• Sonuç bulunamadı

A combinação de métodos de coleta de dados, também conhecida como triangulação, tem sido o meio de pesquisa mais familiar aos pesquisadores em CI (Mixed Methods Research - MMR) (FIDEL, 2008). Segundo Mason (2006 apud BAGNOLI, 2009, p. 248), esta postura investigativa “[...] pode encorajar o pensamento ‘fora da caixa’, gerando novos meios de interrogar e compreender o social”. Já Kari e Hartel (2007, p. 1143) observam que “considerando o fato de que as coisas maiores não são o principal território de nosso campo de pesquisa, a pesquisa de informação deveria utilizar relevantes teorias, metodologias e achados em outras disciplinas”, de modo a proporcionar desenvolvimento tanto da Ciência da Informação como de áreas afins.

Em alguns casos, o contexto da pesquisa pode requerer o uso de “métodos exóticos” aos olhos das investigações tradicionais (KARI; HARTEL, 2007). Sobre o interesse pelos aspectos emocionais, acompanhamos a ideia de que não existe meios exatos de mensurá-las (LOPATOVSKA; ARAPAKIS, 2011). Dentre as possibilidades metodológicas, destacam-se:

a) métodos neurofisiológicos – examina-se as mudanças fisiológicas nos episódios de emoção; vantagens: a exatidão e possibilidade de coleta de aspectos fisiológicos singulares garantida pelo uso de equipamentos especiais; desvantagens: inconveniente e propenso ao ruído de mudanças fisiológicas inesperadas;

b) métodos de observador – analisa-se expressões faciais e análise dos discursos, gestos etc.; vantagens: não requerem equipamentos especiais; desvantagens: menos inconveniente e propenso ao ruído;

c) métodos de auto-relatório (self-report methods) – nesta perspectiva, considera-se que a pessoa (pesquisado) pode avaliar e reportar suas experiências emocionais; vantagens: não requerem equipamentos especiais; desvantagens: inconsistências relacionadas à linguagem natural e dificuldade de análise estatística (LOPATOVSKA; ARAPAKIS, 2011).

Assim, no estudo sob relatório são utilizadas variadas abordagens metodológicas, combinadas e utilizados nos encontros individuais com os pesquisados. Neste estudo, destacamos:

a) Tour Guiado – técnica já utilizada por teóricos da CI (HARTEL, 2003); consiste na coleta de dados em encontros guiados pelos pesquisados, descrevendo e explicando a realização de suas práticas em espaços de informação12 – neste

caso, pode ser, academia de ginástica públicas ou particulares, em residências; frequentemente está associado à criação de um roteiro inicial e entrevista semiestruturada (ver carta convite e termos de consentimento), onde estão incluídos questionamentos que motivem o pesquisado a descrever o fluxo de informação em suas práticas;

b) diário de campo – em forma impressa e digital; uso de gravadores de som; c) pesquisa visual – especificamente fotografia.

3.2.1 Pesquisa visual

Presente na antropologia, no fim do século XIX, e na sociologia, a pesquisa visual apresenta-se na Ciência da Informação como meio para a investigação dos espaços imediatos de informação, garantindo no ponto de vista de Hartel e Thomson (2012), “[...] sofisticação metodológica e interdisciplinaridade”. Pode ser utilizada tanto como metodologia, ao orientar todo o processo de planejamento da pesquisa, ou, de modo específico, como meio de coleta de dados, em estudos classificados como multi-metodológicos.

Do ponto de vista epistemológico, a pesquisa visual comporta tanto o pensamento da teoria social moderna, por meio de uma visão realística (e objetiva) do espaço, bem como elementos simbólicos passíveis de análises de cunho interpretativista (HARTEL; THOMPSON, 2012; WARNER, 2002). Dentre as razões a favor do uso de imagens na pesquisa social, indica-se:

12 Para Stebbins (2013), a palavra espaço nos estudos do lazer pode ser compreendida em três perspectivas: a

institucional, a temporal e a geográfica. A institucional define o espaço do lazer dentro da organização social das comunidades e sociedade. A temporal atenta-se para o tempo em que ocorre a atividade – se diariamente, mensalmente ou anualmente. Já a geográfica está relacionada ao ambiente (localizações concretas) em que ocorre a atividade – seja artificial (virtual) ou natural; ou ainda metafórico e imaginativo (fruto da imaginação das pessoas e instituições de lazer).

