Resim 52: Andy Warhol
II. I RENK VE PSİKOLOJİ
O método de enxertia Fenda garfagem apresentou maior porcentagem de cicatrização no local da enxertia (95,8%). Porém o método Encostia obteve menor porcentagem de cicatrização (78,5%). O método Contato em bisel obteve porcentagem de cicatrização do local de enxertia de 89,6% (Figura 4).
O método Fenda garfagem é bastante utilizado em culturas da família botânica solanácea, como por exemplo, tomateiro e pimenteiro. Os viveiristas e alguns produtores têm adotado principalmente o método Contato em bisel, o qual facilita principalmente a rapidez na realização da enxertia. Já o método de Encostia é raramente utilizado em solanáceas, o qual não seria recomendado para o tomateiro de acordo com os resultados deste estudo, pois apresentou a menor porcentagem de cicatrização no local de enxertia (Figura 4).
Figura 4. Porcentagem de cicatrização do local da enxertia em função dos métodos de
enxertia em tomateiro. UNESP-FCA, 2010.
7.1.2 Atividade das enzimas SOD, CAT, POD, teor de Fenóis e PPO em função dos métodos de enxertia e do dia após a enxertia
Houve interação do método de enxertia com o dia após a enxertia (DAE) na atividade das enzimas SOD, POD, teor de fenóis e PPO (Tabelas 4, 6, 7 e 8). Por outro lado, não ocorreu interação do método e do dia após enxertia na atividade da enzima CAT, porém a atividade dessa enzima variou em função do dia após a enxertia (Tabela 5).
A maior atividade da SOD observada (1,22 U g-1 proteína) ocorreu nos métodos de enxertia Contato em bisel e Fenda garfagem no terceiro DAE (Tabela 4). Esta maior atividade pode ter sido em função do aumento do radical superóxido (O-2) que provavelmente deve ter sido formado em resposta ao estresse causado pelo corte e cicatrização do local da enxertia. A SOD é responsável pela a dismutação do O2- em H2O2 (GRATÃO et al., 2005).
Após o pico da atividade observado no terceiro dia, notou-se uma tendência de diminuição até os 12 DAE, época em que as plantas já podem ir para o transplante. A menor atividade da SOD (1,16 U g-1 proteína) ocorreu em função da interação entre os métodos de enxertia e aos 9 DAE (Tabela 4).
Tabela 4. Atividade da enzima SOD (U g-1 proteína) em função do método de enxertia e do dia após enxertia. UNESP-FCA, 2010.
Dias após a enxertia (DAE)
Métodos enxertia 0 3 6 9 12
Contato em bisel 1,20 aB 1,22 aA 1,19 aB 1,16 aC 1,18 aB Fenda garfagem 1,20 aB 1,22 aA 1,17 bC 1,16 aC 1,18 aBC
Encostia 1,20 aA 1,17 bB 1,17 bB 1,16 aB 1,18 aB Enxerto pé-franco 1,19 aA 1,16 bBC 1,17 abBC 1,16 aC 1,18 aAB
CV = 0,87 % F = 7,90*
* Teste F significativo a 5 % de probabilidade.
Letras minúsculas comparam nas colunas e letras maiúsculas comparam nas linhas. As médias seguidas pela mesma letra não diferem estatisticamente entre si. Foi aplicado o Teste de Tukey a 5% de probabilidade.
Como não ocorreu interação entre os fatores métodos de enxertia e dias após a enxertia para a atividade da enzima CAT, os resultados desta enzima foram apresentados por fator (Tabela 5) e não com interação como as demais.
Não houve diferença na atividade da CAT entre os métodos de enxertia (Tabela 5), porém o DAE influenciou sobre a atividade da enzima. A maior atividade da CAT foi obtida aos 12 DAE, mas esta atividade não diferiu estatisticamente da ocorrida no dia da enxertia (Tabela 5). Esta maior atividade é possivelmente devido ao aumento de espécies radicalares, como H2O2, gerado em resposta a enxertia, ou ainda, pelo H2O2 resultante da reação da SOD.
Tabela 5. Atividade da enzima CAT (μmol H2O2 min-1mg-1 proteína) em função do método de enxertia em tomateiro. UNESP-FCA, 2010.
Fatores Médias
Métodos enxertia CAT1
Contato em bisel 2,0 x 10-09 a Fenda garfagem 1,8 x 10-09 a
Encostia 1,8 x 10-09 a
Enxerto pé-franco 2,0 x 10-09 a
Dias após a enxertia (DAE)
0 2,2 x 10-09 a 3 1,8 x 10-09 b 6 1,6 x 10-09 b 9 1,6 x 10-09 b 12 2,3 x 10-09 a CV (%) = 13,97 F = 7,59* 1
Dados originais transformados em 1/√X * Teste F significativo a 5 % de probabilidade.
