2. GEREÇ ve YÖNTEM
2.1. Vitrifikasyon ĠĢlemi Ġçin Yapılan Ön Hazırlıklar
2.1.6. ICSI Hazırlığı
Temos convicção de que é importante, neste capítulo, atentarmos para o fato de que o entorno da EMPAA não está isolado de contextos socioculturais mais amplos e que estes exercem influência nos modus operandi da população pertencente ao conjunto Nova Natal. Isto é, em um mundo atual, globalizado e em intercomunicação constante pelas formas mais diversas, dos povos, por novas tecnologias, os imbricamentos sociais e culturais provocam intersecções humanas que acentuam as formas de existência em comunidades de abrangência territorial menor e social menores, como no citado conjunto. Acentuamos que não é imprudente imaginar o itinerário histórico do entorno da escola sem pensarmos que esse percurso – que conforma conflitos e embates – esteja fora de contextos mais amplos e alheios às transformações sociais mais abrangentes, como as que ocorreram na cidade, no país e no mundo.
De acordo com Santos (2011, p. 27), “A globalização, longe de ser consensual, é um vasto e intenso campo de conflitos entre grupos sociais, Estados e interesses hegemônicos, por um lado, e grupos sociais, Estados e interesses subalternos, por outro”. Essa afirmação nos faz refletir acerca de como se coaduna uma conjugação social por meio de questões tão complexas no seio da educação escolar nos tempos de hoje. E refletir sobre isso nos parece importante em relação ao que trabalharemos neste capítulo – desenvolvido dentro do aspecto da inserção de saberes presentes no cotidiano do entorno no currículo da EJA na EMPAA; pois, é no seio do cotidiano de uma comunidade de que faz parte a escola e a partir do olhar do aluno sobre o local onde vive, com suas formas identitárias de existir, que poderemos tecer considerações sobre o que nos propomos neste estudo.
Vivemos num mundo social onde novas identidades culturais e sociais emergem, se afirmam, apagando fronteiras, transgredindo proibições e tabus identitários, num tempo de deliciosos cruzamentos de fronteiras, de um fascinante processo de hibridização de identidades (SILVA, 2001, p. 7).
Diante do exposto, entendemos que é por meio da questão do currículo escolar e a partir de suas teorizações que podemos tecer ponderações, reflexões, atitudes e estudos sobre esse campo de conhecimento da educação, para que tenhamos como problematizar os diversos conhecimentos que permeiam a escola (mas que nem sempre são discernidos), de modo a se ter como horizontalizar as práticas pedagógicas por meio do diálogo e de comutações de saberes (entre docentes e discentes, principalmente). Para tanto, precisamos ter atenção reflexiva sobre o mundo atual e suas diversas conformações de contextos sociais e culturais no âmbito da enorme gama dos meios pelos quais se compartilham experiências e informações, pois, entendemos que eles são necessários no processo de ensino e de aprendizagem na EJA e contribuem para nos dar melhor amparo interpretativo neste trabalho.
Parece-nos que a educação formal (que também é território legítimo para a compreensão do mundo contemporâneo e seus diversos saberes) e, em especial, através dos estudos sobre currículo, nos permite criar meios que propiciem aos agentes escolares as bases epistemológicas pertinentes para que se possibilitem os caminhos mais adequados em cada contexto escolar, para uma formação emancipadora das pessoas. E nesse diálogo com o itinerário sociocultural de Nova Natal, interpretando-o pela via do olhar de moradores dessa comunidade, essas reflexões são pertinentes para lançarmos o olhar sobre nosso objeto deste estudo.
Assim, pensar o mundo atual dentro dos processos de formação escolar é compreender que a comunidade onde está a escola faz parte dele. Sob essa ótica, ter consciência de que ao mesmo tempo em que a humanidade avança significativamente em campos como o das ciências e o das tecnologias, ainda sofre de problemas extremos, tais como os conflitos entre povos e a miséria que leva à fome de milhões de seres humanos no planeta, gerando problemas sociais graves para todos. Nesse sentido, de modo geral, é necessário perceber que dentro da escola, no currículo, a compreensão crítica do mundo precisa estar presente no processo de ensino e de aprendizagem.
Desse modo, compreendemos que na EJA a comunidade onde a escola está inserida é o campo potencial mais explícito como exemplo material e imaterial da sociedade para que se possa debater a contemporaneidade de forma concreta e significativa, podendo ser ponto para outras interlocuções em sala de aula e outros desdobramentos pedagógicos.
Neste aspecto, ao falarmos dos saberes presentes no cotidiano de Nova Natal e sua problematização quanto à inserção no currículo da EJA na Escola Municipal Professor Amadeu Araújo, estamos acenando para um caminho pedagógico que pode transversalizar problematizações de aspectos reflexivos e similares quanto às questões socioculturais que perpassam o espaço do entorno da escola e que se correlacionam, de forma espelhada, com a complexa teia humana da atualidade – onde as certezas, bem como as incertezas e os embates de povos e grupos estão em constante dinamicidade. Assim, concordamos com Moreira (2005) quando este afirma que, atualmente, vive-se um tempo em que verdades se desvanecem, certezas se enfraquecem, dúvidas se acumulam, ambiguidades se exacerbam, caminhos se multiplicam.
