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JHEP07(2015)162M Yamada66, Y Yamaguchi118, A Yamamoto66, S Yamamoto156, T Yamanaka156,

Ao analisar os relatos dos moradores de Duque de Caxias ante suas experiências de lazer, notamos como nos sugere as proposições de Najberg (1996), que as especificidades das características individuais destes cidadãos fazem com que o termo lazer possua mesmo uma conotação bastante subjetiva. Assim, em diferentes níveis, este fato se tornou perceptível neste estudo, como pode ser detectado na reflexão de um dos entrevistados:

“Lazer... Cada pessoa vê o lazer de uma forma diferente... Tipo assim, eu to colocando da minha forma. Você tá fazendo entrevista vai ver, cada pessoa vai te colocar um lazer de forma diferente... Talvez fora do padrão que eu estou dizendo, mas cada pessoa é uma cabeça diferente.” (Idade: 25 anos)

Contudo, estando sobre égide das mesmas estruturas políticas e socioeconômicas, a relação destes entrevistados com a cidade e a cultura local aparecem de certa forma pouco díspares, permitindo a identificação de conceitos de lazer comuns.

5.1.1 Lazer não é trabalho

Quando acessamos os relatos e conseqüentemente as crenças contidas nas experiências cotidianas dos residentes da cidade, percebemos que o sentido de liberdade parece ser o mais significativo dentre todos associados a este fenômeno de grande importância para a sociedade moderna.

Entrevistador: “Primeira pergunta é, pra você, na sua visão, o que é lazer?”

Eduardo: “Lazer é um tempo livre, à toa, em que eu não tenho responsabilidade com nada. Sei lá. É o meu tempo que eu curto mesmo, à toa, que eu faço o que eu gosto de fazer sem ter responsabilidade em relação ao trabalho.”

Esta passagem exposta por um dos entrevistados nos faz verificar que embora haja uma enorme diversidade de atividades a qual podemos denominar lazer, mais clara é identificação do que não é lazer. E trabalho, certamente, tem o papel de destaque neste sentido.

Assim, a liberdade a que nos referimos permite aos indivíduos gozar de atividades que os liberem principalmente, do fardo pesado e fatigante da atividade laboral, sobretudo quando grande parte dos moradores da cidade precisa deslocar-se diariamente para outros municípios tanto para trabalhar quanto para estudar.

5.1.2. Trabalho não é lazer

Tratando ainda do que não pode ser considerado lazer, notamos durante as entrevistas com moradores de Duque de Caxias, o caso de pessoas para quem o trabalho e o lazer se confundem ou mesmo, se interpenetram. Para Leite (1995), estes casos são exceções e estão associados geralmente aos esportistas e artistas.

Entrevistador: “Você pode descrever sua ultima experiência de lazer fora de Duque de D Caxias?”

Entrevistado: “Cara, não lembro de algo muito significativo. Tô lembrando do show que fizemos na Barra. Foi interessante, o teatro era legal e bem estruturado.”

Entrevistado: “Ah, se confunde às vezes... Mas o show foi legal... Foi lazer e trabalho.”

Para Dumazedier (2008), a atividade de músico, na forma como se configura, isto é, cujo objetivo está associado a um ganho financeiro, não pode ser denominado lazer, mas sim, uma espécie de semilazer. Para o autor, o lazer tem como propriedade fundamental ser desinteressado, o que não acontece neste caso.

Segundo Camargo (1986) o percentual de pessoas cujo trabalho e lazer ocupam posições tão próximas ao ponto de se confundirem é privilégio de uma pequena minoria inferior a 1% da população economicamente ativa.

5.1.3. Uma perspectiva mais ampla de lazer

A profunda ligação entre lazer e trabalho durante algum tempo trouxe consigo conseqüências importantes para a construção do conceito de lazer. A principal delas é a idéia de que lazer é toda atividade que não seja uma atividade profissional.

Para Dumazedier (2008) a maior parte desta contribuição equivocada está ligada às percepções da maioria dos economistas e sociólogos que se dedicaram ao tema. No entanto, como vemos na resposta de um dos entrevistados, está afirmação é incorreta.

Entrevistador: “O que é lazer para você?”

Entrevistado: “É... Acho que é um momento vago. Não dependente só de você estar, talvez assim, de folga no serviço ou faculdade. É poder fazer algo que vai distrair sua cabeça, não só exatamente isso.”

