B. Stratejik İşbirliği Ve Türk Tarafının Geçmişi Anımsatan Politika Değişikliğ
2. II İnönü-Sakarya Savaşları Sürecindeki İkili İlişkiler ve
A dimensão do cuidado com a criação sempre foi um elemento muito importante na teologia cristã, apesar de que tenha sido perpassado por um viés antropocêntrico. Especialmente nas últimas décadas, as igrejas têm vivenciado um processo de aprendizagem e construção da identidade coletiva, passando por uma experiência de confiança entre si e de
cooperação, possibilitando uma “comunicação face a face”. Ainda existe nas igrejas uma arquitetura vertical nas decisões políticas. Mas, “o trabalho ecumênico sobre mudanças
climáticas está enraizado na totalidade da criação e no imperativo bíblico do compromisso pela justiça, que presta especial atenção aos pobres”, fortalecendo as comunidades locais, para
que elas próprias possam ter voz “para articular suas demandas por elas mesmas”. A questão
climática está emergindo no seio do Conselho Mundial de Igrejas a partir da discussão sobre a
sustentabilidade desde 1970. “Além disso, “Justiça, Paz e Integridade da Criação” são as
preocupações prioritárias do movimento ecumênico desde 1990 para identificar as principais ameaças à vida”. 165
Por movimento ecológico se entende as manifestações da sociedade civil frente às questões ambientais, como o desmatamento, a poluição das águas, o envenenamento dos solos, a desertificação e, mais recentemente, o buraco na camada de ozônio, o aquecimento
que quer dizer, um novo sentido fundamental para a vida humana pessoal e social” (p. 143). E para isto é preciso, em
primeiro lugar, “refocalizar a própria compreensão do ser humano”, bem como rever “a concepção de sociedade” e a “noção de democracia”. E, além disto, “convém refundar a economia política”, que hoje, em vez de administrar as carências e promover o suficiente para todos, ela está a serviço do crescimento de poucos. E também, “impõe-se um novo paradigma de desenvolvimento”, que deve contemplar as “dimensões econômica, política, social e ambiental da história humana”. E, contudo, “é imprescindível uma transformação cultural e subjetiva” (p. 143-145). Leonardo Boff sustenta que o cristianismo deve dar enorme contribuição para a solidificação da democracia e “deve ajudar a criar um mundo para
todos, e não só para cristãos” (cf. BOFF, 2006. p. 143-148).
165 Cf. WCC. Climate Justice and Human Rights: Why Churches can Make a Difference (2011). Disponível em:
<http://www.oikoumene.org/en/resources/documents/wcc-programmes/justice-diakonia-and-responsibility-for- creation/climate-change-water/climate-justice-and-human-rights.html> Acesso em 27 out. 2011. p. 8513.
global e as mudanças climáticas. Algumas questões são de mais longa data e outras próprias das últimas décadas, como é o caso das mudanças climáticas em âmbito global. E, frente a tudo isto, diversas igrejas cristãs, bem como outras religiões, também se articulam numa agenda ambiental ecumênica. E, no nosso caso, a referência é especificamente quanto ao movimento ecológico ecumênico articulado pelo Conselho Mundial de Igrejas, que nas últimas duas décadas vem consultando e orientando seus membros, igrejas presentes em todo o mundo, para ações concretas que articulam justiça, paz e ecologia. Isto já é tradição no
CMI, com “marca registrada” desde a convocatória de Seul aos dias de hoje.
A forma concreta de testemunhar a aliança com Deus Criador é preservar a criação de todas as ameaças, dando prioridade de apoio aos mais ameaçados, que são as vítimas das mudanças climáticas, os refugiados do clima. A promoção da justiça e da paz entre as criaturas é a expressão da aliança com o Criador. E a grande causa do CMI é a justiça climática, assunto que abordamos nos três capítulos. Assim como é necessário denunciar os responsáveis pela degradação da Terra e pressionar os governos e autoridades internacionais, também é preciso olhar solidariamente para as vítimas, as pessoas e a natureza espoliadas pelo modelo de desenvolvimento global. Não podemos esquecer nossa responsabilidade ética. Como seres humanos, somos responsáveis pela dignidade de todas as formas de vida e pelas futuras gerações.166
De acordo com o teólogo Marcial Maçaneiro, o Conselho Mundial de Igrejas (CMI) passou por uma evolução de paradigma ecoteológico a partir da Assembléia Ecumênica da Europa (Basiléia, 1989), onde as igrejas européias abordaram o tema “Justiça e Paz”, dedicando espaço para a questão ambiental. Olhando para a pegada ecológica da humanidade, suas marcas de devastação ao longo da história, justificadas, inclusive pelo preceito bíblico
“dominai e multiplicai”, o CMI passou a buscar uma releitura da Bíblia numa ótica ecológica para compreender o sentido original de “Bereshit” (o princípio, o início, a gênese do
universo). Mas, se compreendeu que era preciso ir além da compreensão de “Bereshit”, sendo
necessário se afirmar em “Shalom” (a plenitude de justiça e paz com a criação).
