• Sonuç bulunamadı

6.3. Altenatif Demir Üretim Yöntemleri

6.3.2. Döner ısıtma teknolojileri

6.3.2.6. ITmk3 prosesi

Enquanto muitos dos integrantes do movimento The Extropy declaram abertamente ser ateus e demonstram descrédito diante de qualquer resquício de misticismo e religiosidade - apesar de seus fundamentos e sistema de organização rememorarem aos de um dogma -, outros movimentos de inspiração tecnocientífica reivindicam para si o caráter de religião e o direito de culto. O mais conhecido destes cultos ciberculturais é o Raelianismo, seita com base no Canadá, que mistura crença cega no potencial da tecnociência para a solução de todos os problemas humanos à mensagens de inspiração alienígena, unindo um tema tão caro à ficção

32 Betterhumans Site – Url: http://www.betterhumans.com/ , acessado em 20/03/2006. 33

Singularity Institute Site - Url: http://www.singinst.org/, acessado em 20/03/2006.

34 Transhumanists Arts & Culture Site - Url: http://www.transhumanist.biz/, acessado em 20/03/2006. 35

Fundacíon Tecnohumano Site - Url: http://www.tecnohumano.net/, acessado em 22/03/2006.

científica, a vida extraterrestre, ao discurso de louvor aos avanços da robótica, telemática, nanoengenharia e genética molecular.

O nome raelianos (raëlians) é dado aos membros da seita. Eles são os seguidores do francês Claude Vorilhon, ex-jornalista automobilístico e ex-piloto de carros de corrida, que adotou o nome de Raël. Ele conta que, em 13 de dezembro de 1973, estava num vulcão próximo a Clermont-Ferrand, na França, quando avistou um OVNI de 7 metros de diâmetro, “feito de um metal prateado muito brilhante, movendo-se em total silêncio”. O líder messiânico afirma que "uma criatura radiante surgiu e revelou-lhe a verdadeira origem da humanidade, disse ainda que daquele ponto em diante ele seria conhecido como Raël", que significa "mensageiro." Raël é considerado por seus seguidores o profeta do terceiro milênio e, como tradicionalmente acontece em religiões estabelecidas, todos têm que pagar o dízimo para a manutenção da seita. O “profeta” afirma que a raça extraterrestre chamada Elohim ensinou-lhe que a humanidade foi criada a partir do DNA de alienígenas há cerca de 25.000 anos, e ainda, toda a vida na terra, incluindo os reinos vegetal e animal, teria sido criada nos laboratórios dessas criaturas alienígenas. Raël também aprendeu dos Elohim que a clonagem é o caminho para a imortalidade, e que não existe Deus nem alma. Para ele, nossos criadores alienígenas querem que sejamos belos e atraentes, e vivamos uma vida sensual, livre das restrições da moralidade tradicional Judaico-Cristã. Seu dogma está repletos de ecos da filosofia hedonista.

Os raelianos crêem na clonagem como panacéia para conquistarem a vida eterna. Segundo Raël (2003), para chegar ao nível tecnológico dos ETs, é necessário ultrapassar a etapa do "crescimento acelerado", isto é, "clonar em poucos minutos, sem necessidade da permanência de nove meses no ventre materno, nem 18 anos para se tornar adulto". De acordo com ele, trata-se de produzir "alguém que se pareça conosco apenas fisicamente, como uma fita cassete virgem", para então "poder transferir a personalidade e a memória a um computador, depois clonar um ser adulto". "Quando uma pessoa é clonada, cada vez que morre, ao transferir sua memória e personalidade a um corpo novo, ela vive eternamente em vários corpos" (Raël, 2003:28).

Com o objetivo de levar a cabo suas teorias sobre a clonagem, Raël criou, juntamente com a geneticista Brigitte Boisselier, a Clonaid, empresa dedicada a produzir clones humanos, que como já ressaltamos, causou furor ao redor do mundo ao anunciar a criação do primeiro clone humano em 2002, feito que até hoje não foi comprovado. Em seus livros e no site37 do movimento, Raël defende uma série de preceitos, como o de uma “religião sem deus”, e acredita que os alimentos transgênicos serão responsáveis pelo fim da fome no planeta, que a nanotecnologia, a robótica e a biotecnologia eliminarão o trabalho humano, criando andróides que nos servirão enquanto teremos tempo livre para a diversão e aprimoramento da consciência. O discurso hedonista de Raël é todo construído a partir das previsões mais otimistas da tecnociência e influenciado pelo ideário da FC, baseando seu pensamento em afirmações como a que se segue:

Vivendo eternamente (NA: ele se refere à possível vida eterna proporcionada pelos avanços da ciência) numa sociedade em que não mais é necessário trabalhar, os seres humanos viverão constantemente no prazer e num universo lúdico. Passando alternativamente dos jogos e experiências de realidade virtual aos encontros físicos com outros humanos ou robôs biológicos para ter

experiências sexuais, os encontros físicos com outros seres humanos por amizade, as drogas eletrônicas, a prática ou o estudo das artes ou das ciências, etc...Cada nova jornada será uma nova sucessão de prazeres ininterruptos (RAËL, 2003:102).