As médias seguidas pela mesma letra não diferem estatisticamente entre si. Foi aplicado o Teste de Tukey a 5% de probabilidade.
Os dias após a enxertia influenciaram a atividade da POD ocorrida nos métodos Contato em bisel e Fenda garfagem (Tabela 6). Esta atividade diminuiu aos 3 DAE, quando então, ocorre aumento gradativo da atividade da peroxidase (Tabela 6). Este efeito pode ser atribuído ao enxerto ser totalmente desligado do sistema radicular (Figura 5) e no método Encostia, procedimento o qual é popularmente conhecido como desmame, este desligamento só foi realizado aos 12 DAE (Figura 6), e não foi observado diferenças entre as atividades enzimáticas.
A maior atividade da POD (0,15 μmol H2O2 min-1 mg-1 proteína) foi observada na combinação Contato em bisel, Fenda garfagem, aos 12 DAE (Tabela 6). Entretanto, ao se comparar os valores obtidos nesses tratamentos com os demais (Encostia e Enxerto pé-franco), não foi observado diferença estatística neste dia (Tabela 6).
Tabela 6. Atividade da enzima POD (μmol H2O2 decomposto min-1 mg-1 proteína) em função do método de enxertia e do dia após enxertia. UNESP-FCA, 2010.
Dias após a enxertia (DAE)
Métodos enxertia 0 3 6 9 12
Contato em bisel 0,13 aAB 0,11 bB 0,13 aAB 0,14 aA 0,15 aA Fenda garfagem 0,13 aAB 0,11 bC 0,12 aBC 0,14 aAB 0,15 aA Encostia 0,14 aA 0,13 aA 0,13 aA 0,12 aA 0,14 aA Enxerto pé-franco 0,14 aA 0,14 aA 0,13 aA 0,12 aA 0,14 aA
CV = 7,74 % F = 3,03*
* Teste F significativo a 5 % de probabilidade.
Letras minúsculas comparam nas colunas e letras maiúsculas comparam nas linhas. As médias seguidas pela mesma letra não diferem estatisticamente entre si. Foi aplicado o Teste de Tukey a 5% de probabilidade.
Figura 5. Planta de tomateiro enxertada
pelo método Fenda garfagem. Foto: Edvar Silva, 2010.
Figura 6. Planta de tomateiro enxertada
pelo método Encostia. Foto: Edvar Silva, 2010.
A maior produção de fenóis (0,70 mg g-1 massa fresca) ocorreu nos tratamentos Contato em bisel e Fenda gafargem, ambos em interação com o nono DAE e nos tratamentos Fenda garfagem e Encostia, ambos em interação com os 12 DAE (Tabela 7). Esta maior produção de fenóis nestes tratamentos coincide com elevadas atividades da PPO nestas mesmas interações de tratamentos (Tabela 8).
É importante ressaltar que a enzima PPO tem como substrato os fenóis, que se formam geralmente, em condições de estresse como, infecções, ferimentos, radiação ultravioleta, dentre outros (ANGELO & JORGE, 2007). Isto reforça a ocorrência deste maior teor de fenóis nas plantas enxertadas que sofreram maior estresse, devido ao corte para se fazer a enxertia e o processo da cicatrização do local da enxertia.
A menor produção do teor de fenóis (0,62 mg g-1 massa fresca) foi observada na testemunha em interação com o dia da enxertia (Tabela 7), possivelmente porque as plantas deste tratamentos não sofreram corte para se fazer a enxertia, condição pela qual pode ter induzido nos demais tratamentos o aumento no teor de fenóis. Esta menor produção de fenóis na testemunha no dia da enxertia coincide com baixa atividade da PPO observada (tabela 8).
Tabela 7. Teor de fenóis (mg g-1 massa fresca) em função do método de enxertia e do dia após enxertia. UNESP-FCA, 2010.
Dias após a enxertia (DAE)
Métodos enxertia 0 3 6 9 12
Contato em bisel 0,66 aAB 0,68 aAB 0,67 aAB 0,70 aA 0,63 bB Fenda garfagem 0,65 aB 0,66 aAB 0,65 aB 0,70 aA 0,70 aA Encostia 0,64 aB 0,65 aAB 0,64 aB 0,63 bB 0,70 aA Enxerto pé-franco 0,62 aB 0,69 aA 0,64 aB 0,64 bB 0,63 bB
CV = 3,75 % F = 3,31*
* Teste F significativo a 5 % de probabilidade.
Letras minúsculas comparam nas colunas e letras maiúsculas comparam nas linhas. As médias seguidas pela mesma letra não diferem estatisticamente entre si. Foi aplicado o Teste de Tukey a 5% de probabilidade.
