionar para noroeste da onda colonizadora, a partir da plataforma central, de modo a integrar a península centro-oeste no todo ecumênico brasileiro; 3 – inundar de civilização a Hiléia amazônica, a coberto dos nódulos fronteiriços, partindo de uma base constituída no Centro-Oeste, em ação coordenada com a progressão E.-O. Seguindo o eixo do grande rio. (Silva, 1967, p. 47-48) Grifos nossos.
Esta estratégia de integração do território, na visão do autor, aumentaria a capacidade de defesa diante de qualquer forma de ataque vindo das fronteiras.
A consolidação da idéia do Brasil com vocação sul-americana imbrica- se com a conjuntura da Guerra Fria e do desenvolvimento da noção de segurança nacional para combater os inimigos internos do Estado, isto é, comunistas e nacionalistas de esquerda. Silva (1967) celebra os princípios que orientariam a política de segurança das fronteiras do Brasil. Para o autor, a geopolítica consiste na:
Fundamentação geográfica de linhas de ação, ou melhor, a proposição de diretrizes políticas, formuladas à luz dos fatores geográficos em particular, de uma análise baseada nos conceitos básicos de espaço e de posição. (Silva, 1967, p. 17). Grifos do autor.
Espaço enquanto meio físico e a posição compreendida do ponto de vista da
localização no globo são elevadas a categorias científicas. Dessa forma o autor define cinco regiões estratégicas de defesa, onde a quinta é formada pela área geopolítica da Amazônia, esparsamente povoada e com uma vasta área descoberta militarmente. Daí sua idéia de inundar de civilização a Hiléia amazônica.
Por sua vez Mattos (1975), ao verificar as potencialidades geográficas e econômicas do Brasil, desenvolveu uma série de estudos baseados na idéia de que o País iria tornar-se uma grande potência.
A importância do Brasil no sistema mundial é evidente. Trata-se de uma nação continental e que possui um dos mais ricos e diversificados bancos genéticos do planeta. Conforme estudos realizados por relevantes institutos de pesquisas (Nascimento, 2005), na sua biodiversidade residem variedades de espécies biológica e vegetal. A posição de quinto em extensão territorial do mundo e quinto mais populoso (embora o 153º em densidade demográfica) taxa de 19,9%, de acordo com o Censo 2000, do IBGE, além de imenso
territorialmente e mais populoso da América Latina e fazendo fronteira com dez países16 ,
era natural que aqui se desenvolvesse um pensamento que pretendesse a projeção também continental e hemisférica do Brasil.
Ao estudar a mensuração da projeção continental e hemisférica do Brasil, Nascimento (2005, p. 122) aponta-nos:
Nela calculava-se o status de grande potência. Os números ilustrativamente, haja vista que são de domínio público, dão mais ou menos uma idéia do potencial dos seus haveres: Cobre 47,3% da América do Sul e ocupa uma área única e contínua de 8.547.403,5 km2, o Oceano Atlântico estende-se por toda a costa brasileira. Perfaz um total de 7.367 km de fronteira marítima; a população aproxima-se de 182 milhões de habitantes (dados do IBGE, em 2004); e com um dos maiores PIBs (Produto Interno Bruto) do mundo. Uma indústria moderna, complexa e diversificada, que alcançou o status de 8ª economia do mundo, mas que atualmente caiu para o patamar de 15ª no ranking. Essa economia tem uma poderosa agricultura, com destaque para a agroindústria.
Mattos (1975) na sua vasta carreira militar, teórica e praticamente, defendia que a geopolítica serviria a emergência do Brasil como grande Nação. Assim defende o projeto:
A apreciação dos atributos essenciais de potência selecionados por tantos estudiosos da ciência política e da geopolítica revela a nós, brasileiros, que possuímos todas as condições para aspirarmos a um lugar entre as grandes potências do mundo. Em termos de geografia temos um território de dimensões continentais, com imenso litoral debruçado sobre o Atlântico Sul e uma maior fronteira terrestre – 15.700 km confinando com dez países sul-americanos. A 16São eles: Argentina, Uruguai, Paraguai, Peru, Bolívia, Venezuela, Colômbia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa.