Em seu livro Sim, Clonagem Humana, Raël (2003) demonstra familiaridade e admiração pelo transhumanismo, citando o site da W.T.A como referência ideal para a compreensão do ideário transhumano. O líder religioso trata da transbiomorfose (transferência da consciência para um chip de computador) com muita propriedade, revelando que deve ter lido também os textos do movimento The Extropy. Um dos trechos mais interessantes e controversos do livro trata sobre a criação daquilo que ela chama de “robôs biológicos”, escravos criados geneticamente para satisfazer nossas necessidades e substituir-nos em tarefas consideradas menores. Ele diz que a utilização indiscriminada desses “robôs biológicos” no futuro será um dos avanços tecnológicos mais importantes para a evolução humana.

O que é irônico (...) é o fato de que todos aqueles que são contra os robôs biológicos não sentem problema algum em ver, cada dia, bilhões de humanos trabalharem para si como animais ou como escravos, por salários de miséria. A verdadeira escravidão é de continuar a se empregar gente para fazer qualquer coisa de que não goste para que possam comer com um salário mínimo. (...) Os robôs biológicos não são seres humanos. Eles podem ser postos a trabalhar simplesmente os alimentando para que possuam bastante energia para sobreviver e nos servir. (RAËL, 2003:78).

A sede do Raelianismo fica em Montreal, mas a “religião” é internacional e afirma ter cerca de 50.000 membros em 85 países. A seita de Raël tem ganhado notoriedade devido às constantes polêmicas que suscita, provando que seu líder é um esperto estrategista midiático e que tem uma noção clara da conseqüente expansão de seu movimento com a exposição sucessiva na televisão, em jornais e revistas. Talvez a questão mais controversa pregada por Raël seja sua defesa da eugenia através do melhoramento genético do homem, ele acredita que ela "contribui para melhorar a espécie ao liberá-la de todas suas taras genéticas e suas limitações", produzindo assim uma “nova espécie humana aperfeiçoada e igualitária”. A utopia transcendentalista de base tecnológica prometida pelo Raelianismo reedita de forma pós- moderna as promessas de paraíso das religiões ocidentais, mixando em um mesmo discurso tecnociência, misticismo e ficção científica.

O mundo utópico das indistinções de raça, classe ou gênero é uma reedição da narrativa edênica. A religiosidade transhumanista elege um paraíso que pode ser alcançado no plano da imanência, nesse nosso mundo sublunar, mas num tempo ainda por vir como promessa messiânica. Nesse imaginário se expressa um desejo de redenção tecnológica, da criação de um admirável mundo novo (...) como versão cibernética da Nova Jerusalém Celestial (FELINTO, 2003:29). Talvez a primeira forma de religião baseada na ficção científica e em preceitos da ciência tenha sido a Cientologia, criada em 1950 pelo escritor de ficção científica L.Ron Hubbard ao publicar o livro Dianética: uma Ciência Moderna da Saúde Mental. O ensaio iniciava com o preceito de que “a mente é um computador”, dessa maneira, quando em bom estado nossa “mente ativa” relembra todos os dados, responde racionalmente e soluciona todos os problemas possíveis. No entanto a “mente ativa” pode ser obstruída por nossa mente reativa, um banco de memória que corresponde ao conceito Freudiano de inconsciente, onde existem circuitos negativos responsáveis por nossas reações de medo, dor e angústia.

Como nos relata Erik Davis (1998), a primeira igreja da Cientologia surgiu em 1954 e Hubbard incorporou a seus conceitos algo de psicologia budista e da mágica ocultista de Aleister Crowley. Para Davis, Hubbard desenvolveu uma nova “tecnologia cyborg”, o “electropsicômetro” ou E-meter, que auxiliava seus seguidores e era chamado de “Deus numa Caixa” (via tudo, sabia tudo e nunca errava). A igreja Católica tentou condenar o aparelho, mas Hubbard o classificou de “artefato religioso”, dessa forma se tivesse que provar a eficácia do aparelho, o Vaticano teria de provar a eficácia da água benta, mesmo assim um juiz federal baniu o E-meter para diagnósticos seculares, permitindo apenas seu uso religioso.

