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2. KABLOSUZ VÜCUT ALAN AĞLARI

2.1. IEEE 802.15.6 STANDARDI

A crise de 1929, que afetou a economia mundial de forma drástica, somada à

“revolução” de 1930 no Brasil, levou a grandes transformações políticas, econômicas e

sociais no país. Somam-se a isso a ocorrência e conseqüuncias da Segunda Guerra Mundial (1939 a 1945). O Brasil agro-exportador vai perdendo espaço para um Brasil urbano- industrial, no qual a estrutura descentralizada de gestão do Estado, comandada pelas oligarquias agro-exportadoras regionais, vai sendo substituída por uma forte centralização do poder na esfera federal, em detrimento do poder dos estados, agora com fortes influências de setores da burguesia industrial nacional, apoiados por militares em aliança com a classe média. A estrutura econômica, formada por arquipélagos econômicos ligada à internacionalização da economia, cede espaço para uma economia nacional, cimentada pela industrialização interna, que vai substituindo as importações (OLIVEIRA, 1986).

Da mesma forma o setor elétrico brasileiro será afetado pelo novo direcionamento político-econômico colocado em curso no governo de Getúlio Vargas. Dentre as ações que afetarão diretamente esse setor podem ser destacadas: o ato assinado em 1931, que proibia aquisição ou concessão de aproveitamento sobre cursos ou quedas d´águas pelo capital privado; a criação do Departamento Nacional de Produção Mineral, em 1933, ligado ao Ministério da Agricultura, que passou a gerenciar as atividades ligadas à exploração de energia hidráulica, irrigação, concessões e legislações de águas; a extinção da Cláusula Ouro no setor elétrico, em 1933; e a promulgação do Código de Águas, em 1934 (PINHEIRO, 2006). Também a criação do Conselho Nacional de Águas e Energia Elétrica (CNAEE), criada em 1939, é considerada por Silva (2001) como uma importante ação do governo federal, no sentido de intervir no setor elétrico, com a função de estudar, opinar e propor ao Governo Federal temas e medidas relacionadas ao assunto.

No que diz respeito ao Código de Águas, algumas características estão diretamente ligadas à questão de energia hidrelétrica:

a) Quedas de água e outras fontes de energia hidráulicas são consideradas bens

distintos e não integrantes das terras (art. 145);

b) As quedas de água e outras fontes de energia hidráulica são incorporadas ao

patrimônio da Nação, como propriedades inalienáveis e imprescindíveis (art. 147);

c) O aproveitamento industrial das quedas de água e outras fontes de energia

hidráulica será feito por concessão do Governo (art. 139);

d) As empresas serão fiscalizadas pelo governo inclusive em sua contabilidade

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e) As tarifas serão estabelecidas na base de serviços prestados pelo preço de

custo (art. 180);

f) O capital das empresas será avaliado na base do custo histórico (art. 180);

g) As concessões só serão concedidas a brasileiros ou a empresas organizadas

no Brasil (art. 195);

A maioria de diretores de empresas será constituída de brasileiros residentes no Brasil ou deverão as administrações dessas empresas delegarem poderes de gerencia exclusivamente a brasileiros (art. 195 - § 1º)

Deverão essas empresas manter em seus serviços no mínimo dois terços de engenheiros e três quartos de operários brasileiros (art. 195 § 2º) (BRANCO, apud CERVINSKI, 2003, p.25-26).

O Código de Águas representou um instrumento que marca uma intervenção mais direta do Estado sobre seu território, mais especificamente sobre subsolo e águas.

Com relação ao CNAEE, ele se encarregou

[...] de manter estatísticas, organizar planos de interligação de usinas e sistemas elétricos, regulamentar o Código das Águas, examinar todas as questões tributárias referentes à industria de energia elétrica e resolver, em grau de recurso, o dissídio entre a administração pública e os concessionários (SILVA, 2001, p.47).

Ao mesmo tempo em que se tinha uma disputa sobre a forma como controlar a energia elétrica, com a ampliação do setor industrial e o do consumo de energia residencial, bem como com a ampliação da rede de iluminação pública, se fazia necessário ampliar a produção dessa energia.