Assim como na atividade da enzima POD e teor de Fenóis, a interação dos fatores métodos e dias após a enxertia também influenciaram sobre a atividade da enzima PPO (Tabela 8).
Todos os métodos de enxertia apresentaram as maiores atividades da PPO aos 12 DAE (Tabela 8), sendo que neste dia, o método Fenda garfagem e Encostia apresentaram as maiores atividades da PPO (Tabela 8).
De acordo com o desdobramento de DAE dentro dos métodos de enxertia, observou-se que a atividade da PPO diminuiu no terceiro DAE e aumentou logo em seguida nas plantas enxertadas pelos métodos Contato em bisel e Fenda garfagem (Tabela 8). Já as plantas enxertadas por Encostia e a testemunha apresentaram variação na atividade da PPO, sendo que a menor atividade das plantas enxertadas por Encostia foi no terceiro DAE e a da testemunha no sexto DAE (Tabela 8).
No nono DAE, as mudas submetidas aos métodos de enxertia apresentaram maior atividade da PPO que a testemunha (Enxerto pé-franco), porém ao comparar Fenda garfagem e Encostia, não pode ser observada diferença (Tabela 8).
A menor atividade da PPO ocorreu no terceiro DAE nas plantas enxertadas por Fenda garfagem, que não diferiram das plantas do método Contato em bisel (Tabela 8).
A variação da atividade da PPO na testemunha pode ter sido devido ao calor dentro da câmara úmida, já que este tratamento não sofreu corte, pois o mesmo não era enxertado.
Tabela 8. Atividade da enzima PPO (µmol catecol oxidado min-1 µg-1 proteína) em função do método de enxertia e do dia após enxertia. UNESP-FCA, 2010.
Dias após a enxertia (DAE)
Métodos enxertia 0 3 6 9 12
Contato em bisel 128,08 aB 97,02 bcD 100,51 aD 109,70 aC 145,15 aA Fenda garfagem 129,09 aB 96,19 cD 105,58 aC 108,36 abC 149,96 aA Encostia 128,98 aB 103,67 abC 106,24 aC 104,43 abC 149,52 aA Enxerto pé-franco 127,08 aB 105,71 aC 99,50 aC 102,50 bC 145,97 aA
CV = 3,24 % F = 3,12*
* Teste F significativo a 5 % de probabilidade.
Letras minúsculas comparam nas colunas e letras maiúsculas comparam nas linhas. As médias seguidas pela mesma letra não diferem estatisticamente entre si. Foi aplicado o Teste de Tukey a 5% de probabilidade.
Houve variações tanto da atividade das enzimas SOD, POD, PPO quanto do teor de fenóis em função do método de enxertia utilizado e do tempo após a realização da enxertia. Em boa parte destas variações foram observadas diferenças estatísticas significativas.
As plantas enxertadas apresentaram maiores atividades das enzimas SOD, POD, PPO e teores de fenóis que as pé-franco (testemunha), sendo que as plantas enxertadas por Contato em bisel e Fenda garfagem se destacaram com valores maiores, principalmente na atividade das enzimas POD e PPO.
As variações nas atividades da CAT e POD em função do tempo em plantas enxertadas de tomateiro também foram observadas por Fernandez-García et al. (2004), que constataram aumento na atividade de POD ao longo do período após a enxertia (4, 8 e 15 DAE). Porém, estes mesmos autores perceberam que neste período a atividade da CAT aumenta até os 8 DAE e diminui aos 15 DAE. Foram observadas variações parecidas na atividade da POD entre os 3 e 12 DAE nas plantas enxertadas por Contato em bisel e Fenda garfagem (Tabela 6), entretanto, não se observou o mesmo para atividade da CAT (Tabela 5).
No período após a enxertia, a planta passa por estresse, que é o processo de cicatrização do local de enxertia, que exige gasto energético. Em situação de estresse, o metabolismo destas plantas sofre alterações e as enzimas também tem variações em
suas atividades fazendo com que a planta se recupere desse estresse com menor gasto energético.
As enzimas POD e PPO foram as que melhor responderam ao estresse causado pela enxertia. Em tomateiro, a POD é uma das enzimas envolvidas no último passo na lignificação (NICHOLSON & HAMMERSCHMIDT, 1992), em resposta ocorrida logo depois do estresse causado, seja por ferimentos ou pelo ataque de patógenos.
Com relação a PPO existem relatos da participação desta enzima na defesa da planta contra patógenos (SILVA et al., 2007; VANITHA, et al., 2009), porém não foi encontrado estudo relacionando a atividade desta enzima com estresse causado pela enxertia. Baseado no fato que esta enzima catalisa a oxidação de compostos fenólicos próximo ao local estressado, onde há degradação celular (THIPYAPONG et al., 2007), e de acordo com os resultados deste estudo da técnica da enxertia e enzimas, podemos afirmar que além da POD, há também participação da PPO na defesa ao estresse causado pela enxertia.
