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2. BÖLÜM

3.2. Metot

3.2.4. Kül analizi

Segundo Ferreira (2004a), o termo popular se refere àquilo que é Do, ou próprio do povo, ou feito por ele (p. 1600), sendo povo o Conjunto de indivíduos que falam [...] a mesma língua, têm costumes e hábitos idênticos, uma história e tradições comuns. (p. 1612).

Weimer (2005), no entanto, faz referência à origem do termo, do latim populus, que designava o conjunto de cidadãos que excluía tanto os patrícios (a quem estava designada a representação do senado) quanto a plebe (os despossuídos, menos afortunados). Desta forma, para o autor, o termo popular se refere àquilo que é próprio das camadas intermediárias da população.

Para ambos, o termo popular encontra-se relacionado com um público específico: o povo. No entanto, é no que se considera povo que encontramos uma contradição entre estes autores. A plebe, excluída por Weimar (2005) do que seria popular, significa, para Ferreira (2004), o próprio povo. Esta contradição é proveniente do fato de que Weimar (2005) utiliza um critério de hierarquia social para definir o povo, enquanto Ferreira (2004a) relaciona o significado deste termo a fatores culturais. É importante ressaltar o caráter de origem implícito na relação entre popular e povo, em ambos autores: o primeiro diz respeito àquilo que é feito ou é originado pelo segundo.

Quando combinado com o termo arquitetura, o caráter de origem se mantém, sendo a

arquitetura popular aquela que é produzida pelo povo. No entanto, quando empregado

em conjunto com o termo moradia, o caráter de origem é substituído pelo caráter de destino, sendo a moradia popular aquela que é destinada ao povo, não importando o ator responsável pela sua produção.

Para propor uma definição de arquitetura vernacular, Albernaz e Lima (1997-1998) fazem uma analogia com a utilização do termo vernáculo para se referir à língua nativa ou dialeto local. Desta analogia, o termo arquitetura vernacular se refere, segundo as autoras, às construções de indígenas ou nativos, feita com materiais locais, de acordo com técnicas e padrões tradicionais (p. 63), podendo também se referir, por extensão , à [...] arquitetura tradicional e local feita sem a intervenção de arquitetos. (p. 63). Segundo as autoras, a re-valorização da arquitetura vernacular se deve à uma [...]

reação contra uma aproximação elitista da história da arquitetura. (p. 63), ao mesmo tempo em que os materiais característicos desta arquitetura [...] vêm sendo usados em novos edifícios em oposição a materiais considerados impessoais, o concreto e o vidro. (p. 63). Portanto, de acordo com Albernaz e Lima, (1997-1998), as construções vernáculas possuem um caráter local (seja pelo uso dos materiais, seja pela aplicação das técnicas tradicionais) e popular.

Coelho (2007, p. 32), por sua vez, afirma que o termo vernacular está relacionado diretamente [...] com a cultura local, suficientemente preservada e com todos os detalhes oriundos da necessidade de adaptação ao meio ambiente. . Desta forma, para o autor, as construções vernaculares possuem um caráter local (uma vez que são condicionadas pelo meio) e cultural que se preserva frente às influências de outras culturas.

Já para Marques; Azuma e Costa (2009), a arquitetura vernacular é [...] todo o tipo de arquitetura em que se empregam materiais e recursos do próprio ambiente em que a edificação é construída, caracterizando uma tipologia arquitetônica com caráter local ou regional. . Segundo os autores, a arquitetura vernacular é responsável por conferir identidade aos lugares, a partir das expressões e linguagens culturais:

Nessa arquitetura não são reconhecidos estilos arquitetônicos, mas a sua essencialidade tipológica e morfológica, compreendida como uma arquitetura comum, anônima que constitui a fisionomia da cidade, e se diferencia de acordo com as expressões e linguagens culturais, o que diferencia uma cidade e/ou região de outra. (MARQUES; AZUMA; SOARES, 2009).

Ripper & Silva (2009, p. 59) inserem a dimensão temporal para o emprego do termo arquitetura vernacular, que corresponde [...] às formas desenvolvidas em um longo período de tempo por populações que habitam um determinado ambiente. . Segundo os autores, a arquitetura vernacular se caracteriza pelo uso da matéria-prima disponível no local para construção das moradias [...] necessárias para a subsistência do povo. .

Em Ferreira (2004a, p. 2052), consta para o termo vernáculo três sentidos: Próprio da região em que existe [...] ; [...] linguagem pura, sem estrangeirismos; castiço [...] ; e [...] idioma de um país [...] . Percebe-se claramente, nos três sentidos, a referência ao lugar de origem.

A partir das leituras acima explicitadas, pode-se dizer, portanto, que as construções vernaculares são aquelas com caráter local, condicionadas pelo ambiente onde são edificadas, nas quais são empregadas técnicas tradicionais e utilizados materiais provenientes do próprio meio, produzidas pelo povo.

Para definir o que vem a ser arquitetura espontânea, Castelnou (2003, p. 147) se utiliza do conceito proferido por Rasmussen (1998, apud CASTELNOU, 2003), para o qual a arquitetura espontânea é aquela que [...] nasce organicamente, utilizando-se do material fornecido pelo entorno mais próximo – natural ou artificial – e de acordo com as técnicas conhecidas ou apropriadas empiricamente. . Castelnou (2003, p. 147) relaciona esta definição com a forma de apropriação do meio, que apresenta [...] diferenças quando este é rural ou urbano, o que pode ser exemplificado através das favelas, mocambos e instalações de posseiros. (p. 147).