Diante de realidades díspares e imprevisíveis, faz-se necessário pensar que tipo de humanidade existe agora e que humanidade existirá no futuro, a partir das decisões tomadas no tempo presente. Assim, a educação tem papel fundamental nesse contexto de reflexões/problematizações globais, regionais e locais – ao refletir sobre a humanidade, sociedades e grupos sociais e suas dinâmicas culturais na formação do sujeito – buscando meios de interligar saberes e de atenuar a fragmentação humana. “Ao pensarmos o que acontece no mundo contemporâneo, faz-se muito claro que tudo que pensamos como estável, invariável ou universal se fragmenta em uma descontinuidade ou em uma série de particularidades” (CHARTIER, 2001, p. 152).
A partir dessa premissa, precisamos refletir sobre o papel da educação nesse contexto amplo, interdependente e complexo e, pensando a formação emancipadora dos sujeitos, é que encontramos anseios pertinentes acerca da importância de estudarmos a questão do currículo na Educação de Jovens e Adultos com a participação, no campo empírico, de alunos e de seus olhares sobre esta modalidade do Ensino Fundamental e, em especial, ao pensarmos acerca dos saberes que estão no entorno da escola.
A educação5 como fenômeno dinâmico, mutável e complexo (porque assim são as pessoas, suas sociedades e culturas), de acordo com Freire (2011),
5 Neste capítulo, quando utilizamos o termo “educação”, nos referimos sempre à educação escolar,
sistematizada. Temos a clara compreensão de que os processos formativos são possibilitados em quaisquer esferas educacionais de um indivíduo e permutam-se em reflexões/ações transeuntes que
deve possibilitar ao homem uma discussão corajosa de sua problemática e que não leve o indivíduo à perdição de seu próprio “eu”. Assim, o contexto em que saberes estão permeados no cotidiano das pessoas, e tecem suas redes de sentido dentro de um espaço/tempo sociocultural, a educação (por meio, principalmente do currículo) ganha contornos políticos ao repensar a emancipação dos sujeitos. Como ato político, ela pode permear o ser humano para que possa refletir/agir sobre sua própria condição e de seus semelhantes no percurso de seu tempo [diríamos também de seu espaço]. “A educação política significa reconhecer que a educação é política porque é diretiva e dirige-se a uma natureza inacabada daquilo que significa ser humano, intervir no mundo, pois o protagonismo humano é condicionado e não determinado” (GIROUX, 2003, p. 161).
Uma educação política, para Giroux (2003), deve oportunizar aos estudantes formas para que possam alterar a estrutura de participação e o horizonte do debate pelo qual suas identidades, seus valores e seus desejos são moldados. Nesse sentido, entendemos que os olhares dos participantes, no que tange ao conjunto Nova Natal (a partir dos objetivos que nos propomos a alcançar), estão carregados de suas próprias identidades e valores que os moldaram ao longo de suas trajetórias de vida – onde a influência de um campo mais global e da própria comunidade está também inoculada em suas formas de pensar, agir e sentir. Assim, entendemos que essas implicações entre o global e o local estão transversalizadas num currículo que pense praticar o entrecruzamento de diversos saberes e os conhecimentos escolares mais tradicionais6 para que se chegue ao que Demo (2001) definiu como função da educação: desenvolver a incubação da cidadania.
A escola tem como ser espaço para a discussão política na conjectura sociocultural das pessoas. Entendemos que essas reflexões ampliam nossa base de interpretação em relação ao nosso objeto de estudo, permitindo um olhar problematizador diante de nossos objetivos, no sentido de possibilitar uma percepção mais ecológica das interfluências e interconexões dos conhecimentos e suas amplitudes (em espaços/tempos mais dilatados ou restritos, entre o local e o global). Essa dimensão está estreitamente interconectada com os processos político-econômicos produzidos em nossa sociedade capitalista de forma mais abrangente. Assim,
permeiam a família, os contextos sociais e culturais onde está inserido o ser humano: no trabalho, nas interpelações afetivas, nos meios de comunicação, entre outros.
6
Optamos pelo uso dos termos ‘saberes cotidianos’ e ‘conhecimentos tradicionalmente sistematizados nas escolas’ apenas e tão somente como forma didática para facilitar o entendimento da leitura.
compreender e problematizar as questões sociais e de ação ou omissão do poder público no contexto em que a escola está inserida – em seu percurso histórico e contemporâneo – pode possibilitar a reflexão sobre a mobilização de consciências críticas na busca por emancipação dos sujeitos da EJA ao refletirem partes e todo no âmbito de suas tensões, suas imbricações e memórias. Nesse sentido, o professor deve assumir um papel importante na mediação dessas questões, o que Giroux (2003) chamou de intelectual público, isto porque um...
[...] possível requisito para professores que assumem a posição de intelectuais públicos é desenvolver novas formas de lidar com a história. Perspectivas que permitam um olhar crítico sobre as relações entre os fatos históricos e a forma como são produzidos e lembrados pelas narrativas. Isso sugere que os educadores afirmem a importância pedagógica de educar os estudantes para serem proficientes na linguagem da memória pública (GIROUX, 2003, p. 46).
Neste ponto concordamos e aprendemos com Giroux (2003), que nos aponta uma forma de reflexão – como acima citada – que nos serve para entendimentos problamatizadores quanto ao que estamos nos propondo neste trabalho.