conquista e manutenção das condições de expansão econômico-social acelerada [...], preservando e difundindo o estilo de nosso povo, têm um preço – a segurança interna e externa. (Mattos, 1975, p. 72-73)
Todos esses atributos que conformam a nação nas dimensões social, política, econômica e ambiental, foram exaltados para fins políticos com diferentes propósitos ideológicos. Por outro lado, em termos estratégicos Miyamoto (1995, p. 17-18) argumenta que a geopolítica desempenhou papel de certo realce nas diretrizes governamentais, permeando a história nacional nas últimas décadas . O autor acrescenta o objetivo de tentar
mostrar que a ESG, com a DSN, intencionava preparar o Brasil realmente como uma grande potência, conforme estudamos anteriormente. Ele evidencia ainda que a geopolítica brasileira extrapolou o seu campo envolvendo-se não apenas em problemas de ordem geográfica, mas abrangendo concomitantemente os de caráter político e social, por meio, sobretudo, de estudos que focalizam a organização nacional.
2.1.1.1 - Ações Políticas na Amazônia para a Construção de um Estado Forte
A construção de um Estado forte era primordial para o Brasil aspirar ao status de potência no contexto internacional. Essa tese implicava uma política de integração que ligasse a Amazônia ao Centro-Sul do País. É neste contexto que a região amazônica é vista como espaço a ser redefinido de acordo com a lógica geopolítica de conquista e gestão, fruto
da DSN, vindo a tornar-se objeto de sucessivos planos regionais17. ALBERT (1992, p. 37)
afirma que esses planos traduziram-se numa “agressiva ocupação demográfica e
desenvolvimento econômico, enquadrada numa estratégia geopolítica de integração regional, elaborada nos anos 50 e começo dos anos 60 sob a influência da Escola Superior de Guerra”.
No âmbito militar, nesse contexto da década de 60, várias ações são executadas para garantir a sua presença. Nascimento (2005, p. 135) indica-nos:
Implanta-se, em Boa Vista (RR), o 7º Batalhão de Infantaria de Selva (1961). Em Macapá, o 3º Batalhão de Infantaria de Selva (1968); em Roraima, o 6º Batalhão de Engenharia de Construção (1969) e no Acre, particularmente no Município de Cruzeiro do Sul, o 7º Batalhão de Engenharia de Construção. E através do Decreto n° 63.975, de 10/01/1969, o governo cria o Comando de Fronteira do Solimões, 17
Operação Amazônia, PIN (Plano de Integração Nacional), POLOAMAZÔNIA (Programa de Pólos Agropecuários e Agrominerais da Amazônia) e o Projeto RADAM (Radar Amazônia).
com sede em Tabatinga, com jurisdição sobre as OM (Organizações Militares) localizadas ao longo do Rio Javary até Japurá. O decreto em tela também transforma a 7a Companhia de Fronteira em 1o Batalhão Especial de Fronteira, com sede naquele município. Finalmente, a primeira fortificação denominada de “Comando de Fronteira Acre-Rondônia”, em 1969.
Skidmore, (1988) ver nessas providências uma oportunidade para colocar em prática a antiga aspiração histórica de desenvolver a Amazônia. Face às ameaças á região, o lema era “integrar para não entregar”. A partir dessa condicionante, as frentes de trabalho contribuíram para a expansão da fronteira amazônica, alimentada pelas políticas governamentais estrategicamente caracterizadas e adotadas para promover a defesa, o desenvolvimento e integrar a Amazônia. As políticas governamentais de desenvolvimento sócio-econômico e de âmbito militar caminhavam para a defesa do território via projetos de impacto e estabeleceram uma nova conjuntura. Esses projetos, não exclusivamente militares, tencionavam uma área de baixa densidade demográfica e de reduzida ou quase nula presença estatal. Apesar da via escolhida ter sido a do autoritarismo não questionamos se poderia ser de outro modo , esse caminho foi imprescindível para a posse e consolidação da nossa soberania sobre a Amazônia.
Importante frisar o impacto advindo do Projeto Calha Norte na Região18.
Criado em 1985, após o período ditatorial, foi elaborado como plano de ação governamental com a finalidade de intensificar a presença do Estado ao norte dos rios Solimões e Amazonas, abrangendo uma área praticamente inexplorada, que corresponde a 14% do território nacional, com mais de 6,7 mil quilômetros de fronteiras terrestres que se estendem de Tabatinga à foz do Oiapoque (Cavagnari Filho, 2002).