A Cientologia reproduz em suas estruturas muitos dos elementos de manipulação, totalitarismo e fanatismo que condena; os tapes que os iniciados escutam têm paralelo com a técnica dos discursos de Hitler para convencer as massas. (...) Margery Wakefield, uma ex-discípula da Cientologia relata: “Eu era uma máquina programada para responder a estímulos, um robô. Ou como usualmente chamam os ex-scientologiastas: um “Rondroid” (DAVIS, 1998: 141- 142).

Outro culto tecnocientífico que reivindica a sua condição de religião é o Prometeísmo (Prometheism), assim como Raël, os prometeístas levantam a bandeira da eugenia genética e colocam-na como idéia fundamental de seu dogma biotecnológico. O movimento criado no ano 2000 tem como patrono o mítico Prometeu grego e foi fundado pelo engenheiro Matt Nuenke, graduado na University of Wisconsin. No site38 da seita seu criador declara que o Prometeísmo é uma “nova religião” não baseada no igualitarismo e na superstição, e sim fundamentada na ciência, na razão, no objetivismo, na evolução da consciência e empiricismo. O fundador conclama a todos a unirem-se a sua nova religião em busca das possibilidades ilimitadas do futuro e reitera que sua seita é dedicada a Prometeu, ao simbolismo de seu mito. As palavras de Dworkin presentes no site dos Prometeístas resumem essa adoção da simbologia prometéica: “Brincar de Deus é o mesmo que brincar com fogo. Mas isso é o que nós mortais temos feito desde Prometeu, o santo patrono das descobertas perigosas. Nós brincamos com fogo e recebemos as conseqüências disso, do contrário seremos covardes diante da face do desconhecido.”

O principal preceito da doutrina Prometeísta é o que eles chamam de “neo-eugenia” (neo- eugenie), declarando-se “neo-eugênicos”. Para eles, um novo programa eugênico baseado na manipulação genética do DNA humano, visando o desenvolvimento de uma raça evoluída pós- humana, chamada de “Espécie Prometéica” (Promethean Species), é o caminho para a evolução da espécie humana e para a promoção de uma verdadeira sociedade igualitária do futuro com seres belos, fortes e com elevado nível de consciência. A biotecnologia e engenharia genética formam a base da filosofia Prometeísta. Em seu dogma, outras formas possíveis de evolução pós-humana, como a transbiomorfose (upload da consciência para um chip) extropiana, e a clonagem raeliana, são estágios do processo para alcançarem a verdadeira pós-humanidade por meio da evolução “neo-eugênica”. Para eles, a utopia futura será construída por essa espécie “pós-humana neo-eugênica” e um mundo repleto de novas criaturas animais e vegetais evoluídas geneticamente, híbridos humanimais & vegetanimais. Os prometeístas não fazem alusão a ETs, nem qualquer outra referência fora das possibilidades da tecnociência como base para sua doutrina. Mesmo assim, como os raelianos, preferem ter seu movimento considerado como uma religião, uma nova “religião da ciência”. No universo dos “movimentos pós-humanos” deflagrados pela cibercultura recente, cabe ainda

38

destacarmos três outros grupos, que apesar de não reivindicarem o caráter religioso de suas idéias e ideais, constroem o seu discurso baseados em princípios que rememoram os dogmas raelianos e prometeístas. São eles os transtopianos, os singularitianos e os imortalistas.

A chamada Transtopia tem a pretensão de reunir em sua ideologia todos os preceitos presentes em outros movimentos trashumanistas. No site39 do movimento, seus fundadores

definem o Transtopianismo (transtopianism) como “a filosofia e movimento que promovem uma auto-atualização transcendente por meio da razão, da ciência e da tecnologia”. Eles reforçam sua singularidade e diferença em relação a outros movimentos trashumanistas como The Extropy e Singularitians ao destacarem o caráter holístico, individualista e dualista de sua proposta, motivada por quantidades iguais de otimismo e pessimismo em relação às possibilidades da ciência, abolindo os extremos da tecnofilia observada em outros movimentos transhumanos e os exageros de “detratores tecnófobos” do transhumanismo.

