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IMMANUEL KANT’IN JEAN JACQUES ROUSSEAU’DAN ÇIKARSADIKLARI: EĞİTİM

1. Jean Jacques Rousseau’nun Eğitimle İlgili Prensipleri

figura 7

Às forças cósmicas ou cosmogenéticas correspondem devires- animais, vegetais, moleculares: até que o corpo desapareça no fundo ou entre no muro, ou inversamente que o fundo se contorça e turbilhone na zona de indiscernibilidade do corpo. (DELEUZE, 2004, p. 236)

No calor da tarde, as plantas, a terra e o seu corpo molhado.

Naquela tarde, Maria não foi encontrada desaparecida pelas margaridas, antulhos, pitangas, hortelãs e pelo cheiro lilás e branco do manacá florido. A menina, corria para fundo do quintal da avó e na tentativa de traçar estratégias de vida brincava de ser dissolvida no verde e no amarelo colorante da paisagem.

Desaparecer entre as plantas e deixar-se graduar de outros tons perpassados pelas folhagens, outros gradientes luminosos. A densidade dos galhos, a textura, o aroma, o gosto do fruto oferta fazia parte de seu exercício constante. Gostava também de brincar, com a negra Luzia, que vinha do Sertão luzindo as cores do arco-íris. Luzia era encantada, naquela hora certa, que só

ela conhecia, convidava as crianças para o quintal e com seu vetor água da mangueira fazia um arco de cores do espectro solar.

Luzia era mais esperta e bem sucedida que a professora. O seu aro luminoso encantava as crianças enquanto, a professora presa ao formalismo tentava reproduzir o círculo cromático de Newton na cartolina. Pintado com as cores primárias ela fazia o círculo, rodar, rodar e concluía dizendo:

– A união de todas as cores é o branco.

Mas a menina, enxergava o cinza, e quanto mais a professora rodava o círculo cromático de Newton e dizia que era o branco que se formava, a criança percebia o cinza.

Desconfiava que a professora mentia, mas não ousava dizer. Sabia de um lugar que ocupava e tinha medo. A indagação e a dúvida a acompanharam por toda a infância e adolescência. Já era crescida quando sonhou que a união de todas as cores era o cinza.

Devir criança: mergulhar na cor, perco-me na cor como quem sonha.

No sonho ventava muito. Uma ventania que varia e transfigurava a paisagem. Não sabia mais o que era terra e o que era céu, pois em instantes tudo se modificava com a força operante. Olhava as nuvens que passavam velozes refletindo toda uma gama de intensidades luminosas colorantes. E quando a terra se transfigurava fundindo-se ao horizonte, todas as cores justapostas e misturadas formaram o cinza.

[...] O ser da sensação não é a carne, mas o composto das forças não-humanas do cosmos, dos devires não humanos do homem, e da casa ambígua que os troca e os ajusta, os faz turbilhonar com os ventos. A carne é somente o revelador que desaparece no que revela: o composto de sensações. (DELEUZE, 2004, p. 236)

Ao comentar o sonho com uma amiga descobriu que existia outras teorias das cores além da teoria de Isaac Newton, como a teoria de Johann Wolfgang Goethe. Mas, foi quando cursava a Escola de Belas Artes, na disciplina Teoria

das Cores que seu sonho fora materializado. Ao compor a união das cores químicas, cores-pigmentos de diversas formas, quando todas estavam justapostas formava-se a cor cinza e não a cor branca.

Goethe em seu acervo dos tratados cromatológicos foi o primeiro a propor uma distinção entre três tipos de cores; as cores fisíolológicas, as cores físicas e as cores químicas (cores pigmentos). Entretanto, em uma escala hierárquica trata em primeiro lugar das cores que denomina fisiológicas no “Esboço de uma Teoria das Cores”. Sendo o olho, órgão fundamental para a percepção das cores fisiológicas. Diferente de Newton, propõe outros aspectos da cor, como sensação transformada em percepção.

Em outro tempo, quando já estava envolvida com o processo de pesquisa para o doutorado, ao estudar Deleuze em seu livro A Lógica da Sensação, ficava pensando por que o filósofo citava Goethe de uma maneira tão rasante? Embora Goethe, tenha desenvolvido um intenso trabalho sobre a teoria das cores e atribuído ao mundo dos sentidos a importância na constituição do sujeito, contrapondo-se a Kant na “Crítica da Razão Pura”, pois trata-se de um “sensorialista”.

Eis o que é preciso compreender: a onda percorre o corpo; um órgão será determinado num certo nível, de acordo com a força encontrada; e esse órgão mudará se a força também mudar, ou quando se passar de um nível a outro. Em suma, o corpo sem órgãos não se define pela ausência de órgãos, não se define apenas pela existência de um órgão indeterminado; ele se define, enfim, pela presença temporária e provisória dos órgãos determinados. (DELEUZE, 2007, p. 54)

Goethe caracteriza a cor como sensação que se transforma em percepção avançando nas caracterizações até então propostas as cores. Entretanto, atribui em uma escala hierárquica primeiramente as cores fisiológicas, que são produzidas pelo órgão visual, sob ação de excitação mecânica ou como forma de equilíbrio e compensação cromática, diretamente influenciada pelo cérebro, como resultado de ação e uma reação da vista. Tanto para Goethe, como para Merleau Ponty a sensação está acoplada ao

fenômeno. Sendo a sensação colorida destinada a: é preciso de um olho que vê.

Para Deleuze “a carne é somente o revelador que desaparece no que revela: o composto de sensações” ( DELEUZE, 2004, p.236).E no encontro um órgão é determinado. Órgão provisório, que só dura o quanto durar a passagem da onda e a ação da força, do composto de sensações.

Projeto/ processo

O ato do monumento não é a memória, mas a fabulação. Não escreve com lembranças da infância, mas por blocos de infância, que são devires-criança do presente.. A música está cheia disso. Para tanto é preciso não memória, mas um material complexo que não se encontra na memória, mas nas palavras , nos sons,

na luz: “Memória eu te odeio”. (DELEUZE, 2004, p.218)