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İzomerizm ve Zincir Esnekliği

2.3 Membran Malzemeleri

2.3.1 İzomerizm ve Zincir Esnekliği

Em especial no projeto Shogum dos Mortos, a presença de material jornalístico sobre os projetos nos dão também uma boa perspectiva dos esforços de mobilização. Com presença tanto em sites especializados em quadrinhos e cultura pop quanto em grandes veículos de mídia, o projeto apresentou uma forte presença midiática que pode ter colaborado para seu sucesso. Já o projeto Gnut teve pouca repercussão em grandes veículos, mas foi citado em algumas matérias especializadas. Contudo, percebemos já na exploração que sua força divulgadora esteve mesmo presente no Facebook, contando com o apoio dos colaboradores mais engajados no processo. Sem a intenção de fazer uma análise das matérias em si, nosso intento é aproveitar algumas falas dos proponentes nestas matérias e também perceber algo do discurso midiático sobre os projetos e a prática. Este é um elemento acessório à nossa análise que, dentro do eixo espacial, ajudará a perceber como o crowdfunding se posiciona como uma prática alternativa de financiamento e como os projetos escolhidos se fazem ver num contexto em que disputa territórios do

ciberespaço com outros projetos e tantas outras atrações ciberculturais. Entra também aqui o blog do Catarse, que fornece informações importantes sobre a plataforma e o

crowdfunding, bem como atua como espaço de informação e interação com os possíveis

proponentes e colaboradores de projetos. 4.3 Uma análise cibertopológica

Exercer uma análise cibertopológica parte do pressuposto que podemos mapear o ciberespaço, seus lugares e territórios, dando a estes características peculiares no que tange à interação entre os sujeitos, à disponibilidade de informação, à arquitetura dos dispositivos, às possibilidades de participação e cooperação. A topologia do ciberespaço foi discutida no capítulo que abriu este trabalho e acreditamos que serve como uma boa base divisória para os eixos de análise que aqui propomos baseados naquela discussão teórica – eixo espacial, local e territorial. Os dois últimos estão inseridos no primeiro que, por sua vez, está contido no mar de dados do ciberespaço. Há circularidade de informação entre os eixos ainda que haja menor porosidade nos eixos local e territorial. (fig.3)

Assim, a análise cibertopológica dos processos de financiamento coletivo nos permite perceber: a) a prática posicionada no ciberespaço em relação a outros modos de fazer do consumo colaborativo e de sistemas cooperativos; b) o posicionamento dos projetos em análise no ciberespaço e também em relação a outros projetos semelhantes; c)

compreender os projetos dentro de seu lugar, a plataforma, e as táticas empregadas pelos proponentes para obter sucesso no projeto; d) observar no Catarse (lugar dos projetos e

território do ciberespaço) as conversações estabelecidas entre o proponente e o

colaborador; e) analisar o processo de reapropriação do território Facebook pelos proponentes como um dispositivo mobilizador; f) observar as falas dos apoiadores quando alocadas em outros territórios do ciberespaço.

Todos estes elementos nos permitem buscar respostas para a questão que norteia esta investigação, a saber, quais as peculiaridades da mobilização dos públicos no ciberespaço quando convocados a participar de projetos de crowdfunding e em que medida estas apontam para diferenças da mobilização no ambiente telemático. Considerando a prática como integrante de um sistema cooperativo, é natural que os elementos deste sistema, conforme postulados por Benkler, possam nos dar bons operadores de análise. Não reduziremos o valor de cada operador ao exposto por Benkler, mas sim ampliaremos o potencial de cada um, inserindo outros elementos discutidos no trabalho, em especial as questões relativas à experiência.

Um dos elementos importantes para fortalecer a análise cibertopológica é a “escada de atividades” criada por Shirky (2012) quando discutiu as diferentes formas de participação das pessoas em projetos coletivos. Para Shirky, podemos compartilhar, cooperar e fazer uma ação coletiva, três modos de ação que dizem de uma assimetria da participação dos sujeitos, organizadas segundo seu grau de dificuldade crescente.