Na visão do CMI, existem demandas com reciprocidade entre justiça, paz e ecologia.
166Leonardo Boff afirma em “Ecologia: grito da terra, grito dos pobres” que “o que pensamos e principalmente o que
sentimos devem nos ajudar a renovar nossas atitudes”. A política nos remete para a ética, que, por sua vez, apresenta
demandas que vão muito além da moral. “Dois princípios dão forma a esta ética: o princípio da responsabilidade e o princípio da compaixão” (p. 187). Leonardo Boff cita Albert Schweitzer, dizendo que “ética significa a ilimitada responsabilidade por tudo o que existe e vive” (p. 187). O ser humano vive de forma ética, quando vive responsavelmente
Por isso, a Convocatória Ecumênica Mundial de Seul, em 1990, com o tema “Justiça, Paz e Criação”, levou a reflexão para além de “Bereshit” e “Shalom” (do princípio à plenitude da criação) firmando-se em “Berith” (temos uma aliança, um pacto com o criador). Berith (uma aliança solidária, de amor, justiça, paz e ecologia, entre Criador e criaturas) é o ponto alto da ecoteologia do CMI, conforme também desenvolvemos esta pesquisa.
Este novo paradigma do CMI iluminou as reflexões teológicas em interação com o debate da ética, da política e da ecologia. E resultou em ações concretas, um programa de Justiça, Paz e Integridade da Criação, que envolve centenas de igrejas de todo o mundo num verdadeiro ato de aliança, um pacto com o Criador (Berith). Daí surge várias iniciativas de caráter local e global. E o CMI passa a levantar bandeiras como a globalização da solidariedade, a superação da fome, do racismo e da violência, a inclusão social e a participação popular nas gestões política e ecológica, bem como a questão das dívidas dos países pobres, a harmonia entre povos e etnias e o tema do desarmamento.
Com isso, o CMI estabelece diálogo com organismos internacionais, de modo especial, com o Programa das Nações Unidas para o Meio-Ambiente (UNEP) e a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO). Fruto, portanto, de uma releitura bíblica, o CMI vem colaborando com a comunidade humana, dando respostas de fé que ajudam a melhorar a vida no planeta. O testemunho de fé que as igrejas cristãs podem levar para os confins da Terra é de que temos uma aliança solidária, um pacto de amor, justiça, paz e ecologia, entre Criador e criaturas (Berith). Os sinais desta aliança estão nas iniciativas de justiça e paz com a criação de Deus.167
E para defender a justiça climática, garantir o direito das vítimas e refugiados do clima, o CMI se preparou para dar sua contribuição na CO-P17, entre os dias 28 de novembro a 9 de dezembro de 2011, em Durban, na África do Sul, com o objetivo de avançar na implementação da Convenção e do Protocolo de Quioto; bem como no Plano de Ação de Bali, que foi acordado na COP-13, em 2007; além dos Acordos de Cancun, alcançados durante a COP-16, em dezembro de 2010. Para o CMI, o encontro de Durban é considerado uma
“última oportunidade” para agir com responsabilidade pela justiça climática.168
167
Cf. MAÇANEIRO, Marcial. Religiões e Ecologia: cosmovisão, valores, tarefas. São Paulo: Paulinas, 2011. p. 88-90.
168 Cf. WCC. Ecumenical Water Network (EWN). (Notícias 23/11/11). Disponível em:
<http://www.oikoumene.org/en/activities/ewn-home/ewn-news-and-events-containers/english-news-container/single- news/article/3083/wcc-calls-durban-a-las.html> Acesso em: 23 nov. 2011. p. 3039.
Enquanto trabalhamos nesta pesquisa sobre a atuação do CMI nas questões ambientais, ocorrem as movimentações para mais uma Conferência das Partes, a COP-17, que, assim como outras conferências também é marcada pela atuação profética do movimento ecológico ecumênico. Estes espaços são decisivos e por isso não devem ser esquecidos pelas igrejas, que podem fazer a diferença antes, durante e depois.
