O mercado de embalagem é um dos mais importantes movimentadores da economia mundial. Representa um mercado de aproximadamente U$500 bilhões e cerca de 1 a 2 % do Produto Interno Bruto (PIB) dos países. No Brasil representa cerca de 1,3% do PIB (BRASIL PACK TRENDS 2005 [...], 2000). Em 1992 chegou a 1,5% do PIB, 3,7 milhões de toneladas produzidas. Cerca de 60% do mercado de embalagens é absorvido pela indústria alimentícia (SANTOS e CASTRO, 1998). Em 1998 teve o mesmo índice do PIB de 1992, 1,5% (ARAÚJO, 2000).
Conforme estudo realizado pela FGV–RJ para a ABRE, a indústria de embalagem no Brasil apresentou uma receita liquida de vendas de R$ 31,338 bilhões em 2005 [cerca de US$
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Que também são celulósicas, mas devido ao uso e características bem diferentes das de papel não foram incluídas no item que trata dessas embalagens.
12,8 bilhões], R$ 2,492 bilhões a mais do que em 2004. A expectativa de crescimento para 2006 era de 3%, segundo a previsão de crescimento econômico do país, embora em 2005 a indústria de embalagens tenha registrado 1,26% de queda na produção física (ABRE, 2006A).
As referências consultadas concordam quanto a qualidade das embalagens nacionais serem similares as dos países desenvolvidos, mas Araújo (2000), esclarece que isso só começou a ocorrer no início da década de 90, com a abertura do mercado aos produtos importados. Com isso nossas embalagens passaram a sofrer com a concorrência, e “vendo as vendas despencarem e seus produtos encalharem nas prateleiras” as indústrias nacionais passaram a dar mais importância à embalagem.
A Tabela 9 apresenta dados sobre consumo per capita de embalagens em alguns locais do mundo, assim como a média mundial. Na Figura 5 vê-se o consumo mundial de embalagem, em porcentagem, por tipo de material. Esses dados se referem ao ano de 1999, conforme a referência consultada.
Tabela 9 – Mercado mundial de embalagem
Local População
(milhões de habitantes)
Consumo total de embalagem (bilhões de dólares)
Consumo per capita (dólares) Europa 350 135 385 Estados Unidos 300 120 400 Japão 90 40 450 Todos os outros países 5200 205 40 Total mundial 5900 500 85
Fonte: BRASIL PACK TRENDS 2005 [...] (2000), p. 2.
Pelos dados da Tabela 9, percebe-se a grande diferença entre os consumos de embalagem nos países europeus, Estados Unidos, Japão e os outros países. Lembra-se ainda, que entre os dados inclusos dentre os Todos os outros países, estão países também desenvolvidos e com alto consumo per capita. Excluídos estes países, a diferença se
ampliaria. É porém nos países em desenvolvimento que, segundo o BRASIL PACK TRENDS 2005 [...] (2000), espera-se um maior crescimento no consumo de embalagens, pelas tendências de aumento das demandas.
No Brasil, o consumo per capita de embalagens é em torno de U$64 segundo a mesma referência.
Figura 5 – Mercado mundial de embalagem por tipo de material Fonte: BRASIL PACK TRENDS 2005 [...] (2000), p. 2.
Quanto ao custo da embalagem no custo final do produto, estes são estimados entre 5 e 50%, com uma média de 16% (SILVA, 2000). Nos países industrializados os custos relativos tendem a ser menores devido à otimização dos processos de fabricação e distribuição, segundo o mesmo autor.
2.2.5.1 Tendências do mercado
De acordo com o BRASIL PACK TRENDS 2005 [...] (2000), os principais fatores que influenciariam as mudanças no setor de embalagens seriam os seguintes:
• Influências econômicas, demográficas e sociais: desempenho da economia mundial; população e mudanças demográficas; padrões e estilos de vida;
5% 3 3% 6% 2 5% 2 6% 5 %
Equipamento de embalagem Celulósica
Vidro Metálicas
• Marketing e atitudes do consumidor: comportamento do consumidor; mudanças no varejo e sistemas de distribuição;
• Aspectos legais e ambientais: pressões legais; preocupações ambientais; disponibilidade de matéria-prima;
• Influências tecnológicas: desenvolvimento tecnológico de manteriais de embalagem; novos processos de manufatura de produtos.
Haveria cada vez mais pressão para a inovação das embalagens, como diferencial na apresentação dos produtos. Soluções inovadoras em embalagens, que agreguem valor aos produtos ou reduzam custo, tendem a ser tornar, cada vez mais, fundamentais para o sucesso dos produtos, uma vez que estes estão cada vez mais se tornando padronizados em âmbito internacional, até mesmo em atendimento à legislação internacional. A isso associa-se o aumento de exigência por parte dos consumidores. Essa era uma previsão realizada pelos especialistas organizadores do BRASIL PACK TRENDS 2005, versão de 2000.
Embora possamos dizer que os fatores mencionados continuem influenciando as mudanças no setor de embalagens, nem todos têm a mesma influência e importância. No caso do Brasil, as questões ambientais, embora continuem como tendência, não modificaram de forma significativa o cenário do desenvolvimento das embalagens. A previsão de, preferencialmente, se usar monomateriais ao invés de materiais complexos não só não se efetivou, como houve uma implementação significativa no uso destes últimos. Não parece haver uma indicação de que, a curto e médio prazo, esta tendência se reverta, embora seja alto o impacto ambiental. Também a atuação mais voltada para questões ambientais continua restrita a pequena parcela de consumidores.
O crescimento do comércio eletrônico tem influenciado no desenvolvimento de embalagens, diminuindo seu caráter de atrair o consumidor, e ampliando a sua função de proteção ao produto.
Um outro fenômeno observado aponta para o paradoxo entre a tendência de homogeneização de embalagens ao nível internacional, ao mesmo tempo em que se tende para a regionalização, de acordo com a cultura de cada lugar. À mundialização da cultura, portanto um movimento de padronização cultural, observa-se uma forma de resistência das identidades culturais próprias dos países e grupos sociais. Isso poderá refletir-se no desenvolvimento das embalagens.
Outra tendência é a mudança cada vez mais rápida na demanda diferenciada de produtos, e conseqüentemente de embalagens, “Numa economia dinâmica, em que os artigos e formas do comercialização mudam constantemente, as necessidades quanto às embalagens também mudam na mesma velocidade para acompanhar as necessidades de consumo[...]” (BELLO, 1999: 17)