Coelho (2007, p. 32-33) afirma que o termo espontâneo [...] tem relação com a solução imediata dos problemas individuais e familiares de habitar ou morar. . Para o autor, a

arquitetura espontânea, apesar de ser realizada sem nenhum compromisso com uma

cultura rígida, com regras ou convenções, sofre influências tanto de [...] modelos arquitetônicos na moda [...] como de relações culturais que as pessoas levam em consideração, de maneira involuntária, na produção do seu espaço. . Quando este espaço se trata da casa, o autor acredita que tais relações culturais são tão estreitas que a obra construída (casa) corresponde a uma tradução do indivíduo:

Espontâneo é um termo já largamente utilizado, mas se observarmos bem, veremos que o que é espontâneo não é fruto do mero acaso, e sim carregado de uma enorme quantidade de informações que fazem com que o Homem construa sua casa com aquilo que ele acredita dever ter dentro das suas possibilidades e prioridades. Uma maneira de produzir o espaço interno (individual) e urbano que pode não estar submetido às regras ditadas por um consenso técnico e social, mas que, em todo caso, responde a uma necessidade pessoal, familiar e, por que não dizer, do grupo. (COELHO, 2007, p. 33-34).

O autor exemplifica a afirmação citando os bairros espontâneos, nos quais o indivíduo que é externo a esta realidade percebe apenas uma desordem aparente. No entanto, tal desordem é fruto de uma ordem interna proveniente de valores culturais diferenciados que, quando aceitos pelo indivíduo externo, permite que este compreenda a complexidade de relações que vinculam o homem ao seu espaço e, conseqüentemente, a ordem interna que rege a produção deste (COELHO, 2007).

De acordo as leituras realizadas, percebemos que o termo popular, quando se referindo às construções que são produzidas pelo povo, abarca tanto o termo vernacular como o

espontâneo. Estes últimos, diferem com relação ao uso dos materiais, já que o termo vernacular delimita o uso daqueles provenientes do ambiente, enquanto que em espontâneo são utilizados tanto os materiais naturais como industrializados. Além desta

diferença, alguns aspectos estão presentes no conceito de espontâneo, mas não aparecem no conceito de vernáculo: a desobediência às regras e convenções; o não seguimento de uma cultura rígida; a influência de aspectos culturais que são externos ao construtor espontâneo, ainda que de forma inconsciente. Os demais aspectos estão presentes em ambos os termos, mas explicitados de forma diferente pelos autores: a cultura local do vernáculo corresponde às técnicas empíricas do espontâneo; as condicionantes do lugar do vernáculo corresponde à apropriação do meio no espontâneo. Percebe-se, que o termo vernáculo está mais relacionado às tradições, enquanto que o termo espontâneo é desvinculado desta, podendo receber influências diversas.

Tendo em vista que o intuito da pesquisa é compreender a moradia rural enquanto ambiente construído e o seu processo de produção, independente do material com o qual é feita e das influências (tradicionais ou atuais) que interferem nas decisões dos construtores, ao longo do processo, não é possível classificar, neste ponto da investigação, o objeto de estudo como vernacular ou como espontâneo. Através da compreensão das moradias populares, cada unidade da amostra poderá ser classificada como uma ou como outra. Tal classificação (vernacular ou espontâneo) é, portanto, inerente ao processo de análise dos dados e, possivelmente, um dos componentes da conclusão da pesquisa. Desta forma, adota-se o termo popular para caracterizar o objeto de estudo, o que significa dizer que, dentro do conjunto moradias populares investigadas na pesquisa, poderão ser identificados os subconjuntos moradias vernaculares e

moradias espontâneas.

Com relação à combinação do termo popular aos termos arquitetura e moradia, pode-se dizer que a mudança do sentido de origem (pelo povo), para o sentido de destino (para o povo), explicita as diferenças entre as próprias expressões formadas: a moradia popular (para o povo) se refere mais ao produto destinado ao povo, independente de quem o produziu, enquanto que a arquitetura popular (pelo povo), se refere ao processo, sendo este resultante da condição de quem a produz. Desta forma, considerando que na

pesquisa pretendida, adotou-se como unidade de análise as edificações produzidas pelo povo e para o povo, a investigação se volta para o estudo de moradias populares que são exemplares da arquitetura popular, indo contra ao que ocorre com aquelas que são produzidas para o povo por atores externos a estes (seja por meio de políticas públicas, seja com a participação de assistências técnicas), que não se enquadram como

arquitetura popular.

O termo popular, por sua vez, é utilizado na acepção de Fereira (2004a), considerando

povo o Conjunto de indivíduos que falam [...] a mesma língua, têm costumes e hábitos

idênticos, uma história e tradições comuns [...] (p. 1612). Isto porque considera-se que a definição de povo em Ferreira (2004a) é mais abrangente do que a adotada por Weimer (2005), já que o primeira abrange os aspectos históricos e culturais, enquanto que o segundo utiliza a apenas a estratificação social como referência.

Portanto, no âmbito desta pesquisa, entende-se a moradia popular como arquitetura, sendo aquela que é do povo, feita por ele, e para seu usufruto, sendo povo aquele conjunto de indivíduos com língua, história e cultura em comum. Tal moradia popular poderá ser identificada, a partir do seu estudo, como vernacular ou espontânea.

Findadas tais digressões, passemos para a revisão dos estudos da moradia rural brasileira, com o intuito de identificar o seu tipo conforme explicitado no Tópico 2.1.

Benzer Belgeler