Uma declaração do secretário geral do CMI, o Rev. Dr. Olav Fykse-Tveit, para a COP- 17, recorda que em Copenhague na COP-15, houve uma “falha em responder adequadamente aos desafios do clima”. E na COP-16, em Cancun, “os governos chegaram a um acordo que
trouxe de volta a possibilidade de negociações internacionais sobre o regime climático”. Mas,
os acordos de 2010 não são suficientes e agora em “Durban pode ser a última oportunidade para a comunidade internacional ser responsável no tratamento da mudança climática”. Porém, Durban deve adotar: um segundo período de compromisso do Protocolo de Quioto; um mandato claro para concluir as negociações em 2015; um conjunto de medidas para operacionalizar o Fundo do Clima Verde 169.
Manchetes referentes à COP-17, relacionadas com o CMI, dão conta de que “vozes religiosas estão pedindo justiça climática em Durban”. Além do projeto “Juventude para a
Ecojustiça”, organizado pelo CMI e a Federação Luterana Mundial (FLM), também membros
da Comunhão Anglicana mundial foram desafiados a orar para o sucesso nas negociações da COP-17 e assinar uma petição para combater as alterações climáticas. E no Brasil, no mesmo período que acontece a COP-17, o movimento ecumênico também se preocupa com os preparativos da Rio+20.170
Com o texto desta dissertação em aberto durante a realização da COP-17, além do que registramos acima, foi possível conferir outras manchetes171 com a marca da esperança e de
169
O Protocolo de Quioto é o único instrumento juridicamente vinculativo que temos até agora para estabelecer metas claras e objetivas para emissões de gases de efeito estufa.
170
Cf. WCC. Climate change programme. Climate change newsletter #53. Disponível em: <http://www.oikoumene.org/index.php?id=8592> Acesso em: 05 dez. 2011.
171 Manchetes de esperança e de contradições, como estas que apareceram nos boletins do IHU On-Line e algumas no “Climate change newslette” do CMI: “Vozes religiosas advogando pela justiça climática em Durban”; “Países negociam 3 textos para evitar fracasso da Conferência do Clima”; “Impasse marca final de encontro do clima”; “Brasil mantém papel importante em negociações”; “ONGs pressionam delegações por resultados”; “Ecojustiça mobiliza jovens no enfrentamento das mudanças climáticas”; “Kyoto é prorrogado por prazo indefinido com objetivo recorde de corte de emissões”; Ministra do meio ambiente do Brasil dá nota máxima para COP-17”; “Essencial para países pobres, Fundo do Clima sai do papel”; “EUA e China comprometem-se a cortar gases de efeito estufa em pacto global”; “Governos falham
em coragem e ambição nas negociações climáticas da ONU”; “O que está em jogo é muito maior do que a emissão de
muitas contradições. Onde também não faltaram críticas ao Brasil que simultaneamente votava no Senado a mudança do seu Código Florestal172.
E no que se refere ao movimento ecumênico ecológico, em Durban, deve se dar destaque ao envolvimento de jovens cristãos numa promessa ativa para a justiça ambiental.
Através do projeto “Juventude para a Ecojustiça”, numa parceria entre o CMI e a FLM, a
juventude cristã de todas as partes do mundo e das mais diferentes igrejas, após uma experiência de duas semanas em Durban, na África do Sul, acompanhando a COP-17, se comprometeram em promover iniciativas de ecojustiça em seus próprios contextos locais. Os jovens cristãos, mobilizados em Durban, querem desenvolver iniciativas de base para poder ajudar a transformar o clima de injustiça em uma nova realidade, de justiça e paz com a criação. Já que na avaliação dos coordenadores do encontro de juventude em Durban, a COP-
17 “ficou aquém do que o planeta e a humanidade precisam”.173
O CMI declara que “a Terra e seus habitantes não podem esperar mais”. Por isso
conclama as igrejas membro e todo o movimento ecumênico, bem como, as outras religiões para “continuar orando e falando, expressando o grito dos pobres e da Terra nestes momentos cruciais”.174 Pois, a humanidade vive hoje uma realidade complexa, mas ao mesmo tempo é possível distinguir algumas questões essenciais. Está claro que o mesmo sistema que oprime os pobres, é o que degrada o meio ambiente e promove guerras e conflitos em muitas partes do mundo. E é hora da humanidade, como uma comunidade de vida, fazer sua opção, pois ela será decisiva para salvaguardar a própria espécie humana e todo o sistema planetário. As igrejas e religiões podem contribuir por uma opção que é decisiva para manter o cordão umbilical da vida, permitindo que as futuras gerações venham e encontrem uma casa viva e
que é a COP-17: “Alerta e esperança: duas palavras para pensar os novos rumos do mundo”.