Pelo planejamento original, ele deveria estar concluído até o final de 1997, mas a partir do governo Collor foi sendo esvaziado pelos governos que se sucederam até o governo Fernando Henrique Cardoso, quando foi revigorado. Desde o início, só os então ministérios militares na época realizaram a sua parte mesmo com as limitações de recursos . O empenho desses ministérios e, em parte, por ter sido uma iniciativa da extinta Secretaria Geral do Conselho de Segurança Nacional serviu de pretexto para a denúncia de pretensa militarização do Calha Norte. Até recentemente, consideravam-no um “projeto de guerra” falido. Porém, fatos recentes demonstram a importância dele para a segurança e defesa da Amazônia. Entre eles, o esvaziamento demográfico das áreas mais remotas e a
18
Para mais informações sobre o Projeto Calha Norte, ver Durbens Nascimento, in Projeto Calha Norte: Política de Defesa Nacional e Segurança Hemisférica na Governança Contemporânea (tese de doutorado).
intensificação das práticas ilícitas na região. Nesse contexto, cresce a necessidade de vigilância de fronteira e proteção da população.
Dessa maneira, na medida em que ele foi sendo incorporado pela esfera governamental ficando subordinado primeiramente à Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), após a extinção do Conselho de Segurança Nacional, onde ganhou o status de programa, e estando atualmente ligado ao Ministério da Defesa as premissas geopolíticas do projeto foram sendo matizadas, em face das críticas recebidas. A versão do Calha Norte divulgada pela SAE em 1998, enfatiza que “o planejamento das ações subseqüentes de
governo, para a região em causa, deverá, sempre utilizar seus recursos naturais, obedecendo, simultaneamente, a 3 requisitos essenciais: que seu uso seja economicamente viável, socialmente justo e ambientalmente sustentável”19.
Marques (2001) comenta que a falta de implementação de políticas públicas eficazes para a região abarcada pelo Calha Norte que fossem capazes de solucionar o problema da ausência do Estado nessa região, por parte dos governantes que sucederam Sarney na presidência da República, fez com que o Calha Norte se firmasse como solução para essa questão, e fosse revitalizado no final da década de 1990.
Nesta mesma década, o País, por intermédio do extinto Ministério da Aeronáutica, acenava para um novo projeto de integração e defesa da Amazônia, cujo padrão de cooptação e desenvolvimento utilizado para a região seria o tecnológico o Projeto SIVAM , pautado na inteligência artificial no lugar da ocupação humana apoiada em grandes projetos rodoviários e industriais, típicos das décadas de 1960 e 1970. A partir disso, será possível observar as mudanças de enfoque das políticas de defesa voltadas para o espaço amazônico decorridas do aparecimento de novas demandas e ameaças do cenário externo.
Conforme temos observado, a compreensão do processo de atuação do Estado na fronteira amazônica passa pelo resgate histórico das iniciativas governamentais na esfera da segurança e defesa nacionais; da identificação e análise do pensamento geoestratégico construído ao longo da segunda metade do século passado sobre o Brasil e que incluía a Amazônia enquanto espaço a ser ocupado mediante projetos de colonização dirigida; e pelos eventos políticos que motivaram a intervenção, sejam eles as ameaças internas ou externas.
19
Ver Programa Calha Norte disponível no site do Ministério da Defesa no endereço eletrônico: http://www.defesa.gov.br/ programa_calha_norte/index.php
2.1.2 - O Enquadramento da Amazônia no Mundo Pós Guerra Fria
No início do século XX, no auge do ciclo da borracha, foram demarcadas as fronteiras da Amazônia, que então constituía uma região demograficamente vazia. Passado esse período, a região caiu no esquecimento até que frente a rumores sobre projetos de internacionalização ocorridos durante o período militar, foram implantados projetos de desenvolvimento que incluíam desde a ocupação pela presença militar passando por projetos de infra-estrutura, agro-industriais e de colonização, com impactos sócio-econômicos profundos, conforme já expomos. Por outro lado, finda a Guerra Fria, crescia a pressão das potências ocidentais e das organizações não governamentais acerca da devastação da floresta amazônica.
Desde então, uma nova pauta apresenta-se à cena internacional trazendo um conjunto de temas fortemente comprometidos com o viés hegemônico manifestos pelos países desenvolvidos, sob a égide norte americana. Entre eles está presente de forma estridente o tema ambiental. Num certo momento ao imediato fim da Guerra Fria (Cabral, 2002), ele foi consagrado juntamente com a tríade: Free Trade, Human Right e American Democracy como um conceito chave da segurança nacional do governo norte americano, no novo horizonte político internacional.
