E. ELÇİLİK YILLARINDAKİ GÖZLEMLERİ
3. Kölelik Müessesesi
O gênero Carta foi escolhido para a geração de dados porque apresenta concretamente o Outro, na visão bakhtiana, desde o momento da criação do texto. Ao escrever a carta, um gênero clássico, a criança escreve para um destinatário claramente identificado em uma situação real de comunicação. Com a expansão das novas tecnologias, a comunicação entre as pessoas ficou mais rápida, porque não é mais necessário esperar dias, semanas ou meses para receber a resposta de algo, uma vez que, as pessoas vivem conectadas o tempo todo, seja por e-mail, Facebook, MSN ou outros meios de comunicação instantânea, mas esse atual modo de comunicação, por questões sociais, não alcança toda a população. Por isso, segundo Soto (2007, p. 94), o gênero carta é um bem cultural que continua vivo e presente nas práticas culturais e pode ser utilizado por todos, porque se consolidou “[...] dentro de um quadro de comunicação entre homens, datado e circunstanciado por fatores socioeconômicos e culturais [...]” (SOTO, 2007, p. 100, grifos do autor). A escrita de cartas muitas vezes é ensinada na escola, mas apenas como uma tarefa, não como uma prática cultural. Segundo Bolonha, Rotterdam e Lípsio (2005, p. 17), esse gênero foi o principal meio de comunicação a distância, por mais de dois mil anos e, ainda, conforme explicitou Soto (2007), continua sendo utilizado. Isso justifica a escolha desse instrumento cultural para a geração dos dados. Ao escrever uma carta, a criança se apropria de um bem cultural e da escrita com suas funções sociais. Dessa forma, suas escolhas quanto ao enunciado, palavras e caracteres, foco desse trabalho, são orientadas pelo Outro, seu correspondente.
O trabalho com as cartas teve início somente no final do mês de maio, devido à falta de correspondentes. Houve o contato com diversas escolas e professores, que não mostraram interesse em dar continuidade ao trabalho. O primeiro contato foi com uma Classe Hospitalar, localizada na cidade de São Luis, Maranhão; a professora responsável aceitou participar, visto que os alunos dessa Classe já trocavam cartas com alunos da Sala de Recurso em 2011 da mesma escola em que a pesquisa foi desenvolvida e, além disso, na época eu atuava como professora dessa Sala. Mas, infelizmente, a professora que trabalhava na Classe Hospitalar precisou se afastar para cursar o mestrado em outra cidade e a pessoa que ficou responsável não retornou os e- mails. Nesse mesmo período houve outras tentativas de trocas com algumas escolas, mas sem sucesso.
No mês de maio, por intermédio de uma estudante de pedagogia da UNESP, conseguimos contato com uma professora do bairro Cidade Tiradentes em São Paulo. Ela concordou em participar, enviou os nomes de cinco alunos e o endereço da escola para iniciarmos a correspondência. As crianças escreveram as cartas, mas não receberam as respostas. As cartas foram enviadas no finalzinho do mês de maio. Novamente as crianças ficaram sem ter com quem se corresponder.
Em agosto de 2012, durante uma disciplina do programa de pós-graduação, da UNESP-Marília, consegui o contato com duas professoras do 1º ano, uma da cidade de Garça e outra de Avencas, distrito de Marília. Por meio de contato via e-mail, as professoras passaram os nomes dos alunos e endereços das escolas e iniciamos a correspondência. Por causa do tempo limitado, as cartas que foram escritas e enviadas para as crianças da Cidade Tiradentes foram reelaboradas e enviadas para as crianças da cidade de Avencas e Garça. Apenas uma das crianças trocou cartas com o aluno da cidade de Avencas; as 4 restantes trocaram com os da cidade de Garça.
A correspondência entre as crianças iniciou-se no mês de agosto. O processo descrito a seguir foi realizado com as cinco crianças. Primeiramente, li uma carta escrita por um aluno em uma situação real. Após a leitura foi enfatizada a estrutura, ressaltando o local da escrita, data, saudação, despedida e assinatura. Em seguida o diálogo tinha como foco o conteúdo da carta; nesse momento algumas perguntas eram feitas às crianças para que pudessem iniciar a escrita. As perguntas realizadas eram: O que podemos escrever? Podemos escrever qualquer coisa? Como podemos começar? O que você quer colocar? Seu amigo te conhece? Você quer se apresentar? Após as perguntas,
eu falava às crianças que elas poderiam escrever sobre elas, falar da escola, dos amigos, da família, o que gostavam de fazer, de brincar, de comer, onde gostavam de passear, poderiam falar de livros que leram e filmes a que assistiram, entre outras perguntas que surgiam no momento da escrita. Na primeira versão as crianças escreviam a sua maneira, pois o objetivo era perceber as escolhas que elas faziam, assim elas falavam o que queriam escrever, além disso, eu registrava para que pudesse ser recuperado na reescrita. Durante esses momentos de escolha, eu questionava o motivo de colocar tal letra ou caractere, às vezes a criança conseguia responder, em outras respondia que não sabia e deletava o que havia digitado. Após essa primeira escrita, ocorria a intervenção para possíveis alterações na estrutura e na ortografia, para garantir a legibilidade e, simultaneamente, realizava a reescrita, preservando o conteúdo. As crianças escreviam as cartas no programa Word, em seguida eram impressas e, com minha intervenção, os envelopes eram subscritados e endereçados à escola correspondente.
No quadro 3, descrevo detalhadamente os dados sobre a quantidade de cartas escritas por cada criança, o dia da escrita das primeiras e das segundas versões.
Criança Quantidade
de cartas Data de escrita das cartas
Felipe 2 06 de junho de 2012 - Escrita da primeira carta. (duas versões).
18 de outubro de 2012- Escrita da resposta da primeira carta recebida. (duas versões).
Juliana 2 23 de maio e 01 de Junho de 2012 - Escrita da primeira carta. (duas versões).
01 e 08 de novembro de 2012- Escrita da resposta da primeira carta recebida. ( duas versões).
Victor 4 23 de maio, 01 de junho, 08 e 15 de agosto de 2012- Escrita da primeira carta ( duas versões).
04 e 17 de outubro e 07 de novembro- Escrita da resposta da primeira carta recebida. ( duas versões).
05 de dezembro de 2012- Escrita da resposta da segunda carta recebida (duas versões)
05 de dezembro de 2012- Escrita da resposta da terceira carta recebida (1 versão)
José 2 06 de junho de 2012 - Escrita da primeira carta. (duas versões).
17 de outubro de 2012- Escrita da resposta da primeira carta recebida. ( duas versões).
Mariana 2 23 de maio e 13 de Junho de 2012 - Escrita da primeira carta. (duas versões).
31 de Outubro de 2012- Escrita da resposta da primeira carta recebida. ( duas versões).
Quadro 3 – caracterização das cartas escritas pelas crianças.
Fonte: próprio autor