172
Claro que as vozes de quem representa países que nunca cuidaram do meio ambiente, agora soam mal ao criticar o Brasil. Mas, nosso país perdeu a chance de mostrar ao mundo que tem vontade política de cuidar das florestas que existem em seu território. A proposta de mudança do Código Florestal Brasileiro (CFB) votada no Senado é ainda bem melhor, politicamente falando, do que a anteriormente aprovada na Câmara dos Deputados, mas ainda é muito ruim para o meio ambiente, pois perdoa multas de terríveis crimes ambientais. E toda a discussão dos parlamentares se deu sem ouvir dignamente a ciência. Tudo para salvaguardar o interesse da posse de terra do setor agropecuário. Vale lembrar também que no Brasil, para este setor arcaico da agropecuária, posse de terra representa terra desmatada. O negócio deles não é a produção de alimentos, como dizem, pois a única fome que querem saciar é a própria, que é por dinheiro e terras devastadas.
173
Cf. WCC. Youth promise active involvement for environmental justice (14/12/11). Disponível em: <http://www.oikoumene.org/en/news/news-management/eng/a/article/1634/youth-promises-active-inv.html> Acesso em: 14 dez. 2011. p. 1724.
174 Cf. WCC. Statement of the WCC general secretary, the Rev Dr Olav Fykse-Tveit, for the UNFCCC COP 17 (23/11/2011).
Disponível em: <http://www.oikoumene.org/en/resources/documents/general-secretary/statements/statement-ahead-of- cop17-in-durban-2011.html> Acesso em 25 nov. 2011. p. 8589.
salutar para viver.175
O cristianismo, num movimento ecológico ecumênico, pode ser grande colaborador para que a humanidade assuma sua vocação de mordomo da criação. Conforme o Dicionário
Aurélio, o termo “mordomo” vem do Latim [majordomu, “o criado maior da casa”], que significa “administrador dos bens de uma casa, de uma irmandade, de uma confraria, etc.;
ecônomo” ou “serviçal encarregado da administração duma casa”. E na visão do CMI, este é o ser humano, o mordomo da criação de Deus. Devemos assumir, portanto, nossa condição de mordomos da casa que é o planeta e gozar de mordomia de forma sustentável. Mas o que se fez até agora, de modo geral, foi simplesmente viver a mordomia irresponsavelmente, sem compromissos com o cuidado da casa de todos, a nossa mãe e irmã Terra. Somos desafiados seguir a orientação das Escrituras, traduzindo a palavra “domínio” por “mordomia”, uma vez que não somos donos da Terra. E ser mordomo é ser responsável, cuidar amorosamente o mundo que Deus criou por amor, dando recursos para sustentar as gerações futuras e, equitativamente, as pessoas e povos de hoje.176
Com relação ao tema da ecologia, não há dúvidas de que além do empenho pessoal e coletivo de cuidar da criação, também é preciso clamar por cuidados, exigir a corresponsabilidade. Por isso, as igrejas vêem se pronunciando sobre as mudanças climáticas e o CMI tem sido um congregador de forças e de vozes solidárias com a vida. E assim se constitui um movimento ecumênico ecológico em nível mundial. Pois, além do olhar global, são necessárias ações globalizadas e a articulação em rede das ações locais.
175
Neste sentido, vale a pena ter presente a Carta da Terra, um documento da ONU que pode direcionar os países, povos, culturas e religiões diferentes, todos e todas num objetivo comum que é a salvaguarda da criação de Deus. É hora de agirmos juntos porque tudo está implicado para todos. Com um senso de justiça e ética a família humana precisa agir de forma local e global, atendendo os anseios básicos, superando as alienações do preconceito, percorrendo um caminho de paz entre os humanos, garantindo também uma relação de paz com a natureza. Para isso precisamos pensar e definir alguns
consensos mínimos entre os humanos, fundar uma “ética planetária” que tem como base o diálogo, a mística e a espiritualidade numa convergência entre as religiões (BOF, 2000). “Estamos diante de um momento crítico na história da
Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio de uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os
outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações.” (Preâmbulo da Carta da Terra, aprovada pela ONU
em 2002).
176 Cf. WCC. Minute on global warming and climate change (20/02/2008). Disponível em:
<http://www.oikoumene.org/en/resources/documents/central-committee/geneva-2008/reports-and-documents/public- issues/minute-on-global-warming-and-climate-change.html> Acesso em 20 nov. 2011. p. 5610.