O compartilhamento é o nível básico. É mais fácil, de baixo custo cognitivo e financeiro, o que facilita a participação de um número maior de pessoas. Esta esfera é capaz de agregar um volume considerável de participantes e gerar uma consciência compartilhada em torno de uma causa. Compartilhadores são fundamentais num sistema cooperativo e, em especial, no crowdfunding: eles dão visibilidade aos projetos em outros territórios, como o Facebook e o Twitter; espalham o projeto por suas redes sociais e assim podem atingir a multidão de ciberseres que busca vivenciar outro tipo de experiência.

A cooperação é mais complexa. Não basta o ato de compartilhar um conteúdo, mas passa a ser da ordem da criação conjunta de algo, de maneira coordenada. A cooperação é capaz de gerar mais do que um agregado de participantes – leva a uma consciência de grupo. Um resultado dedicado da cooperação é a produção colaborativa que é o mote da prática de crowdfunding: propor uma singularização da experiência que reduz a distância entre o produtor e o consumidor.

O nível mais difícil de ser alcançado na escala de Shirky é o da ação coletiva. Esta é resultado de um esforço conjunto em prol de determinada causa, e funcionaria apenas a partir de uma forte coesão do grupo – todos andando na mesma toada rumo a um objetivo determinado. Aqui o senso de conjunto leva a uma responsabilidade compartilhada, pois “vincula a identidade do usuário à identidade do grupo” (SHIRKY, 2012, p.48). Ainda que a ação coletiva seja um ideal a ser alcançado por muitos grupos, Shirky deixa claro que este não é um gradiente obrigatório e que muitos projetos coletivos podem se sustentar, por exemplo, apenas no nível do compartilhamento. Tendo em vista as colocações de Shirky e Benkler, e as discussões teóricas feitas neste trabalho, optamos pela formulação de quatro operadores analíticos que nos servirão para diferentes propósitos. São eles: convocação, modos de associação e graus de participação, justeza do processo, táticas de singularização da experiência

• Convocação: este operador nos permite analisar as formas que os proponentes utilizam para convocar a multidão à participação. Que tipo de apelo é feito? Em que locais é feita a convocação? Ela foi numericamente efetiva em seu compartilhamento?

• Modos de associação e graus de participação: Este operador nos permite analisar as particularidades quanto à participação dos sujeitos nos diferentes eixos de análise. Estas particularidades se dão de duas formas. A primeira, os modos de associação, dizem das formas de vinculação do sujeito ao projeto – por exemplo, apenas divulgando ou só contribuindo financeiramente. Já os graus de participação dizem da intensidade com que o sujeito se filia ao projeto, do gasto cognitivo, temporal e mesmo financeiro que os sujeitos estão dispostos a ter. Nem sempre a relação entre o modo de associação e o grau de participação é diretamente proporcional. Por vezes há uma assimetria entre estes. Na conjugação entre as diversas formas de associação e as intensidades de participação é que o processo de mobilização pode encontrar um caminho para a formação de um público, elaborando estratégias e táticas capazes de lidar com esta variedade assimétrica de possibilidades.

• Justeza do processo: como vimos anteriormente, a justeza é um componente fundamental ao bom funcionamento do sistema cooperativo. Aqui avaliaremos em que medida as recompensas oferecidas pelo proponente são justas pela perspectiva

dos apoiadores e pelas características dos projetos, comparativamente. Este operador nos permite também perceber se na interação entre proponente e colaborador há uma percepção de justeza, de comprometimento e transparência do processo a partir, também, da influência da reputação da plataforma e do proponente.

• Táticas de Singularização da Experiência: em que medida os projetos se posicionam como algo peculiar na miríade de opções colocadas no ciberespaço para a apropriação dos sujeitos? Este operador articula o conceito de experiência com a “escada de atividades” de Shirky para nos permitir observar as tentativas de proporcionar uma singularização da experiência aos sujeitos. Acreditamos que os proponentes visam dar ao projeto um caráter peculiar capaz de destaca-lo no ciberespaço, na plataforma e na timeline do Facebook através de táticas de mobilização.

Para clarear nossa proposta metodológica, esmiuçaremos os elementos presentes em cada eixo, bem como os operadores que guiarão a análise.

Benzer Belgeler