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5. PROGRAMIN YAPISI

5.5. Beceriler

5.5.7. Kültürel Farkındalık Becerisi

Após se discutirem as implicações referentes ao crime violento, parte-se para outra etapa crucial desta dissertação: a compreensão da juventude. De um modo geral, hoje se usa o termo indistintamente em sociedade, não havendo um padrão referencial, para que essa delimitação esteja bem marcada. Viu-se necessário, nesse sentido, contextualizar a origem dessa expressão, embasando, assim, o recorte realizado.

No clássico História Social da Criança e da Família, o historiador Philippe Ariès (1981) aponta que, na Idade Média, as fases da vida correspondiam à quantidade de planetas então descobertos, totalizando sete: a infância, a pueritia, a adolescência, a juventude, a senectude, a velhice e a senies. Apesar dessa variedade, os limites eram bastante confusos, ao ponto de, por exemplo, a adolescência – vista, então, como a época da procriação e do desenvolvimento físico – poder terminar aos 28 anos, mas, em alguns casos, aos 35. O mesmo ocorria à juventude, tida como o momento de plenitude das forças: em alguns casos, poderia ter fim aos 45, mas também aos 50.

Isso se devia ao fato de que as idades da vida não correspondiam apenas a etapas biológicas, mas também a funções sociais. É nesse sentido que muitos homens com aparência juvenil eram considerados velhos, por se absterem de atividades práticas e se dedicarem à leitura intensa. Ainda que não demonstrassem nenhum grau de embasamento teórico, essas eram classificações bastante respeitadas e amplamente seguidas, como se fossem os ciclos da natureza, posto que faziam parte da experiência sensível dos indivíduos.

A disseminação desse entendimento, porém, encontrou barreiras idiomáticas. Como eram expressões oriundas do latim, as sete fases da vida não encontraram correspondência, por exemplo, no francês do século XVI, que as reduziu a apenas três: enfance, jeunesse e

vieillesse, respectivamente infância, juventude e velhice. Fica claro, portanto, que, na França, ao mesmo tempo em que não havia um espaço para a adolescência (que permaneceu confundida com a infância até o século XX), a vida adulta correspondia à juventude, sobretudo ligada à figura do conscrito.

O soldado, de fato, desempenhou grande papel. Se antes o espaço ocupado pelos jovens era tímido e nebuloso – visível em ocasiões específicas, como na organização de festas, em associação à infância, ou na realização de atividades laborais no campo –, passou- se a enxergá-lo como símbolo de virilidade, possuidor “de valores novos, capazes de reavivar uma sociedade velha e esclerosada” (ARIÈS, 1981, p. 46-47). Tornando-se um modelo da vida ideal, Ariès aponta que a juventude foi a idade privilegiada do século XVII. “A imagem

do homem integral nos séculos XVI-XVII era a de um homem jovem: o oficial com a echarpe no topo dos degraus das idades” (ARIÈS, 1981, p. 48).

Outro marco histórico para a juventude, porém, diz respeito ao colégio.

Até meados do século XVII, como a infância era sucedida diretamente pela vida adulta, tão logo a criança não dependesse mais dos pais para sobreviver, “era logo misturada aos adultos e partilhava de seus trabalhos e jogos. De criancinha pequena, ela se transformava imediatamente em homem jovem” (ARIÈS, 1981, p. 10). Desse modo, com o afastamento dos pais desde cedo, a educação – com a transmissão dos valores, dos conhecimentos e das dinâmicas sociais – dava-se através do contato dos infantes com os indivíduos com quem passava a ter contato.

No entanto, no final do século XVII, à medida que a criança ganhava mais espaço dentro do âmbito familiar, sua separação dos genitores se tornava menos precoce. Surgem, daí, filósofos, como os moralistas, que passaram a questionar a atenção demasiada dada aos filhos, destacando que o papel da família e da sociedade seria o de controlar – e não incentivar – o ímpeto e as vontades dos pequenos, para que fossem educados de acordo com princípios e valores aclamados socialmente e se tornassem, no futuro, pessoas probas e honradas.

É nesse contexto que tem origem o colégio acessível à população20 (em geral, sob a figura do internato), o qual se tornaria fonte de uma mudança imperativa e definitiva no trato com as fases da vida. Por uma perspectiva, consolida-se a importância da infância, em contraste com sua irrelevância vista até então. Por outra, oficializava-se uma etapa intermediária no desenvolvimento humano, em que não se é mais criança, ao mesmo tempo em que ainda não se é adulto. “A partir do século XV e, sobretudo, nos séculos XVI e XVII, [...] o colégio iria dedicar-se essencialmente à educação e à formação da juventude” (ARIÈS, 1981, p. 190).

Reuniam-se, em uma mesma sala de aula, pessoas dos seis aos 20 e poucos anos, de forma indiferenciada, até porque o acesso à escola só se dava quando se podia, seja cedo ou tarde. A ideia sobre o jovem, assim, englobava tanto a infância, quanto a atual adolescência e o início da vida adulta. O colégio, por sua vez, não tinha a preocupação de ser um espaço de formação dos pequenos. Tratava-se, sim, de “uma espécie de escola técnica destinada à instrução dos clérigos, ‘jovens ou velhos’” (ARIÈS, 1981, p. 187). É só mais à frente, no século XVIII, que passam a ser criadas diferenciações de idade, dando origem à ideia de adolescência prevalecente nos séculos XIX e XX.

20

Fala-se em acessibilidade, porque a escola já existia pelo menos três séculos antes, mas restrita aos clérigos e sob outros moldes.

É importante ressaltar, contudo, dois aspectos. Em primeiro lugar, nada mudava para aqueles que não ingressassem no colégio: para estes, a infância continuava sendo seguida pela vida adulta (com o estereótipo do homem jovem). Em segundo lugar, as mulheres estavam excluídas desses avanços até o final do século XVII. Semianalfabetas, grande parte era enviada aos conventos, onde recebiam uma educação exclusivamente religiosa.

Vê-se, destarte, que a discussão sobre o que é ser jovem tem recebido conotações distintas ao longo dos séculos. Por vezes, associada à vida adulta; em outras, englobando a infância e a adolescência; em outras, correspondendo à inserção escolar. O fato é que, mesmo nas últimas décadas, áreas diversas do conhecimento continuam a debater sobre essa multiplicidade de denominações relativas a esse período de transição, que se coloca entre a infância e a vida adulta propriamente dita, conforme se discute no tópico a seguir.

Benzer Belgeler