No final da década de 50, (...) Gilbert Simondon já descrevia a tecnofobia como um elemento de nossa cultura. Segundo Simondon a cultura apresenta uma atitude ambivalente em relação aos objetos técnicos: por um lado, os enxerga de forma neutra, como simples reunião de matéria inanimada e sem significação; por outro os toma como seres inteligentes imbuídos de intenções hostis para com a espécie humana (FELINTO, 2005:117).

Como os extropianos, os transtopianos prepararam um “manifesto para o século XXI”, na verdade uma lista de 12 princípios que regem seu movimento, dentre os quais se destacam: “O Pessimismo Dinâmico” – que diz não existirem certezas, nem garantias para a evolução pós- humana, mas sim potencial para isso, portanto devemos manter a esperança, mas sermos realistas em relação a ela; “A Não Procriação” – para eles a evolução humana poderá ser prejudicada se continuarmos nos procriando; “O Hedonismo Inteligente” - o prazer e a felicidade são coisas desejáveis que devem fazer parte da evolução humana em detrimento da moral e da lógica imperativas ; “ O Singularitarianismo” – preceito pelo qual a humanidade está prestes a passar por uma mudança drástica causada pelos avanços tecnológicos . Esse último princípio é a base de outro movimento o Singularitianismo.

O site do SIAE – Singularity Institute for Artificial Inteligence 40 é o espaço de aglutinação dos

chamados singularitianos, grupo criado em julho de 2000, baseado na crença do iminente surgimento de uma inteligência superior à humana proporcionada pelo avanço tecnológico. O movimento tem na figura de Vernon Vinge, professor do departamento de ciência da computação da State University of San Diego, a principal referência para suas reflexões. Vinge é o idealizador da teoria da “singularidade”, que prevê essa ruptura drástica para a humanidade a partir do desenvolvimento de uma inteligência artificial consciente capaz de superar a humana, ou hibridizar-se a ela, ou ainda unir-se aos avanços da engenharia genética para produzir uma superinteligência híbrida de carbono e silício. Uma das missões destacadas pelos singularitianos é seu engajamento nas pesquisas científicas que podem determinar a singularidade, restringindo o alcance do movimento que atrai particularmente cientistas, engenheiros e profissionais da área tecnológica.

O grupo dos imortalistas, assim como o dos singularitianos, é composto basicamente por cientistas, engenheiros e tecnólogos. O Immortality Institute41, organização que congrega os

39 Transtopia Site - Url: http://www.transtopia.org/intro.html, acessado em 06/03/2006. 40

SIAE Website – Url: http://www.singinst.org/, acessado em 06/03/2006.

41

imortalistas, foi fundado em setembro de 2002. Seu site inclui em detalhes a missão do instituto e a crença nos avanços tecnocientíficos como caminho para o alcance da vida eterna. Uma das questões mais discutidas pelos membros do grupo é a criogenia e suas possibilidades, mas eles também estão abertos a todas as outras tecnologias transhumanistas. O Immortality Institute investe na difusão de suas idéias através da publicação de livros, da realização de conferências e de filmes, como Exploring Life Extension (2005), documentário de 01h45min sobre as possibilidades vislumbradas pela ciência de extensão da vida e alcance da imortalidade. O filme pode ser baixado gratuitamente no site do instituto ou ainda recebido em formato DVD pelos interessados via correio sem nenhum custo. Em 2004 o Immortality Institute lançou o livro The Scientific Conquest of Death – Essays on Infinite Lifespams uma coletânea de artigos tratando de temas relacionados à extensão da vida, avanço tecnológico, robótica, nanoengenharia, biotecnologia e imortalidade, a compilação reúne ensaios de importantes pensadores transhumanos como os PhDs Ray Kurzweil e Marvin Minski.

A característica mais marcante de todos esses movimentos é seu discurso que funde crença na tecnociência, vislumbres da ficção científica como reais possibilidades para o futuro da humanidade e uma certa contaminação pela estrutura organizacional das religiões instituídas, tornando a ciência uma espécie novo culto transcendente, uma nova forma gnóstica a “gnose tecnológica”.

“Gnosticismo tecnológico” é a expressão que o sociólogo Hermínio Martins utiliza para definir o pathos das tecnologias contemporâneas. Ela indica uma mudança de perspectiva em relação às representações da tecnologia correntes até princípios do século XX. Até então, a tecnologia era representada como uma forma de extensão do corpo humano, e desse modo a imagem material do corpo tinha prioridade sobre o maquínico. No horizonte das novas tecnologias, contudo, é o humano que é absorvido pela máquina, tornando-se apenas mais um sistema de informações entre outros. (FELINTO, 2005: 63).

Benzer Belgeler