Em 1942, o governo brasileiro contrata um grupo de estudiosos norte-americanos, liderado por Morris Coke53, com a missão técnica de planejar a mobilização econômica do Brasil. Em seu relatório final, esse grupo apresentava as deficiências no setor elétrico como um dos pontos de estrangulamento ao desenvolvimento do país, e propunha metas que deveriam nortear as ações do governo no setor elétrico.

[...] preconizava como metas prioritárias de uma política energética a eletrificação ferroviária e a interligação de usinas, destacando o grande potencial hidráulico do país e a vantagem da opção hidrelétrica (CENTRO DE MEMÓRIA DA ELETRICIDADE, apud SILVA, 2001).

Até então a iniciativa privada mantinha o absoluto domínio do setor elétrico, sem interesse em investir fora dos grandes centros urbanos, sendo que as primeiras ações de maior intervenção do poder público nessas áreas se darão no âmbito dos estados ou regiões, sem que haja uma planificação centralizada. Nessa perspectiva podem ser destacadas as ações desenvolvidas pelos governos dos estados do Rio de Janeiro, do Rio Grande do Sul e de grupos da região Nordeste (PINHEIRO, 2006; SILVA, 2001).

O governo do Rio de Janeiro já tinha a concessão para produção e distribuição de

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energia no norte do estado desde 1937, mas, foi a partir de 1939, que se iniciaram as obras. Em 1945 o estado também recebeu a autorização do governo federal para organizar a Empresa Fluminense de Energia Elétrica.

No Rio Grande do Sul, em 1943, foi criada a Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), com o objetivo de suprir as demandas de energia que se colocavam no estado. Uma das ações colocadas em prática foi a transferência das concessões municipais para o domínio estadual, interligando as centrais elétricas.

No Nordeste, criou-se a Companhia Hidrelétrica do São Francisco (CHESF), em 1948, que foi a primeira empresa voltada à geração de energia elétrica organizada pelo governo federal54 e “foi criada devido a ineficiência de atendimento do setor privado no Nordeste

brasileiro, pois a AMFORP supria somente as capitais” (LIMA, 2004 p. 74). O anteprojeto de

uma organização para realizar o aproveitamento de energia hidráulica no rio São Francisco foi apresentado ao governo federal em 1944, sendo autorizada sua formação em outubro de 1945. Pinheiro (2006) destaca que a CHESF representa um marco para o setor elétrico do país, pois além de marcar o princípio do Estado como construtor de usinas hidrelétricas, essas passam também a ser de grande porte, além de inaugurar a tendência de separação entre geração (governo federal) e distribuição (governos estaduais) de energia55.

Essa mudança no setor energético, onde a mão do Estado se fazia cada vez mais presente, era parte de uma estratégia criada pela burguesia industrial nacional, que buscava formas de reduzir seus custos de produção para ampliar sua taxa de lucro. A ação do Estado no setor de energia, nesse caso nas fontes hidráulicas, deveria eliminar o lucro suplementar que vinha sendo acumulado pelas empresas estrangeiras que dominavam o setor e repassá-lo para aos consumidores, principalmente para os investidores da indústria nacional, por meio de

preços mais reduzidos de energia, pois a tarifa da eletricidade passaria ter o “seu preço

determinado pelo custo da produção própria – hidrelétricas - mais uma taxa correspondente ao

lucro médio do capital sobre os investimentos realizados” (GONÇALVES JUNIOR, 2007,

p.208).

Essas mudanças que vinham ocorrendo no setor de energia elétrica acabaram levando à diminuição de investimentos na geração dela pelas empresas privadas, enquanto se ampliava o consumo de energia, tanto por parte das indústrias como dos consumidores residenciais, o

54 O modelo hidrelétrico que passou a ser implantado pelo Governo Federal buscava seguir a experiência da

Tennesse Valley Authority (TVA), que buscava o desenvolvimento integrado da bacia hidrográfica, buscando articular gestão de recursos hídricos e geração de energia (ver SILVA, 2001).

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É importante destacar que, mesmo com predomínio desta separação, alguns governos estaduais investiram na geração de energia, e o governo federal fez alguns investimentos na sua transmissão.

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que indicava a possibilidade do surgimento de uma crise energética.

Benzer Belgeler