1. BÖLÜM
3.4. Verilerin Toplanması ve Çözümlenmesi
O último item deste capítulo, ligado à dimensão do enraizamento acadêmico, questiona sobre a aproximação do Programa com a comunidade acadêmica e com a comunidade externa da UFPB. Tal elemento, como mencionado anteriormente, teria repercussões no campo da visibilidade do Programa, bem como no seu reconhecimento dentro e fora da universidade. Já é sabido que a expressividade institucional do Programa se vincula consideravelmente com o trabalho que os grupos desenvolvem junto à comunidade acadêmica e externa. Confirmando a ideia já discutida no tópico do enraizamento institucional em que o trabalho desenvolvido pelos grupos é o principal canal de divulgação do Programa em suas unidades acadêmicas, o foco neste elemento reforça a perspectiva acadêmica de que o
enraizamento sob esta dimensão precisa necessariamente estar cumprindo a prerrogativa básica do PET: intervir na graduação.
Neste sentido, a fala do discente transcrita abaixo merece destaque. Nela, o PET aparece como uma espécie de estratégia para a melhoria da graduação, quase de forma análoga às ações de Monitoria desenvolvidas na instituição. Tal perspectiva é confirmada pela fala de um dos Tutores, apresentada na sequência.
Umas das atividades era o reforço para uma disciplina que o índice de reprovação era muito alto. Então, vendo essa necessidade o PET se juntou e fez um mini curso, oferecido todo semestre, que caminhava paralelo com a disciplina, então a gente sempre entrava nessa aula, falava com os alunos, a gente sentia o feedback nas notas a partir de quando a gente começou a fazer esse curso e viu que as notas melhoram um pouco. Então, a gente tentou ajudar e isso atingia os alunos. De alguma forma, melhorava o desempenho do curso nessa disciplina (D.c 1).
Você vai marcando e dando o ritmo para o curso. O que está sendo discutido em nível nacional, então, vamos trazer. O que está sendo discutido em nível regional, vamos trazer. Porque são temáticas que a gente vai puxando que nem sempre o professor que tá no dia a dia com a aquela disciplina técnica, que nem sempre a coordenação que tá envolvido com a parte burocrática não está atento ou não tem disponibilidade de fazer. Então, o PET dá esse ritmo para o curso, de fazer as coisas acontecerem e das pessoas se sensibilizarem com aquilo (Tut.c 1).
O que percebemos nas entrevistas é um estreitamento maior das ações do PET quando a temática do grupo se vincula diretamente a um determinado curso da instituição. Isso se dá, inclusive, na articulação do grupo com os professores do curso. No caso de grupos com perfil mais “interdisciplinar” o destaque é justamente para a articulação com a comunidade externa, especialmente via ações de extensão.
E aí nos temos também junto com essas atividades, desde o ano passado, um projeto que chama Formação de Professores de Jovens
e Adultos: temas para prática educativa. Nesse projeto qual é a intenção: a intenção é aproximar, trazer os professores da rede estadual e municipal e pra divulgar refletir com eles e ampliar com eles o que a gente tem feito no projeto sobre Educação de Jovens e Adultos [...] Os cursos não podem mais se fechar às suas áreas restritas de discussão. Essa noção do especialista ela é uma noção ultrapassada de conhecimento. A especialidade hoje tende a uma interdisciplinaridade. Continua havendo a necessidade de especialização, mas uma especialização cada vez mais aberta para outras coisas (Tut.c 4).
Interessante perceber que em grupos com alta identificação disciplinar, mesmo as ações consideradas de extensão tem relação com a promoção/visibilidade do curso “base” do grupo, como podemos observar na fala do entrevistado transcrita abaixo.
Outro evento que envolveu a comunidade foi a Terceira Feira de Engenharia Elétrica que foi enviada por mim e por outro professor para o CNPq e conseguimos o recurso e foi um projeto extremamente vinculado ao grupo PET. Então, o grupo PET foi que botou esse evento pra frente. Envolveu dezenas de instituições de ensino médio aqui de João Pessoa, tanto públicas como privadas (Tut 5).
Nota-se, portanto, que dimensões de fortalecimento ou fragilidade do Programa em relação à comunidade externa e/ou interna têm a ver basicamente com a natureza dos grupos (disciplinar e/ou interdisciplinar), o nível de enraizamento com os Centros e Departamentos e as estratégias desenvolvidas (ações no ensino/ações na extensão). As complexas relações entre esses fatores, em nossa análise, condicionam as ações dos grupos de uma ou outra forma. No caso da fala do entrevistado abaixo, o grupo tem um caráter interdisciplinar dentro do próprio Centro, ou seja, sua atuação mais localizada (com maior peso na comunidade interna) é explicada mais pela sua articulação no espaço institucional do que no caráter disciplinar e/ou interdisciplinar das ações. Nesse caso, chamamos atenção
para a necessidade de considerar tais sutilezas para interpretar quais seriam os pontos de fortaleza e fragilidades na atuação dos grupos.
Nosso grupo tem uma característica interessante que ele envolve docentes de quase todos os Departamentos do Centro [...] Só pra você ter uma ideia, por exemplo, aluno do Departamento de solos: aqui a gente tem a parte de nutrição de plantas, por que? Porque a gente precisava ter uma relação com o produtor. Então, como Agronomia é muito amplo e juntou com Biologia, então a gente tem sol, água, irrigação, produção de frutas e essas disciplinas são de Departamentos diferentes. Mas, e o aluno que tem interesse em Computação? Por exemplo, os alunos da licenciatura de Biologia, esses alunos desenvolvem trabalhos ligados mais a área de Ensino. Não só o estágio, mas também associado ao trabalho de conclusão de curso. Então, com isso, eles envolveram os docentes (Tut.c 3). Em síntese, considerando às relações estabelecidas especialmente entre o Programa e as comunidades acadêmica e externa, nossa perspectiva de análise procurou ir além de apontar pontos de fragilidade ou fortalecimento das ações dos grupos. Em relação ao contato com a comunidade interna e/ou externa há uma complexa relação que envolve articulações, perfis dos projetos desenvolvidos e ações dos atores responsáveis. De forma geral, podemos intuir que o Programa tem um histórico bastante fecundo de ações na universidade, o que o torna relevante no contexto dos locais em que os grupos atuam. Entretanto, a natureza dessa relevância muda, passando por impactos mais significativos nos cursos de graduação envolvidos e chegando a uma maior repercussão na comunidade externa (no caso dos grupos mais ligados à extensão).