1) Imagens podem ser utilizadas para capturar o inefável, difícil expressar em palavras;

2) Imagens chamam a nossa atenção para coisas de um modo novo;

3) Imagens são mais propensas a serem memoráveis;

4) Imagens podem ser utilizadas para comunicação de um modo mais holístico, incorporando múltiplas dimensões, evocando histórias e questões;

5) Imagens podem garantir entendimento e generalizações de modo mais empático;

6) Através de metáfora e símbolos, imagens artísticas podem transportar a teoria de modo elegante e eloquente;

7) Imagens encorajam o conhecimento incorporado [materializado];

8) Imagens podem ser mais acessíveis do que muitas das outras formas do discurso acadêmico;

9) Imagens podem facilitar a reflexão no planejamento da pesquisa;

10) Imagens podem provocar ação para a justiça social (HARTEL; THOMSON, 2012).

Apesar de produtiva, esta perspectiva metodológica ainda é pouco explorada, seja pelos estudos de informação seja por estudiosos das demais ciências sociais. A pesquisa visual, embora proeminente para descrever ou representar a cultura visual e imagética da contemporaneidade, possui histórico de invisibilidade e luta para firmar-se como alternativa metodológica para pesquisadores quantitativos e qualitativos, que ainda tendem a traduzir as suas observações empíricas em palavras e números (HARTEL; THOMPSON, 2012; HARPER, 1998; PROSSER; LOXLEY, 2008). A linguagem é “[...] a mídia privilegiada para criação e comunicação do conhecimento” (BAGNOLI, 2009, p. 547).

Em abordagens qualitativas, Bagnoli (2009) observa que as entrevistas são os meios mais comuns para coleta de dados, as quais estão centradas na dimensão linguística dos campos investigados. A autora esclarece, no entanto, que a linguagem é apenas uma das muitas dimensões que constituem as nossas experiências diárias, “[...] que incluem a visual e a sensorial, que possuem valor de investigação, mas que não são facilmente expressadas em palavras” (BAGNOLI, 2009, p. 547).

Nesta mesma perspectiva, Prosser e Loxley (2008), consideram a abordagem visual um meio mais profundo e mais efetivo de se analisar analiticamente o cotidiano dos mundos sociais, refletindo sobre todas as coisas

visuais ou visualizáveis, melhorando a nossa capacidade comunicativa e sensorial, e refletindo de modo mais completo sobre a diversidade das experiências humanas. Já Wagner (2002), fundamentado em Coles (1997) e Pink (2001), compartilha a ideia dos artefatos visuais – fotografias, pinturas, desenhos, vídeos – como meios de estender as investigações sociológicas para além do que está cientificamente estabelecido.

O método visual oferece diversas, alternativas e criativas possibilidades para além dos textos, mediante diferentes tecnologias, procedimentos e técnicas. No Entretanto, “nosso conselho é ignorar ou ao menos tratar com precaução qualquer pesquisador visual que sugira que possui modo ‘único’, ‘apropriado’, ou ‘melhor’” (PROSSER; LOXLEY, 2008). Há ainda que se atentar para o fato de que, como qualquer outro método, a pesquisa visual não consegue observar tudo. Em termos informacionais, Hartel e Thompson (2012) relatam a impossibilidade de observar, por exemplo, as estruturas de informação intangíveis nos formatos eletrônico e digital, nos espaços imediatos de informação. Assim, é sempre oportuna a combinação abordagens metodológicas às técnicas visuais, conduta a ser seguida por esta pesquisa.

Benzer Belgeler