Para o entrevistado, o lazer está além de ser só mais um tempo livre, distante das obrigações profissionais ou acadêmicas. É um momento de distração e envolvimento com outras atividades que o desliguem da realidade diária. Logo, o lazer

não pode ser indicado apenas como um tempo de repouso e restabelecimento da energia para o trabalho.

Segundo Dumazedier (2008), o conceito de lazer está em oposição direta às obrigações diárias que tem o indivíduo nas diversas esferas de sua vida. Não só em relação ao trabalho profissional, mas também em relação às obrigações conjugais e familiais, sócio-políticas e as obrigações sócio-espirituais.

O entrevistado abaixo, ao descrever suas preferências em relação às atividades de lazer que dispõe em seu tempo livre, insere no contexto destas atividades, o hábito de freqüentar igrejas ou templos religiosos. Na percepção do autor, isto não pode ser considerado lazer.

Entrevistador: “Em relação a lazer, o que você gosta de fazer em D. Caxias?” Entrevistado: “Shopping, bares, Igreja.”

No entanto como alerta Camargo (1986) há ainda uma espécie de semilazer doméstico, dentre os quais estão às atividades de arrumação da casa, cozinhar e cuidar dos filhos ou animais estimação. No relato abaixo, grande parte destas atividades pode ser encontrada.

Entrevistador: “André, o que é lazer pra você?” Entrevistado: “Estar em casa.”

Entrevistador: “pode explicar melhor?”

Entrevistado: “Cuidando da minha casa, ficando com minha família.” Entrevistador: “Você pode me dar mais exemplos de lazer?”

Entrevistado: “Dar banho no cachorro, lavar o quintal, lavar o carro.”

Segundo o autor, independente de serem estas atividades dissociadas da lógica do trabalho, não deixam ser obrigações e, portanto, não podem ser considerado lazer. Desta forma, podemos dizer que o entrevistado não usufrui do lazer em sua plenitude.

Para outros entrevistados, no entanto, a diferença entre o que é lazer e o que não é lazer é mais clara, como indica o relato da entrevistada abaixo. Segundo ela, o convite para um determinado evento social não deixou escolhas. Assim, quando perguntada sobre quando foi seu último momento de lazer, ela não se furtou em responder:

“Ah sim... final de semana foi a comemoração do aniversário de um amigo, mas não foi muito lazer, foi "obrigação" porque estava muito cansada tinha voltado de duas semanas de curso em Macaé... semanas cansativas e viajei só para isso... o cansaço não me deixou aproveitar como gostaria.” (Idade: 28 anos)

A respondente deixou clara a falta de satisfação interior ao realizar uma atividade tipicamente caracterizada como de interesse social de lazer, isto é, encontrar seu amigo no dia do aniversário. No entanto, como preconizado por Dumazedier (1979) o caráter hedonístico é fundamental para a caracterização destas atividades como lazer.

Neste sentido, para que o lazer seja usufruído em sua plenitude, deve causar prazer íntimo, como vemos de forma geral na percepção de grande parte dos moradores de Duque de Caxias. Para a entrevistada abaixo, o lazer é um momento de evasão ou fuga do ambiente agitado em que está inserida na maior parte do seu tempo diário, para um mundo livre e menos conectado, como é característico da modernidade.

Entrevistador: “Rose, o que você entende por lazer?”

Entrevistado: “hum... Lazer é toda atividade que te proporciona momentos prazerosos, descomprometidos, que você faz por satisfação pessoal e que te desligue por alguns momentos das atribulações da vida moderna.”

Em outro relato, vemos que a liberdade só é possível quando o indivíduo pode escolher que atividade quer realizar. E embora durante o dia-a-dia, os compromissos de toda ordem possam surgir aos moradores de Duque de Caxias, são nos momentos de lazer que a livre vontade emerge.

Entrevistador: “Márcia, na sua percepção, o que é lazer?”

Entrevistado: “Lazer pra mim é uma liberdade de escolha para fazer aquilo que você mais gosta, quando você tem um tempo disponível fora das obrigações do dia a dia.”

Como define outra entrevistada, o lazer é um tempo legítimo dentro do qual o indivíduo pode expressar sua subjetividade. É um momento de emancipação, em que não permite que seja subtraída sua individualidade pela manipulação tanto do mundo do trabalho quanto das esferas da vida social política e religiosa.

Entrevistador: “Elaine, o que é lazer pra você?”

Entrevistado: “É o momento que eu tenho de distração, de satisfação pessoal. De fazer as coisas que eu gosto. É o meu momento.”

Portanto, para os moradores de Duque de Caxias, lazer não pode ser associado apenas às atividades realizadas fora do campo profissional.

Benzer Belgeler