Segundo Becker (2005, p. 74):
Até recentemente, dominava no projeto internacional a percepção da Amazônia como uma imensa unidade de conservação a ser preservada, tendo em vista a sobrevivência do planeta, devido aos efeitos do desmatamento sobre o clima e a biodiversidade. A base dessa percepção teve como origem, em grande parte, a tecnologia dos satélites, que permitiu pela primeira vez uma visão de conjunto da superfície da Terra e da sua unidade trazendo o sentimento da responsabilidade comum, assim como a percepção do esgotamento da natureza, que se tornou um recurso escasso.
Sem dúvida a Amazônia tem uma importância planetária, e por isso a expressão "patrimônio comum da humanidade" deve ser cuidadosamente avaliada, já que pressupõe a noção de propriedade coletiva, ignorando as soberanias nacionais dos Estados amazônicos (Rosas, 2006). Tal idéia traz incutida a noção de que é justo que tais territórios estejam abertos a uma renúncia de sua governança por qualquer Estado individual, assinalando a pertinência de uma consertação internacional para o seu bom uso e controle. Esse contexto geopolítico, principalmente na década de 1980 e 1990, gerou sugestões
mundiais pela soberania compartilhada e o poder de gerenciar a Amazônia. Vamos notar a partir de então, por exemplo, a forte influência e as pressões dos Estados Unidos, na inclusão da questão do meio ambiente como elemento crucial para a liberação de todos os programas de ação das organizações de financiamento internacional.
O final da Guerra Fria trouxe à baila a necessidade da reconsideração das formas e da oportunidade do uso cotidiano da força. Isso afetou a noção de soberania e o problema de segurança perdeu espaço nas relações internacionais tendo como conseqüências o seu alinhamento à ênfase econômica e a minimização da relevância dos estudos estratégicos. Porém, a Amazônia continuou mantendo sua importância no cenário mundial em função das vantagens econômicas da região e pela necessidade de segurança, vital para as ações de integração regional. Neste cenário de unipolaridade novos desafios são lançados para a manutenção da soberania nacional sobre a região. Porém, é importante frisar que este contexto não surgiu apenas no pós Guerra Fria.
Às Forças Armadas coube a iniciativa de articulação da região com o centro econômico do País, com o propósito de defendê-la da cobiça internacional. Isto porque já estava evidente, segundo o discurso militar, as ameaças de sua internacionalização. Esta perspectiva se repetiu na década seguinte. Souto Maior (2000) aborda esta questão da seguinte forma:
[...] na década de 80, com a introdução dos direitos humanos e do meio ambiente na agenda internacional, pareceu aos militares que o futuro da Amazônia estava novamente ameaçado, agora agravado pela intenção (mais aparente que real) das grandes potências de legitimar o “direito da ingerência”. Ou seja: legitimar um pretenso direito auto-outorgado por elas, para ser exercido conforme seus próprios interesses e os ditames do realismo político.
Souto Maior refere-se ao conceito de “soberania limitada” que reintroduz princípios anteriores à criação do Estado Nacional, particularmente inspirados na força da unidade moral presente na teoria do direito natural medieval, hoje novamente presente na
política externa e nas ambições dos países centrais20. A partir desse conceito inusitado de
soberania criou-se certo consenso na União Européia em torno do “direito de ingerência”, transformando a França em carro-chefe da propagação desse princípio. A grande realidade é que o chamado dever de ingerência para salvar patrimônios da humanidade, passando de teoria à prática, acompanha religiosamente a agenda de segurança das grandes potências.
Assim, em face de ameaças de tal magnitude, alguns setores militares foram
induzidos a reintroduzir a “teoria da conspiração” e o seu corolário, a “teoria do cerco”21
no discurso da Amazônia, pautada em movimentos e pressões externas com vistas a intervir em nossa soberania sobre a região. Essa questão se expressa, segundo Rosas (2006), pela possibilidade de perda de controle concreto do território por atores sem identidade de Estado a guerrilha, o narcotráfico, organizações não governamentais , ou pela perspectiva difusa de uma “internacionalização da Amazônia”, a partir de uma má ou insuficiente gestão brasileira. O Brasil tem dado várias respostas, como reflexo dessa nova conjuntura e da consolidação dos debates em torno dessa temática. Em 1993, por exemplo, foi criado o Ministério do Meio ambiente, Recursos Hídricos e Amazônia Legal, bem como lançado o Programa Nacional do Meio Ambiente.
