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4. MEKANlN ALGlLANMASI

1.5. işlevsel Camlar

1.5.1. iklim Kontrol Çözümleri ve Cam

64 CARVALHO, Paulo de Barros. Direito tributário, linguagem e método. São Paulo: Noeses, 2008, p.

Em síntese, e de modo genérico, conforme se adiantou no tópico anterior, existem três correntes sobre a definição de lançamento tributário: (i) a primeira defende tratar-se de procedimento administrativo; (ii) a segunda entende o lançamento como processo, que se vale de um procedimento; (iii) a terceira defende que o termo lançamento pode ser utilizado para designar tanto um ato administrativo, quanto também para referir-se ao próprio conteúdo do ato expedido.

Consoante já esclarecido, embora não existam conceitos certos ou errados, é necessário que se adote uma posição de modo a dar clareza ao discurso, e a partir de então, sob pena de incoerência, segui-la.

Neste diapasão, considera-se o lançamento como ato administrativo, resultante de um processo, que se vale, para sua enunciação, de um procedimento.

Processo é aqui empregado para designar um conjunto formado por uma série de atos cujo objetivo final é inserir no sistema um enunciado normativo. Procedimento, por sua vez, é definido como uma sequência de atos destinados à realização de um fim, conforme elucida Hely Lopes Meirelles65, ao tratar especificamente do procedimento administrativo:

Procedimento administrativo é a sucessão ordenada de operações que propiciam a formação de um ato final objetivado pela Administração. É o iter legal a ser percorrido pelos agentes públicos para a obtenção dos efeitos regulares de um ato administrativo principal.

Paulo César Conrado66, ao tratar da diferença entre processo e procedimento,

com clareza enuncia: “por procedimento devemos entender a forma de organização dos atos que compõe o processo, funcionando, nessa linha, como um verdadeiro instrumento desse último”.

Desse modo, não vemos o lançamento como um procedimento, e sim como ato final resultante de um “processo de constituição do crédito”, que se vale para sua

65 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. 19.ed. São Paulo: Malheiros, 1994, p.

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constituição de uma série de outros atos (procedimento), mas que sem tais atos não poderá ser tido como “lançamento”.

Nessa linha de raciocínio, afirma o professor Paulo de Barros Carvalho67:

Em suma, caracterizar o lançamento como um procedimento, consoante a expressão do artigo 142 do Código Tributário Nacional, é operar com grande imprecisão. Se o procedimento se consubstancia numa série de atos que se conjugam, objetivamente, formando um todo unitário para a consecução de um fim determinado, salta aos olhos que, ou escolhemos o ato final da série, resultado do procedimento, para identificar a existência da entidade, ou haveremos de reconhece-lo, assim que instalado o procedimento, com a celebração dos primeiros atos. Parece óbvio que não basta existir procedimento para que haja lançamento. Ainda mais, pode haver lançamento sem qualquer procedimento que o anteceda, porque aquele nada mais é que um ato jurídico administrativo, com peculiaridades que cuidaremos, a breve trecho. E como expressamente consigna o artigo 142 do Código Tributário Nacional. Consiste, muitas vezes, no resultado de um procedimento, mas com ele não se confunde. O procedimento não é da essência do lançamento, podendo consubstanciar ato isolado, independente de qualquer outro.

Além da divergência apontada acima, destaca-se ainda o inconveniente de se empregar a palavra lançamento tanto para designar o ato administrativo constitutivo do crédito, como, também, o próprio produto.

De acordo com Eurico Marcos Diniz de Santi68, a distinção entre lançamento como procedimento e lançamento como ato administrativo dependerá da utilização normativa ou fática da expressão. Confira:

Diante da plurivocidade da linguagem técnico-normativa (linguagem prescritiva permeada por termos do discurso científico-dogmático, assentada sobre o discurso natural), descabe a ressunção do cientista do direito em interferir desta forma sobre seu objeto, devendo, ao contrário, guardando postura cognoscitiva, considerar

67 CARVALHO, Paulo de Barros. BARRETO, Aires Fernandino. MARTINS, Ives Gandra da Silva

(Coord.). Caderno de pesquisas tributárias: decadência e prescrição. São Paulo: Centro de Estudos de Extensão Universitária: Editora Resenha Tributária, 1976, p. 39.

68 SANTI, Eurico Marcos Diniz de. Lançamento tributário. 2.ed. São Paulo: Max Limonad, 2001, p.

tais peculiaridades para melhor descrever os enunciados que conformam a linguagem do direito positivo.

Resolve-se, desta forma, a dicotomia instaurada pela doutrina em torno das teses que consideram o lançamento como ato ou procedimento, colocando esta dualidade em planos distintos: o procedimento, no plano fático; o ato-norma, no plano normativo.

Concluindo, mais adiante, o autor69:

No plano fático, define-se procedimento como o fato jurídico que se configura com a ordenação da série de atos e fatos jurídicos que corroboram, de forma sucessiva ou instantânea, sequencial ou não, na formulação do suporte fático do fato jurídico suficiente para edição do ato-norma administrativo.

A norma que deflui do art. 142 é norma de estrutura que informa o modo de produção do ato-norma administrativo. Trata-se de regra que determina à administração federal, estadual, municipal e distrital, os modos de produção de ato-norma administrativo de lançamento válido. [...] Lançamento tributário é o ato-norma administrativo que apresenta estrutura hipotético-condicional. Este associa à ocorrência do fato jurídico tributário (hipótese) uma relação jurídica intranormativa (conseqüência) que tem por termos o sujeito ativo e o sujeito passivo, e por objeto a obrigação deste em prestar a conduta de pagar quantia determinada pelo produto matemático da base de cálculo pela alíquota.