7.2 EXPERIMENTO 2: Incidência da murcha bacteriana do tomateiro, trocas gasosas, atividade de enzimas antioxidantes e teor de fenóis em plantas de tomateiro enxertadas e inoculadas com R. solanacearum
7.2.1 Incidência da murcha bacteriana em plantas de tomateiro enxertadas e pé- franco de tomateiro
Não houve diferença da porcentagem de folhas murchas aos 0 e 5 dias após a inoculação (DAI) (Tabela 9). Nestes dias as plantas ainda não apresentavam sintomas da doença, porém aos 10 e 15 DAI foi observado diferença entre os tratamentos e elevada incidência da doença.
As plantas enxertadas e o porta-enxerto pé-franco inoculados com R. solanacearum apresentaram menor porcentagem de folhas murchas, tanto aos 10 DAI, quanto aos 15 DAI (Tabela 9). Por outro lado, o enxerto pé-franco inoculado com R. solanacearum apresentou maior porcentagem de folhas murchas (Tabela 9) e, portanto, considerado suscetível.
O porta-enxerto pé-franco foi considerado resistente, pois aos 15 DAI não diferiu do enxerto não-inoculado (testemunha) quanto a porcentagem de folhas murchas (Tabela 9). Apesar das plantas enxertadas inoculadas diferirem do enxerto não-inoculado, as mesmas não diferiram do porta-enxerto pé-franco inoculado e apresentaram baixa incidência da murcha bacteriana, principalmente quando comparadas ao enxerto inoculado (Tabela 9). Isto caracteriza as plantas enxertadas como moderadamente resistentes, e dependendo da infestação da área por R. solanacearum, a enxertia pode ser uma alternativa de controle.
Tabela 9. Porcentagem de folhas murchas em tomateiro ‘Pizzadoro’ pé-franco e enxertado em
porta-enxerto ‘Guardião’, inoculado e não-inoculado com R. solanacearum. UNESP-FCA, Botucatu, SP, 2011.
Tratamentos 0 DAI 5 DAI 10 DAI1 15 DAI
Plantas enxertadas inoculadas 0,00 a 0,00 a 22,78 b 29,23 b Enxerto pé-franco inoculado 0,00 a 0,00 a 80,57 a 100,00 a Porta-enxerto pé-franco inoculado 0,00 a 0,00 a 15,41 b 14,91 bc Enxerto pé-franco não-inoculado 0,00 a 0,00 a 0,00 c 0,00 c
F ns ns 26,78* 101,25*
CV (%) 0,0 0,0 58,7 38,6
* ou ns Teste F significativo ou não significativo a 5 % de probabilidade
Médias seguidas de mesma letra não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. DAI: Dias após a inoculação.
1 Dados originais transformados para √X
A resistência do porta-enxerto ‘Guardião’ foi reconfirmada, assim como o descrito no catalago da empresa Takii do Brasil. A moderada resistência das plantas enxertadas e a suscetibilidade do enxerto ‘Pizzadoro’ pode ser confirmada com a massa fresca e seca das plantas aos 15 DAI (Tabela 10).
Tabela 10. Massa fresca (g) e massa seca (g) em tomateiro ‘Pizzadoro’ pé-franco e enxertado
em porta-enxerto ‘Guardião’, inoculado e não-inoculado com R. solanacearum, aos 15 DAI. UNESP-FCA, Botucatu, SP, 2011.
Tratamentos Massa fresca1 Massa seca1
Plantas enxertadas inoculadas 115,87 a 12,76 ab
Enxerto pé-franco inoculado 20,28 b 1,85 c
Porta-enxerto pé-franco inoculado 123,99 a 10,53 b Enxerto pé-franco não-inoculado 141,93 a 15,16 a
F 52,98* 40,35*
CV (%) 15,9 19,7
* ou ns Teste F significativo ou não significativo a 5 % de probabilidade
Médias seguidas de mesma letra não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. DAI: Dias após a inoculação.
1 Dados originais transformados para √X
A enxertia estudada neste trabalho ocasionou menor porcentagem de folhas murchas que os indutores de resistência acibenzolar-S-metil, extratos aquosos de Agaricus blazei e Lentinula edodes testados por Silva et al. (2007). Isto reforça a enxertia como uma boa alternativa de controle para a murcha bacteriana, porém seria importante o uso desta técnica juntamente com o manejo integrado.
7.2.2 Trocas gasosas em plantas de tomateiro enxertadas e pé-franco e inoculadas