Oficialmente, de acordo com Silva e Pieranti (2007), a questão do meio ambiente era considerada sob a perspectiva de uma política de Estado, ao menos em tese, visto à criação de uma estrutura voltada para esse fim. Nesse mesmo âmbito foram lançados os programas “Brasil em Ação” e “Avança Brasil” no governo de Fernando Henrique Cardoso, cujo escopo era os grandes investimentos em infra-estrutura na região amazônica, objetivando inserir o Brasil na economia global, por meio de saídas para o Atlântico, o Caribe e o Pacífico, a partir da criação de corredores de exportação (Carvalho, 2001). Não podemos esquecer também da reestruturação do Programa Calha Norte e a criação do Projeto SIVAM.
Como podemos observar, a mesma natureza que se mostra rica pela sua diversidade, é a maior fonte de ameaças à soberania nacional na região. A cobiça de outras nações pela Amazônia, que almejaria a sua internacionalização, é uma suspeita recorrente entre os membros das Forças Armadas que vêem o problema ambiental, a questão indígena, a ação do narcotráfico e do crime organizado como pretextos utilizados por estas nações para conseguirem os seus intentos. Dessa forma, é imprescindível que o Estado Brasileiro prove sua competência para gerir a região, extinguindo esses problemas ou diminuindo-os ao máximo.
Nesta conjuntura tão complexa e geradora de incertezas, cabe ao Brasil responder ao desafio de defesa da sua soberania sobre a Amazônia sem ceder, sobretudo, às fontes de pressões desagregadoras que inibem a evolução do nosso projeto nacional de desenvolvimento e segurança nacional.
21Refere-se a uma crescente presença militar na fachada do Pacífico e na América Central, através do que se denomina de
“localidades de operação avançada”, cuja maior expressão é o Plano Colômbia. Segundo Becker (2005) de acordo com esse corolário, o Brasil virou uma ilha cercada de “localidades de operação avançada” por todos os lados, com instalações norte- americanas apoiadas pela União Européia, com exceção das fronteiras com a Venezuela e a Argentina.
2.1.3 - Amazônia e a Defesa Nacional no Brasil Contemporâneo
Maior país tropical em extensão territorial, o Brasil tem grandes possibilidades de se beneficiar de seu patrimônio natural, sobretudo o da Amazônia. Tendo suas fronteiras geopolíticas estabelecidas no final da década de 1960, a Amazônia Legal corresponde a 61% do território nacional. Engloba os estados da Região Norte (Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia, Roraima, e Tocantins), o estado do Mato Grosso (Região Centro-Oeste), parte do estado do Maranhão (a 44 graus de latitude oeste) e uma pequena porção de Goiás (acima de 13 graus de latitude sul).
A Amazônia brasileira passou a ser designada Amazônia Legal por meio da Lei nº 1.806, de 06.01.1953. Essa transformação é fruto de um conceito político e não de um imperativo geográfico. O conceito tem como propósito o planejamento econômico da região amazônica. Em 1966, a Lei nº 5.173, de 27.10.1966 e, posteriormente, o Artigo 45 da Lei Complementar nº 31, de 11.10.1977 ampliam os limites da Amazônia Legal chegando à sua configuração atual, conforme demonstra a Figura 1.
Figura 1: Amazônia Legal Brasileira Fonte IBGE, 1997.
A Amazônia Legal faz parte da bacia amazônica que além do Brasil, abrange parte do território da Venezuela, Colômbia, Peru, Equador e Bolívia. Guiana, Suriname e Guiana Francesa estão excluídos desta lista por não fazerem parte da bacia hidrográfica do grande rio, conforme nos lembra Vidigal (2002). Esta imensa área que perfaz um total de 7
milhões de Km2 , de grande importância geopolítica equivale a 1/20 da superfície da terra,
1/10 da América do Sul, 3/5 do Brasil, além de 1/3 das florestas tropicais e 1/5 de toda água doce do globo. Ao compararmos a área da Amazônia Legal com o restante da Amazônia,