Estevão Horvath70, por sua vez, para evitar confusões teóricas, utiliza a expressão “procedimento de lançamento” para designar a sequência de atos cujo objetivo é apurar o tributo devido pelo contribuinte, empregando, por outro lado, o termo “lançamento” para identificar o ato produto desta etapa procedimental de constituição do crédito tributário. Vejamos:

Fulcrados na ideia de que existem (ou podem existir) tributos sem que haja procedimento de lançamento e que, por outro lado impõe a lei que o lançamento é ato privativo de autoridade administrativa (art. 142 do CTN), parece-nos mais tecnicamente adequado entender o lançamento como o ato administrativo em que culmina o procedimento impositivo [...] Em outras palavras, preferimos denominar procedimento de apuração dos tributos ao ‘procedimento de lançamento’ (quando, por óbvio, este exista, ou seja, necessário),

69 Ibidem, p. 157.

70 HORVATH, Estevão. Lançamento tributário e ‘autolançamento’. São Paulo: Quartier Latin, 2010, p.

deixando o termo lançamento para identificar o ato em que culmina esse procedimento ou é praticado independentemente da existência deste último.

Desse modo, levando-se em consideração a ambiguidade do termo “lançamento”, não é possível desconsiderar que o lançamento, em determinados casos, é designado como processo de formalização das relações jurídicas tributárias, em outros, como o próprio conteúdo expedido. Portanto, para fins metodológicos e didáticos, é de essencial importância diferenciar o processo do produto, conforme demonstraremos adiante.

Nessa linha de raciocínio, Paulo de Barros Carvalho71 afirma:

Lançamento é palavra que padece do problema semântico da ambiguidade, do tipo “processo/produto”, como tantas outras nos discursos prescritivo e descritivo do direito. É lançamento o processo de determinação do sujeito passivo e apuração da dívida tributária, como é lançamento também, a norma individual e concreta, posta no sistema com a expedição do ‘ato de lançamento’. Eis, novamente, a imperativa necessidade do esforço de elucidação, de tal modo que o jurista, ao empregar o vocábulo, possa indicar em qual dos dois sentidos ele o fez. Se pensarmos que ato e procedimento são signos distintos, com elaborações teóricas próprias, dentro do Direito Administrativo, importa muito conhecer esse aspecto para decidir qual a doutrina que vai ser aplicada às situações empíricas.

Segundo Marina Vieira de Figueiredo72, a distinção entre ato e processo somente pode ser visualizada de acordo com a perspectiva estática ou dinâmica que fora adotada:

Ato (enquanto ação) e procedimento são apenas duas formas distintas de analisar uma mesma realidade jurídica. Ato seria sinônimo de ação na sua perspectiva estática, ou seja, como algo pronto e acabado, enquanto procedimento representaria ação na sua

71 CARVALHO, Paulo de Barros. BARRETO, Aires Fernandino. MARTINS, Ives Gandra da Silva

(Coord.). Caderno de pesquisas tributárias: decadência e prescrição. São Paulo: Centro de Estudos de Extensão Universitária: Editora Resenha Tributária, 1976, p. 34.

72 FIGUEIREDO, Marina Vieira de. Lançamento tributário: revisão e seus efeitos. São Paulo: Noeses,

perspectiva dinâmica, significa dizer, como processo de atuação ou conjunto de elementos de caráter sucessivo.

No mesmo sentido, Gregorio Robles73 afirma:

Para que podamos hablar de juramento primero tiene que producirse el jurar; para hablar de saludo, antes es preciso que haya tenido lugar el saludar; el asesinato presupone e asesinar. Dicho con la máxima concisión: el sustantivo presupone la acción. La acepción estática de acción (como algo acabado y consumado, como la que ya ha sido actuado) da por supuesta la acepción dinámica (el proceso de actuación, la acción como proceso de elementos de carácter sucesivo). Vistas así las cosas, parece fuera de duda que la acción, en su acepción prioritaria, que es la dinámica, no puede ser otra cosa que el procedimiento.

Visando esclarecer, permite-se utilizar do seguinte exemplo. A produção de uma tese envolve vários atos: a escolha do tema, a pesquisa bibliográfica, a leitura, a escrita, a revisão, todos estes igualmente necessários para o processo de criação da tese, que não se confunde com a tese, sendo esta o resultado final de todo o processo de enunciação.

Com as explanações acima, pretendemos demonstrar que o signo lançamento pode ser empregado para designar o próprio processo de enunciação. Neste sentido, processo em essência, outras vezes, como veículo introdutor de norma geral e concreta do lançamento, produto do processo de enunciação, que, por sua vez, introduz outra norma individual e concreta, o crédito tributário.

Diante de tal polissemia, mais uma vez, é necessário destacar que no presente trabalho, nossa análise recairá sobre os pressupostos necessários para o válido processo de enunciação do crédito tributário. Ou seja, valendo do nosso exemplo, não estamos preocupados com a tese, e, sim, com seu processo de criação, vale dizer, em verificar se ela fora produzida em consonância com todos os requisitos que lhe eram impostos para sua válida enunciação.

73 ROBLES, Gregorio. Teoria del derecho: fundamentos de teoria comunicacional del derecho. V. 1.

Benzer Belgeler